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Janaina Medeiros
he wasn't even looking at me and he found me
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@charlieswayx
charlieswayx:
O mais velho não podia deixar de soltar um pequeno sorriso com o toque da mulher, mas o escondendo rapidamente para que a mesma não percebesse. “Não, só a dor de cabeça. É bem forte.” Exclamou, fazendo uma cara de coitado. Assentiu para Sophie, seguindo-a até a maca onde se sentou. Encarou o livro na mesa e sorriu de canto, voltando o olhar para a colega. “Você ainda não enjoou desse livro?” Falou ao ser mexido por algumas memórias. Tomou o copo de água que lhe havia sido oferecido e encarou os olhos de Olsson, observando o tom de castanho que eram. Gostava tanto de observar os tais olhos de perto, assim como fazia antes. Antes. Suspirou nasalmente de irritação pela memória, Assim que fechou os olhos e decidiu apreciar por alguns segundos a leve massagem que recebia da outra. Ficou quieto por alguns minutos, decidindo logo quebrar o gelo. “Então… Como que você ‘tá? Como vai sua família?” Perguntou sem jeito, ainda de olhos fechados, numa fútil tentativa de iniciar uma conversa sem que Soph ficasse irritada ou reaparecesse com a raiva.
❛ Você dormiu mal? Comeu algo que possa ter desencadeado uma enxaqueca? Aliás, possui a doença crônica? Não lembro de você ter tido qualquer episódio do gênero durante a viagem. ❜ Murmurou, esforçando-se para lembrar de alguma queixa do homem a respeito de dores de cabeça, porém não conseguiu. Talvez fosse algo recente. Não se viam há cinco anos, afinal. Ela virou-se para o local que ele indicava, até se deparar com o livro sobre a escrivaninha. ❛ Como poderia? Cada vez que leio, me apaixono novamente. ❜ O comentário escapou de seus lábios, acompanhado de um pequeno sorriso. Ao se tratar de Charlie, a resposta usualmente parecia natural. Presa pelo olhar masculino, viu-se perdendo-se naquelas iris claras, mergulhando profundamente. O ar deixou seus pulmões por um instante, levando-a a quebrar a conexão, um tanto constrangida. O suspiro, contudo, a fez voltar a fitá-lo com atenção. A preocupação feminina era crescente, seu toque cada vez mais carinhoso ao tentar livrar-lhe da dor. ❛ Está melhor? ❜ Indagou, analisando-o minuciosamente. ❛ Você não deveria ficar falando. O silêncio ajuda a minimizar o incômodo... ❜ Respondeu com a voz baixa, o tom suave. Aproveitando-se do fato de que ele estava com os olhos fechados, a Olsson deixou-se percorrer suas feições lentamente, gravando os mínimos detalhes de seu rosto, buscando as diferenças com aquele que tinha em sua memória. Era tão belo quanto se recordava. E, mais, ainda trazia-lhe uma tranquilidade singular.
ljxnhson:
“Muito madura.” se fingiu de ofendido, e portanto cortava a série de rebates que não ia levá-los para lugar algum. “Sim, há dez anos atrás. Eu não parei no tempo e meus conselhos são muito melhores agora, acredite.” exibiu um sorriso exagerado, como se estivesse orgulhoso dos conselhos que carregava atualmente. No entanto, passou a long neck para a morena enquanto virava o corpo para se posicionar melhor ao conversar com Sophie. “Tem sim, o que é?” pressionou, oferecendo um olhar exageradamente desconfiando, para instigar de um modo suave ela a dizer o que se passava. “Ou vai ter que balançar essas cadeiras se não quiser contar. A escolha é sua.”
