⤷ DOROTHEA “THEA” CAMPBELL?! Por aqui ela é mais conhecida como THE ROBIN desde que se mudou há TRÊS ANOS. Os turistas costumam confundi-la com ALYCIA DEBNAM-CAREY, mas ela não passa de uma ESTUDANTE/ATENDENTE de 24 anos.
dorothea podia fazer uma lista interminável de coisas que não gostava em casa, começando por seu nome. só aceitava o pai e a mãe a chamando dessa forma por respeito, sempre baixando a cabeça e vivendo sobre a prorrogativa de que “deus ia castigar”. o que dividia o topo da lista era justamente esse baixar de cabeça, ir pra igreja viver regrada ainda que visse o que via dentro de casa.
soube desde nova o dinheiro que era desviado da igreja, sua mãe conivente e todos usando do dinheiro de fieis. nada fez na época, assim como nada fazia num geral. preferia viver sob o sufoco que se indispor.
tentou manter a imparcialidade até quando a mãe quis deixar o pai. não sabia o que fazer, como dizer pra mãe que preferia ficar em casa e por isso acabou sendo arrastada pra fazer faculdade num lugar que não conhecia uma alma viva. longe dos amigos e do resto da família porque a mãe arrumou um novo namorado.
piorando seus sentimentos incubados, quando tudo parecia mais tranquilo, outro escândalo se abateu em sua família, desestabilizando tudo. ainda que estivesse longe de todo o burburinho, saber que sua casa de infância tinha sido revirada, seu pai estava sendo investigado por roubar dinheiro da igreja, não era fácil de lidar e nesse meio tempo acabou adoecendo.
thea passou a ter reações psicossomáticas por engolir tanto seus sentimentos. começaram com dor de cabeças, manchas no corpo e foi escalonando até precisar tratar. escutou algumas vezes que era besteira, que ela só precisava espairecer, mas as coisas só passaram a melhorar quando começou a frequentar uma psicóloga escondida dos pais. principalmente do pai que era descrente da profissão, ele a mandava várias vezes rezar para melhorar a cabeça.
resultado das consultas apareceu quando passou a ter um pouco mais de consciência de que não tinha mais esse peso nas costas, que era adulta e podia tomar decisões que a favorecessem também.
a mãe separou-se de novo e passou a sair com um turista e numa loucura resolveu se mudar de novo sem se importar com a formatura da morena. o dia do anúncio ficou marcado também pela primeira vez que ela bateu o pé pra não fazer absolutamente tudo que a mãe queria. com a chegada de lucas ( seu irmão mais velho ) conseguiu a oportunidade de ficar na ilha sem maiores brigas, mas ainda evita a mãe ao telefone pra que não seja convencida do contrário por culpa.
Things happened to him, like the crying fits, the panic attacks, but they seemed to descend on him from outside, rather than emanating from somewhere inside himself. Internally he felt nothing. He was like a freezer item that had thawed too quickly on the outside and was melting everywhere, while the inside was still frozen solid. Somehow he was expressing more emotion than any time in his life before, while simultaneously feeling less, feeling nothing.
( ✉ to thea ): ………..n creio q n seguia
( ✉ to thea ): ah saquei, quando q ele vai?
( ✉ to thea ): bem, não vou reclamar de me dar views
( ✉ to thea ): é? divulga no teu insta ou algo, se eu achar alguém tb precisando de roommate eu te aviso
( ✉ to james ): eu não sou ligada em seguir
( ✉ to james ): mas eu sigo você!!
( ✉ to james ): fim do mês eu acho
( ✉ to james ): viu, posso pular essas coisas e te dar views
( ✉ to james ): ei obrigada pela força!
