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@ikaimana
trcmainc:
‘ Sendo sincero, não tenho interesse em um djínn, sabe o que dizem, eles são trapaceiros e sempre pegam sua alma em troca do seu pedido ou isso seria um demônio? enfim, não quero arriscar esse lindo pescocinho, então prefiro esperar algum dos meus nobres colegas encontrá-lo e então eu vou lá e digo, parabéns cara, bom trabalho, simples assim. ’
❝Não sei se acredito que esse seu papo todo é realmente você sendo esperto ou se está só com medo das consequências.❞ Cruzou os braços ao encarar o outro, um sorriso de puro divertimento tomando seu rosto. Nem ela mesma havia refletido direito sobre aquela história toda ainda, mas se perderia a provocação? Era outra história. ❝Vamos lá, não te bate nem um pouquinho de curiosidade de procurar por ele?❞
FLASHBACK — ᴊᴏɢᴏs ɪɴᴛᴇʀᴄᴀsᴀs.
amordemaeve:
Os dentes da sereia apareceram quando o vislumbre de um aberto sorriso se deu, embora rapidamente tenha tentado escondê-los ao pressionar os lábios; estes, porém, moveram-se com a sombra do sorriso dançando pela face da imrense. ‘ Ah, não, isso não vai rolar. Somos os vilões, sabe? Temos a tendência a só pegar o que a gente quer mesmo, sem nos preocuparmos com isso de reciprocidade. Nós não podemos nos dar ao luxo de deixar nossa fachada cair assim. Nem por você. ’ O proferir fora automático, espontâneo demais para que a Argyris o notasse no momento, apenas negando com a cabeça ante ao pedido alheio. Aquilo faria com que ambas continuassem ali, procurando provocações sutis, embora Maeve não soubesse por quanto tempo desejava permanecer. Dizia para sua memória deixar o passado onde ele pertencia, escondido sob camadas e mais camadas de uma maquiagem interna extremamente frágil; conquanto, quanto mais tempo passava na presença alheia, mais aquele passado parecia interessado em dar as caras apenas para atormentá-la, tinha certeza.
‘ É, eu conheço alguns segredos sobre você. ’ Ainda que tenha permanecido com a entonação humorada de sempre, os olhos de Maeve poderiam evidenciar algo que a sereiana agradecia à baixa luminosidade por ajudá-la a esconder. Enquanto uma criatura marinha, jamais imaginou que, algum dia, o mar iria se voltar contra ela; porém, tão logo acabara tendo suas convicções abaladas quando, um dia, o mesmo a impedira de retornar para a água, prendendo-a longe da superfície — e, consequentemente, longe de Kaimana. Compreendera alguns momentos mais tarde o motivo, embora não tenha concordado com o que Lua dissera ser “o mais seguro”. Envolta pelos sentimentos que cultivara pela outra, Styliani não aceitaria como seguro algo que iria lhe afastar da anilena, mas, ao mesmo tempo, seu histórico a impedia de simplesmente tentar. Era melhor não fazê-lo. ‘ Nunca tive a oportunidade de decidir o que fazer quanto a eles, mas acho que eu não tive muita escolha. ’ Não pesou o que dizia, proferindo em uma expiração curta. Não era necessariamente uma acusação, afinal, era uma escolha difícil e quiçá uma escolha. Ainda assim, para uma jovem adolescente, o amargor da decisão de Kaimana ainda estaria pesando sobre sua cabeça. Contudo, era revelar demais sobre a própria persona proferir o que proferira.
Graças ao Narrador. O pensamento originou-se no chamado alheio para que ambas revelassem suas pretensões naquela noite, embora, obviamente, em uma brincadeira que, misturando-se à sua fala anterior, levava-a a uma imersão que lhe dava a sensação de ter o fôlego tomado; uma dificuldade de inspirar que era complexa e inimaginável. ‘ Ah, isso é terrível. Eu estava me preparando para receber uma surpresa de aniversário. Droga. ’ Mas, bem, não havia muito que ser escondido, não é? ‘ Você me conhece muito bem para saber como barganhar comigo. É quase injusto… Não espalhe. ’ Pediu-lhe enquanto as sobrancelhas se levantavam, evidenciando que era um requisito seríssimo. ‘ Eu estava procurando as relíquias, como qualquer outro, não é? Achei que poderia olhar dentro da Anilen. Tem muita gente pensando que pode estar em outras casas… E, claro, se eu achasse o manto da invisibilidade seria uma vantagem para a Imre. ’ Ainda que a Anilen estivesse quase fora da disputa àquela altura. ‘ Agora sua vez. Trato é trato. ’
Quem observasse de fora a cena, tendo zero noção do contexto, diria que não havia nada demais no clima que ali pairava entre as duas. Palavras comuns, uma troca que pouco pareceria afetar qualquer uma delas, um diálogo cujo peso não aparentava ser tão grande quanto realmente era. Mas era justo nisso que estava o ponto chave: aparências. Tanto Kaimana quanto Maeve sabiam, no fundo, que todo aquele visual de normalidade se baseava no esforço de ambas de não deixarem escapar qualquer sentimentalismo nas sentenças ditas. Porém, a filha de Moana era capaz de perceber a sutileza em cada palavra que saía dos lábios da outra. ❝Nem por mim?❞ Ergueu uma sobrancelha, surpresa com o que acabara de ouvir. Estaria a sereiana deixando pensamentos escaparem como ela própria estava sem perceber? Ou fora proposital? ❝Argyris... eu sei que sua fachada é capaz de cair. Mesmo que seja vilã.❞ E, com uma piscadela, encerrou o assunto, sabendo que ela pouco teria a dizer de volta. Fora tamanha a sua ousadia em responder daquela maneira, deixar tão claro assim o quanto conhecia da garota em sua frente, mas havia sido inevitável segurar o tom quando tinha plena noção dos momentos em que a imrense não se portava como a dita vilã.