Flashback
A Olsson não pôde conter o riso, ante o comentário do loiro, o indicador tocando-lhe o queixo em uma brincadeira. ❛ Eu duvido muito! ❜ Provocou com uma risada, dando-lhe um cutucão. Apesar do comentário, a morena tinha ciência de que o amigo possuía bons conselhos, mesmo na época em que eram mais novos. Confiava nele cegamente. Sophie voltou a levar a bebida aos lábios, dando outro longo gole, antes de devolvê-la com uma careta. ❛ Isso é horrível... ❜ Queixou-se, franzindo o nariz. Mas, ela esperava, tiraria parte de sua tensão, permitindo que se esquecesse de Charlie. Ou ao menos tentasse. ❛ Balançar as cadeiras, então. ❜ Respondeu com convicção. Não era do tipo que gostava de dançar em público, porém, essa alternativa certamente seria melhor do que falar a respeito do que a incomodava.
ninxpotter:
“Chamar a polícia? Seria uma pena ver um homem tão bom preso. Ele tinha um grande coração.” Comentou enquanto mordia o lábio inferior, sabendo que nunca mais o veria. Não ligava, de qualquer forma, já que os homens eram todos iguais. Sinceramente, um relacionamento sério não fazia parte dos seus planos, gostando apenas da diversão que o sexo oposto era capaz de oferecer. Chamou uma das garçonetes com um aceno com a mão, pedindo logo depois um expresso forte o suficiente que fosse capaz de segurá-la durante toda a manhã. Precisaria daquilo para aguentar alunos puxando o seu saco sem parar para ganhar um pouco de nota, assim como aqueles que não importavam-se com a sua matéria e deixavam aquilo bem claro conversando sem parar. Apoiou a cabeça nas mãos, olhando para a amiga com diversão, um sorriso de canto aparecendo em seus lábios. “Eu soube que saiu com o Charlie, Landon e Noah. Espero que ninguém tenha morrido.”
A morena levou alguns segundos para compreender o que a outra havia dito, seus lábios entreabrindo-se em surpresa ao, enfim, fazê-lo. Deixou escapar uma risada suave, a cabeça sendo balançada negativamente no processo. ❛ Posso imaginar. ❜ Murmurou em tom brincalhão. Chegava a ser quase cômico como as duas eram tão distintas, fato o qual tornava ainda mais difícil de compreender como eram amigas. Havia algo, porém, que as unia, um laço que ultrapassava o passado e as diferenças. Talvez fosse o amor por café, a Olsson imaginou, com divertimento, ao pedir o mesmo que a amiga. Precisariam de energia, isso era certo. Ela tinha a atenção sobre o cardápio, buscando algo para comer, quando ouviu o comentário de Nina, o qual levou-a a fitar a docente, um tanto alarmada. Os ombros tensionaram-se, o olhar imediatamente desviado para longe. ❛ Não foi por falta de desejos. ❜ Sussurrou para si mesma, recordando-se de todas as vezes que pensara que seria melhor estar morta a ter que enfrentar aquilo. Um pouco de drama, era evidente. Em sua defesa, não havia nada de fácil naquela história. ❛ Hum, é. Todos ilesos. ❜ Respondeu, por fim, um tanto distraída.
charlieswayx:
Dois dias haviam se passado desde a noite do baile e Charlie podias se lembrar claramente da conversa que havia tido com Sophie. Não havia conversado com a mesma deste então, em busca de tentar dar um tempo para que pudesse pensar e organizar seus pensamentos, esperando que Olsson fizesse o mesmo. Apesar disso, havia esbarrado algumas vezes com a mesma pelos corredores, enquanto transitava pela escola. Wayne não fazia nada além de acenar com a cabeça, dando um pequeno sorriso como modo de cumprimenta-la. Observava seu rosto rapidamente, mantendo-o em mente enquanto seguia seu caminho sem deixar que o encontro disturbasse o resto de seu dia. Após os tais dais, esperava que a colega já tivesse pensado ao menos um pouco, estando melhor do que estava aquele dia. Achando que estava fazendo a coisa certa, Charlie se dirigiu até o ambulatório, batendo na porta e fazendo sua melhor cara de dor. “Sophie.” Disse, parando na porta enquanto a encarava, passando ma das mãos pelo rosto, fingindo dor. “Eu tenho uma dor de cabeça desde que cheguei hoje na escola, será que você dar uma olhada?” Pediu, ainda sem adentrar no local. Só queria passar tempo ao lado da mulher, dando-o uma desculpa para perguntar sobre o que queria.
