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@illeadamon
I don’t wanna miss a thing. || Damon&Angel
O medo tomou a sua cabeça, tinha começado tudo bem, por que raios começou a falar sobre aquilo. Ali estava ela de novo fazendo comentários infames e intrometendo-se na vida do príncipe sem ser convidada. Até quando faria aquelas coisas? Tinha que parar com aquele seu certo impulso de perguntar o que lhe vinha a cabeça, entretanto parou de se culpar tanto. Devia sim questionar certas coisas, mesma que muitas não em voz alta, era certo ela não concordar sempre com tudo e as vezes resolver achar isso ou aquilo errado. Ela também tinha princípios e gostava de não precisar abandona-los por causa de alguém.
Seus olhos ainda vidrados no vestidos, seus ouvidos atentos a qualquer coisa que sinalizasse como ele havia se sentido. O suspiro foi notado pela morena que tentou manter-se bem durante o que viria a seguir, o que no ponto de vista dela provavelmente não seria bom, soltou um suspiro logo apos o príncipe sem levantar os olhos e esperou. Sabia que ele havia entendido bem o que ela dissera, talvez tivesse ficado incrédulo com a ousadia. Chegou a imaginar que ele iria levantar-se e sair do quarto, o que deixaria a selecionada triste, afinal mesmo que tivesse sido ela quem estragara tudo, ainda queria que ele ficasse ali mais um pouco com ela no seu aniversario. Quando Damon começou a falar de novo, Angel relaxou, mesmo que pouco, relaxou.
Ele parecia calmo, ou pelo menos se esforçando para fazer sua voz soar assim. Enquanto Damon falava ela começava a entender seu ponto. Sabia que por um lado ele teve razão em eliminar as garotas, afinal, ele tivera certeza que elas não eram mais ‘opções’ e com isso a selecionada não pode deixar de sentir-se esperançosa. Sentiu que mesmo que não tivesse tido a intenção, havia deixado o moreno um pouco chateado, lembrar daquilo pareceu deixa-lo sentindo-se culpado, pois isso transparecia em sua voz.
- Não quis que pensasse isso, nunca pensei isso de você. Entendo qual foi sua intenção e percebo que por um lado foi correto, queria apenas deixa-las seguras. - Falou, finalmente levantando o rosto, ainda que lentamente, mas sem coragem ainda de olha-lo nos olhos. Sentiu-se culpada por te-lo deixado com aquele pensamento de culpa, de ser o culpado por fazer as garotas passarem por aquilo. - Você não é o culpado! Estamos aqui porque queremos estar. Ninguém os obrigou a nos escrevermos, pelo menos ninguém me obrigou. Pensei que seria interessante conhecer tudo como verdadeiramente é e percebo que as coisas não são exatamente como mostradas. Vocês não levam a vida perfeita, ninguém leva.Talvez se os rebeldes passassem menos de uma semana aqui dentro perceberiam como é difícil o trabalho que o Rei faz de manter o país em ordem, garanto que eles se ajoelhariam pedindo perdão. - Falou dado de ombros.
Quando seus olhos finalmente encontraram o do príncipe de novo, tentou decifrar a expressão dele, inutilmente. O observou e então notou algumas rugas em baixo dos olhos claros do moreno e ficou pensando em como ele devia estar se esforçando o máximo para dar atenção a todas as garotas e ainda cuidar de Illéa com seu pai. - Parece cansado. - Deixou escapar a frase em um tom um pouco preocupado e levou suas mãos até o cabelo dele, os afastando a testa. - Está tudo bem? - Quando apoiou a mão na cama de novo continuou a observa-lo. - Você se sente inseguro as vezes? Mesmo com toda a proteção? - Perguntou inclinando a cabeça levemente para o lado.
“Ninguém as obrigou a se escrever? Vamos lá, Angel, eu já não sou mais o Damon inocente do primeiro dia da Seleção. Sei que grande parte de vocês foram obrigadas pela família a se inscrever, ou então o fez pelo dinheiro extra. O seu caso pode ser diferente, agora quanto às outras...” Escutou o restante das palavras da selecionada com atenção, ainda um pouco apreensivo diante destas. Será que os rebeldes realmente sentiriam algo diferente sobre a monarquia se soubessem mais sobre como esta funciona? Ou apenas continuariam a se rebelar até encontrar a voz da mudança que tanto buscam?
O trabalho do rei e da rainha eram árduos, porém a fome que o restante da população passava além dos muros não parecia justificável diante de tudo aquilo que a família real tinha de sobra; o grande problema de Damon é que ele não enxerga tal cenário com a mesma clareza que o irmão. Spencer sempre se vira como super privilegiado e sempre entendeu que, devido à isso, deveria se esforçar ao máximo para dar aos outros melhores condições. Damon nasceu com a ideia de merecer tudo aquilo, de ser uma peça muito importante no quebra cabeça que era Illéa. Spencer se via como igual, Damon ainda estava no processo para alcançar a mesma sabedoria.
Seus pensamentos foram bruscamente interrompidos pela afirmação seguinte da selecionada. O príncipe realmente parecia cansado, fazia dias que não conseguia dormir direito. Estava preocupado com a possibilidade de novos ataques e novos planos rebeldes. A ideia de estar no comando do país em breve o assustava e tirava seu sono quase todas as noites. Eram muitas as responsabilidades, mas nenhuma delas pertenciam às Selecionadas ainda. Não era dever das meninas se preocupar com isso, por hora.
