deu para notar que sua fala teve um efeito e harold não a culparia caso desejasse rir; afinal, era uma história engraçada. o comentário final, no entanto, o pegou de surpresa, fazendo com que risse da tentativa dela em suavizar o desastre. “tudo bem, se quiser, um dia eu faço esse macarrão para você.” brincou com ela. definitivamente, não ia a submeter em uma experiência tão ruim.
“ah, não é nada demais… eu nem lembro o motivo de ter me afastado deles, para ser sincero.” comentou enquanto tentava mesmo lembrar-se do motivo principal, até conseguindo parte da sensação, lembrando também do que se arrependeu de fazer, mas somente isso. não queria usar o jantar de comemoração para mostrar um dos seus lados mais inseguros. focou na comida, deixando claro que não estava interessado nisso. quase afogou com sua comida ao ouvir uma aventura dela, levando a mão na frente da boca para esconder sua risada de boca cheia. que mal-educado de sua parte, mas como não rir do cenário? após conseguir engolir, precisou comentar. “você realmente sabia aproveitar as oportunidades… ainda deve saber. você gosta de aerosmith ainda?” no fundo, bem no fundo, esperava que não; o inglês nunca foi muito fã da banda de rock. “eu diria que não enfiava o pé na lama… porque essa conotação parece ruim, e não acho que suas aventuras tenham sido ruins.” explicou o motivo de sua discordância, continuando. “mas… talvez, sejam só isso, aventuras.”
ao notar a confusão dela com suas palavras, riu fraco, assentindo rapidamente. “sim! sim… quer dizer, por mim sim. se por você também sim… então…” mas gostaria de saber se isso é amizade ou não. engoliu em seco, ignorando o que pensou para prosseguir com o jantar.
“Você consegue errar a receita tentando errar? De propósito?” Assumia que o tom utilizado — leve e sempre brincando com a situação — indicasse que não era desejo dela soar rude ou fazê-lo se sentir desconfortável. “Mas eu vou querer mesmo.” Não subestime a obsessão de uma grávida, Harold... Quando cismam com algo, dificilmente esquecem.
Por fim, focou na comida que tinha em mãos naquele momento, deixando a curiosidade — e o desejo — de comer macarrão doce para outro momento. Acreditava que teria tempo de comer ao menos metade do prato enquanto Harry contava sobre seus amigos, mas percebera que a fala curta do homem não revelava muita coisa. Internamente, estava um tanto decepcionada; sua curiosidade não fora completamente sanada. Mas, claro, esse ponto era secundário. Hyana queria entender o mundo de Harry, os cenários, os percursos... Só queria entendê-lo, mas, bem, acreditava que teria tempo para isso. Eram amigos, certo? E, não importando o que mais ela quisesse ser, sabia que seriam, no mínimo, amigos. Eventualmente descobriria as nuances e de forma tão sutil que nem notaria.
“Hoje em dia eu gosto de muita coisa.” Hyana lançou um sorriso para o homem, terminando de engolir. “Antigamente, claro, eu era como qualquer adolescente, mas hoje, finalmente, eu amadureci... Quer dizer, dependendo pra quem você pergunta, né?” Certamente, seus pais não tinham aquela opinião sobre a mulher. “Mas hoje eu gosto de tudo um pouco... No geral.” Gesticulou, embora estivesse falando mais de artes do que de tudo no mundo inteiro; mas era aplicável em algumas proporções. “E eu acho que aproveitei tudo mesmo...” Sempre quisera liberdade, e isso era perceptível ao conhecer a história da sua família. Agora, no entanto, compreendera que a liberdade não necessariamente atrelava-se a viver no limite.
Parou por um momento, novamente assumindo que o outro dizia algo nas entrelinhas... Mas aquele não era Harry. Ao menos, não quando falava consigo. Ele não era bom em fingir ou ser sutil. Ele tentava, mas acabava se entregando com a sua expressividade. Talvez não fosse tanto quanto ela quisesse que fosse, mas não mudava que ela queria. Queria estar com Harold. “Então estamos.” Assentiu, voltando-se para a comida. Em sua fala, no entanto, havia algo nas entrelinhas.