❛ feel your eyes, they’re all over me ━ Dadda ❜ don’t be shy, take control of me
Coragem líquida era a expressão perfeita para definir o efeito do álcool sobre a Wöfflin, embora liberdade pudesse ser um termo igualmente usado. Não, não, ela não precisava de incentivo para aparecer ou se sentir mais segura, as palavras elogiosas e de apoio das amigas surtiam mais efeito nesse campo, a bebida simplesmente liberava um pouco da personalidade com a qual nascera. Uma verdade que devia ser interpretada literalmente, desde que, de alguma forma, a substância afrouxava o domínio da esfera envolta em seu pescoço. Mesmo impossibilitada de exercer as nuances mais cruéis de seu cerne corrompido, tornava-se mais ousada e arisca, demonstrando a todos o porquê de cultivar amizades como as de Isla e Manon — como se o traje escolhido para passar a noite não fosse indicação suficiente. A máscara rendada cobrindo-lhe a área dos olhos empregava um ar sedutor e misterioso a sua figura angelical que, combinada aos lábios carnudos curvados num sorriso permanentemente malicioso, transmitia uma energia diferente da apresentada habitualmente. A princesa suíça era quase animalesca em sua sensualidade naquele momento, de modo que seu daemon poderia muito bem ser um felino, ao invés de um adorável panda.
Não obstante, os drinks também fizeram muito pelo baile aos olhos da scion, visto que até então não estivera tão vibrante quanto esperava. Agora podia, inclusive, classificar a atmosfera como animada; a qual fazia seus pés se moverem inconscientemente, oscilando no ritmo de qualquer música que estivesse sendo tocada. Os cabelos levemente bagunçados caiam por suas costas, roçando nas costas nuas de maneira agradável — tanto que por vezes apenas fechava os olhos e se balançava. Sua companhia naquele momento era um enfeite, sequer recordava o nome do rapaz com quem acabara de dançar e, depois, empreendera uma conversa. Mas então, não era culpa do desconhecido ser enfadonho, de forma alguma. A culpa era sua por ter se perdido das amigas e aberto mão de uma noite verdadeiramente interessante na companhia delas.
De qualquer modo, sua mente não acompanhava mais nenhuma palavra dita pelo jovem a frente, seus lábios franzindo ao tentar desvendar o raciocínio do outro no meio do caminho. O que ele estava falando sobre amor? A menção da palavra fora o suficiente para pô-la em movimento. Passando a mão livre pelo cabelo, já que com a outra segurava firmemente um copo quase vazio, olhou ao redor do salão sem ver realmente alguém — fato que o outro não precisava saber quando pediu licença, fingindo ter encontrado um amigo. Sim, um pouco de sensibilidade ainda permeava seus modos. Jogando os fios loiros pro lado, caminhara em direção a porta do baile. Se pretendia tirar uma pausa das danças e conversas ridículas do salão, teria que se dirigir ao lado de fora, dado que no interior estava sujeita a convites e/ou presenças indesejadas sem ter muitas opções de fuga. Pena que seu avanço fora interrompido por uma voz bastante familiar, cujo tom a fez ponderar entre ignora-lo ou encara-lo. Nunca era uma decisão fácil se tratando de @dxrajkovic.