Sentiu a mão dela sobre sua testa e soltou um leve sorriso, fechando os olhos por um momento e tentando tranquilizar as feições do próprio rosto. “Faz alguns dias que não consigo dormir direito, mas isso é algo comum entre os Illéa, não precisa se preocupar” murmurou, antes de responder a questão seguinte da menina. “Inseguro sobre quem eu sou ou sobre a minha casa?” Questionou, mas logo em seguida deduziu que a outra se referia à segunda opção, já que o ataque ainda era algo recente. “Não me sinto inseguro, sei que os guardas estão mais do que aptos para proteger o castelo, e, caso estes falhem, as passagens secretas e abrigos são muito bem preparados... Ou talvez não me sinta inseguro porque essa é uma realidade com a qual tenho que conviver deste que nasci. É algo com que já me acostumei, não conheço nada além desse estilo de vida.”
sorry seems to be the hardest word ▪▪▪ damon & kimmy
Por algum tempo, o silêncio se instalou entre eles. O silêncio, muitas vezes, era desconfortável, podendo ser um indicador de que os envolvidos não tinham nada em comum. E talvez, realmente, eles não tivessem muito em comum. Ele era um príncipe e ela, seu oposto. O silêncio entre os dois era, entretanto, confortável. Com o Damon, ela não sentia que precisava preencher o vazio. Aquele silêncio não era uma falta do que falar, apenas a surpreendente vastidão do céu acima deles e o brilho das estrelas que deixavam difícil de preencher o vazio com conversar coisas sem importância.
Nomear a estrela não havia sido nenhuma forma de chamar a atenção dele, nem ao menos uma coisa incrivelmente orquestrada que ela havia feito. Kimberly não conseguia pensar em grandes gestos, vindo de família simples. Aquilo, para ela, era simplesmente parte de sua história. Uma maneira de contar a ele quem ela era, sem, necessariamente, falar sobre si mesma. Existia mais história em atos, do que em palavras ─ ou assim foi-lhe dito uma vez. Quando ele a perguntou se ela estava nomeando a estrela por ele, ela deu de ombros, mas deixando um sorriso divertido tomar conta dos seus lábios. Kimmy quase quis perguntar se Damon não fazia algo assim quando era pequeno. Ela lembrava de ter passado uma tarde inteira dando nomes fictícios às nuvens. Mas talvez principezinhos não se divertiam como a plebe.
Enquanto seu olhar sustentava o dele, Kimmy esperava que ele fosse desejar boa noite e deixar que ela buscasse o caminho de volta. Ou falar em como aquilo era desnecessário e que aquele vocabulário não era usado em relação à um príncipe. Ela quase podia sentir isso pela intensidade do seu olhar, mas ele não o fez. Do momento em que ele inclinou-se até o momento em que os lábios se tocaram, o beijo a surpreendeu.
O toque dos lábios de Damon era diferente do que ela já tinha experienciado até então. Durante toda a sua vida, Kimberly havia beijado três rapazes, sem incluir o príncipe. Aqueles beijos, únicos com cada um deles, haviam sido apressados e desajeitados; ambos muito mais preocupados que um de seus irmãos os vissem em qualquer momento. Talvez foi porque eles estavam tão preocupados com outras coisas, além deles mesmos, que não tinha aproveitado ao máximo. Mas ali, com Damon, o mundo havia parado por um segundo. Nada mais existia, além do toque dos seus lábios, do calor que emanava do príncipe, de ambos e das batidas do seu coração. Se antes ela já não ouvia nenhum barulho na noite, naquele momento, ela se encontrava ensurdecida pelo seu coração acelerando.
Kimmy prendeu a respiração inconscientemente ─ era como, se de fato, perdesse o ar por um segundo com a crescente excitação dentro de si. Permitiu-se sorrir assim como ele o fizera, antes de repousar a mão livre sobre o peito do príncipe. Os dedos da outra mão se apertaram aos deles, querendo diminuir até as menores distâncias entre os corpos. Inconscientemente, Kimmy se aproximou do homem, elevando seu corpo como se o dele a atraísse magneticamente até que ela tivesse próxima o suficiente para senti-lo ─ sem saber se tinha realmente encostado nele ou se era apenas sua aura que conferia aquela sensação de proximidade. Se, desde o primeiro momento, ela queria descobrir mais sobre o príncipe, naquele momento, ela estava explorando o que ela nem imaginava que iria alcançar dentro daquela competição. A faceta carnal não era desconfortável, não mesmo. A mão sobre o peito deslizou cautelosamente em direção ao pescoço, dedos escorregando até pararem firmemente na em sua nuca.
Os movimentos eram quase automáticos. Apesar de sua cabeça trabalhar em inúmeros motivos pelos quais ele a teria beijado (e a maioria deles não envolviam vontade), sem descanso, ela já não mais pensava no que faria a seguir, já não controlava suas ações. Verdade fosse dita, se sua cabeça estivesse ditando seu comportamento, talvez ela tivesse se afastado, assustada com a possibilidade real de alguém se interessar por ela. Qual era o problema se fizesse algo que realmente queria? Como sua mãe havia insistido pra que fizesse indo para a seleção.
Seus lábios continuaram a se mover contra os dele. Existia uma necessidade de estar sempre em contato com Damon, fosse pelas mãos, pelos corpos, ou pelos lábios que continuavam em movimento, porém, diferentemente dos beijos apressados que ela tinha experimentado antes, existia uma calma na sua expressão com o príncipe. Ela deslizou a ponta dos dedos sobre a mandíbula do moreno e, por fim, quebrou o beijo, mas sem se afastar. Manter-se em silêncio parecia o mais confortável, visto que dizer algo poderia arruinar completamente, mas as palavras também saíram sem passar pelo seu crivo intencional, “esse é── um jeito muito, muito bom de me manter quieta.”
