ㅤ 𝖼𝗈𝗆𝖾 ㅤ𝖺𝗇𝖽 ㅤ𝓯𝐞𝐞𝐥 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝖑𝖔͇𝖛𝖊, ㅤ𝗅𝗂𝗄𝖾 ㅤ𝖺 ㅤ𝐒𝐈𝐍𝐍𝐄𝕽 ㅤ 𝗌𝗁𝗈𝗎𝗍 ㅤ𝗂𝗍 ㅤ𝗅𝗈𝗎𝖽𝖾𝗋, ㅤ𝗌𝗁𝗈𝗎𝗍 ㅤ𝗂𝗍 ㅤ𝖿𝗈𝗋 ㅤ𝒕𝒉𝒆 ㅤ𝒐𝒏𝒆𝒔 ㅤ𝗐𝗁𝗈 ㅤ𝖼𝗈𝗎𝗅𝖽 ㅤ𝑵𝑬𝓥𝑬𝑹 ㅤ𝗌𝖺𝗒
ㅤ i ㅤwon't ㅤ𝖿𝖾𝖾𝗅 ㅤ𝓐𝐒𝐇𝐄𝐌𝐄𝓓, ㅤ𝖒𝖔𝖙𝖍𝖊𝖗 [ ... ] ㅤ ㅤ 𝖼𝖺𝗇 ㅤ𝗒𝗈𝗎 ㅤ𝒃𝒓𝒆𝒂𝓴 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤᴄʜᴀɪ͇ɴs ㅤ𝗈𝖿𝖿 ㅤℋ͜𝑬𝑹ㅤ ͟.ᐣ
🕯 ⸻ há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por 𝐜𝐡𝐚𝐫𝓵𝐢𝐳𝐞 𝔀𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝓰𝐚𝐚𝐫𝐝. aos vinte e sete anos, ela carrega o legado de 𝖗𝖆𝖎𝖓𝖍𝖆 𝖒𝖆́ ( 𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑎 𝑑𝑒 𝑛𝑒𝑣𝑒 ) em cada aspecto de sua narrativa. ligada a casa 𝒃𝒆𝒍𝒂𝒅𝒐𝒏𝒂, tornou-se conhecida entre outros alunos por sua reputação de 𝐢𝐧𝐬𝐭𝐚́𝐯𝐞𝐥 e 𝐜𝐫𝛊́𝐭𝐢𝐜𝐚 — qualidades extremamente valorizadas em 𝗺𝘆𝘁𝒉𝗯𝗼𝗿𝗻𝗲 — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza 𝑒𝑠𝑝𝑖𝑟𝑖𝑡𝑢𝑜𝑠𝑎 e 𝑝𝑒𝑟𝑠𝑢𝑎𝑠𝑖𝑣𝑎 escondida sob toda essa deturpada perfeição.
ㅤ🗡 𓏏 ℳ𝐈𝐃𝐍𝐈𝐆𝐇𝐓 ᴿ͟ᴬ͟ᴵ͟ᴺ ⠀ ꒰ 𝘁𝗮𝗴𝘀. 𝗽𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘁. 𝘄𝗮𝗻𝘁𝗲𝗱. 𝗲𝘃𝗲𝗿𝗮𝗳𝘁𝗲𝗿𝗵𝗾. ꒱
ㅤ🕯ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐫𝐞𝒘𝐫𝐢𝐭𝐭𝐞𝒏 ⠀𓄼 após a reescrita, grimhilde deixou de ocupar o papel de vilã derrotada e tornou-se uma das figuras favorecidas pela nova ordem. como integrante do conselho da reescrita, esteve ativamente presente no processo que alterou os antigos finais narrativos, garantindo que a história de branca de neve fosse finalmente arrancada de seu caminho. na nova versão da história, a rainha má venceu. branca de neve foi removida como ameaça à sua coroa, à sua beleza e ao seu legado. grimhilde recuperou o controle de seu reino e consolidou sua posição como uma soberana temida, respeitada e politicamente influente. mais tarde, casou-se novamente com um rei imponente, escolhido não apenas por conveniência política, mas também por representar a força, a autoridade e a imagem de poder que grimhilde desejava associar à sua nova dinastia. dessa união nasceram duas filhas biológicas. charlize é a primogênita e eda é a filha mais nova. apesar da vitória, grimhilde nunca esqueceu a verdade por trás de seu triunfo: seu “final feliz” não lhe foi concedido, nem escolhido espontaneamente pelo povo. ele precisou ser tomado à força. a coroa voltou para suas mãos, mas a ferida de jamais ter sido naturalmente amada, admirada ou escolhida permaneceu.