( ✉ to james ): eu acho que vou, o apartamento é dele, mas tem luz e essas coisas, muito caro
“talvez.” em sua cabeça, continuaria a teoria de que não daria certo por causa dele. só não começou a discutir com ela por saber que não valia a pena, parecia que já a desgastou demais. ele também, mas… era estranho vê-la daquele jeito. era mais estranho ainda se importar, mesmo que uma hora atrás, estivesse revirando os olhos para ela. o pedido de desculpa deixou andrew sem reação, arregalando levemente seus olhos por um momento. era para ele pedir desculpas também? parecia que sim. “me desculpa também… acho que nós dois vacilamos.” respirou fundo, coçando seu nariz rapidamente. ficou em silêncio, sentindo a cabeça bem bagunçada ainda. “eu nem sei mais o que dizer.”
dorothea mexeu os ombros ao escutar as desculpas e apertou os lábios como se desse um sorriso em entendimento. de fato, não precisava das desculpas de andrew, as suas fora mais como alívio da sua parcela da culpa, uma tentativa de remediar - onde, com certeza não mudava nada - o que acontecera por não ter explicado. ou ao menos comentado o que estava sentindo. não ia mudar nada no resultado final já que as coisas tinham terminado e pareciam tão fatídicos. se queria entender porque tanto sarcasmo em suas conversas agora sabia, entretanto estava triste com o desfecho. como se encerrasse umas coisas e abrisse ouras. “nem eu...” passou os indicadores em baixo dos olhos, tentando ajustar qualquer coisa fora do lugar ali. “eu acho melhor voltar lá pra dentro e...” pensar sobre tudo aquilo, dar um tempo. “a gente se vê.” queria perguntar se estavam em trégua, mas já estava com tanta vergonha, sentindo-se tão mal de ter chorado ali que desistiu pra caso ele dissesse não então só ofereceu um sorriso.
“tinha… mas a preocupação maior era no meu irmão. o mínimo de delicadeza que ele demonstrasse, ou qualquer coisa que lembrasse feminilidade, já cortavam correndo.” soltou um riso fraco, lembrando-se da vez em que foram pegos brincando de barbie. “comigo era mais… olha essa roupa bem fofinha, por que você não veste?” tentou imitar a voz da mãe, acabando por rir da imitação ruim. “pode ser segunda, então… domingo é meu dia de descansar do mundo, então…” levantou os ombros, assim como sua mão livre, como se dissesse não tem o que fazer. “eu queria muito ver isso!” riu, pensando seriamente em arriscar usar tal flerte na próxima vez que saísse. “shame on me. mas vamos prosseguir, vamos…” brincou também. “que bom…” assentiu devagar, até ouvir a pergunta alheia. “ahm… foi… num jogo. sete minutos do céu, sabe?” soltou um riso fraco. “eu não achei que ela ia mesmo me beijar. mas… a gente beijou ali.”
“e ela disse que eu beijava melhor do que o carinha que ela tava ficando.” riu, já que isso ainda era hilário para si. “e a sua experiência? como foi?”
“sério? se bem que já vi muito isso.” com o irmão, com os rapazes da igreja, basicamente. “e eram fofinhas pra você? digo, você gostava?” questionou ainda que não fosse sua vez, esperava que a outra deixasse passar. “segunda tá ótimo.” lançou um sorriso pra outra, até porque acordava tarde no domingo, um protesto silencioso do tempo em que acordou tanto cedo pra ir a igreja. “foi rid´iculo, quem bom que você quer me ver pagando mico.” mas disse isso sem ressentimento algum, o riso acompanhando a fala. como a outra lhe parecera não querer falar mais nada, ao sessar a risada lançou um sorriso compreensivo pra ela e seguiu o jogo com a história dela. conseguindo imaginar o cenário. por um momento sentindo invejado o elogio, depois curiosidade “e vocês chegaram a ficar de novo?” abraçou a própria perna, curiosa. “ah.. a minha” ansiosa, cheia de culpa, deve ter sido meu pior beijo “foi já na faculdade.” disse vagamente, aabrindo um pouco mais os olhos enquanto olhava pra frente, pensando bem no que dizer. “acho que isso.” torceu os lábio e aí foi sua vez de beber o vinho, depois daquela festa de faculdade ao menos conheceu natty, entretanto não fora tão longe.
talvez estivesse, visto não lembrar nem de seu endereço, mas não adicionou aquilo, sua mente não estava lúcida o suficiente para fazer tal argumento. “ah, certo, não… eu aguento.” ao menos a ânsia não aparentava estar tão forte agora, podia esperar alguns minutos até chegar em casa; era o que esperava. permitiu que ela o ajudasse a se levantar, franzindo a testa ao se apoiar na mesa para não deixar seu peso todo na amiga. “tem certeza?” murmurou ao pousar as íris azuis nela, certa dúvida passeando pela mente confusa. “você é tão pequenininha, e se eu te esmagar?” parecia ser um indagar genuíno de lincoln, enquanto cuidava para não a derrubar ou algo do tipo, moveu a mão livre para a cutucar na bochecha.