À medida em que Kimmy elevava o próprio corpo para que ficassem ainda mais próximos, Damon intensificava o beijo, correndo uma de suas mãos pelas costas da menina. Inúmeras cenas e falas lhe passavam pela mente naquele momento, porém não fora capaz de focar em nenhuma delas. Era como se sua cabeça estivesse presa em um turbilhão de possibilidades e ele não tivesse ideia do que qualquer uma delas significava.
Os dedos da selecionada agora passeavam pela mandíbula do moreno, antes de então quebrar o beijo. Damon manteve seus olhos fechados por mais alguns segundos enquanto tentava processar o acontecimento, até que finalmente fora capaz de abrí-los e encarar a menina à sua frente. Ela ainda estava próxima, o suficiente para que ele pudesse sentir a respiração dela contra sua pele, e isso apenas o preenchia ainda mais com o desejo de encostar seus lábios nos dela mais uma vez. Porém, a voz da selecionada invadiu seus ouvidos e ele se afastou um pouco mais, sabendo que enquanto estivessem tão próximos, jamais conseguiria pensar racionalmente.
Ao escutar as palavras de Kimmy, não pôde deixar de soltar um breve sorriso. Sua intenção não havia sido realmente mantê-la quieta, mas falar isso em voz alta agora apenas destruiria a tensão entre os dois. “Sinta-se à vontade para falar ––sem pausas para respirar––sempre que quiser”, murmurou com um pouco de dificuldade, ainda sem fôlego após o beijo. Mas por mais sério que tentasse soar nesse momento, seus breves sorrisos continuavam a entregá-lo.
Não queria apreçá-la, não queria fazer movimentos precipitados e quebrar a aura que o momento exalava, porém era como se algo continuasse a puxá-lo na direção da outra. Sua mente era incapaz de pensar em nada além dela. Assim, se aproximou mais uma vez, porém não voltou a colar seus lábios nos de Kimmy. Em vez disso, depositou um beijo em sua bochecha e se deitou, voltando a encarar as estrelas.
Apesar de os dois estarem mais próximos agora do que antes do beijo, o espaço entre eles ainda lhe parecia grande demais, assim, puxou Kimmy para que ela se deitasse ao seu lado, com a cabeça apoiada no braço do príncipe e ele pudesse abraçá-la. Poderia ficar naquela posição, em silêncio, por anos, mas Damon era hiperativo demais para se manter calado. “Ei...” Chamou, antes que tivesse a oportunidade de se impedir “Como você se sente no castelo?” Essa era uma curiosidade que o vinha atormentando desde o início da Seleção. Quantas das meninas estariam realmente se sentindo bem no palácio? Quantas estariam se sentindo acomodadas e bem-vindas? Quantas estariam apenas ansiosas para ir embora? “Digo, o que você acha de Angeles, no geral? A cidade, o castelo, o povo...” tudo, completou mentalmente.
&&; – request by anon
Be in my eyes, be in my heart;
And I hope it’s not too late, cause it’s a long road to wisdom;
But it’s a short one to being ignored
And some have said his heart's too hard to hold ▪▪▪ damon&frannie
Aquele beijo, por mais inocente que pudesse ser era tão intenso que fazia Francesca não pensar em mais nada. Não pensava que estava em uma cadeira horrível de rodas, não pensava que tomara um tiro, não pensava que era uma selecionada e que Damon era um príncipe. Apenas pensava que era Damon e Francesca se beijando. E era a única coisa que importava naquele momento.
Então lentamente Damon rompeu o contato, fazendo Francesca querer protestar ou até mesmo choramingar, o que era ridículo na visão dela. Mas então ele sorriu, lembrando-a da situação dela. Quis protestar mas parou por um momento e por mais que naquele momento ela estava pouco se importando para seu machucado, ela precisava reconhecer que ele estava certo. Então apenas assentiu com a cabeça e voltou a se sentar melhor.
Estava prestes a abrir a boca e mudar de assunto quando notou que ele olhara para o relógio, dizendo que deveria ir. Deveria? Isso indicava o que?
- Deveria? – perguntou ela – Mas você quer ir? Tem que ir?
Pois para ela isso tinha muita diferença, e apesar dele já estar de pé parecia muito indeciso, até que disse que poderia empurrar a cadeira dela pelo castelo caso ela quisesse acompanha-lo. Então lembrou-se de Angeline empurrando ela escada abaixo, no bom sentindo, a fim de chegar no Salão das Mulheres para a festa surpresa da Selecionada.
- Acho que seria seguro para ambos que não andássemos pelo castelo toooodo, alteza – respondeu-lhe sorrindo – Mas…Que tal se você me mostrasse um pouco de seu trabalho? Claro que não estou pedindo para me revelar segredos de estados, coisas que você considere aceitáveis para me mostrar. E quem sabe eu não possa te ajudar com alguma coisa?
Sugeriu ela um pouco insegura. A verdade era que queria conhecer esse lado dele, como ele agia no trabalho, como ele lidava com as coisas, mas não sabia como ele reagiria a isso. Não estava pedindo que ele lhe mostrasse coisas que não deveria, nem nada do tipo, mas sabia que mesmo em assuntos assim sempre existiam coisa que não eram tão sigilosas para que não pudessem ser compartilhadas.
