Finalmente cheguei na idade tão esperada por todos os adolescentes. 18 anos, maior de idade, faculdade, provas, responsabilidade. Mas e eu? Eu não queria que essa idade chegasse nunca. Eu nunca fui uma pessoa decidida. Me lembro bem, aos 4 anos eu queria ser professora. Aos 9 anos queria ser médica. Perto dos 15 queria ser advogada. Chegando nos 18 já não sabia mais o que queria, pra mim, qualquer coisa tava bom. Sinceramente nunca gostei de ler, nem de lidar com pessoas. Nunca me imaginei dando aula pra um bando de pivetes mal criados. E como tudo na vida, uma hora você tem que decidir algo. Ou é, ou não é. Não existe meio termo. Do mesmo jeito que não existe meio médico e nem meio advogado. Engenharia, eu escolhi. Mas cara, eu nunca gostei de matemática. Pra ser bem sincera, eu nunca gostei de coisa nenhuma. Isso inclui você, pra mim tanto faz se você viesse passar o final de semana comigo, ou se você não me quisesse mais. Honestamente, eu nunca me importei com nada. Entrei na faculdade de engenharia. Com o tempo, fui aprendendo a resolver cálculos intermináveis, parecia coisa de gente louca. Eu pirava naquele tanto de números. Comecei a decifrar coisas e não estou falando só de matemática. Meu Deus, como eu nunca tinha reparado no seu jeito de olhar pra mim? Nessa sua pinta linda no cantinho da boca? E o seu sorriso, eu prefiro nem comentar. Vi coisas em você que mudou completamente meu jeito de te enxergar. Eu não cobrava nada de você, talvez porque eu não te notava, não te entendia e não te esperava. Eu nunca gostei de matemática e nem de você. Era tudo tão complexo, você era pior que função altimétrica. Demorei muito, mas finalmente percebi que as coisas complicadas e demoradas são as que mais valem a pena. Não só pelo fato de ter sido difícil, mas pelo fato de ter sido difícil e mesmo assim, ter conseguido decifrar.
Carol Alves - Eu, que imaginei morrer calculando, acabei morrendo de amor por você. (via renascedor)