por algum motivo quis rir da confusão do outro e seus lábios chegaram a esticar, entretanto, ao concentrar-se em leva-lo até o carro. com a pergunta, ergueu a cabeça para olha-lo. “é só você não se jogar todo em mim? por favor.” fez uma careta ao ser chamada de pequenininha, ainda mais porque era mesmo. entretanto gostava de se considerar forte, não como o outro, mas ao menos aguentaria ele apoiando-se nela uns metros. “eu tenho certe-” afastou o rosto pra que ele soltasse sua bochecha. “eu vou te deixar aqui se me apertar, ein?”
“É tipo aquelas cabines de parque, sabe? Tudo bem que o número é estranho porque eu fico pensando… Isso é um código para quê, exatamente? Porque código tem. Será que vai ser um sorteio?” Agora estava pensando naquilo e era plausível, afinal, questionavam quanto valia um sonho… “Não sei como eles fazem o recrutamento. Quer dizer, sei que fazem por inscrições, mas vai que agora vão escolher um grupo? Você iria?” Pela aversão alheia a tudo que cercava aquela situação, provavelmente se recusava, mas ela indagou mesmo assim. “Acho que sim, mas ai. Eu me meto em muito problema por causa disso, de verdade. Cada situação que se você andasse comigo ficaria meio chocada com a minha capacidade.”
“eu acho que é isso, sorteio porque no fim... qual o propósito?” na verdade, estava perguntando enquanto ela tinha passado já a tarde inteira quase tentando desvendar isso. “deus me livre, não mesmo.” respondeu rápido até demais, usando a expressão por hábito já que era ateu agora. “você iria?” questionou pra disfarçar o embaraço por ter sido rápida na resposta anterior. “sério? o que já aconteceu? se quiser contar, claro.”
“O mistério da mulher contemporânea low profile que tranca o perfil nas redes sociais e deixa todo mundo pensando se foi pro Grande Fratello ou se só se escondeu em uma caverna.” Os dentes arranharam os lábios, retirando uma pelinha do superior. Um ato inconsciente. “Eu não gosto muito de andar com roupa manchada, mas não julgo a opção de cada um no quesito moda até porque eu não tenho muita.” O estilo do rapaz era despojado, embora básico. Jeans era o seu melhor amigo. “Muita cara de misteriosa até porque se recusa a responder minhas perguntas dando umas desculpas bem formais assim parece até que eu tô num tribunal.” A naturalidade de Lewis em brincar com as situações em seu cotidiano era curiosa até para sua família, que lidara com o rapaz por diversos anos a fio. Os dizeres alheios fizeram com que o rapaz ponderasse sobre suas festas, imaginando se, em algum momento, havia caído no choro. Era possível que o fizesse já que se encontrava longe da família — e essa seria a desculpa caso alguém o apontasse, mas não era a verdade. “Nossa, cara, eu achei que tinha confessado um crime já tava preparando pra fugir.” O sarcasmo era quase palpável em sua voz. “Tem vida fora do planeta terra, com certeza. Vamos servir de entretenimento pra eles, po.” Não sabia dizer se acreditava 100% na teoria de vida fora do planeta, mas caso culminasse na sua retirada deste, ele ia com prazer. “Meme chorando não é muito bom. Tem de ser algo memorável que valha o convite e choro passa rápido. Se eu bebesse e caísse na casa de alguém, aí sim.” Assentiu ao indicar aquele ponto. Não faria mal viver do que ganhava na internet. “Tu quer me meter num baldinho, Copo de Chá? É sério? Eu sou bonito demais pra ser metido num balde, por favor.”