E bom, Francesca era modelo, mas seus pais e seu avô eram políticos importantes de sua província. E muitas vezes Frannie passava incontáveis horas sentada em frente seu avô, enquanto ele trabalhava, apenas para disfrutar da companhia, mas ela sempre acabava ajudando-o com ideias em projetos ou com alguma pendencia básica que ela pudesse resolver.
“Devo ir, não disse que quero.” Murmurou de volta, porém a preocupação em suas feições estavam provavelmente ficando mais óbvias, já que o príncipe continuava a desviar o olhar rapidamente para o relógio. Ele já estava em pé e prestes a sair, quando ouviu a selecionada concordando com a sugestão que dera anteriormente. Passear com ela pelo castelo não seria problema algum, agora levá-la para conhecer seu trabalho talvez fosse um desafio maior. Ser príncipe envolvia uma grande parte de Damon, e ter uma das selecionadas em seu escritório talvez o fizesse sentir ter sua privacidade invadida, mas não poderia continuar a fugir de todas as tentativas de aproximação das garotas. Elas estavam se esforçando, tentavam se comunicar, compartilhavam seus segredos, por que tudo isso soava tão complicado para ele?
E então, antes que sua mente racional fosse capaz de lhe convencer do contrário, caminhou até a parte de trás da cadeira de Frannie e passou a empurrá-la através da porta do quarto. “Antes que você comesse a criar expectativas, fique sabendo que meu escritório não é grandes coisas.” murmurou enquanto tentava diminuir a verdade. O escritório certamente não era muito pessoal, mas ainda assim, caso a selecionada procurasse nos lugares certos, poderia expor mais sobre o príncipe do que ele fora capaz de fazer até aquele momento.
Enquanto caminhavam, o moreno esbarrara em algumas enfermeiras e guardas que o olharam feio ou torceram o nariz, todavia, não era como se elas pudessem lhe impedir de andar com Frannie a não ser que tivessem um ótimo motivo –– ou seja, ligado à saúde da menina –– para isso.
Quando finalmente chegaram à grande sala, Damon encostou a cadeira de rodas ao lado da poltrona em frente à mesa e então encarou a pilha de folhas com seus trabalhos inacabados. Sem ter muito à dizer sobre o assunto, pegou o papel no topo da primeira pilha e passou a ler seu conteúdo com atenção. Não sabia se deveria se mover mais para o lado para que a selecionada pudesse lê-lo também, mas o grande problema seria deixá-la ler algo que não deveria ser de conhecimento de mais ninguém. Ao terminar de ler o conteúdo, porém, percebeu que eram apenas estáticas, por isso estendeu a folha para a outra. “São dados sobre o efeito da Seleção.” disse, apontando para alguns dos gráficos. “Essas são as províncias onde um maior número de moradores acompanha as notícias, e...” apontou agora para um gráfico no canto inferior da folha “esse é o gráfico que aponta os lugares onde os moradores não se importam tanto com o evento.” e continuam a se rebelar, acrescentou mentalmente, porém preferiu manter essa parte de fora da conversa. “Tenho que encontrar maneiras de aumentar o índice de telespectadores, mas minhas ideias se tornaram bastante escassas depois das primeiras semanas da Seleção. Você tem alguma sugestão?”
Take me wherever you want || Damon&Angel
- Problemas com ele? - Perguntou incrédula olhando para o animal na sua frente, acariciando-lhe a cabeça. Blackjack parecia tão dócil que mal conseguia imaginar o porque de alguém não ama-lo. - Ele parece gostar tanto de você, não consigo pensar em alguma coisa que Blackjack possa fazer para te machucar. Não acho que tenha algo para o rei ter medo de vê-lo em cima dele. - Falou ainda com os olhos voltados ao cavalo quando a próxima pergunta veio. Essa na verdade não precisava ser respondida, já que ela o havia feito uma vez. Sabia que para quem morasse naquele castelo seria engraçado o fato de alguém nunca ter visto um animal como aquele, afinal, cavalos tinham de sobra no palácio.
- Acredite se quiser. - Deu de ombros rindo. - Sei que parece estranho mas Blackjack foi o primeiro. E realmente foi uma ótima experiencia, já que eu estava esperando algo mais feroz e bruto. Como em muitas histórias que ouvidos, cavalos pulando e coisas do tipo.- Continuou olhando para o moreno.
A ideia a principio havia parecido legal mas agora Angel percebera o quão estupida fora ao propor aquilo. Ela nunca tinha visto um cavalo antes e poderia descobrir uma fobia deles, o que, graças a Deus, não havia acontecido, podia ter caído do cavalo ou na pior das hipóteses, machucado o príncipe. Então decidiu que iria fazer aulas antes de convida-lo mais uma vez, se é que teria chance de faze-lo. Então por certo lado acabou ficando feliz de tudo aquilo não ter dado certo e ela não ter feito nada de mais idiota do que uma vez já fizera no piquenique.