Ouvindo a constatação, não segurou um suspiro, este o qual talvez expressasse mais sentimentos que qualquer coisa dita. Uma simples respiração pesada externava todos os seus pensamentos em torno dos eventos de anos atrás, eventos que a atormentavam até os dias atuais. Como ousara esquecer por um mísero instante os perigos a que estava colocando a outra por se permitir baixar a guarda? Como pudera ser egoísta a esse ponto, em pensar nos próprios sentimentos pela primeira vez em mais de uma década? Talvez tenha se confiado no fato de que, tendo também sua relação com a água, a Argyris estaria segura. Talvez o fato sequer tenha se passado por sua cabeça, absorta demais no que ambas sentiam. E as palavras seguintes foram o suficiente para outra rajada de memórias adormecidas. Sua vida em perigo. O afastamento iminente. Sussurros jamais trocados novamente. Seu corpo se retraiu com o pensamento e, o que fora dito em seguida, não era nada mais que um murmúrio. ❝Nenhuma de nós duas teve escolha. Eu sei que eu não tive. Sempre foi algo muito acima de escolhas.❞ Afinal, era impensável colocar a vida de Maeve em risco, nem mesmo era algo dentro de cogitação. Não importasse o quanto quisesse escolher, aquele tipo de opção não cabia ali. Não a colocaria em perigo. Ponto final.
❝Tenho a leve impressão de que você descobriria qualquer surpresa de aniversário antes da hora certa. Convenhamos, é difícil manter o mistério com você.❞ Riu e o riso era não só pelo que dissera, mas também pelo alívio em tornarem ao assunto leve. Preferia não refletir mais a respeito de vidas postas em perigo exclusivamente por sua culpa. ❝Pode deixar, não vou espalhar. Se eu tentar enviar uma notícia dessas para o jornal, tenho certeza de que um certo alguém barraria a publicação.❞ O pensamento a divertia, de estarem ambas ali em promessas silenciosas de manterem segredos trocados os quais outras pessoas nunca saberiam e Maeve trabalhar justamente divulgando qualquer confusão por parte dos outros aprendizes. Nada mais justo que ela mesma se mantivesse no controle das notícias. ❝Tudo bem, justo o raciocínio. Será que devo te permitir essa tentativa de vantagem?❞ Ponderou, agora já se aproximando da entrada da Anilen. ❝E, bom, cumprindo minha parte do trato: digamos que Atlas e Edgar me convenceram a procurar pela relíquia da Ralien e... escondê-la. Funcionou? Não. Mas não posso dizer que não estava esperando por esse resultado.❞ Claro que um plano vindo unicamente de Gauthier e Hoffmann não teria uma consequência muito promissora, mas dava o leve voto de confiança aos dois. Tendo ambas as garotas cumprido o acordo, não mais havia o que ser dito e, encarando Maeve, refletiu por um instante: deixaria ou não que a jovem entrasse em sua companhia? Sempre fora uma tarefa difícil recusar os pedidos da outra, mas talvez devesse, ao mesmo uma vez, demonstrar seu esforço em não fazer esse poder ser exercido sobre ela novamente. Ao menos uma vez. ❝Acho melhor eu entrar, meio tarde para estar fora do próprio dormitório, não concorda? Tenha uma boa noite, Argyris.❞
E, com a óbvia indireta de que a imrense deveria retornar à sua própria casa, adentrou na Anilen. Sozinha.
— 𝐸𝑁𝐶𝐸𝑅𝑅𝐴𝐷𝑂.
amordemaeve:
Kaimana era capaz de fazer Maeve se sentir mais desconfortável em sua pele do que seria possível para qualquer outra pessoa senão sua própria mãe — embora o que Úrsula fazia era trazer muito mais do que um mero desconforto. Conseguia lidar com suas próprias ações contra os demais — como era suficientemente capaz de lidar com o ocorrido entre ela e Solan, por exemplo —, mas não com a rejeição que fora proporcionada em sua relação com a anilena. Com o tempo, porém, aprendera a canalizar aquilo, embora tenha aprendido, com Kaimana, que não deveria se permitir. Isso, decerto, havia sido decisivo para lidar com sentimentos posteriores. Ainda assim, o tempo era transformador em alguns aspectos: capaz de fazer com que fosse minimamente mais fácil estar diante da descendente — algo que, no passado, demorara a ocorrer.