“ainda da tempo de ir? fazer marketing que fui?” como se soubesse faer marketing. “eu praticamente copio inspirações do pinterest, mas no momento não tenho muita escolha.” esticou a camisa, ao menos não tinha se queimado. “dizem que é meu charme deixa as pessoas interessadas.” brincou, mexendo a cabeça pra demonstrar seu charme em nada. muito menos que segurava interesse... afastou o pensamento, lembrando das palavras da psicóloga mandando pegar leve consigo mesma. soltou um suspiro pra logo forçar um sorrisinho. “se tivesse confessado um crime ja estava preso, do jeito que eu sou fofoqueira.” tudo em si dizia o contrário, além de mal ter amigos mesmo pela ilha, entretanto torcera para que o outro achasse que era uma brincadeira já que não sabia se seu jeito era tão claro. “é, é, ou as vezes tudo é um grandessíssimo show de truman.” onde eles já estavam servindo de entretenimento. “memes de bêbado chorando são ótimos nem vem, ou você cai chorando!” sugeriu, logo soltando um risinho. “é pra preservar seu anonimato! não vai anular que você, é, bonito.”
“Nada sobre prisões é ótimo e só de não sair com um ex é mais gratificante ainda” respondeu, mesmo que não tivesse tido uma longa lista de namorados, na verdade nenhum namorado oficial, apenas ficantes ou algo parecido “Sabe o que pensei quando vi isso pela primeira vez? Tava achando que era uma daquelas declarações bregas de casal. Por favor, Louise me perdoa por ter te traído. Você é pra sempre a mulher da minha vida. Mas ainda bem que não é, imagina a vergonha alheia”
“nenhuma dessas opções me apetecem.” nem falar de ex, prisões ou sonhos lhe pareciam legal. “ei! ia ser mais divertido, não? eu ia morrer de vergonha alheia, mas pelo menos seria engraçado.”
encostou a cabeça na parede, erguendo levemente sua cabeça, seu olhar focando na mais baixa. umedeceu os lábios, achando difícil demais estar naquela situação; além de confuso. toda sua raiva perdia o sentido quando finalmente entendia o que aconteceu, sendo impossível não pensar no que poderiam ter sido. “reforçou na minha também.” retrucou, sério e infeliz. “porque é o que eu faço.” deu de ombros, desencostando-se da parede, cruzando os braços. “e querendo ou não, as pessoas vão embora… então, sei lá. talvez fosse melhor acabar cedo. assim a gente sofre menos… não sei.”
queria saber o que dizer, mas só conseguia pensar que tudo isso podia ser evitado. se ele achava que as coisas dariam errado por causa dele, agora ela se culpava porquê realmente deu errado e por causa dela. o pensamento fazendo o nó em sua garganta aumentar ainda mais enquanto se perguntava o quanto faltava pra sumir, ao encolher-se um pouco mais. "talvez fosse melhor mesmo... ou talvez não. não tem como a gente saber." escolheu as palavras com cuidado em demasiado. de certa forma se ressentindo um pouco por não ter falado antes; no fim foi sofrido e desgastante e eles nem aproveitaram o suficiente, a seu ver. "me desculpa andrew." achou necessário concluir assim, ainda que não achasse que a culpa fosse toda sua ali, queria desculpar-se pela parte que lhe cabia.
“eu vou esquecer, provavelmente.” deu de ombros, não se importando em receber o spoiler; até mesmo sorria, o que indicava seu nível de sobriedade. “que tipo de besteira? eu só conseguia ver porque meu irmão queria ver…” comentou, mesmo que tivesse um pouco de dúvida sobre isso. não ficaria surpresa se, no final das contas, seus pais só se importassem com o que trevor assistia, não ela. “podia… depois me diz os dias que você tá livre. a gente passa por lá.” concordou com um sorriso leve. “basicamente, foi isso.” riu fraco, sacudindo a cabeça para os lados em decepção. mas já passou, não tinha motivos para remoer suas escolhas. “gostou do batom? até que não foi tão ruim.” tentou imaginar a cena, o complemento dela estar em desespero deixando tudo mais cômico, logo riu. “ok… hãm...” a lembrança veio, mas não poderia contá-la sem dar uma contextualização… e não queria fazer isso. virou um gole de seu vinho, em seguida, rindo de si mesma. “não acredito que eu fui a primeira a beber…” fez uma careta, não demorando a dar de ombros. “enfim… você já ficou com crush do seu amigo? ou amiga?”