Era uma manhã tranquila, o único aluno que havia atendido tivera que fazer um curativo simples no joelho, após cair durante a aula de educação física. Com exceção desse pequeno incidente, a enfermaria encontrava-se vazia e Sophie, após preencher alguns relatórios, desfrutava de uma leitura agradável, um clássico da literatura. Fato era que jamais se cansaria de reler Orgulho e Preconceito. Estava próxima do final da obra, quando teve a atenção atraída pelo homem, seu olhar repousando sobre suas feições. Movida pelos instintos, passou a buscar outros sinais que o corpo masculino pudesse dar a respeito do que o afetava. ❛ Está sentindo alguma coisa mais? Frio? Mal estar? ❜ Questionou ao se aproximar, a mão tocando-lhe a testa e pescoço ao buscar sentir sua temperatura. Parecia-lhe normal. Ao concluir que não deveria ser tão sério, optou por um tratamento mais natural, visando não encher-lhe de remédios. ❛ Poderia se sentar? ❜ Indicou a maca, antes de buscar uma compressa quente e um copo de água. ❛ Julgando que possa ser desidratação ou estresse... ❜ Explicou-se ao parar a sua frente. Com delicadeza, a Olsson afastou alguns dos fios próximos a testa do loiro, antes de posicionar os dedos sobre suas têmporas. ❛ Feche os olhos... E me avisa se aliviar. ❜ Ela disse em um tom baixo, iniciando uma massagem cuidadosa, com o intuito de minimizar seu incômodo.
coacholden:
Santiago encolheu-se internamente com a voz de Sophie soando tão perto. Mais de trezentos e sessenta e cinco dias de esforço árduo sendo colocado no lixo. Lutou tanto para evitá-la e agora a encontrava em uma noite como aquela. Droga. Mas não dava para negar, havia sentido falta daquela doce voz. O moreno virou o rosto para a direção que a antiga amiga encontrava-se, o sorriso pequeno em seus lábios aparecendo. Engoliu a melancolia, engoliu a inquietação e, acima de tudo, engoliu a dor que a presença alheia em si despertava. Aquela mulher foi seu primeiro amor, como negar isso? Mas também foi sua primeira decepção. E o pior de tudo é que ela sequer desconfiava disso.
Claro, não seria ele, agora, a contar. Então sorriu. Sorriu pois fingir era muito mais fácil que enfrentar a verdade, além do mais, não era assim tão desconfortável ficar na companhia alheia; considerando que era tudo passado, que seu coração foi cicatrizado, embora inteiro não estivesse. “ – Caramba, esse tempo inteiro e você ainda lembra de mim? “ a perguntou as sobrancelhas arqueadas. Por não ter ouvido da mesma naqueles últimos anos, surpreendia-se realmente em vê-la reconhecendo-o. “ – Minha casa é um pouco longe, eu tenho quase certeza que não é no caminho de onde está para ir. “ respondeu-lhe com, finalmente, um sorriso sincero e mais largo. Não estava sendo tão estranhou quanto imaginou. Mas por que sua moto tinha que ter quebrado logo naquela semana? Droga.
❛ Como eu não lembraria? ❜ Seu sorriso era genuíno, ao mirá-lo com tamanho carinho. Santiago era um dos únicos — se não o único — populares que a tratavam bem, na época em que estudavam em Riverside. Como uma cérebro de personalidade introspectiva, não era de se estranhar que possuísse poucos amigos, ou que seu relacionamento com o rei da escola fosse motivo para queixas por parte dos demais integrantes da realeza. Quando ela e Landon terminaram, após uma briga horrenda, ele fora um dos poucos a permanecer a seu lado. E por isso, Sophie seria sempre grata. ❛ Jamais me esquecerei das tardes juntos, lá em casa. E as tentativas de me ensinar futebol americano... Eu sempre acabava com o vestido imundo. ❜ Ela fez uma pequena careta, rindo ao recordar-se dos dois rolando na grama do parque próximo de sua casa. Por fim, seus lábios voltaram a se curvar. ❛ E das vezes que você tocava... E me obrigava a cantar! ❜ Aquelas eram algumas de suas memórias favoritas, isso era certo.