Esperou Damon trancar o cavalo novamente na bainha. - Ah, claro. Obrigada. - Respondeu ao pegar lhe o braço e começar a caminha de volta ao jardim para então entrar para o castelo mais uma vez. A tarde fora boa, mesmo que houvessem tidos idas e voltas, ainda assim, Angel percebera algumas coisas sobre o príncipe que se lembraria para a próxima vez que se encontrassem. Assim que seus pés nus tocaram o gramado, lembrou-se que estava descaça e resolveu que deveria por seus saltos de volta. - Só um minuto. - Pediu ao príncipe ao parar e colocar os sapatos no chão e calça-los de novo. Quando terminou, sorriu para o moreno voltando a caminhar. - Obrigada pela tarde. Espero que as coisas que falei mais cedo não tenham feito tanto efeito sobre a sua primeira impressão de mim. - Falou olhando para baixo, envergonhada pelas coisas que havia dito enquanto ainda estavam no piquenique. - E espero também não ter apenas gastado seu tempo atoa. - Riu voltando a olhar para ele. - Ah, e foi bonito ver como é apegado ao cavalo, parecem ter até um tipo de conexão. -
“É complicado... E quando meu pai cria uma opinião sobre algo, é difícil conseguir mudá-la.” Damon não queria soar como se simplesmente aceitasse cada uma das decisões do rei e não fosse capaz de formar suas próprias, porém existiam assuntos sobre os quais discutir não levaria a nada. Ele poderia ter os melhores argumentos, planejar uma resposta para cada uma das falas de Gregory, porém convencer o rei de algo era uma tarefa quase impossível. E, no fim das contas, Spencer era o filho que sempre discordava de tudo e fazia besteira ao escutar um ‘não’; Damon preferia encontrar outras formas para lidar com a situação.
Sobre o comentário seguinte da selecionada, o moreno acenou com a cabeça, ciente do que ela estava falando. Existiam diversas histórias expondo o comportamento de cavalos selvagens e generalizando o dos domesticados, o que assustaria qualquer um que não estivesse acostumado com o animal, mas com certeza era algo que mudaria com o passar dos dias da selecionada no castelo. A convivência com outros cavalos mais mansos seria capaz de fazer qualquer uma das meninas se apaixonar infinitamente pela espécie. Ou talvez o príncipe apenas quisesse acreditar que sim...
Logo que ambos concordaram que a ideia anterior sobre andar à cavalo não havia sido uma das melhores, o moreno acompanhou a selecionada de volta ao castelo, puxando conversa sobre assuntos breves durante o caminho até finalmente alcançarem seu destino. “Gastado meu tempo à toa?” Se permitiu um breve sorriso antes de continuar, tentando formular uma frase que fizesse sentido. Incapaz de encontrá-la, apenas balançou a cabeça negativamente. Conhecer mais sobre suas selecionadas jamais seria perda de tempo; e a verdade era que passar momentos com elas era infinitamente mais divertido do que estar em sua sala, diante de uma mesa, lendo folhas e mais folhas sobre o reino. O que era exatamente para onde estava indo agora. “Eu realmente preciso terminar de ler alguns relatórios... Mas podemos marcar um outro encontro para daqui a alguns dias, certo? Assim que eu conseguir pensar em algo, saio para procurar você.” Murmurou, sua mente agora dividida entre as obrigações e ideias para um futuro encontro. Para ser sincero, o príncipe estava começando a ficar bem menos criativos com estes. Talvez dessa vez tivesse mais sorte.
E então, Damon se virou e voltou a andar pelo corredor, à caminho de sua sala. A lembrança da enorme pilha de trabalho em sua mesa o atormentando durante todo o caminho, acompanhada por um breve sorriso devido às memórias que fizera durante a tarde. O príncipe poderia não ser muito sociável, poderia ter sérias dificuldades em discutir seus sentimentos, porém saber que Blackjack havia gostado de Angeline... Aquilo certamente mudaria sua forma de enxergá-la de agora em diante.
Flowers In Your Hair | The Lumineers
So now I think that I could Love you back And I hope it’s not too late ‘cause you’re so attractive And the way you move I won’t close my eyes
❝Playlist Selecionadas– Damon+Angel❞
Waves | Magic Man
Oh, and now I try to get inside your head somehow. Storm’s coming and it might get loud So listen while you can, Oh, I know you care. From all the windows The sun will play along. We’ll forget the difference Between right and wrong. I feel the sunburn, The light we grew up with. We’ll forget the past, dear, And learn to live for this.
❝Playlist Selecionadas– Damon+Delilah❞
Feels Like We Only Go Backwards | Tame Impala
It feels like I only go backwards, baby Every part of me says go ahead I got my hopes up again, oh, no, not again Feels like we only go backwards, darling
Superheroes
| The Script
All her life she has seen All the meaner side of men Now she's stronger than you know A heart of steel starts to grow All his life he's been told He'll be nothing when he's old All the kicks and all the blows He will never let it show Cause he's stronger than you know A heart of steel starts to grow
❝Playlist Selecionadas– Damon+Mina❞
Night Changes | One Direction
Does it ever drive you crazy Just how fast the night changes? Everything that you’ve ever dreamed of Disappearing when you wake up But there’s nothing to be afraid of Even when the night changes It will never change me and you
❝Playlist Selecionadas– Damon+Kimmy❞
Everybody Talks | Neon Trees
Hey honey you could be my drug You could be my new prescription Too much could be an overdose All this trash talk make me itchin’ Oh my my Everybody talks, everybody talks Everybody talks, too much