“ah, essas coisas que passava domingo de manhã, eu não era muito ligada.” não ia entrar no âmbito dos desenhos religiosos e receber pena ou espanto. ter visto harry potter só na faculdade foi ‘meu deus, não acredito’ suficiente pra uma vida só. “mas eu lia bastante.” o que era verdade. “na sua casa tinha isso de ser coisa de menino?” como na sua, mas só depois de ter perguntado que realizou que aquilo podia levar a conversa pra algo menos leve do que gostaria para aquela noite. “eu folgo aos domingos e segundas. se quiser, a gente pode ir por esses dias se não for ruim pra você.” pelo menos era por enquanto, seus dias de folga. “foi ruim, ela riu! e eu quis morrer, mas depois deu certo.” de início nem era mesmo uma cantada, mas aí inventou de erguer uma sobrancelha. sentiu-se ridícula, uma de suas primeiras festas como caloura. ao vê-la beber vaiou, mas também não queria vê-la desconfortável. “e ainda é uma das fáceis, tisc.”
fingiu decepcionar-se. “acho que não? pelo menos não que eu saiba...” fez uma pequena careta. “hm... como foi sua primeira experiência? sabe... com garotas.”
e ali estava o que via nela. parecia ser uma das poucas pessoas que se importava com como suas palavras poderiam atingi-lo, como se ele fosse alguém completamente insensível. fazia papel de que era mesmo e adorava sustentar isso, mas ultimamente… gostaria de não ter feito isso. umedeceu os lábios, vez ou outra dando uma olhada rápida nela, só para checar como estava. “eu teria sido paciente se você tivesse me dito algo… e ok, eu também não curto muito mudanças, mas queria fazer isso com você.” conteve uma risada. sem humor. “mas tudo bem… uma hora ou outra eu ia estragar as coisas.” afirmou enquanto um sorriso desanimado tomava conta de seu rosto. “pelo menos agora… bom… eu sei porque você me disse não.”
a vergonha que estava sentindo ali era tamanha que já estava questionando se seria possível passar um ano escondida. o estômago embrulhado em reação normal quando estava nervosa. não era justo pensar no que poderiam ter sido se ela fosse mais clara, odiava confrontar o que a deixava triste muito embora deixar os sentimentos pra lá a fizesse adoecer. “eu não sei... eu fiquei- nervosa?” respirou fundo e torceu os lábios “e aí as coisas acabaram, só reforçou o que ‘tava... na minha cabeça.” assumir era tão difícil quanto sentir tudo aquilo. mas reprimiu a vontade de despejar desculpas ali. assim como podia sentir o olhar dele em si de vez em quando, olhou o outro rápido e depois de volta pra seus braços cruzados. “por que você acha que ia estragar?” preferiu perguntar isso a querer saber se o que ele dissera era ao menos uma trégua entre os dois.
andrew demorou para compreender o que ela queria dizer e isso era visível em suas expressões. o silêncio seguinte veio em uma tentativa de organizar seus pensamentos, engolindo em seco antes de responder. “eu não sabia que precisava de mais segurança…” colocou as mãos para dentro de seu bolso, um tanto retraído. “eu só achei… achei que você não me levava a sério.” por causa da minha reputação. abaixou seu olhar para o chão. “achei que você não levava nós a sério.” torceu a boca, desconfortável em se expor daquele jeito, mas, em simultâneo, querendo falar disso. “então… achei melhor acabar quando você disse que não queria… porque eu não ia conseguir disfarçar que queria mais. e você não parecia querer mais…” seu tom de voz abaixou, seu olhar querendo encontrar o rosto dela, mas não tendo coragem para isso. “pareceu a coisa certa a se fazer…”
ergueu um dos ombros, encolhendo-se um pouco ao escuta-lo dizer que não sabia. ela também não sabia como dizer antes sem ter que explicar porquês. por essa sentiu-se culpada e passou a morder o lábio inferior um tanto apreensiva. tanta coisa podia ser evitava se ela não suprimisse tanto o que sentia, começando pelos remédios que tinha que tomar. coçou a garganta enquanto tentava retomar a voz um pouco mais segura de antes. “eu não queria fazer você se sentir assim.” não digno de confiança, ainda que ela mesma não fosse de dar confiança fácil a alguém. só queria mais tempo. ela só queria mais tempo pra tanta coisa. enxugou a bochecha e daí por diante não quis mais olhar pra cima. sua vontade maior era de sair correndo. “as vezes mudar as coisas me deixa... ansiosa.” a palavra quase ardendo ao sair por entredentes. “e ainda é difícil de explicar porque.” afinal, nem ela entendia direito ainda. “pedir paciência parece egoísmo.”