ㅤ🕯ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐬𝐭𝐨𝐫𝒚𝐭𝐢𝐦𝒆 ⠀𓄼 o maior fracasso de grimhilde não foi perder o reino antes da reescrita. também não foi envelhecer, nem descobrir que existia alguém mais bonita do que ela. o verdadeiro desastre foi ter colocado no mundo uma filha que cresceu desejando exatamente aquilo que destruiu sua história pela primeira vez: amor verdadeiro. sim! a filha da rainha má — criada dentro de um castelo onde finais felizes eram tratados como doenças contagiosas — teve a audácia de sonhar com amor. talvez tudo tivesse começado no instante em que charlize wintergaard nasceu branca como a neve. pele clara, cabelos escuros e traços delicados o suficiente para fazer metade da corte ficar desconfortável em silêncio. qualquer semelhança com aquela que não deveria ser mencionada nos corredores do castelo era, obviamente, mera coincidência. coincidências aconteciam o tempo inteiro em mythborne. grimhilde percebeu cedo o problema que tinha nos braços. porque charlize não herdou apenas a beleza da família. herdou o tipo de aparência que atraía atenção naturalmente, sem esforço e, pior ainda, sem precisar implorar por isso. e ninguém odeia mais esse tipo de mulher do que outra mulher que passou a vida inteira tentando ser escolhida. então para manter a situação sob controle, grimhilde transformou a filha em um projeto pessoal.
desde cedo, charlize aprendeu que beleza não era vaidade. a mãe corrigia sua postura durante as refeições, reposicionava seu queixo com os dedos sempre que charlize abaixava demais a cabeça e a fazia sorrir apenas o suficiente em aparições públicas. nunca demais. felicidade excessiva criava rugas. a beleza era uma arma e armas precisavam estar sempre afiadas, impecáveis e sob controle. mas existia uma regra implícita dentro daquele castelo: charlize podia ser bonita. só não podia ser mais bonita que a mãe. e grimhilde fazia questão de garantir isso. a mesma mão que penteava cuidadosamente os longos cabelos escuros da filha antes dos bailes era a que interrompia o processo apenas para comentar que o nariz da menina parecia maior sob determinada iluminação. nada era agressivo o suficiente para parecer abuso aos olhos de fora. grimhilde alimentava as inseguranças da filha como quem rega um jardim. cuidadosamente. diariamente. quase com carinho. o mais cruel é que charlize nunca deixou de buscar aprovação mesmo assim. porque grimhilde não criou uma filha revoltada. criou uma garota desesperada para ser escolhida pela própria mãe. charlize passou anos tentando alcançar um padrão impossível onde fosse admirável sem ameaçar ninguém, desejada sem despertar inveja e perfeita sem parecer perfeita demais para existir perto de grimhilde. era cansativo. patético em alguns momentos. e exatamente o tipo de dano psicológico que costuma acontecer quando uma mulher que passou metade da vida obcecada pela própria aparência decide criar uma filha que nasceu naturalmente bonita demais para fazê-la se sentir segura.
nem mesmo todos os anos sendo criada por grimhilde foram suficientes para arrancar de charlize aquela necessidade humilhante de acreditar em amor. o que devia ser considerado um fracasso pessoal gravíssimo para a rainha má, porque ela realmente tentou. cresceu ouvindo que amor verdadeiro era uma invenção fracassada da antiga era, mas isso só piorou o problema. porque proibir algo em mythborne sempre foi a maneira mais eficiente de torná-lo obsessivamente desejável. charlize queria amor da mesma forma que outras pessoas queriam poder. não um romance conveniente, não um noivado útil para a coroa, não um príncipe escolhido por conselheiros velhos e amargurados. queria ser escolhida de verdade. então, aos vinte e dois anos, contra todas as probabilidades e o bom senso coletivo de everafter, charlize encontrou seu grande amor. o garoto era exatamente o tipo de pessoa que grimhilde mais desprezava: gentil de maneira genuína e moralmente correto em níveis irritantes. o tipo de homem que olhava para charlize como se ela fosse apenas uma garota, não um sobrenome cercado de traumas hereditários e problemas maternos severos.
charlize passou semanas ensaiando como contaria à mãe que pretendia se casar. porque, sinceramente, existiam formas mais seguras de morrer dentro de mythborne do que anunciar para a rainha má que sua filha estava perdidamente apaixonada. ela esperava gritos, ameaças e talvez algum comentário cruel sobre como homens idealistas eram patéticos. já estava preparada para uma explosão de fúria quando entrou nos aposentos da mãe. mas grimhilde não gritou. ela permaneceu em silêncio por alguns segundos e então ergueu a mão devagar, colocou alguns fios escuros do cabelo da filha atrás de sua orelha e perguntou com aquela voz arrastada que sempre soava calma demais para alguém potencialmente perigosa: “então é isso que você quer? viver obsessivamente uma história de amor mais do que qualquer outra coisa?” e charlize, pobre garota apaixonada e completamente condenada, respondeu que sim. mais tarde, olhando para trás, perceberia que aquele tinha sido o pior erro da sua vida. porque grimhilde fazia parte do conselho da reescrita. e entre todos os seus contatos, existia alguém particularmente talentosa em transformar amor verdadeiro em uma experiência devastadora. úrsula. a grande especialista em feitiços tendenciosos, sentimentos manipulados e magia emocionalmente predatória. e grimhilde tinha um pedido para ela.