❛ Não me parece um problema, honestamente. Teríamos mais tempo para conversar. E você poderia me contar como foram esses últimos anos... Eu senti sua falta. ❜ Murmurou com certa timidez, passando outra mecha de cabelo para trás da orelha. Ainda que não fosse a mesma garotinha de antes, não era tão fácil para Sophie falar a respeito da forma como se sentia. ❛ Vamos, então? ❜
ninxpotter:
Sabia que já estava atrasada, afinal havia combinado de encontrar @hxalinghearts em uma cafeteria antes de seguirem a tão comum jornada até Riverside High. A noite havia sido agitada para Nina e não estava falando exatamente do baile, já que, cansada de tantos estudantes, preferiu passar o restante da noite em um lugar bem mais ao seu estilo. O bar, além de contar com inumerosas bebidas, tinha companhias bem interessantes. Colocou a sua habitual roupa para trabalhar, algo que achava que continha bastante do seu estilo reservado e correto, indo direto ao encontro com Sophie. A amizade das duas era algo bem estranho, mas de alguma forma funcionava. Rivais enquanto eram jovens, acreditando que o amor era algo suficiente para brigar. A primeira cosia que Nina aprendeu em seus anos na Inglaterra foi, no entanto, que a maior parte de suas brigas haviam sido tão tolas, então ao chegar na cidade, não tardou em fazer as pazes com a outra. Tão opostas em suas atitudes, muitos comparando-as com as trevas e a luz. Sentou-se no banco de frente para a outra, um sorriso nos lábios. “Eu demorei? Um daqueles caras não queria sair lá de casa. Estava quase chamando a polícia.”
Quando o despertador tocou naquela manhã, o usual espreguiçar acompanhado de um leve sorriso foi substituído por um grunhido baixo de desaprovação, seu corpo clamando por um pouco mais de sono. Com a mente ainda agitada por conta dos últimos eventos, Sophie tivera dificuldade de pregar os olhos, resultando num revirar quase ininterrupto de um lado para outro da cama durante a madrugada. Assim sendo, não era de se estranhar que o bom-humor habitual houvesse sido substituído por um lamentar quase melancólico ao ser obrigada a se levantar. Arrumou-se tão rápido quando pôde, um tempo maior sendo desprendido na tentativa de esconder as olheiras profundas, antes de deixar seu apartamento, alguns minutos mais tarde do que o comum. Mesmo em seu atraso, chegou mais cedo do que a amiga, fato o qual não pôde evitar achar um tanto cômico. O sorriso simpático, em sinal de cumprimento, que lhe foi dirigido deu espaço para um riso suave ao ouvir o comentário de Nina. ❛ Ao meu ver, deveria considerar essa opção, da próxima vez. ❜
coacholden:
Santiago não iria para a festa após o baile. Para si, já foi de grande tamanho tomar um pouco daquele ponche batizado, ver o escândalo da coroação. Não precisava mais presenciar o desastre que seria o resto da noite. Portanto, retornar para casa era a sua melhor opção. Além de exausto, no dia seguinte precisaria lidar com um jantar em família, o que era sempre difícil já que precisava evitar as perguntas sobre o motivo de ter desistido de sua profissão exercer para tornar-se um mero treinador do time ao qual fez parte.