‘ Eu acho que sim, na verdade. Como eu posso querer espionar vocês? Como ser um bom espião assim? Isso não funciona, sabe… Atrapalha o outro lado. Devemos ser mais colaborativos. ’ O indicador e o polegar se fecharam em seu queixo em um movimento que não durara mais que dois segundos antes que seus braços se fechassem em um abraço ao redor do próprio corpo. Era quase um movimento de defesa, afinal, Kaimana havia machucado uma parte de Maeve que a sereiana desconhecia, ainda que, talvez, Lua não soubesse disso, embora não tenha sido extremamente sutil no início daquele fim. ‘ Ainda bem que você sabe da minha capacidade de descobrir informações que as pessoas não gostam de me contar. ’ O que era bom para o que exercia no jornal e, bem, para as ambições de sua mãe seus planos pessoais. A indagação subsequente fizera com que a ponta da língua de Argyris passasse de um canto de sua boca ao outro, um milésimo de segundo que fora o suficiente para denotar a hesitação que, rapidamente, tentou disfarçar. ‘ Sabe que eu gosto de surpresas. Geralmente descobrimos os segredos mais sujos assim. ’ O quê em presente em seu tom era irônico; o humor expressando-se em sua face, embora os braços continuassem ao redor do próprio corpo. ‘ Mas, se fosse uma surpresa, provavelmente eu não teria tido tanta sorte… ’ o volume de sua voz fora caindo gradualmente enquanto denotava ter percebido que a anilena estava chegando àquele horário. ‘ Onde você estava? ’
Como explicar as reações que Maeve causava na filha de Moana? Indecifrável era o mínimo a se dizer sobre suas expressões quando diante da outra, a tentativa de manter seu rosto o mais neutro possível era alcançada com sucesso — considerando os anos de treinos a fio para tal —, mas tremulava. Afinal, toda a sua questão com a sereiana fora justamente essa: o quanto sua inexpressividade e frieza haviam ambos sido jogados pelos ares ao terem ultrapassado qualquer linha de contato aceitável para a sua própria situação. Numa expressão mais adequada a si, toda a sua prudência fora literalmente por água abaixo. Motivo esse que fazia com que, mesmo na atualidade, tivesse de respirar fundo para se poupar de evocar memórias já deixadas para trás por parte delas. Era certo que nenhuma das duas ali esperava revivê-las. Kaimana, pelo menos, não ousaria colocar — mais uma vez — sua vida em risco.
Um riso curto escapou de seus lábios ao ouvir a resposta, apesar da tentativa de contê-lo. Talvez não fosse tão boa nisso com a Argyris quanto julgava ser. ❝É um problema, de fato. Já passou a senha da Imre para os outros aprendizes então? Ser mais colaborativos e etc, sabe, acho justo a reciprocidade. Vamos, estou esperando.❞ Cruzou os braços, encostando-se de lado na parede, como se, de fato, estivesse aguardando pela senha da casa oposta. O que, nem de longe, era verdade, pois não poderia se importar menos com o que ocorria entre as paredes alheias, a provocação, no entanto, não iria lhe escapar. Digamos que passara do tempo em que havia algo em Imre para ela — o que não indicava ser uma constatação boa ou ruim. ❝É, acho que não tem mais nenhum segredo meu que você já não saiba.❞ A sentença fora solta antes que pudesse processá-la completamente, sem raciocinar que despertaria as mesmas lembranças para ambas ali. Afinal de contas, a imrense descobrira com os próprios olhos o quanto era perigoso o envolvimento de Kaimana Lua com alguém, seu maior e pior segredo. Tendo sido exatamente o que aconteceu, de se perder momentaneamente nas próprias memórias, mal escutara as falas seguintes da garota e, estando prestes a perguntar o que havia sido dito, fora interrompida pelo questionamento o qual estava torcendo para passar despercebido. ❝Não estava indo fazer surpresas noturnas na Imre, isso posso confirmar. Ainda não recebi a senha para poder fazer isso, Argyris, vai ter que colaborar comigo.❞ Brincou. A qualquer outra pessoa, a Waialiki certamente teria cortado o papo com um "não é da sua conta", pois de fato não era, mas o mesmo não conseguia fazer com Maeve. O histórico delas a impedia. ❝Posso até dar mais detalhes da minha noitada se me disser o quê exatamente você pretende entrando na Anilen a essa hora. Isto é, se estiver mesmo interessada em saber por onde andei.❞
Miss Eaton for «The Hollywood Reporter» — Cannes, France 2015
FLASHBACK — dia do amor verdadeiro, with @x-distrustful
Kaimana não poderia se mostrar a pessoa mais animada do universo com aquela ocasião, isso era certo. Era uma ironia do destino ter de arrumar-se tanto e fingir celebrar uma data a qual trazia um total de zero significados para ela, mas ainda não era desgostosa o suficiente com a vida a ponto de se recusar à comparecer — seria amargura demais até mesmo para a Waialiki. Acompanhara-se de Atlas e foi deste e de Edgar que se mantivera por perto um tempo considerável da noite, mas mesmo um bom trio precisava se separar. Estava cansada, exausta daqueles saltos que não eram nada costumeiros em sua rotina e, por conta disso, resolvera ser hora de se retirar dali. Longe de todo o barulho das conversas altas e da música, respirou fundo, agora batendo os olhos num Desmond sentado na grama parecendo um tanto quanto fora de si. Não que estivesse fazendo muita coisa, apenas com uma aparência desnorteada, por assim dizer. ❝Desmond?❞ Chamou pelo rapaz, aproximando-se de onde estava. Os dois há tempos não conversavam e certamente a filha de Moana tinha imensa culpa no cartório, mas ignorou o fato naquele momento. ❝Tudo bem contigo? Você não é de ficar assim, quer dizer, pelo menos não que eu saiba.❞ Já que proximidade não era mais uma característica entre aqueles dois.
solanmento:
“ — SALGADOS, DOCES, OU QUALQUER DELÍCIA QUE QUISEREM BEM AQUI! TUDO POR UMA PECHINCHA” anunciava Sol, enquanto andava pela plateia de um dos jogos da intercasas. Ele e Benji haviam decidido iniciar um negócio de vendas de comida, e tinha momento melhor para por aquilo em ação do que durante as competições? O segundo príncipe de Arendelle logo tirou sua camisa (não podia usar cores das casas e perder clientes por conta de torcida, certo?), e pegou uma caixinha com todas as comidas que ele e o outro haviam preparado e saiu pela torcida. “ — Vai querer um? Só dizer o que quer e em qual sabor, posso fazer um precinho ótimo pra você.”
