Ao contrário do que a maioria das pessoas que não a conhecia muitobem pareciam supor, Samantha não era exatamente um poço de delicadeza oupaciência, dependendo da ocasião. Acontece que nos últimos meses, estivera setornando cada vez mais habilidosa em abafar seus instintos mais agressivos,especialmente canalizando-os em esportes, porém ser colega de quarto de AlectoCarrow estava tornando essa tarefa extremamente árdua. A briga que resultara emhematomas e alguns arranhões espalhados pelo seu corpo, que apenas não terminoude forma pior devido a presença de Nicholas Mulciber, fez com que a Blackthornimaginasse que seria o fim de qualquer outra briga ou discussão, disposta aignorar a loira enquanto tal ação fosse recíproca, porém não teve assim tanta sorte.
Tentara de verdade apenas seguir com sua vida e deixar Carrow seguir a dela,porém sua escova de dente indo parar no vaso sanitário do chalé em que ambasdividiam no acampamento fez com que a morena percebesse que aquilo era apenas o começo. Em suamente, se deixasse Alecto continuar seguindo sem nada em retribuição seria comodeclarar rendição, e por essa razão, cega por seu ódio pela garota, Samantharesolvera revidar da forma mais infantil que se poderia imaginar, mas queàquela altura, já a fazia se sentir um pouquinho melhor: escondeu as chaves deAlecto embaixo de um vasinho de barro em frente à porta do chalé e disse que naverdade as chaves também tiveram o mesmo destino que a escova de dente. Issofora na noite anterior, e depois de receber algumas mensagens de ódio e ameaças típicas da gêmeaCarrow, Sam resolveu colocar o celular no modo silencioso e voltou a seaconchegar ao lado de Jake, um sorriso infantilmente satisfeito nos lábios porter conseguido tirar a garota do sério de alguma forma.
Era do chalé do rapazque Samantha voltava aquela manhã, sentindo o coração leve e ao mesmo temposobressaltado ao pensar no melhor amigo. Esfregava os olhos de forma sonolenta,enquanto fazia seu caminho até o chalé apenas para buscar um prendedor decabelos antes de ir até a cozinha e ver se alguma boa alma estaria disposta adividir o café da manhã com ela. Claro, sua ação preguiçosa e relaxada cessouno exato momento em que se deparou com a cena de Alecto Carrow em frente aochalé, seus passos parando automaticamente e os olhos ligeiramente arregaladosprocurando registrarem o que estava acontecendo. Aquelas roupas ali sãominhas…?, seu cérebro, ainda sonolento, processou um tanto lentamente. Quandofinalmente o clique de compreensão estalou em sua cabeça, o sono foi emboracompletamente. – Que merda você pensa que está fazendo?! – A Blackthornexclamou enquanto fazia seu caminho a passos duros e rápidos até Alecto,segurando seu pulso antes que um sutiã de renda preto fosse pelo mesmo caminholamacento que as blusinhas foram.
Naquele exato momento, a voz de Sam apenas fez com que Alecto deixasse que seus lábios escorregassem em um sorrisinho de deboche. Sentiu apenas pela força que a morena implicou sobre seu pulso, a raiva que deveria estar sentindo naquele momento, e saber que tinha obtido sucesso na sua intenção de infernizar a vida da colega de quarto, era reconfortante.
“Opa, desculpa, meu amor.” Exclamou em uma expressão teatral, fazendo biquinho enquanto fazia sua voz em um tom falsamente meigo. “Isso é seu? Eu achei que era o lixo. ‘Tava só pondo para fora, sabe?” Depois, ficou em silêncio, apenas observando a expressão que tomava conta do rosto da Blackthorn. Era como se estivesse prestes á entrar em combustão espontânea, apenas com a intensidade da raiva que deveria estar sentindo naquele momento. “Ooops.” A loira acrescentou por fim, ainda com a voz controlada, como se realmente fosse a criatura mais inocente do mundo naquela situação. Ah tá.
“Eu te avisei para não mexer comigo, não avisei?” O sorriso cínico desapareceu do rosto de Alecto, dando espaço á expressão fechada que costumava habitar aquele semblante. Em um movimento rápido, tomou o sutiã preto das mãos da morena, e fez um movimento com os braços como se fosse a arremessá-lo para longe, mas logo interrompeu o movimento, jogando-o para sua dona mais uma vez. “Nah, pode ficar com esse. Para não dizer que eu não sou boazinha.”
Parte de si realmente percebia quão infantil e precipitada era aquela atitude, especialmente pelo fato de que o acontecimento da noite anterior certamente não havia tido a mesma gravidade do que estrava fazendo agora, porém, de qualquer forma, aquele era seu gênio imutável, e adorava levar as pessoas ao limite.