A verdade é que o moreno desejava ter seguido carreira, ter buscado algo mais relacionado àquilo do que o que tão longe passava de suas preferências. Não que não houvesse gostado de cursar psicologia, mas não conseguia ver a si mesmo parado em uma sala avaliando pessoas. Não. Ele precisava estar em constante movimento. Poderia, afinal, exercer a profissão colocando em prática seus ensinamentos enquanto observava seu time treinar, não? Era o que dizia para si mesmo em busca de se tranquilizar quanto ao fato de que perdeu sete de sua vida envolvido com aquilo. Mas ao rumar para o ponto de ônibus, sentar-se numa das cadeiras vagas para esperar o transporte público, encolheu-se em seu terno por causa do frio. As mãos foram enfiadas nos bolsos, o olhar vagando pela rua deserta… fixando-se em uma figura que se aproximava. Não. Não, não e não. Por favor, Deus, não.
Um ano evitando aquela mulher e agora ela aparecia quando ele não tinha para onde correr? Rapidamente, Santiago desviou o olhar para frente. Talvez, se permanecesse quieto, @hxalinghearts passasse direto.
Havia sido acordado entre os amigos que, após o baile de Riverside, eles iriam a uma lanchonete, onde poderiam desfrutar de uma conversa agradável —— o remédio certo para finalizar aquela noite não tão amigável. Ao anunciar da última música, Sophie já via-se ansiosa para sair dali e esquecer a cena horrenda que presenciara. Mal podia acreditar na crueldade de alguns alunos. Quando o tão esperado momento chegou, contudo, a morena arrependeu-se de sua decisão. Não a compreenda mal, gostaria sim de passar um tempo com Landon e Noah, porém, depara-se com Charlie não fora nada fácil —— menos ainda ter de permanecer em sua presença pelos minutos seguintes. Cinco anos haviam se passado, mas o conflito interior ainda era desconcertante.
A Olsson soltou um suspiro ao, enfim, deixar o estabelecimento, fazendo seu caminho até o carro, alguns metros mais a frente —— quem poderia imaginar que o local estaria lotado em uma hora tão avançada? Ela passou uma mecha do cabelo para trás da orelha e, ao levantar o o rosto, seu olhar encontrou o de Santiago. Imediatamente um sorriso espalhou-se por suas feições, uma pontada de felicidade atingindo-a. Talvez fosse uma benção dos deuses encontrá-lo agora —— logo ele que sempre soubera como afastar sua tristeza, arrancando-lhe uma risada genuína. Sequer hesitou ao se aproximar, alheia ao fato de que o moreno tentava evitá-la. Sentia tanta falta dele. ❛ Que coincidência encontrá-lo aqui! ❜ Ela sorriu. ❛ Meu carro não está muito longe daqui, posso deixá-lo em casa. ❜
* ☾ 。* THE SQUAD: NOAH R., SOPHIE O. AND LANDON J.
I'll be there for you When the rain starts to fall I'll be there for you Like I've been there before I'll be there for you 'Cause you're there for me too
charlieswayx:
Suspirou antes de responder a pergunta da mesma, tentando pensar nas frases certas para dizer, com medo de que mesmo uma palavra saia errada de sua boca. “Tudo foi real, tudo.” Respondeu-a com um a sobrancelha franzida, dizendo algo que parecia ser óbvio. Para ele, os eventos eram tão simples como o céu é azul, mas tinha em mente que Sophie tinha uma versão completamente diferente da história — com razão, já que havia o “flagrado” agarrado a uma mulher que havia se jogado em cima do mesmo diversas vezes, mesmo após o homem insistir em negar. “Minha mãe insistiu que eu arranjasse um trabalho e você sabe o quanto a opinião dela é importante para mim.” Comentou, dando ênfase na parte final da sentença. Sua mãe era a pessoa com quem era mais próximo, mesmo longe. Ela o havia crescido e, apesar de todos os desentendimento — a maioria por conta das intromissões e manipulações de seu pai — ainda se importava muito com ela. “O salário era bom, eu conseguia me sustentar e ainda pude pagar minhas dívidas escolares e tudo que devia a ela. Com o tempo, eu fiquei ali, fiz amigos e se tornou um lar.” Continuou a dizer, ainda tentando fazê-la entender seu lado. “Você queria que eu arranjasse dinheiro de onde eu não tinha e sair procurando por você por todos os lugares? Eu esperei por você durante algumas semanas, mas não pude ficar por mais tempo. Se você não quer me encarar direito nem pintado de ouro agora, quem diria naqueles tempos. Me desculpe, Sophie, mas eu não ter ido atrás de você não quer dizer que eu não me importava.” Encostou um dos braços na jukebox, se aproximando um pouco dela, esperando que a mesma não se afastasse. Quando finalmente olhou em seus olhos, sorriu de canto, tentando de alegrar mas revirando os olhos com a frase que havia dito. “Tudo muito claro? God dammit, Soph. Você saiu correndo e não me deu nenhuma chance de me explicar, não é atoa que essa é a primeira vez que nos falamos depois de tudo aquilo. Você simplesmente foi embora sem nem tentar entender o que se passava.” Sentiu a adrenalina se tornar mais presente em sua veia, tentando se acalmar para não dizer besteiras. “Me dê uma chance agora, você sabe que eu não vou desistir. Eu vim para Riverside para ficar e agora, principalmente agora, não pretendo ir a lugar nenhum sem que você me dê essa chance.”
