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@jamessiqueira
Sofia Higgins
Ellen Stratton / Playboy’s Playmate of the Month, December 1959 / photographed by William Graham.
(by Michael Ast)
Kotama Bouabane
Literatura e LSD
"Oh, claro! Como esta conferência de três dias é uma revisão irônica de meus anos de juventude em Paris, seria muito fácil agora rir do material não-literário de que A assassina ilustrada começou a nutrir-se naquele dia [quando o autor teve uma viagem com ácido]. Portanto, um narrador que alcançou a experiência de escrever depois de bagunçar os livros da biblioteca familiar parece muito mais respeitável do que alguém que começou a construir seu edifício literário após uma experiência com LSD. Parece parca a nobreza de minha poética inicial se, como eu mesmo estou dizendo, esta se viu alimentada basicamente por uma droga que simplesmente me ampliou o campo visual do perceptível. E, sem dúvida, não estou seguro agora de que deva censurar nada, muito pelo contrário. Porque se é certo que depois li bastante e minha cultura literária se fortaleceu, o LSD, com sua abertura de meu campo visual, não foi em seu momento uma desprezível fonte de inspiração. E mais, algumas daquelas percepções de uma realidade distinta perduram com firmeza e, carregadas ainda hoje de uma energia muito notável, são a causa de que me façam rir, por exemplo, os escritores realistas que duplicam a realidade empobrecendo-a."
— Enrique Vila-Matas (”Paris Não Tem Fim”)
Martien Mulder
(by black swan)
Relembrar: recriar.
"Viver (na minha compreensão) é existir dentro de um conceito de tempo. Mas relembrar é cancelar a própria noção de tempo. Toda lembrança, não importa o quão remota, acontece 'agora', no momento em que é convocada à mente. Quanto mais algo é relembrado, mais vezes o cérebro tem chance de aprimorar a experiência original, porque toda lembrança é uma recriação, não uma reprodução"
— David Mazzucchelli (“Asterios Polyp” — HQ)
Aproveite para morrer depois e quem sabe ouça essa palavra outra vez. Amanhã e amanhã e amanhã…, os dias avançam fúnebres até alcançarem a última sílaba no livro do Tempo. Os dias que se foram inspiram nos idiotas sua morte sem brilho. Apague-se, chama frágil. A vida é uma sombra itinerante, um mero ator que se debate no palco, entrega sua fala e sai. E ninguém mais o escuta. É uma estória contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada.