há certas lembranças que preferia não ter, mas como não possui tal sorte, às vezes apenas entretém a ideia de obliterar cada memória pungente. no entanto, crescer com os cavendish deixa marcas, danos irreparáveis que agem quase como memória muscular. são meros segundos, mas o tensionar do maxilar é grave o suficiente para fazê-lo ranger os dentes, a reminiscência do desgosto de sua genitora por demonstrações públicas de afeto… ah, é aí que se lembra quem ele de fato é, como poderia se deixar levar pela maré amarga quando é a pele tão cuidadosamente beijada pelo sol que lhe envolve, o mormaço reconfortante e a olência que o cinge na mesma intensidade que a abraça de volta, o sorriso de pura graça com tamanho fascínio àquela mulher. ‘ ah… essa era a reclamação, baby? eu posso ajeitar isso. ’ a voz soa baixa contígua à audição, a destra se emaranha entre os fios sedosos do cabelo dela e se recompensa mais uma vez — dessa vez, de verdade, intenso como sempre era. o pressionar do corpo bonito contra o seu uma mera confirmação de sua indecência e desejo ardente, ‘ vai deixar, querida? hmmm, não precisa ser mais tarde, sabe. eu conheço lugares. ’ é necessário muito mais do que um suspiro e vários beijos carinhosos da boca dela até o maxilar bem formado para que sua mente volte ao estado puro de antes — o deslizar da canhota pela coxa gostosa até o limite decente da roupa feminina um mero reflexo que não consegue se livrar. ‘ mas daqui a pouco, agora eu tenho um ponto para provar para a senhorita! ’ esbraveja sem calor algum por trás do timbre, mas com toda a determinação no olhar, era um homem em uma missão. tamanha proximidade é um acalento à alma maculada, o que torna uma lástima se desvencilhar do enlace da bellerose pelo mero segundo que leva para direcionar o abraço da mulher para seus ombros, a confiança os mantendo mais firmes do que nunca. ‘ oh, não. só preciso de uma ficha, senhora. ’ a cordialidade no tom mascara a sua petulância intrínseca, mas como poderia ser diferente quando tem tanta destreza no equilibrar da arma de brinquedo em suas mãos, como se soubesse o que estava fazendo, como se, por anos, seus finais de ano em família não eram resumidos à dias de caça nos alpes suíços. e, como mágica — e com um sorriso cretino nos lábios — estoura os três balões agitados pela brisa suave com um único disparo, garantindo um dos grandes ursos dispostos ali. ‘ eu te avisei, querida. pode escolher. ’