Parte sua ficara confusa quando Selene admitiu pensar que ele fazia Educação Física, mas outra parte também estava morrendo de rir. Com seus óculos e a cara de irritado constante, jamais imaginou que alguém poderia cogitar aquela opção. A cena chegava a ser engraçada em sua cabeça. Matthew Joshua McKinley, formado em Educação Física. Não tinha preconceito com os que escolhiam isso, embora não visse tanto futuro no curso - era só que a ideia de fazer algo assim era hilária para ele. Matt definitivamente não era daquele tipo. — Ah, ok. Só não queria te irritar, sabe, por ficar falando um monte de coisa sem você nem ter perguntado. Muita gente não gosta. — Disse a última frase um tanto mais baixa, dando um suspiro impaciente em seguida. Já havia se acostumado a manter-se calado quando se tratava do que gostava. Poucos eram os que se interessavam pelo “mundo tedioso do Matt”.
— Sério? Era? — Perguntou com as sobrancelhas erguidas, surpreso. Aparentemente, não só Selene tivera uma impressão errada de Matt, como ele mesmo tivera dela. A loira não tinha cara de quem se interessava por coisas como biomedicina - de fato, após descobrir que ela cursava Música, tinha certeza que não era chegada a essa área. No entanto, ali estava ela, falando algo que ele não esperava sair de sua boca. Demorou alguns segundos ponderando sobre o assunto, percebendo como seu palpite sobre a garota estava errado, até então responder sua pergunta. — É ótimo, na verdade, muito interessante. E eu sempre quis cursar Biomedicina mesmo, então… — Deu de ombros, dando um leve sorriso de lado e voltando ao trabalho.
Apenas manteve-se calado quando ela comentara sobre seu, hum, desvio na festa da Delta Nu, torcendo para que não parecesse tão patético quanto achava que parecia no momento. Tinha de lembrar a si mesmo: não podia se deixar levar daquele jeito de novo. Se fosse beber, que pelo menos fosse apenas metade de um copo e nada além disso, ou seria capaz de perder o controle outra vez. Não era o maior fã de álcool, mas era difícil resistir em uma festa onde ele estava em todos os lugares, e todos ao redor estavam bebendo. — É, acho que estou melhor agora. — Assentiu, sorrindo divertido para ela. Não ousaria perguntar sobre os garotos que ela viu sem calça, afinal, era invasão de privacidade, apesar de ter ficado curioso. — Pelo menos não fiquei nu, certo? — Brincou, na tentativa de convencer a si mesmo que não tinha problema em ter ficado sem calças. Não que tenha funcionado tão bem. — O quê? Não, não, não. Sem problema nenhum. Não me importo de ajudar, e você pagou de qualquer jeito. Além do mais, uma pequena faxina nunca matou ninguém. — Deu-lhe uma piscadela brincalhona.
Teve de se conter para não rir da explicação de Selene sobre os objetos repetidos. Em sua visão, aquilo parecia mais uma obsessão por compras do que qualquer outra coisa. Fazia sentido que ela comprasse vários por gostar de uma peça específica e, sem se tocar do que estava fazendo, levasse mais de uma - ou pelo menos era um pouco compreensível. Mas, definitivamente, não era um hábito tão saudável, além de apenas ocupar espaço no armário e fazê-la gastar bem mais. Não era a toa que o quarto da menina estava abarrotado. Contudo, só acenara a cabeça e deu um risinho fraco, como se ele mesmo já houvesse feito o mesmo. Cada louco com sua mania.
— Dobrador oficial de roupas? — Repetiu, achando graça do “título”. — Vou ganhar dinheiro se aceitar? — Disse em seguida, em tom brincalhão. Obviamente, jamais cobraria de verdade por um favor besta como aquele. No máximo, pediria um café ou algo assim como recompensa. — Um Jedi? — Ele riu, franzindo a testa. — Não é nada de outro mundo, Selene. É bem fácil até. Olhe só. — Pegou as mãos dela com cuidado, dando-a espaço para puxá-las de volta se quisesse e, assim, a fez dobrar uma das blusas que estava em cima da cama, da mesma maneira como ele fazia. Ao terminar, largou-a e pôs suas próprias mãos nos bolsos da calça. — Agora você também é Jedi. — Disse com um sorriso de lado, encolhendo os ombros de leve. Logo voltou a dobrar a pilha de antes, vez ou outra olhando para o lado e verificando se Selene estava fazendo certo ou não. Quando, finalmente, não havia mais nada para dobrar ou separar deu um longo suspiro de alívio.
— Acho que é isso. Precisa de ajuda em mais alguma coisa? — Perguntou-a enquanto olhava ao redor, procurando algo mais a ser arrumado. Quando recebeu sua resposta, estendeu a mão para Selene, esperando que ela a apertasse. — Nos vemos por aí. — Voltou a colocar as mãos nos bolsos e saiu do quarto.