❝Playlist Selecinadas– Damon+Ronnie❞
Little Numbers | Boy
I watch the sky change to a darker blue I can't think of another thing to do Every song just makes me think of you Because the singer sounds as if she was longing, As if she was longing too
❝Playlist Selecionadas– Damon+Bridget❞
Drunk In Love | {Cover by Ed Sheeran}
{...}
❝Playlist Selecionadas– Damon+Daphnée❞
Shut Up And Dance | Walk The Moon
Oh don’t you dare look back Just keep your eyes on me I said you’re holding back She said shut up and dance with me! This woman is my destiny She said oh oh oh Shut up and dance with me
❝Playlist Selecionadas– Damon+Frannie❞
When Can I See You Again | Owl City
Switch on the sky And the stars glow for you Go see the world 'Cause it's all so brand new Don't close your eyes 'Cause your future's ready to shine It's just a matter of time Before we learn how to fly
❝Playlist Selecionadas– Damon+Audrey❞
history repeats itself. || Lynn&Damon
revemaj:
illeadamon
ʟʏɴɴ ᴊᴀ ᴛɪɴʜᴀ ʟɪᴍᴘᴀᴅᴏ ᴏ sᴀɴɢᴜᴇ ᴅᴏs ʙʀᴀçᴏs ʜᴀ ᴅɪᴀs, ᴍᴀs ᴛᴏᴅᴀ ᴠᴇᴢ ǫᴜᴇ ᴏʟʜᴀᴠᴀ ᴘᴀʀᴀ ᴇʟᴇs, ᴇʀᴀ ᴄᴏᴍᴏ sᴇ ᴀɪɴᴅᴀ ᴇsᴛɪᴠᴇssᴇᴍ ᴛɪɴɢɪᴅᴏs ᴅᴇ ᴠᴇʀᴍᴇʟʜᴏ. A morte do cabo, que perdera a luz dos olhos com a cabeça repousada em seu colo durante o ataque rebelde, não fora a sua culpa (afinal, os dois haviam sido pegos de surpresa enquanto vasculhavam o palácio em busca de outros sobreviventes, e, aparentemente, o garoto, novíssimo demais para seu triste fim, não sabia desviar-se tão bem, a ponto do tiro disparado por um dos rebeldes que estavam enfrentando tê-lo pego em cheio no rosto). Mesmo assim, a morena sentia-se horrível desde então. O fato do garoto – nem lembrava o nome dele… – ter morrido em seus braços foi mais uma lembrança do quão inútil era; do quão a sua presença em qualquer lugar era, de fato, desnecessária. Ele tinha a sua idade quando cruzara pelos portões do castelo pela primeira vez, droga. Talvez fosse por aquilo que a morte dele, um quase desconhecido, tivesse abalado-a tanto.
Há quase uma década atrás, Lynn foi rejeitada pela própria família e namorado da forma mais brusca possível, e aquilo a abalou psicologicamente como nunca antes tivera acontecido. No momento em que descobrira sobre os planos do garoto que pensava que a amava verdadeiramente e depois do veredicto de não ser mais a herdeira da empresa fora dado, a morena não sabia mais o que fazer de sua vida, agora considerada inútil. Um esforço de anos de estudo e da mais completa dedicação para tornar-se digna de comandar a empresa da família para o quê? Ser substituída pelo irmão que nada de fato fizera? E ainda mais, ninguém mais a amava – não depois da falta de carinho e da solidão as quais a menina fora submetida naquele momento. Não, aquilo era demais, demais para suportar.
Fora naquela época em que as tentativas de suicídio começaram.
Depois da terceira falha tentativa – as duas primeiras foram um fracasso por conta dos remédios não surtirem o efeito desejado no tempo desejado e por conta da altura que pulara não ter sido alta o bastante –, os olhares da família sobre ela ficaram piores, e a tensão era tão pior quanto o vazio que se apoderava de seu corpo. E então mudara-se para o palácio, inscrevendo-se nos treinos militares de lá. Apesar de suas tendências suicidas irem surgindo vez ou outra, Lynn conseguira, finalmente, um lugar onde sua cabeça pudesse se focar em alguma outra coisa; onde poderia se considerar, ao menos, minimamente útil. Mas então aquele garoto morrera, e todos os sentimentos voltaram como um turbilhão para a sua mente.
Nas primeiras horas, seu estado era catatônico – não reagia à nada, a cena ainda tentando ser digerida. As próximas passou trancada em seu quarto pequeníssimo, porém aconchegante, chorando com a porta fechada e o choro sendo abafado pelo travesseiro de sua cama para que ninguém a ouvisse. E as últimas horas até o momento atual, Lynn encontrava-se na enfermaria, já pegando as dezenas de caixas de remédio que sabia que surtiriam um efeito maior. Com sorte, daquela vez funcionaria.
Suas mãos tremiam enquanto abriam as caixas, mas esse processo lhe era tão natural que chegava a ser mecânico. Nem mais tinha curiosidade em abrir a porta da pequena sala para observar se tinha alguém por perto e que poderia a impedir. Nem mais sentia a adrenalina percorrendo as veias, o coração acelerando com a consciência do que iria fazer. Já fizera aquilo tantas vezes… Claro que fora há muitos anos atrás, mas a época em que repetia aqueles mesmos processos mensalmente ainda estava fresca em sua memória – tão fresca que nem sentia qualquer emoção ao pensar no que estava prestes a fazer.
Quando por fim terminara de tirar os últimos comprimidos da caixa, dirigira-se ao bebedouro que tinha na sala, pegando um copo d’água – afinal, se tentasse engolir todas aquelas pílulas sem água, seria mais capaz de morrer por asfixiamento do que pelos efeitos das drogas.
Estava terminando de enchê-lo quando ouviu a maçaneta da porta girando. Engoliu em seco, sentindo seu coração falhar uma batida (oras, era madrugada, quem diabos poderia estar ali?). Olhou em volta, desesperada, mas o fato de seu processo mecânico ter sido quebrado acabou deixando a morena completamente sem reação. E, claro, a pessoa do outro lado da porta também era o suficiente para fazer com que Lynn ficasse paralisada. Afinal de contas, ela conhecia aqueles olhos azuis (como não poderia, olhando para eles por tantos anos?). Entretanto, ela sabia que o dono daquele par de imensidão azul também conhecia aquele mesmo processo, tanto quanto ela mesma. Mordeu o lábio inferior, nervosa.
