E como acontecem.
Sugestão de música para ouvir em quanto lê:https://www.youtube.com/watch?v=599sHRgJmUk
Este ano de dois mil de dezessete foi um ano e grande introspecção e principalmente de definir quem eu sou. Eu vim a saber sobre a existência do termo “não-binário” em uma conversa na qual desabafava com uma amiga e desde então, abraçar e me empoderar em quanto pessoa não-binária mudou a minha vida.
As coisas simplismente acontecem, o que podemos fazer é lidar com elas e buscar tirar o melhor proveito de tudo.
Quero muito partilhar uma experiência, uma experiência na qual exigiu coragem e vencer diversas barreiras que a vida me fez levantar.
A algumas semanas eu participei de uma mesa de debate, onde pude me reunir com Triz e Loren Olaf para discutir sobre nossas vidas e batalhas. Sempre amei essas pessoas online e finalmente ve-las e ouvi-las. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Me senti repleta e não sozinha.
Finalizamos a palestra e saimos para continuar a reunião, decidimos ir ao vão do Masp conversar e curtir a noite. Aquele role não poderia acabar assim. Diversas pessoas estavam nesse grupo, entre elas o personagem que seria o pivô de uma revolução interna que nunca experimentei antes. Irei chama-lo de Dexter, os motivos, você irá entender em breve.
Por sinal, antes de continuarmos, preciso lhe avisar que isso não é uma história de amor. Onde o cara perfeito aparece e vivemos momentos loucos de paixão e ternuna, de forma alguma. Se existe amor nessa história há apenas aquele que tenho por mim mesma.
Dexter estava entre o grupo, ele era tranquilo e aparentava suavidez. Tanto na forma de se portar como na forma de se comunicar. Mas o que mais me chamou atenção foi sua grande barba ruíva, talvez por uma questão social ou sei lá, espiritual. Pessoas ruívas me atraem, de forma na qual não consigo processar logicamente.
Obvio que me senti atingida, quase como se um pulso eletrico passasse pelo meu corpo. Meus olhos tinham um alvo aquela noite e por mais que não queria me pegava caindo oberservando seus lábios falar, a forma como passava a mão pela barba. Tudo aquilo parecia ser surreal, aquela noite era surreal, aquele grupo de pessoas eram tudo que eu queria para a minha vida.
Chegamos ao nosso destino, o grupo acabou de dividindo em polos, mas era aquela coisa “todo mundo junto e misturado”. Estava aqui e ouvindo outro ali, ria daqui e refletia dali. Por mais que Dexter estivesse em destes grupos, distantes de onde estava, na minha mente eu estava lá. Tocando os seus lábios com os meus. Eu sabia o que precisava fazer naquela noite.
Eu senti o tempo todo o impulso de ir falar com ele, mas era o medo, ansiedade e sei lá que merda tinha na cabeça, que me empediram de levantar minha bunda gorda daquela mureta e ir lá.
Quando se aproximava da das 23:00 horas eu percebi que ele começou a se despedir de todo mundo. Meu corpo congelou, como assim? Tão cedo?
Era alguma das coisas que passava pela minha mente, mas se eu tinha certeza de algo era que aquele era o momento, era aquele momento ou nunca.
Dexter se despediu de todos e quando chegou minha vez, aquele pulso eletrico se tornou um trovão. Me levantei, segurei sua mão nos afastando do grupo.
Eu era bem mais alta do que ele, mas nada disso me importava naquele momento. Só queria sentir seus labios no meu e nada mais importava.
Olhei em seus olhos e disse:
-Preciso muito lhe dizer algo
Eu não lembro se ele respondeu com “o que?” ou algo do tipo, o que me lembro foi que eu já imbalei e disse:
-Eu quero muito beijar sua boca.
Nisso percebi um pequeno sorriso e ele respondeu:
-Você quer?
Eu soltei um pequno sim e fui direção aos seus lábios e caralho, que beijo gostoso. Não queria mesmo parar, lábios volumosos e a coisa estava fluindo sabe? Pelo menos para mim foi ótimo, estava tão nervosa. Em quanto beijava ele parecia minha alma ia sair do meu corpo. “EU REALMENTE CONSEGUI FAZER ISSO?!” eu gritava na minha cabeça. Me senti leve, me senti forte e me senti empoderada.
Não sei se a experiência dele foi tão boa quanto a minha, fazia literalmente anos que não beijava alguém com tanto desejo. De qualquer forma a personagem principal deste role sou muá. E para mim tudo aquilo foi mágico, dei um beijo de despedida e simplisemente o observer desaparecer entre as grandes construções seguindo o se rumo.
Hugo Nasck, a bixa de 2 metros, aquela que só ouviu falar sobre autoestima. Conseguiu ter coragem de chegar em alguém que ela desejava.
Naquele momento eu oficializava o meu relacionamento comigo mesmo. Cresci sem conhecer o amor e o que é ser desejada fora do contexto da fetichização. Naquele momento, em que dei o primeiro passo para me envolver com alguém que achei extremamente bonita, legal e simpática. Eu fiz o maior ato de amor próprio em minha vida. Mostrei que era possivel eu experimentar formas diferentes de me relacionar. E que as vezes, as pessoas podem sentir atração por mim também.
Sinto que um novo mundo se iniciou para mim, questionei minha orientação sexual ( novamente ) e todos os conceitos que tenho sobre amor, relacionamento e envolvimento. Muita coisa está mudando, mudando para o meu melhor, pois agora sinto que irei encontrar a felicidade, algum dia. Pois afirmei para mim mesma o que venho a tento tempo digerindo, eu sou responsavel pelas minhas bençãos. Príncipes não existe, ninguém irá me resgatar de mim mesma. Então eu me tornei o príncipe que precisava, eu me salvei. Rasguei o véu do medo mostrando a mim mesma um corredor de infinitas possibilidades.
Dexter é um gostoso e essa experiência foi importantíssima para eu iniciar um processo interno. Eu me amo e me sinto extremamente gostosa, a tal ponto que super acho que mais pessoas deveriam partilhar dessa experiência comigo.
Volte e meia me pego revivendo esse beijo, gostaria de ter aproveitado mais. De ter pego mais, de ter me envolvido mais. Sabe aquela coisa de achar que poderia ter feito melhor? Toda a vez que me pego assim me centro e repito que o que foi, foi. Fiz o que achei que era melhor no momento e isso é tudo que importa.
Não sei se irei algum dia encontrar Dexter novamente, para ser sincera mal o conheço. Mas se nos encontrarmos e ele quiser vou estar pronta para colocar em teste minha habilidade de beijar novamente.
Tudo que sei é que uma nova Hugo nasceu esse ano. E em tempos de natal, tudo que consigo pensar é em Renascer. Renascer de novos tempos e de um novo eu.
Senti o impulso de compartilhar esses pensamentos com vocês. Estou a tanto tempo vivendo isso sozinha, quase como se fosse um looping infinito. Precisava compartilhar quando a revolução de Nasck aconteceu.
Estes foram meus pensamentos sem filtros ou correções, se em algum momento escrevi algo errado ou sem sentido foi provavelmente por que me perdi revivendo cada detalhe.
Te amo
Hugo Nasck