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@incandesc-ente
E quando você chegou, trouxe consigo a Primavera, desabrochando num lance de amor e cuidado todas as flores do meu jardim já morto. E quando já estava a um bom tempo, ficou comigo o verão, raiando pela minha janela o lindo sol da manhã, me mostrando a delicadeza de cada olhar e um universo único. E quando as coisas começaram a se chocar, sorrateiramente o outono se fez presente, trazendo os ventos fortes, arrastando tudo para um lugar incerto. Mas, quando você se foi, ah meu bem, quando você se foi, se instalou um inverno. Um inverno muito maior do qual você me salvou no início, um a qual eu nunca tinha enfrentado antes, dilacerando qualquer tipo de flor, qualquer tipo de amor. E agora, o que me resta é esperar que você volte, para que a minha estufa agora cheia de saudade, floresça de novo e com ela, todo o bom do amor.
Um inverno sem ela. (via corujes)
Se você soubesse como é minha impaciência, moço, veria minha loucura bem diante dos teus olhos. Pois parece que o casulo que habito não permite que veja que o caos dentro de mim é maior que o do meu quarto. Eu planejo assassinatos - na maior parte das vezes eu mesma sou a vítima - para desistir depois. Eu dou bom dia aos porcos e ignoro os bom dias de quem eu gosto. Eu não sei sentir pouco. Ou muito ou nada. E agora sou vazia da cabeça aos pés, não mais amor. Eu passo fome por preguiça de ser mais evoluída, de fazer as compras, por querer morrer. Eu fumo à noite feito a caipora pra ignorar que não tenho controle sobre mim mesma. Não tenho limites, mas tenho. Não tenho vontades, mas quero. Quero você e todo mundo. Quero que a vida passe em um segundo. Quero fugir, mesmo que eu quisesse ficar - mais por você dizer que não queria que eu fosse para longe, porque nada interessante acontece aqui e eu não tenho mais saco. Uns dias fora seriam bons, seriam ótimos, mas não me satisfazem. Porque são só fuga da realidade, não mudança. Porque me enchem de esperança para porra nenhuma acontecer depois.
NAHLA
(in)segura
Poema de Rebeca Bivar
Na inércia da insegurança Me arrisco Na demência do prazer Me jogo Me mato Me cobro Me entrego: a incerteza Se tu quiser, eu quero Se tu não quiser, me viro Se for pra ser, será Se não for pra ser, haverá Mais e mais Amor
o amor é quando você fala eu te amo como se fosse pizza, gostosa e só pedir. no nosso país, céus, tudo acaba em pizza. e eu tenho evitado pensar sobre politica porque tenho medo de uma guerra, talvez eu seja dramática ou covarde demais, o fato é que eu sempre sou demais. ou durmo por dias ou fico acordada. uma vez acordei com a minha mãe e avó olhando pra mim, uma segurava meu pulso. quando eu abri o olho elas estavam muito preocupadas, mas eu só tinha dormido por mais horas do que um humano dorme. mas eu sou humana, então um humano pode. agora eu estou oposto, não durmo a dias.
a sensação é que meu corpo é um veiculo morto e existe apenas a minha mente. eu amo quando a matéria se torna superficial e eu consigo sentir tudo e todos ao meu redor enquanto meu ego tá cansado demais para se manifestar.
provavelmente eu vou apagar isso, como sempre faço. mas eu queria que clara soubesse que eu não estou falando. nem escrevendo nada pra ela porque não faria sentido algum.
antigamente eu tinha um caderno em que eu só escrevia números. eu fazia páginas de números, do 0 ao 10.000. pra mim era um gigante livro de poesia. eu achava que poesia era algo lindo e impossível de entender, hoje eu sei que os números que são assim. a poesia é pizza, gostosa e só pedir. no nosso país, céus, a pizza é comida com talheres.
Certa palavra dorme na sombra de um livro raro. Como desencantá-la? É a senha da vida a senha do mundo. Vou procurá-la. Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo. Se tarda o encontro, se não a encontro, não desanimo, procuro sempre. Procuro sempre, e minha procura ficará sendo minha palavra.
C. Drummond de Andrade. (via oxigenio-dapalavra)
Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas.
Paulo Leminski. (via quase-heroi)
Mas eu insisto em nós e vim aqui te pedir cuidado. Não me deixa ir embora.
Tati Bernardi. (via allaxg)
na praia o vento sopra, maresia. na alma sentimento sobra, poesia.
Um bom ofício, seria inventar palavras para brincar no arco íris, melosias, poemores bejoboca, cafélores.
Leila
Qual o preço que pagamos
por cada poesia?
Quantas lágrimas derramadas
por cada autoria?
Vale a pena?
épicas
O que eu realmente quero que você saiba é que não importa o tempo que passe, o que aconteça ou o que a vida nos ensine. Não interessa quem somos ou quem vamos nos tornar. O que vale é o que carregamos dentro de nós. E você, guarde isso na memória para todo o sempre, eu te carrego junto comigo todos os dias.
Clarissa Corrêa. (via quase-heroi)
Eu sou um ser sentimental, que droga. Isso vai acabar me matando por dentro.
O menino Charlie. (via quase-heroi)
Você achou legal meu jeito ao contrário e minha aversão ao romance. Riu quando eu disse que eu era um problema e que surtava de vez em quando. Contei que estrago meus relacionamentos e gosto de magoar sem querer quem eu gosto, você fingiu que não tinha escutado e perguntou que tipo de música eu gostava. Continuei com a história do meu antigo namoro e expliquei como sou traumatizada com tudo. Você só prestou atenção na hora em que eu cantei o refrão da música do Legião Urbana. Juro que fiz de tudo pra te avisar. Mandei você ficar longe de mim. E você quis ficar mesmo assim. Sempre tive pena de quem gosta de mim. Pior ainda é quando eu gosto também. Você não sabe no que se meteu. Pobrezinho. Não consegue ver? Acabei de pôr um letreiro escrito problema na minha testa. Em néon. Que brilha no escuro. E você ainda não correu. Ou é louco ou eu achei o cara certo.
Iolanda Valentim. (via inverbos)