Havia sido há muito tempo atrás, mas ela havia prometido que não faria de novo.
❛❛V-Vossa Alteza.❜❜ ela cumprimentou, a voz falhando. A mão que segurava o copo d’água tremia, e Lynn não sabia como comportar-se perante Damon flagrando-a em uma tentativa de suicídio mais uma vez. E, em meio àquilo tudo, ainda tinha vergonha das marcas de lágrimas que contrastavam as suas bochechas cor de avelã.
Crescer dentro de um palácio jamais seria algo fácil. Os muros que o delimitavam mantinham todos os rebeldes afastados, mas também todos os nobres presos. Enquanto crianças tinham ruas, parques e campos para correr e brincar, Damon tinha os jardins, os corredores e jatinhos particulares. Não poderia dizer que havia sido uma infância ruim. Não, nascer dentro da família real lhe dera oportunidades que poucos no mundo tinham, porém muitas vezes ainda se sentia preso, como se parte dele ainda estivesse faltando.
Essa parte, logo descobriu, era a coroa, que pensava lhe servir tão bem. Spencer era o filho herdeiro, mas Damon sempre viu a si próprio como o verdadeiro merecedor. Afinal, enquanto o mais velho passava horas em reuniões sem realmente prestar atenção no que fazia, ou era exposto pelo pai em eventos beneficentes, o moreno passava longas e mais longas madrugadas na biblioteca estudando, ou treinando atividades dignas de um futuro rei.
Claro, a maior parte delas também eram necessárias para um simples príncipe, mas gostava de pensar que a cada tipo de luta nova que aprendia, cada vez que conseguia acertar o alvo com o arco-e-flecha e cada vez que tocava uma música no piano –– mesmo que a mais simples delas –– estava um passo mais perto de seu objetivo. O problema, porém, era que ele, apesar de todos os seus esforços, ainda estava longe de se tornar o melhor quando o assunto era atividades físicas ou que exigissem certa coordenação.
Seus maiores talentos eram cavalgar e lutar com espadas, mas isso –– considerando as armas de fogo –– já era algo ultrapassado e até mesmo desnecessário. A verdade, portanto, era que precisava de ajuda, alguém que tivesse a paciência de ensiná-lo aquilo que não conseguia aprender com seus professores comuns. E foi assim que conheceu Lynn tantos anos antes.
A jovem guarda que não havia chegado no castelo há muito, tentando provar para os pais que era capaz de fazer o que quisesse; e o jovem príncipe, tentando provar aos pais de que era capaz de assumir o trono.
O que ele não esperava era que tantas coisas mudariam as vidas dos dois até os dias atuais, quando o passado já era quase uma nuvem e eles mal se falavam. Não que Damon conversasse com qualquer outro empregado do castelo. Isso ainda era algo que faria apenas em casos extremos.
Porém, apesar de todos os anos sem maiores contatos, logo após o ataque o príncipe ainda fizera questão de saber se a outra estava bem. Com a morte do irmão de Kimberly, o sequestro da princesa e da selecionada, um súbito temor lhe surgiu ao pensar que ela pudesse ter partido também. Mas logo que um dos guardas lhe confirmou que Lynn estava bem, não voltou a pensar no assunto. Até aquela noite.
Damon, apesar do horário, caminhava até a enfermaria para ver como as selecionadas estavam. Os ferimentos certamente já não eram mais perigosos, mas ele ainda se sentia na obrigação de visitá-las. Ao chegar lá, escutou um barulho estranho vindo da dispensa onde guardavam os remédios e caminhou até a pequena sala, a tempo de ver Lynn se dirigindo ao bebedouro para encher um copo d’água.
Limpou a garganta para avisar sobre sua presença e então a outra rapidamente se virou, com uma expressão de alguém que havia acabado de ser pega em flagrante. Vendo sua mão tremer, o moreno caminhou até ela e pegou o copo, não querendo que este caísse e acordasse o resto dos feridos que ainda estavam internados. Fazia muito tempo desde a última vez que a tinha visto. Na verdade, não era como se propositalmente a evitasse nos corredores, apenas não tinham mais tanto contato assim quanto quando mais novos. Ou então o príncipe estava distraído demais com a Seleção e a vida de herdeiro que acabara nem percebendo.
Por um momento não disse nada, apenas continuou a olhá-la esperando que a outra fosse tomar o primeiro passo, mas ao ver que não o faria, se sentou no chão e a puxou pela mão para se sentar ao seu lado. Pegou os comprimidos e os tirou do campo de visão da mulher, para que Lynn fosse capaz de se concentrar apenas no que ele fosse dizer. O problema, todavia, era que ele já não sabia o que dizer. Já haviam tido essa conversa antes e agora, sem conhecê-la tão bem quanto no passado, não sabia que palavras usar. “Isso não tornaria as coisas mais fáceis, você sabe.” fora o melhor no que conseguira pensar, soltando um leve suspiro em seguida e chegando a conclusão de que o ataque deveria ser o motivo do episódio. Não bastava todas as mortes e ferimentos que os rebeldes haviam causado, os piores ainda seriam os psicológicos. “O que aconteceu durante o ataque?” Perguntou, sem realmente ter certeza de que gostaria de escutar a resposta. Afinal, Lynn poderia pensar o que quisesse, mas a culpa jamais seria dela, mas sim, do príncipe.