Estava muito bem, obrigada, entre os colegas aprendizes na torcida enquanto acompanhava o jogo, quando sua visão da partida fora momentaneamente interrompida por um certo vendedor. Ergueu uma sobrancelha, que, na discrição de Kaimana, já era o suficiente para indicar o quanto não apreciava a cena em sua frente. Que jeito de fazer propaganda era aquele? Certamente não era lá o melhor marketing para convencê-la a comprar qualquer coisa. Não conseguiu conter a provocação que já pairava na ponta de sua língua, soltando-a logo em seguida. ❝Peito de fora para vender doces? Essa é sua brilhante estratégia de marketeiro, partir pra apelação?❞
"Eles eram inseparáveis de uma maneira estranha, curiosa. Tinham pouco ou até nada em comum e, ao mesmo tempo, eram tudo a ver. Suas personalidades se contrariavam e se coincidiam, opostas e complementos. Difícil seria não os ver juntos, uma amizade simbiótica, por assim dizer — e simbiose, em seu significado no mínimo semelhante à estes três, é definida como a associação de dois ou mais seres que, embora pertençam a diferentes espécies, são definidos como um só organismo.
Kaimana, Atlas e Edgar, ah, que trio intrigante."
@atlashvnds as Sirius Black, @mrsugcrplum as James Potter and @ikaimana as Remus Lupin.
❝Certo, me lembrem de novo porque concordei com isso.❞
O farfalhar das árvores era bem audível naquele momento e, se a floresta tivesse ouvidos e boca, certamente estaria ralhando com os três ali mesmo. Na verdade, já estaria cansada de ralhar com ela, @atlashvnds e @mrsugcrplum durante todos aqueles anos. Eles eram inseparáveis de uma maneira estranha, curiosa. Tinham pouco ou até nada em comum e, ao mesmo tempo, eram tudo a ver. Suas personalidades se contrariavam e se coincidiam, opostas e complementos. Difícil seria não os ver juntos, uma amizade simbiótica, por assim dizer — e simbiose, em seu significado no mínimo semelhante à estes três, é definida como a associação de dois ou mais seres que, embora pertençam a diferentes espécies, são definidos como um só organismo.
Kaimana, Atlas e Edgar, ah, que trio intrigante.
Em mais uma de suas empreitadas, a garota continuava a se questionar como, mais uma vez, se deixara convencer àquilo. Era plena madrugada e estavam próximo ao Lago Encantado pensando nos passos seguintes. ❝Já decidiram se o plano é cantar vitória ou esconder a tal maçã de vez?❞ A missão? Procurar pela relíquia da Ralien, pois, mesmo sendo de casas diferentes, só estavam determinados a não fazer os ralienos vencerem. Mais cedo, a Waialiki estava justamente tentando não se meter nisso, mas nenhuma ideia quando envolvia os outros dois poderia ser considerada imutável por muito tempo. Fazer o quê, não é mesmo?
amordemaeve:
➯ 𝒇𝒆𝒄𝒉𝒂𝒅𝒐 𝒑𝒂𝒓𝒂 @ikaimana.
A procura pelas relíquias não estava sendo tão fácil quanto imaginara. A ideia de Argyris era utilizar-se de seus poderes para que pudesse tomar alguma informação de seus colegas de instituição, no entanto, nenhum parecia ter uma ideia realmente interessante. ‘ Desse jeito vai ser difícil nos recuperarmos. ’ Obviamente, desejava a vitória tanto quanto qualquer outro aluno em Aether. A ideia de perder para Ralien não era aceitável para si. ‘ Eu vou ser obrigada a convidar todo mundo pra um passeio no fundo do mar pra vê se descubro alguma coisa útil. ’ Pensava em voz alta enquanto se dirigia para a Anilen. Veja, não havia pistas realmente úteis que pudesse utilizar, mas ainda assim poderia invadir uma casa e tentar ver algo dentro da sala comunal, por exemplo? A ideia lhe soava boa o bastante para tentar — e tentou. Conquanto, após a terceira senha errada, Argyris acabara por concluir que estavam trocando as senhas diariamente, afinal, a própria Imre o estava fazendo. ‘ Já teve alguma invasão para que fizessem isso? ’ Indagou para si mesma ao proferir a senha mais uma vez. As orbes jabuticaba se guiaram para as janelas de vidro, procurando alguém, mas nada. ‘ Sério que venho para o meio do mato atoa? Achei, assim, uma audácia de quem mudou essa senha. ’ E foi ao se virar que dera de cara com Kaimana. O agridoce em sua boca indicava o quanto aqueles encontros eram sempre difíceis para a sereiana; mas isso não era o mesmo que demonstrar. ‘ Vocês trocaram a senha? ’ O polegar apontou para suas costas, referenciando à entrada da casa da Waialiki.