o feitiço foi feito e, no começo, ninguém percebeu imediatamente o estrago. nem charlize. nem o garoto. parecia apenas amor. intenso, talvez exagerado, mas ainda amor. o problema era que úrsula não criou um feitiço para aproximar duas pessoas. criou um feitiço para destruir lentamente tudo o que charlize acreditava sobre amor até não restar absolutamente nada além de repulsa. pouco a pouco, tudo nela começou a girar em torno dele de uma maneira sufocante, paranoica e destrutiva. ela precisava saber onde ele estava, com quem estava e se ainda a amava com a mesma intensidade de algumas horas antes. o relacionamento deixou de parecer algo saudável muito rápido. charlize perdeu completamente o senso de identidade porque já não existia mais espaço para nada além dele. existiam momentos rápidos em que parecia assustada consigo mesma, como se estivesse presa dentro da própria mente observando o próprio corpo agir de forma distorcida sem conseguir recuperar totalmente o controle. mas o medo de perdê-lo era tão absurdo que engolia qualquer tentativa de lucidez antes que ela durasse tempo suficiente. ela estava completamente consumida pela necessidade de manter aquele relacionamento vivo mesmo enquanto algo apodrecia dentro dela.
no início, ele tentou lidar com a situação da maneira mais cuidadosa possível. afinal, ainda era um herói. mas rapidamente o relacionamento começou a consumi-lo também. ele começou a ficar cansado. depois começou a ficar irritado. e então começou a ficar cruel. chamava-a de instável, paranoica, sufocante e demonstrava constrangimento quando a namorada aparecia perto de outras pessoas. existiam momentos em que ele parecia odiá-la simplesmente por ela continuar ali insistindo em amá-lo daquela maneira doentia. mas charlize já não sabia como parar. começou a enxergar qualquer garota próxima dele como ameaça. o ciúme se tornou paranoia e, durante um surto provocado pelo feitiço, ela matou uma aluna de everafter que acreditava estar tentando roubá-lo dela. foi impulsivo, violento e rápido demais para existir volta. depois disso, charlize percebeu em seu subconsciente até onde aquela obsessão era capaz de levá-la. mesmo assim, ela continuou presa naquilo. após inúmeras tentativas frustradas de terminar o relacionamento, ele percebeu que charlize não o deixaria ir facilmente. então a traiu com a primeira mulher que lhe ofereceu uma sensação de liberdade. e foi naquele momento que o feitiço se quebrou. quando charlize percebeu que ele não a amava mais, toda a obsessão desapareceu de forma brutal. foi como acordar depois de meses presa dentro da própria cabeça. pela primeira vez em muito tempo, charlize conseguiu enxergar claramente tudo o que havia se tornado. e ficou horrorizada. ela percebeu o quanto havia perdido de si mesma. percebeu os surtos, a humilhação pública, a dependência emocional doentia e o modo como havia sido reduzida a alguém que implorava para ser amada enquanto era lentamente destruída diante de todo mundo. o feitiço de úrsula tinha funcionado perfeitamente. charlize não saiu daquela história com o coração partido. saiu com nojo da ideia de amor verdadeiro.
ㅤ🕯ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐦𝐚𝒈𝐢𝐜𝐚𝐥 𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐭𝒚 ⠀𓄼 manipulação de veneno — o poder de charlize sempre esteve ligado ao perigo do contato. durante anos, qualquer demonstração emocional mais intensa fazia com que toxinas escapassem involuntariamente através de sua pele, tornando simples toques algo arriscado. conforme aprendeu a controlar a própria habilidade, passou a ativá-la apenas quando deseja. hoje, lizzie é capaz de produzir e manipular venenos de diferentes naturezas, alterando seus efeitos de acordo com a situação. algumas toxinas agem lentamente e quase sem rastros ; outras provocam dor imediata, paralisia muscular, febres violentas, alucinações ou colapso dos órgãos. o veneno pode ser transmitido pelo toque, sangue ou saliva, além de ser incorporado em objetos e lâminas para potencializar seus efeitos. apesar disso, a wintergaard ainda está longe de possuir controle absoluto sobre a própria habilidade. toxinas mais letais exigem muito de seu organismo, causando sintomas como tontura, tremores, febre alta e hemorragias nasais. quanto mais potente o veneno criado, maior o risco de intoxicação nela mesma. seu organismo desenvolveu resistência acima do normal, mas não imunidade completa. o controle sobre toxinas também exige contato relativamente próximo do alvo, tornando difícil afetar muitas pessoas ao mesmo tempo. emoções intensas também afetam diretamente seu controle, fazendo com que o veneno se espalhe de maneira instável quando está furiosa, assustada ou emocionalmente abalada.