And did I mention|| Damon&Mina
minat-sheet:
O ataque rebelde não havia mexido tanto comigo. Se isso se devia ao fato de eu ter estado cara a cara com nossos algozes ou porque eu concordava em parte com seus ideias, não sabia dizer, só sentia que podia lidar com aquilo por tantas vezes quanto fosse necessário. Não que eu fosse forte, destemida ou qualquer coisa do gênero. Não. Eu só achava que se os rebeldes tivessem, de fato, tencionado nos matar, eles o teriam feito quando tiveram a oportunidade. Não sabia qual era o propósito do ataque, mas sentia que, por mais que tivessem ocorrido algumas mortes, matar não era o objetivo principal dos revoltos. Por sinal, ninguém parecia saber a real motivação. Até evitava-se falar muito a respeito, o que eu também faria, se minha curiosidade não sobrepujasse qualquer cuidado que eu tivesse em relação aos outros. Depois do ataque, tentava retomar o assunto, mas ninguém no palácio parecia muito disposto a falar sobre.
Eu estava voltando da enfermaria naquela tarde. O Dr. Austin decidiu que eu podia ter uma folga, já que não havia nada para fazer além de etiquetar remédios, o que teria feito de bom grado, se ele não me enxotasse do lugar. Eu não podia contar a verdade ao doutor; não podia contar que eu não tinha mais nada de interessante para fazer no palácio além de ficar lá, pois ele ficaria preocupado com o fato, ou pior: sentiria pena. Na realidade, nenhuma atividade para além daquelas paredes estéreis me atraía muito. Pensei em procurar alguma selecionada no salão das mulheres, ou passear nos jardins, ainda que sozinha, mas isso não pareceu nem um pouco entusiasmante. Pensando que em meu quarto as coisas poderiam estar melhores, tomei o corredor na direção, me deparando com a figura de Damon bem em frente à minha porta, fazendo sabe-se lá o quê. — Está falando com a porta? — perguntei cautelosa, enquanto me aproximava, imediatamente entendo ao que ele se referia. — Ela ainda não está respondendo, mas eu posso ter uma breve noção de onde está seu casaco.
Abri a porta sem cerimônias, como se aquela fosse a minha casa, e não a dele. Eu não podia negar que gostava daquela sensação de vê-lo parado no batente da porta, como que impossibilitado de entrar sem minha permissão. Aproveitei o momento, deixando que sua espera se prolongasse, enquanto eu ia até o armário com os vestidos bufantes e tirava lá de dentro o paletó que Damon me emprestara. Ainda estava um pouco ressentida por ele ter me deixado no lago naquele dia, mas havia acontecido tanta coisa desde então, que o momento parecia irrelevante. — Aqui está, Alteza — disse, entregando sua roupa. — Tem mais alguma coisa que lhe pertença nesse quarto? — perguntei, desafiadora, enquanto impedia sua entrada no cômodo ao apoiar o braço da porta.
Em vez de a porta se abrir, porém, a selecionada aparecera às suas costas. Como sempre, cheia de palavras bondosas. “Claro, incrivelmente a madeira parece mais receptiva do que o resto das pessoas nesse palácio” Revirou os olhos e se encostou na parede, esperando que a outra entrasse de uma vez no próprio quarto e o devolvesse o paletó. Ir até ali talvez não fosse uma boa ideia. Agora, todavia, era tarde demais para voltar atrás.
Enquanto a selecionada entrava, Damon pensou em acompanhá-la, porém, ao contrário do que acontecia com o restante das meninas, não se sentia bem-vindo ali dentro, e a verdade é que talvez nunca fosse. Percebia pela maneira como demorava que Mina tentava irritá-lo, mas ele já estava cheio demais pela culpa para ser preenchido por algum outro sentimento. Assim, quando esta voltou para lhe entregar o casaco, o pegou e jogou sobre um de seus ombros, com um sorriso irônico estampado no rosto e ainda sem sair do batente da porta.
Observando, agora, a fala de Mina e o modo como impedia a entrada do príncipe no quarto, Damon ergueu as sobrancelhas e cruzou o braço, se segurando para não respondê-la de maneira grosseira. Se havia algo mais que lhe pertencesse no quarto? Bom, talvez a cama, cortinas, sofás, janelas, papel de parede e a própria selecionada parada a sua frente, mas isso era algo que jamais diria em voz alta, principalmente por saber o quão idiota soava.
Assim, talvez apenas pelo prazer de irritar a outra, levantou o braço de Mina e passou por baixo, entrando no quarto apesar de suas reclamações. Uma vez lá dentro, se virou para a selecionada, disposto a acabar com aquilo o mais cedo possível. Não iria perguntar mais uma vez para a outra se ela gostaria de deixar a Seleção, sua oportunidade de escolha já havia sido dada logo no início, porém ainda precisavam conversar sobre o ataque.
“Ouvi dizer que está curiosa sobre os rebeldes.” Alguns funcionários já o tinham informado de que a selecionada estava sempre fazendo perguntas demais. E isso poderia ser preocupante para qualquer um que tivesse algo a esconder... Mas Damon não tinha. “Na verdade, preciso que me diga tudo o que descobriu até agora.” E Então, por mais que não quisesse pronunciar tais palavras em voz alta e parte dele se recusasse a fazê-lo, acabou por murmurar a pergunta que realmente o trouxera ali. “E também preciso saber se você está bem, se te machucaram de alguma forma, eu...” Revirou os olhos, não querendo continuar justamente por saber que a outra faria piada sobre seu comportamento. Então, se sentou na cama da morena –– parecia particularmente interessado na possibilidade de deixar a outra desconfortável –– e apenas esperou por sua resposta.