Poderia dizer ser no mínimo comum para Kaimana eventuais saídas noturnas. Que melhor momento para ficar sozinha e em paz se não em plena calada da noite? Era seu pensamento usual, claro, quando não havia um fator importante em consideração: Atlas e Edgar. Os dois eram a rajada de incentivo para fazê-la sair ainda mais do seu dormitório na Anilen durante a madrugada, inventando mil e uma ideias aleatórias para ocuparem o tempo, você sabe, como os três desocupados que eram. Naquele dia — ou noite, como queira —, haviam resolvido ir atrás de certas relíquias e, se fora uma busca frustrada ou não, a anilense preferia fazer mistério. Já estava para entrar em sua casa pós empreitada, quando topou com Maeve. ❝É, realmente foi uma falta de consideração nossa com os invasores de outras casas.❞ Retrucou em tom neutro, apesar da leve vontade de rir ao ouvir o comentário que sequer fora dirigido para si. Se fosse outro tipo de pessoa, teria ironizado o fato de Maeve estar ali em plena madrugada, algo como "Vindo me visitar uma hora dessas, Argyris?" ou qualquer coisa do gênero, mas o clima que pairava entre as duas nunca fora completamente leve desde eventos do passado. Certas vezes, não sabia qual deveria ser a maneira certa de se portar diante da outra. ❝Trocamos, mas não duvido que em breve você descobre de novo. Descobriu a anterior, vai conseguir de novo.❞ Nem era maldade o que dizia, o sorriso em seu rosto mostrava o contrário, apenas conhecia a garota o suficiente para saber que não era difícil conseguir o que queria. ❝Vindo fazer surpresas noturnas?❞
snowanika:
—Nem me fale! Algumas pessoas estão realmente com um humor tenebroso com tudo isso. — Era verdade que o humor dos aprendizes havia mudado de forma mais drásticas, não achava que a competição trazia exatamente o melhor das pessoas, mas servia para os manter ocupados e não xeretar sobre o que realmente estava acontecendo no instituto. —Não tem problema, sempre podemos fazer uma busca nós três, tenho certeza que Rhea não iria se importar. — Devolveu a brincadeira, piscando para a garota, não sabia que ela e Rhea eram próximas, mas presumiu que fosse por que tinham uma conexão especial com a água. —Tudo bem, é até bom que eu dê uma parada na busca, parece que quando mais você tenta achar algo, menos você vê… E agora que você falou, eu nunca usei o telescópio daqui, o que você gosta de ver nele?
❝Nossa, Aderem e Ralien? Está a rivalidade mais... assustadora.❞ Não era segredo para ninguém, sendo, na verdade, muito visível o quanto as duas casas estavam com os nervos à flor da pele em relação uma a outra. Nenhuma delas queria ver a oposta ganhando, cena engraçada de ver — e que fazia Kaimana agradecer profundamente ser da Anilen e não estar metida nessa rixa toda. ❝Hm... Vou evitar me meter nessa caçada, só por garantia. Boa sorte, ralienas.❞ Deu uma risada baixa, achando graça da sugestão da aprendiz. Teria muita gente a quem se explicar se resolvesse ajudar a Ralien, a começar por Atlas e Edgar. ❝Garanto que vai terminar achando quando menos estiver atrás. Parece uma lei do universo. E bom, fico procurando pelas constelações que eu mais gosto, admirando por um tempo. As Sete Irmãs é uma delas, é uma boa companhia durante a noite. Posso fazer vários monólogos mentais.❞
𝐟𝐥𝐚𝐬𝐡𝐛𝐚𝐜𝐤 — 𝐒 𝐇 𝐀 𝐃 𝐎 𝐖 𝐒.
neevcn:
Neevan já não era ele mesmo naquele momento. Como se as sombras o tivesse possuído, estava quase perdendo a consciência e sendo completamente dominado pelas trevas. Simplesmente porque elas gostavam de brincar com ele, e de fazê-lo se meter em encrencas. Achavam divertido de uma maneira muito cruel sussurrar em seu ouvido palavras que o atormentassem ou possuir seu corpo para que pudessem fazer o que bem entendiam. Dessa forma, sugavam a alma dele aos poucos, como se sua essência fosse embora, tirando aos poucos sua vida. Se tivesse uma forma humana, as sombras certamente estariam rindo agora, mas estando dentro do corpo do rapaz, fizeram com que ele abrisse um sorriso de escárnio. “ Sei com quem ‘tô falando. Com uma garotinha que parece que sabe brigar mas só usa o mar para se defender. ” Não a conhecia, não sabia de seu potencial, e a frase jogada era apenas baseada no que pensava saber dela: sua descendência e poderes. “ Vamos, Waialiki, me mostra então porque eu não devo brigar com você. ” A voz soava mais grossa do que o natural, porque naquele momento não era mais o príncipe da Maldônia que falava por si. Quem o conhecesse bem, saberia que ele não estava agindo de acordo com o seu normal e que a voz era muito diferente da sua verdadeira. Entretanto, a filha de Moana não tinha conhecimento de nada disso, e podia estar apenas pensando que Neevan estava sendo encrenqueiro e agressivo gratuitamente. Já estava próximo o suficiente dela, quando ouviu o xingamento e logo depois a a distância entre eles diminuir ainda mais. Quando sentiu a mão segurando a gola de sua camisa, fitou a mão dela e depois ergueu o olhar para ela e soltou uma risada debochada. “ Isso que chama de ameaça, Kaimana? ” A voz extremamente grossa, agora o rapaz completamente inconsciente e possuído pelos Amigos do Outro Lado. Um último sorriso irônico, antes dos olhos escurecerem – o que, talvez, não ficasse tão óbvio pela escuridão da floresta, embora os dois estivessem perto o suficiente – e então a empurrou com uma força fora do normal. Neevan não era forte assim, e tinha o físico frágil, mas as sombras lhe davam aquela força. O empurrão forte a afastou um pouco, e ele respirava e inspirava pesadamente, com raiva. “ Vem aqui, vou te mostrar como a gente ameaça Do Outro Lado. ” A voz ainda extremamente grossa, quase assustadora. Uma fala que, claramente, não seria proferida por Neevan em seu estado natural, porque ele nunca havia estado Do Outro Lado.
