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@ifehf
Onde o bico encontra o fundo
Um pássaro enfia seu bico em minha cabeça e vai martelando picotando a em carne viva, até encontrar o fundo até sair uma substância azul é uma substância que vaza um líquido que escorre pescoço abaixo Os olhos se iluminam o bico do pássaro intersecciona todos os tempos cravado em um diamante bruto, duro e cortante no topo da minha cabeça o diamante estilhaça e ao abri-la em carne viva ele expõe o tempo do agora que é atravessado por uma existência febril e múltipla Eu salto para dentro de um tempo outro Aquele que tem em seu seio flores roxas celestes que brotam debaixo das minhas unhas Eu ouço as batidas do coração E quanto mais ele pulsa mais as flores crescem Elas também têm suas fases decrescentes E ao chegarem no ápice do seu florescimento fenecem vermelhas como o sangue que retorna a terra úmida e taciturna que está em seu período de decomposição fértil A fertilidade não vem da pureza, mas da putrefação Como o alimento da terra ela incorpora aquilo que o corpo não ousa dizer Mas encarna em palavras que escapam a medida que a borda se esvai na própria dobra
Latências
Trampolim sáfico das Deusas Incendiárias percorrer labaredas nas curvas do teu corpo Trepidar no movimento do gesto gasto Traço tímido, que se desvanece, no ato do desejo Pinceladas rebeldes nos teus tons bege e cinza, pra escovar a contrapelo os teus cabelos frisados Da goela pra dentro, um mergulho no líquido que me escorre até atingir o estômago Onde a glândula coroa se ativa Sativa, errante, deslumbrada como o vento que se desdobra em micro partículas de dente de leão O corpo se desmancha na cadência das elasticidades incandescentes Nuas, descalças e correndo em direção ao cosmos errante aquele que confunde os nossos sentidos para nos despertar no centro da espiral.
Cobra Coral
Dança a serpente
no ventre da felina
selvagem
dengosa
cintilante ,
verte o inevitável
em uma espiral
magnânima de ações concentradas .
A dignidade do fluxo
a entropia do percurso ,
pontos que se cruzam e se abrem em espectrais
explodindo em diamantes untuosos,
que deslizam
e caem em terra molhada e quente
úmida ,
com suas propriedades
extra sensoriais
despencando em realidade multifacetada
suspensa da matéria
rica no espírito
HÁ sede
de se viver ,
o transe ,
ande
unde
arde
funde
onde
quando
não há mais
o querer
do desquerer ,
chega
em
frequências descompassadas
ultrapassadas
do ponto fictício ,
o corte do medo ,
o encaixe do fluxo ,
da existência pictórica
nessa retórica ,
onde
o corpo se esvai no ar
como uma presença necessária
para habitar o vazio
nada mais interessante que
tocar a medula,
que ondula ,
que molda
a minha percepção do instante ,
ao mesmo tempo que libera
as molduras fixas pré estabelecidas .
Dilata tempo,
à espera do
sol
sal
limpa
leva
seiva ,
selva
cai
escorre
ponto do chao
olho do céu
Céu do sul
nuvem em decomposição
para a chegada
daquele
que AQUECE
o meu peito
em desnudamento
Astro
Gesto
Rei
Fragmentos do TAO
O Espírito do vale possui um céu constante e duradouro
que não cria para si,
mas age com bondade
respira com pureza ,
ate tornar se criança
cultiva sem domínio ,
envolto de uma misteriosa virtude.
11
o vazio do centro da roda
O homem sagrado se realiza pelo ventre
e nao pela boca.
Da existencia vem o valor,
e da não existencia,
a utilidade.
Minha vontade tamanha de atravessar o muro me preenche de urgências talvez vocês não compreendam que, na verdade estou querendo atravessar as existências de vocês Não estou em cima do muro , estou entre eles , transpassade ele sai de dentro da minha garganta pelos meus ouvidos ate explodir em todos os orifícios O muro sou eu Me quebre me atravesse me engula em concreto Exista comigo em unidade Vibrando toda e qualquer matéria que componha essa dança tão sutil tão bruta, ruidosa no interno farelos de cimento escorrem sobre a pele macia mole quente e sanguínea Que toca o chão e umedece cria raiz encontra os micélios por dentro do solo
Fractal
Molécula
Medula,
modula
um plano, uma linha
um volume
Papeis e dimensões
curvas geradoras
Trabalhar em frequencia é música
distribuição geométrica de frequencia
intervalos tocados em tempos fractais diferentes
Intercalados a desabrochar no multiverso
Adanã eyowá
Vazio
Diálogos longos de ausência
se diluir na definição do ser
Um gás capaz de liberar imagens multiplas
turvas
gaseificadas
cheias de cores
distintas em seus significados
Essas que amaldiçoam a gente
grudam em nossos pés , subindo pelos tornozelos
e voam
o andar das imagens se desdobrando
um movimento contínuo no ar
Como um balão
Que flutua
Ele esta mas ele não está ao mesmo tempo
GRAVIDADE É MOVIMENTO
nenhum chão é tão fixo que nao possa ser transformado.
definição de făgáș no dicionário romeno
FÁGÁŞ ~ n. 1) Profunda e contínua, feita no chão pela chuva ou as rodas de uma velha. 2) Fig. Caminho de desenvolvimento.
Daga de Raiz
Corta da raiz
extrai a carne da seiva ,
Selva
a liga metálica de outro planos
que transcende e atravessa os corpos
as linhas
as entre linhas
e as listras
justas ,
figas,
fagas
amargas
dagas
degas
entre as entregas ,
o cento 100
o centro entre o vento e o assento,
ver,
guiar,
partir
parir
parir a linguagem do querer
entre o justo e o ser
i n d i v u d u a l
conexão casual
efetiva e afetiva
seletivamente ondular
crepuscular
caracol
vórtice
Pra onde desejas ir?
Gotas da manhã
èpao
Caminhar pela cidade , atravessar o cotidiano
quantos corpos
gestos , falas
consumos
eles fumam um cigarro
tragam uma bebida
falam sem parar ,
meu corpo vai pesando ,
e não cessa de sentir a densidade da noite
como uma senhora com o corpo frágil
que vê sua pele se desmanchar
Uma alma velha em uma estrutura nova
o tempo do corpo e suas limitações
um sopro no peito
um navegar indefinido
transitar entre o tempo dos velhos eo tempo dos novos,
se unir a realidades espectrais e multifacetadas em suas existências
Sinto o sabor das frutas mordidas,
Um assalto ao acaso
das paredes roxas do teu interno
Movimento minha mãos
entre os azuis e roxos da sua carne
suave como um gozo,
que expele gliter pelas beiradas ,
deslizo como um tobogã megalomaníaco
Dando luz a um cavalo cor neon
Que galopa na noite escura ,
que te observa de dentro .
Eu vejo seus olhos de fogo me curarem
Me consumirem com sua luz inconfundível