[Flashback] Your slaps don't stick, your kicks don't hit, so we remain the same | Dominique & Isolde
A despeito da algazarra feita por Isolde Robards para chamar-lhe a atenção, Dominique não precisou de tamanho alvoroço para identificar sua dupla de treinos daquela tarde (quase sem conseguir disfarçar o seu contragosto ao aproximar-se dela a passos vagarosos). Podmore sabia bastante bem de quem se tratava a loirinha de cabelos trançados com quem teria que trabalhar. Você vê, embora não nutrisse por ela antipatia deflagrada, havia algo que a incomodava na outra, como uma inquietação provocada pela própria similaridade (que negaria) de suas naturezas e o reflexo de um leve desejo de competir, de chamar mais atenção do que ela, mesmo que nem estivesse totalmente consciente disso, uma vez que, como dito, a relação se dava de maneira quase tácita. Enquanto colegas de ano e de classe, as duas, pois, apesar de jamais terem tido qualquer tipo de enfrentamento, tampouco eram amistosas – e alguém observando-as atentamente haveria de notar isso. Afinal, para completar, não era como se a outra não a provocasse também – a leve ameaça que fez assim que a lufana estava no raio de sua proximidade apenas era um exemplo do tipo de comentário atravessado difícil de ignorar. Mais difícil ainda era aturar isso calada.
Mordeu o interior de sua bochecha para conter a réplica que seu reflexo imediato ordenava-lhe dar e, ao invés disso, conteve-se em primeiramente dizer: ‘ullo, Robards! – da maneira mais simpática que lhe foi possível. Aquela deveria ser uma das primeiras reuniões do grupo da qual a gryffindor participava, pois Dom não se recordava de tê-la visto ali nos outros encontros do Clube de Duelos que participara (poucos, mas mesmo assim, mais do que a outra, pelo visto). Além disso, a sugestão de usar azarações (de maneira assim ampla) não seria feita por alguém que soubesse que isso geralmente era má ideia nos treinos.
A pequena Podmore, contudo, não deixou de se perguntar se não teria algo a temer. A insinuação de Isolde poderia indicar que ela conhecesse algumas azarações para treinar, em primeiro lugar, coisa que sua colega da casa amarelo e preto, por mais que quisesse, ainda não dominava com grande destreza. A bem da verdade, sua maior especialidade ainda eram encantamentos, e ainda não possuía muito domínio sobre os defensivos e mesmo os ofensivos, por isso uma pequena preocupação começou a crescer dentro de si, junto da irritação de se sentir assim. Mas ora, não seria Isolde Robards a fazê-la se sentir acuada! Por isso, após cumprimenta-la, resignou-se a simplesmente acrescentar: É sua primeira vez, não? Boa sorte com isso. – e deixou a sugestão no ar, as sobrancelhas muito claras levemente arqueadas. – Now, shall we start? – emendou, um sorrisinho nos lábios, fazendo uma indicação para os tablados montados no Salão e prosseguindo em tomar a distância apropriada de sua adversária, enquanto sacava sua varinha. – Nós começamos com uma saudação, assim. – Apesar de sua habilidade ainda em progresso, conseguiu menear seu corpo e a varinha em um floreio até que gracioso, como se para causar uma impressão em suas maneiras quase professorais. – E então um feitiço… – suspendeu a palavra por um átimo, fitando-a com seus grandes olhos azulados. – …assim: Expelliarmus!
Não era exatamente antipatia, mas havia algo em Dominique Podmore que a incomodava. Jamais – até aquele dia – havia dado qualquer indício de que nutria algum sentimento não tão bom pela garota, mas a verdade é que sempre estivera lá, como se esperasse pelo dia em que se encontrariam no clube de duelos. Caso resolvesse analisar mais profundamente, perceberia que eram as semelhanças que a incomodava, como se precisasse provar que era mais – qualquer coisa mais – do que a outra. Porém, Isolde Robards nunca fora boa em análises e sua relação com Dominique não seria a primeira coisa que viria a analisar em sua vida, afinal. E para piorar ainda mais a rixa nutrida, o boa sorte proferido pela jovem em nada soava amigável, mas sim como uma provocação velada como se Robards realmente precisasse da ajuda da sorte para vencer. – Só tenta sobreviver... – retrucou despeitada, esquecendo-se completamente do termo de responsabilidade assinado pelos seus pais e, muito menos, dos juramentos de que não atentaria em premeditação contra a integridade física de nenhum outro aluno que fizera ao mestre do feitiços. Não que ela realmente tivesse levado tal juramento a sério, na verdade.
O tom sabichão de Dominique também não ajudava para que simpatizasse. Não, porque para alguém como Isolde, admitir que não sabia ao certo o que deveria fazer era como a morte. Orgulhosa, a garotinha apenas revirou os olhos impaciente, como se quisesse provar que já sabia sobre a saudação, o que na realidade nada mais era do que encenação e que se provou após sua tentativa de saudação que quase lhe custou o olho esquerdo diante de seus movimentos pouco graciosos e afobados. – Eu gosto assim. – Mentiu tentando justificar a saudação falha, ainda que o sorriso levemente irritado – consigo mesma por não conseguir disfarçar sua própria falta de habilidade – apenas demonstrasse que em nada aquela saudação fora bem sucedida.
Tamanha era sua irritação que sequer percebera que o duelo finalmente começara, de maneira que fora pega de surpresa pelo feitiço desferido por Podmore, fazendo com se desarmasse de sua varinha. – Eu te mato! – Resmungou irracional ao mesmo tempo em que corria visivelmente enfezava em direção da outra. Isolde não era o tipo de pessoa que aceitava perder, na realidade estava bem longe de ser essa pessoa, assim, ainda que desarmada – e teoricamente o duelo deveria ter acabado por aí – a garota apenas voou em direção de Podmore a fim de puxar-lhe os cabelos até que os arrancasse do couro cabeludo. – Aconselho que compre um chapéu! – Gritou enquanto enlaçava os fios em sua mão e puxava o punhado de cabelos loiros.