Kaimana Lua sabia manter o controle, afinal, treinara a sua vida inteira para isso. Controlava, como ninguém, suas emoções positivas e negativas e, ainda que expressasse alguma emoção em sua voz, raramente passava disso. Raramente pois não era como se tivesse sangue de barata, para tudo havia um limite, até mesmo para o controle da filha de Moana — certamente uma das pessoas de expressão e atitude mais neutra pelo instituto inteiro. E, naquele momento, não havia dúvida de que havia chegado ao seu limite. ❝Se você acha que eu só uso o mar para me defender, com certeza não me conhece, garoto. O mar é o de menos quando eu entro numa briga.❞ Qualquer pessoa que a desconhecesse, diria que ela estava mais se gabando do que fazendo, mas não era o caso com a Waialiki. Ela realmente era boa de briga e dizer aquilo em alto e bom tom era mais um alerta ali, coisa que ele não desejaria ver com os próprios olhos. Apenas um tolo acharia que se usava do mar daquela forma, quando sempre deixara claro para todos em Aether que seus punhos vinham primeiro. Ainda que sem poderes, seria mais forte que muitos aprendizes ali, disso não tinha dúvidas — e modéstia não fora algo passado de sua mãe para ela. Estava pronta para responder à altura o questionamento do outro, quando sentiu o empurrão. E sentiu a fúria tomar-lhe junto. Seus olhos fecharam-se por um segundo, ouvindo as palavras do filho de Tiana. Sua cabeça não mais se perguntava o motivo do estranho tratamento repentino por parte dele, de fato não fazia sentido nenhum, mas tudo que sua mente queria agora era devolver na mesma moeda. Na mesma moeda não, pior. Não nascera do mar à toa, sua mãe nunca se deixou ser tocada por um homem, não era Kaimana que se deixaria apanhar de um. ❝Sua amostra grátis vai ter que ficar pra outro dia.❞ O ódio era claro em suas palavras, e instantes depois seu punho ia de encontro ao rosto do outro. Não medira força, não tentara apenas lhe assustar. Socara-lhe para machucar. Sem parar para tomar fôlego, desferiu outro soco, agora contra o queixo do outro. Como se não fosse suficiente, golpeou-o com a perna, fazendo com que, enfim, perdesse o equilíbrio e fosse ao chão. Tudo aconteceu numa questão de segundos, sem dar-lhe sequer tempo de reagir à altura. Não estava ali para esse tipo de justiça, não fora uma luta nascida justa. De pé, olhou-o do alto uma última vez antes de sair dali. ❝Nenhuma gota de água, viu só? Agora diga que não sei lutar, imbecil.❞
— 𝑬𝑵𝑪𝑬𝑹𝑹𝑨𝑫𝑶.
snowanika:
—Ah! Obrigada, é realmente gentil de sua parte. — Agradeceu com sinceridade, realmente não seria bom testar a sorte e acabar caindo com tudo no chão, o que não seria novidade para si. Seguiu com sua busca até perceber de que não havia nem sinal da maçã por ali, o que era uma pena, mas não seria a primeira vez que haviam lhe indicado um local e o objeto não se encontrava mais lá, crianças poderiam ser adoráveis, mas também adoravam pregar peças. Desceu então da cadeira, com cuidado para que não se esborrachasse no chão, mas tinha quase certeza de que teria caído se não fosse por Kaimana. —Bem, sempre se pode criar novas alianças, em especial quando se mais de um rival em comum… Mas se não quiser ajudar, tudo bem também. Veio usar o telescópio?
❝Além de querer sua segurança, é melhor garantir que não me culpem se alguma coisa te acontecer, os ânimos do pessoal estão um pouco elevados com essa história toda dos jogos intercasas.❞ Ponderou enquanto continuava a segurar a cadeira, achando graça sozinha que dizia isso enquanto a ajudava justamente a procurar uma das tais relíquias. Quais eram mesmo? Sequer decorara todas de cabeça, franzindo a testa ao tentar, em vão, recordar-se. É, nem se quisesse teria servido ir atrás dos artefatos. ❝Olha, eu acho que Rhea teria uma conversinha comigo se eu ajudasse a Ralien nisso e não fosse diretamente à ela.❞ O tom era de brincadeira com um leve sorriso no rosto, apesar do fundo de verdade. ❝Estou evitando o título de traidora, então é, só vim usar o telescópio mesmo.❞
bornoftheocean:
tw: menção a crise de ansiedade
O incidente com o filho de Jack Frost havia sido horrível para Rhea de diversas formas. A primeira, obviamente, foi o desespero de perder o controle de seus poderes após tantos anos. A segunda foi a culpa. A ilhéu o levou para a enfermaria com muita vergonha de seu próprio ato, odiando cada pedacinho de si mesma. A terceira coisa que a deixou ainda pior foi a crise de ansiedade que se desenrolou logo depois de deixar o aderense com as curandeiras. Novamente, trancou-se em uma sala vazia e tentou controlar a própria respiração. O que a tranquilizou foi pensar na competição do dia seguinte onde competiria na categoria de revezamento, porém o destino adorou lhe tirar também mais essa certeza. Ao dirigir-se para a piscina, Rey foi informada que seria substituída e portanto ficaria no banco. A raiva tomou conta da herdeira, porém nada disse ao treinador. O mais velho a garantiu que o afastamento vinha pelo medo de que ele passou a possuir de que ela machucasse sua dupla. Ela não poderia o culpar, pelo menos não naquele primeiro momento. Entretanto, tudo mundo quando suas colegas perderam para a aderem.