Seus instintos exigiam que ela desconfiasse das palavras do homem, que não acreditasse cegamente no que dizia —— como fizera, no passado. Não podia arriscar se magoar novamente, não agora que a dor parecia mais tênue, ou assim era até seus olhares voltarem a se encontrar. Em contrapartida, havia algo em seu íntimo que jamais deixara de acreditar em Charlie. Uma parte pequenina, tímida, mas que ganhava força ao reconhecer a sinceridade no tom de voz alheio. Tudo fora real... Seu coração reagiu àquela afirmação contra a vontade feminina, agitando-se ante a possibilidade. Não. Não novamente. Sua mente tentou gritar, obrigando-a a passar os braços ao redor do próprio corpo mais uma vez, sua postura tão frágil. Como poderia ter sido real se o encontrara aos beijos com outra? Ela virou o rosto, os olhos fechando-se por um segundo. Não era justo. As palavras alheias, porém, interromperam sua linha de raciocínio, voltando a atrair sua atenção. De fato recordava-se de como a opinião da progenitora era importante para o loiro, lembrava-se de como ele parecia orgulhoso, seus olhos brilhando toda vez que a mencionava. Era uma das coisas que mais admirava nele. Ao prosseguir de sua fala, pôde perceber que ele não havia a compreendido muito bem, fato o qual terminou por trazer um sorriso discreto aos seus lábios, sem que a Olsson soubesse muito bem o porquê. O mais desconcertante, contudo, era o fato de ter cruzado a mente do outro ir atrás dela. Ele sequer saberia aonde procurar... Havia feito questão de não deixar quaisquer rastros ao ir embora, sequer compartilhando o que lhe fizera regressar: o adoecer da mãe. Ela passou uma mecha para trás da orelha. ❛ Não foi o que eu disse... Não esperava que viesse atrás de mim. Quis dizer quanto a você estar aqui. Agora. Por que não procurou outro emprego em Oxford? Ou na Inglaterra como um todo... ❜ Seu tom era um pouco mais leve, quase curioso. Se ele tivesse permanecido em seu país, poderiam ter evitado que todas aquelas mágoas regressassem. ❛ E o que tinha a entender? Você estava com ela. Não podia realmente esperar que eu quisesse ouvir os detalhes a respeito da relação. ❜ Ela arqueou as sobrancelhas. A morena levou alguns segundos ponderando a respeito do que ele lhe dissera. Não era mentira que havia fugido e, de fato, continuaria a fazê-lo se pudesse. Porém, eles se encontrariam com maior frequência. Talvez devesse lhe dar uma chance de falar. Ou... ❛ Acredito que o melhor para nosso convívio profissional é que esqueçamos o que ocorreu na Inglaterra. Eu fingirei não o conhecer e evitarei a sala dos professores tanto quanto possível. Você pode fazer o mesmo e não aparecer na enfermaria a não ser que seja uma emergência. ❜ Ela engoliu em seco, desviando o olhar para o jukebox.
