every living thing dies alone
Felicity chegara cedo na festa, que significa que ela já estava bebendo há horas. Era raro ver a morena sem um copo na mão, ainda mais raro era vê-la sóbria. Já passava das dez horas, mais da metade da festa já havia passado e a mulher ainda bebia, naquele momento encontrava-se com uma taça e uma garrafa de champanhe nas mãos, cambaleando e não conseguindo articular frases corretamente. Mas a cidade inteira conhecia o caos ambulante que era Felicity Miller, então quase ninguém pensou nada dela. Mas ainda assim havia sim algumas pessoas com pensamentos preconceituosos em relação à mulher, e tinha alguém com um sorriso no rosto, imaginando-a morta. A observava desde o começo da festa, esperando o momento certo para fazer sua vítima, e este momento chegou na hora que a morena passou pelas portas da grande mansão, rumando para o quintal, que era cercado por uma densa floresta. Do lado de fora, Felicity inspirou fortemente o ar gélido daquela noite, a causando arrepios. Encheu novamente a taça, e não demorou a levá-la a boca, dando um longo gole do líquido doce que agora já não tinha mais gosto para ela, tudo que ela sentia era o ardor do álcool em seu corpo.
Completamente alheia à presença de alguém estranho, ela continuou ali, bebendo e bebendo, sem pensar em absolutamente nada. Assustou-se quando sentiu ar quente em sua nuca, não fazia sentido aquilo, estava frio demais. Mas antes que pudesse se virar, uma mão cobria sua boca. Ela lutava, chutava, tentava gritar, até morder, mas nada funcionava contra quem quer que fosse que a segurava. A pessoa desconhecida a arrastou, o outro braço estava em sua cintura, facilitando o ato. Apenas pararam de andar quando já se encontravam no meio das árvores, escondidos de testemunhas e tudo mais. A mão não se retirou da boca dela, Felicity estava desesperada, sabia que estava em muito perigo, que as possibilidades de morrer ou ser estupradas eram altas, e já não havia mais o que ela pudesse fazer. Observava o desconhecido se movendo, estava escuro demais pra saber quem era, e uma máscara cobria o seu rosto, não havia como saber se era um homem ou uma mulher. Logo, uma fita cobria sua boca, e a mão já não estava mais ali, agora ela estava nos pulsos da mulher, trabalhando em amarrá-los, e logo eram seus pés sendo amarrados.
Agora ela estava completamente vulnerável, e extremamente assustada. O rosto mascarado chegou perto do seu, e Felicity pôde notar algo brilhando na mão da pessoa, uma faca provavelmente. Suas suspeitas foram confirmadas quando o objeto de metal foi erguido até o seu rosto, e por mais que ela tentasse gritar, de nada adiantava, não demorou muito para sentir o metal frio contra a pele de sua testa, ligeiramente acima da sobrancelha, abrindo um corte ali, e ela pôde sentir o sangue quente escorrendo pelo seu rosto. Felicity fechou os olhos, implorando mentalmente que aquilo acabasse logo, que ele ou ela, seja lá quem fosse, a matasse logo. Mas infelizmente, não foi assim. Aquela mão era ágil, trabalhava com calma, abriu primeiro pequenos cortes no rosto dela, enquanto a mulher sofria, mas já não tinha mais forças pra tentar lutar contra o que acontecia. Logo sentiu uma dor lancinante quando um corte vertical fora aberto em seu peito, sujando todo o seu vestido. Os dois seios logo receberam um corte horizontal cada um, e um grito abafado não pôde ser contido, Felicity estava sofrendo, uma dor que nunca sentira antes, seu corpo gritava, queimava, ela só queria que aquela tortura acabasse de uma vez. Nunca pensou que um dia isso ocorreria, mas ali estava ela, querendo morrer logo. Manteve os olhos fechados, repetindo pra si mesma que acabaria logo, que ela não sofreria por mais tempo, e daquela vez ela estava certa. Mais alguns cortes em seus braços e pernas, e logo a faca foi enfiada em seu estômago, o grito que soltara naquele momento sendo abafado pela fita, e ela não demorou a cair para o lado, morta.

