A herdeira levantou-se da cadeira, retirando a jaqueta dourada e azul. O calor que sentia era devido a sua fúria de ter visto seu time perder sabendo que poderia ter garantido a vitoria. Aproximou-se do treinador. - Eu não posso acreditar que você acatou ordens que prejudicaram nosso desempenho no jogo. O que tipo de treinador você é se não pensa primeiro no seu próprio time? Se tivesse me deixado nadar, nós teriamos vencido novamente. - o tom empregado era revoltoso, a postura corporal perfeita. As tranças castanhas escorriam pelas costas retas da Nedakh. A princesa cruzou os braços para o mais velho, olhando-o de forma desafiadora e irritada enquanto o ouvia dizer sobre o risco que ela representaria para suas colegas.
@ikaimana
O fato de que Kaimana possuía seus poucos "protegidos" — leia-se: pessoas que deixava-se demonstrar certo apreço e protegia com unhas e dentes — não era desconhecido para ninguém. Contava-se nos dedos de uma mão, claro, mas eles existiam. E obviamente Rhea era um dos escolhidos. Justamente por isso, a filha de Moana já deixara avisado que acompanharia sua participação nos jogos intercasas, na verdade, era quase que um combinado entre as duas darem apoio uma à outra, ainda que de diferentes casas. Apesar de Kaimana ter a leve impressão de que a amiga não levaria qualquer resultado diferente de sua casa vencendo tão na esportiva quanto ela própria.
E a tal da leve impressão se mostrou verídica assim que percebeu a amiga, antes posta no banco, erguer-se de onde estava com certa impaciência, sendo um tanto quanto eufemista. Aquilo não acabaria lá da melhor forma se continuasse no ritmo que estava, se bem conhecia a amiga. Era melhor dar algum jeito de intervir, mesmo que tivesse de garantir pessoalmente a intervenção, levantando-se da arquibancada com os demais torcedores para seguir em direção à atlante. Chegando lá, tocou seu braço levemente, já que era melhor não dar motivo para aumentar sua fúria. ❝Rhea?❞ Chamou pela raliena, preocupada com a cena que via. ❝Não quer... sair daqui? Deixar o treinador sozinho pensando nisso, quem sabe?❞ Antes do clima ficar ainda mais fervoroso, se possível.
snowanika:
—Eu tinha certeza de que ele disse que estava em algum lugar por aqui! — Resmungou consigo mesma, enquanto subia em cima de uma cadeira e vasculhava a parte superior de um dos armários na torre de astronomia, sem sucesso em sua busca. —Você não viu nada dourado por aqui? Ou algo semelhante a uma maçã? Uma ajuda seria bem vinda.
Não sabia dizer o quanto estava empenhada em tal busca pelas relíquias das casas, pois era competitiva, só talvez não a ponto de perambular pela escola inteira atrás de tais objetos — considerava ter mais o que fazer com seu tempo. O propósito de Kaimana na torre de astronomia era bem diferente, mas não deixou de erguer uma sobrancelha em curiosidade ao ouvir a pergunta da garota. ❝Acho que a primeira ajuda que você precisa é de ter alguém segurando essa cadeira, não parece lá muito estável.❞ Comentou, aproximando-se da outra para segurar o móvel duvidoso, não precisavam de um desastre ali. ❝Quanto à outra ajuda... Talvez não seja uma boa ideia pedir a alguém de outra casa. Está se confiando demais que não vai receber falsas pistas.❞
FLASHBACK — 𝒕𝒉𝒆 𝒐𝒏𝒍𝒚 𝒘𝒂𝒚 𝒐𝒖𝒕 𝒊𝒔 𝒕𝒉𝒓𝒐𝒖𝒈𝒉.
lleroisoleil:
Tudo tinha ocorrido rápido demais; o zunido do braço monstruoso rasgando o ar em sua direção, a colisão deste antes mesmo que Louis conseguisse sequer abrir a boca para gritar pela mulher. O tórax explodiu de dor quando as garras rasparam através das finas vestes, arrancando-lhe pedaços ao desviar do impacto no último segundo. Não havia se dado conta de ter atingido o chão, ou de ter perdido a espada durante a queda, mas tratou de rolar sobre o flanco para se erguer o mais rápido possível antes que a sorte desistisse de trabalhar em seu favor. Marchas grosseiras ecoavam desajeitadas pelas escadas da ala oeste, mais e mais ogros surgindo como se pudessem farejar o iminente fracasso da dupla. Portanto, agarrava-se ao chamado da morena como se a vida dependesse disso, e com certeza dependia, o desespero imprimindo uma última descarga de adrenalina. “No momento, chèrie, até o fim do mundo!”
“Bem, isso podia ter sido muito pior, acredite.”