ljxnhson:
Não houve tempo para o Johnson avisar da cerveja, e mesmo que o fizesse, duvidava que a morena o daria ouvidos, sequer. Apenas assistiu a cena com um sorriso divertido nos lábios, realmente curioso se a outra já havia experimentado álcool. “Você ainda parece ter dezesseis anos.” franziu a testa, esbarrando propositalmente na morena para provocar alguma resposta. “Pega a bebida de estranhos frequentemente, Soph?” recuperou a garrafa, bebendo pela boca da mesma ao que sentia o amargor descendo, nunca acostumado com a opção. “O que há com você?”
A sobrancelha foi erguida ante o comentário alheio, um pequeno sorriso logo desenhando-se em seus lábios. ❛ E você parece ter cinco. ❜ Rebateu em um tom divertido, por um segundo afastando as preocupações de sua mente. Essa era, certamente, uma das razões de desfrutar tanto a companhia do amigo. Quando em sua presença, era capaz de esquecer de seus problemas. Ao menos momentaneamente. ❛ É evidente que sim. Não era isso que me aconselhava a fazer quando éramos mais novos? ❜ Ela soltou uma risada suave. O clima leve, porém, durou pouco. ❛ Comigo? Nada. ❜ Respondeu, imediatamente tensa. Não costumava esconder algo de Landon, contudo, aquele não parecia o local apropriado para abordar o assunto, tampouco gostaria de discuti-lo no momento.
Lanchonete, após o baile
Ao regressar à mesa, a inquietação da mulher era evidente, especialmente para os amigos. Ainda que reservada, a realidade era que Sophie não era muito boa em esconder seus sentimentos, especialmente aqueles sobre os quais não tinha controle. Ela voltou a se acomodar ao lado de @ljxnhson, evitando, porém, seu olhar. ❛ O que é que está bebendo? Seja o que for, preciso disso. ❜ Murmurou em tom baixo, logo pegando o copo e levando aos lábios, sentindo o gosto amargo descer por sua garganta. A Olsson não era do tipo que bebia, porém, dadas circunstâncias, viu-se a procura do tal efeito entorpecedor proporcionado pelo álcool.
Estacionamento do colégio, após o baile.
A morena se encolheu minimamente, passando os braços ao redor do próprio corpo ao sentir a brisa fria contra sua pele exposta. Sabia que devia ter trazido um casaco, ainda que Lily houvesse argumentado que não cairia bem com o vestido. Um leve suspiro deixou seus lábios, não podia dizer que a noite fora como esperada —— em verdade, ainda tinha dificuldade de tirar a imagem dos alunos sendo sujados pelo mel, o coração apertado ao relembrar a situação —— porém, esperava uma melhora em seu ânimo. Afinal, ao se tratar daqueles dois, o riso era garantido. ❛ Onde está o Landon? Ele não já deveria ter saído? ❜ Questionou @nxredmond, evidenciando parte de sua impaciência. De fato, queria ir embora dali quanto antes.
ninxpotter:
Não poderia esconder nem mesmo se desejasse a decepção em seu olhar quando olhou para a pessoa, não aprovando aquela situação de maneira alguma. Já estava cansando com aqueles dramas adolescentes intermináveis, provavelmente teria que escutar aquilo no dia seguinte ainda. “Você está bebendo?”
Flashback
Era fácil distinguir a preocupação presente nas iris castanhas, o semblante ligeiramente franzido ao fitar alguns dos discentes. Havia ajudado Fiona a limpar parte de seu vestido, mas aquilo era pouco considerando o estrago que fora feito —— tanto física quanto emocionalmente. Perdida em pensamentos, Sophie tardou a notar a presença da docente ao seu lado. Seu olhar recaiu sobre o copo em mãos, antes de balançar a cabeça negativamente. ❛ Ah, não, é só água. ❜ Respondeu, porém se viu incapaz de continuar naquela linha de raciocínio. ❛ Que crueldade essa pegadinha, não? Pobres alunos... ❜