tinha. provavelmente ainda teria, se eles retomassem algum contato, só não sabia se teria o mesmo impacto. era um dos medos em se reaproximar dela, cair novamente em todo o sofrimento que foi esquecê-la. a pergunta fez com que franzisse sua testa. “como assim?” em nenhum momento falou de suficiência ali. notou sua aproximação e praticamente congelou, sem saber o que fazer… até notar o que ela fazia. “calma… o que você quis dizer com isso de ser suficiente?”
já estava traçando todo um esquema, se ainda continuasse com os pratos podia ficar invisível o suficiente pra que digerisse toda aquela conversa sozinha. sentisse piedade de si mesma e até ensaiasse o que ia falar pra a psicóloga, fazia muito isso pra que fosse mais fácil contar pra mulher. “se eu só queria ficar com você e você estava só ficando comigo, não era o suficiente?” questionou, deixando mais clara a pergunta. tudo bem que nenhum dos dois perguntou isso pro outro, pelo visto ficou muita coisa no meio, entretanto o ‘ultimato’ não tinha sido esse e sim se queria algo mais sério. fungou baixo, enquanto tirava o cabelo do rosto, colocando uma mecha atrás da orelha. “eu precisava de mais segurança.” esforçou-se pra dizer, já que seus namoros foram rápidos. ele desistir só provou que estava certa.
andrew piscou os olhos rapidamente, percebendo que realmente, não precisava do choro dela para saber se ela sentia algo ou não… mas gostaria de ter visto. só para não se sentir idiota, chorando sozinho. suas narinas dilataram enquanto puxava o ar, tentando conter sua frustração, respirando fundo mais uma vez. a questão seguinte chamou sua atenção, e foi obrigado a manter contato visual com ela. “eu não sei…” deixou sua cabeça pender para o lado. “mas… tinha algo em você.” você me aceitava? me compreendia? parecia ser alguém tão quebrada quanto eu. engoliu em seco, as respostas vindo e ficando para si. a raiva escapou de si como uma bexiga perdendo o ar, lentamente, até que sobrasse nada além de uma tristeza. odiou se sentir daquele jeito. “se eu queria algo sério, você acha que eu tava ficando com outros?” soou ríspido, mas ao ver a expressão de thea, procurou tentar diminuir a acidez. “não. era só você.” murmurou. drew preferia acreditar que estava imaginando coisas do que aceitar que, aparentemente, o assunto ainda era delicado para dorothea. ela parecia estar chorando ou querendo chorar… mas só podia ser coisa de sua cabeça. afinal, por que chorar por algo que nem queria? será que tinha mesmo entendido errado? bufou, nem sabendo mais o que dizer. “que sorte a minha não querer mais isso.”
“tinha algo em mim.” repetiu. já que ele não desviara o olhar, ela também não o fez, mas estreitou os olhos. não queria entrar num relacionamento duvidando, sentindo-se insuficiente, sentindo-se inferior como em outros não só amorosos. com ele era fácil de acreditar, mas quando pensava sozinha era que vinha o problema. por sorte ele fora rápido em emendar que era só ela porque quase deixou escapar que achava que sim, afinal, não acreditava que fosse despertar essa vontade no rapaz. e aí sim deixou de olha-lo, balançando a cabeça como se ‘aceitasse’. “e então não era o suficiente?” perguntou sério, a voz já meio embargada mesmo que ainda não estivesse chorando efetivamente. o fundo a pergunta nem valia mais de nada, ele ainda completara dizendo que não queria mais. “então não vejo mais porque discutir.” aproximou-se dele apenas para chegar na lata de lixo e deixou o sanduíche lá. se ele não queria e ela tinha jogado nele no ano novo que também, não tinha mais pra que se explicar.