procuro seus vestígios por toda cidade
nas cadeiras amarelas
nos portões de grades
nas estantes
da biblioteca central,
nos ricochetes
nas aspas
nos agudos
nas vírgulas,
esquinas, pontos, bares
escadas, sacadas, andares.
tudo que corri, pensei que era só
nos desencontros
de não mais te ver,
nos riscos
de não mais te tocar,
nas fomes
que sentia de você,
nas confusões
que me causa,
era igual pra você, não é?!
pensei em manipular seus rabiscos
entrar de vez nos seus sonhos
abarrotar seu tempo
misturar a tinta dos seus olhos,
pensei em você quase a noite inteira
e quando não pensei
foi porque a saudade esquivou,
mas tropeçou logo em seguida e lembrei
que você nem sequer saiu daqui,
nem um passo
nem um bambeio
nem um tombo
nem sei mais se você saí daqui.
ver você hoje
foi como na primeira vez que meus olhos
olharam pro mar,
suave, ondulado.
tão lindo que me doía os olhos,
tão gigante e presente
que me lembro do cheiro
da força descomunal
que me puxava pra dentro,
e do carinho delicado
de me trazer de volta.
te tocar hoje
foi como na primeira vez que meus pés
tocaram a areia,
macia mas tenaz.
tão permeável e insolúvel
que me impreguina a pele,
voltava sempre pra casa com resquício seu
e mesmo limpar não adiantava
sempre havia um pouco de você que me sobrava.
analogias, metáforas, flertes.
tento, amor
de várias maneiras e modos
não dizer que te quero porque te quero
porque vai ser clichê de mais,
não dizer que sinto saudade porque sinto saudade
vai ser meio paia, né?!
não dizer que te amo porque te amo
vai ser nerudiano
e você detesta.
eu também sabia?
detesto a maneira que é perceptível
cada olhar seu se transformando
em sorriso meu,
cada beijo teu se transformando
em sorriso meu,
cada palavra sua se transformando
em sorriso meu,
cada sorriso seu se transformando
em sorriso meu,
é impossível só dizer
que te amo
porque te amo.