Buscou apoio contra a madeira envelhecida da portinhola ao perceber o mundo latejar, arder e girar, o corpo não mais que uma confusão de calafrios. “Ferido?” Pôs a mão no peito em instinto, recuando com a dor. Talvez tivesse cantado a sorte cedo demais. “Oh. Aparentemente sim.” O calor úmido e viscoso mantinha um fluxo lento através dos restos da camisa, mas Louis se limitou a oferecer um riso cansado à anilen em uma tentativa de ignorar a urgência em sua voz — não entendam mal, ele amava ser o centro das atenções, mas não naquele ângulo. Perder não lhe caía bem, não iria admitir isso. “Essa é nova. Eu te deixo nervosa, Kaimana? Não se preocupe, não pode ser tão ruim. Ele mal me toc-”. Por um segundo, engasgou com as próprias palavras. Ela disse o quê? Arqueou as sobrancelhas em descrença, o desenho de um sorriso indecoroso nos lábios ante a sugestão feita. Sim, o suor frio começava a escorrer pelas têmporas, os olhos mal conseguiam focar na inacreditável companhia e a única coisa que o sustentava em pé no momento em falsa postura solene era a porta: mas ele não iria deixar a oportunidade de provocá-la passar. “Uau. Não sabia que você curtia esse tipo de coisa. Fico lisonjeado, mas honestamente, mulher, se quer tanto me ver sem roupas há momentos mais propícios para isso. Além de que, por mais tentadora que possa ser a ideia para você” revirou os olhos, endireitando o torso, “é casimira.” Era casimira. Respirou fundo, arriscando verificar o estado em que o ferimento se encontrava. Definitivamente perder não lhe caía bem. Uma sombra cruzou o rosto. “Ao menos a cor ressalta meus olhos.” murmurou amargo, “É, arruinada. Não vejo porque não. Fique à vontade, belle, temos tempo.”
Boom.
Sentiu o sorriso congelar, a explosão à distância um pequeno lembrete de que ainda não estavam seguros. Agarrou o braço de Lua com força, o indicador por cima dos lábios pedindo que ficasse em silêncio enquanto arrastava ambos os corpos o melhor que podia em direção a parede oposta, a respiração descompassada um mau sinal. “Certo.” sussurrou, “À vontade, mas longe da porta. Acho que estou fedendo à prato principal com essa merda de ferimento.”
❝É, deveria ter visto os outros caras.❞ Ela própria tentava cortar a seriedade da situação, tinha de agir como se o corte no tórax alheio não envolvesse tamanha gravidade. O que, no fundo, sabia ser mentira. Não era uma imagem bonita de ver, frase essa que, se dita em voz alta, faria um Louis Bourbon sentir-se completamente ultrajado: como não sou uma imagem bonita, chèrie?, já o previa dizendo. Infelizmente, sua convivência com o francês era suficiente para conhecer seus costumes de fala. Bastou evitar-se de ouvir um comentário engraçadinho, no entanto, um veio logo em seguida. ❝Ah, cala a boca, Bourbon. O máximo que você me deixa é sem paciência. Agradeça que o ogro já fez o serviço, não preciso te bater agora também.❞ Revirou os olhos em incredulidade com as palavras, o foco ali não era ele estar em risco de vida? E sim ela nervosa? Pelo Narrador. Era por isso que não demonstrava sentimentos — não era por isso, claro, mas não deixava de ser uma consequência positiva, poupava-lhe de certas coisas. ❝Por favor, no fundo você sabe que se eu quisesse te ver sem roupa, eu não precisaria disso. You wouldn’t resist, would you?❞ A confiança em sua voz era absurda, Kaimana não se poupava de autoestima quando se fazia necessário e não seria agora — principalmente não com Louis Bourbon — a abrir mão dela. Como ela mesma havia dito: por favor.
Estava a postos para rasgar a dita casimira, as mãos ansiosas em detonar o tal tecido caro, quando um barulho do lado de fora a interrompeu, seguido de um toque firme em seu braço. Só numa situação daquelas para não reclamar daquilo e, além de tudo, permanecer em silêncio. Moveu-se até certa distância da porta, dando apoio para o rapaz diminuir seu próprio esforço. ❝Pelo menos alguém aqui te quer.❞ Difícil manter-se piedosa cem por cento do tempo, era exigir demais da Waialiki. ❝Agora, dê adeus à casimira.❞ E, sem maiores cerimônias, desfez a camisa, executando o melhor curativo que pôde — dado o material e as circunstâncias. Com um sorriso divertido e um tanto irônico no rosto, soltou: ❝Olha só, novinho em folha.❞
Tendo finalmente parado para respirar, o impensável aconteceu. Um vento gélido lhe passou pela nuca, arrepiando-a por completo, vento esse que não fazia sentido, considerando estarem no subsolo do castelo. Não havia janelas ali. ❝Você sentiu isso?❞ Uma rajada de ar tinha de ser algo a ser questionado, impossível que, mesmo em contos de fadas, aquilo fosse algo normal de acontecer. Ogros comedores de gente eram até mais comuns que ventos onde não deveriam existir. Segundos depois, as luzes piscaram. E de novo. Os apagões se estendiam e retornavam em curtos intervalos de tempo, fazendo até uma Kaimana durona ponderar levemente assustada do que raios estava acontecendo ali. Uma sensação ruim, estranha, a tomava. Subia-lhe até a garganta como uma azia realmente desagradável, queimando-a por dentro. Voltando o olhar para Louis, seu rosto tornou-se uma sombra por um breve momento, a garota postando-se de pé imediatamente num susto. ❝Isso… isso ‘tá estranho, Bourbon. Estranho demais.❞
você é uma frase bonita dessas que a gente sublinha no livro, faz tatuagem, conta pra todo mundo. dessas que dividem a gente em antes e depois
Rhea Thatch
Para: Kaimana Waialiki