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@jardinando-blog
“Você me dá um friozinho na barriga.”
— Red Hot Chili Peppers.
Vai passar
Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão nem passar por momentos de ansiedade. Eles simplesmente podem surgir, após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas.
Eu desenvolvi ansiedade generalizada nos meus 18 anos depois de entrar na faculdade, eu não tinha idéia de como parar de sentir tudo aquilo e não tinha noção do que estava acontecendo.
Minha mãe estava com uns problemas e eu não queria piorar a situação da gente, meu padrasto estava desempregado e eu não queria causar mais dividas, afinal, eram apenas tremores e eu conseguia manejar isso. Por mais incrível que pareça, eu conseguia conviver com isso, pois se o meu problema eram os estudos eu só devia estudar mais e mais.
E lá estava eu, 20 anos, primeira da turma, com um CR altíssimo e mostrando a todos que eu estava bem. O que eu fazia quando era forte demais para agüentar? Eu estudava inglês, frances, economia, matemática, teorias administrativas, tudo para esgotar minha mente e eu simplesmente cair de sono.
Então as coisas ficaram piores, mas antes de ficar pior eu tive meu melhor momento, pois eu me apaixonei pela primeira vez. Era um mix de desespero 24h por dia e uma extrema euforia, a sensação de beijar e tocar alguém em que havia sentimento era extremamente única, mas quando acabava parecia que eu tinha perdido alguem. Então as coisas começaram a desandar, pois cada mensagem de texto não respondida, cada frase mal interpretada, cada “te ligo depois”, “não posso falar agora” ou “hoje eu quero ficar sozinho” era motivo de choro. Eu fiquei obsessiva, neurótica e sempre estava antecipando o pior, eu vivia no futuro e meus pensamentos eram exatamente esses:
O que eu vou fazer da minha vida quando isso acabar?
O que eu posso fazer para garantir que ele me ama?
Ele era mochileiro, extremamente lindo e fez tudo ser especial, eu estava em uma fase complicada, eu não tinha ninguém, minha irma estava organizando um casamento, minha melhor amiga estava para casar em menos de um mês, minha mãe estava morando em outra cidade, meus amigos com problemas próprios, como por exemplo: Como contar aos pais que se descobriu gay?
Eu não podia falar de uma simples ansiedade com eles, todos tinham problemas tão grandes...
Então ele foi embora para Austrália e minha vida virou um caos, eu não comia, eu não dormia e pela primeira vez as pessoas notaram que eu não estava bem, eu havia perdido meu porto seguro e não sabia como superar aquilo. Porem a ansiedade ou ate mesmo a depressão não são bem vistas pela sociedade, significa fraqueza para muitos, eram comum os discursos circulares com argumentos do tipo “relaxe”, “não é para tanto”, “comece a se mexer, a vida não é isso”, “você não tem razões para chorar”, “comece a amadurecer”, etc. Mas como controlar uma dor tão forte? Eu chorava 24h por dia, não havia hora e nem lugar. Eu chorava nas festas, quando acordava, no caminho para o trabalho, no banheiro do trabalho, no metro, no trem, no ônibus, eu simplesmente chorava...
Tínhamos uma diferença de fuso horário de 14 horas, então quando era de manhã para ele, era noite para mim, quando eu estava indo dormir ele estava acordando e meu mundo virou de cabeça para baixo, pois seguimos nosso relacionamento a distancia.
E já havia passado 5 meses com todo esse drama, porem eu seguia invicta, afinal, era “amor”, e então começaram as brigas, havia muito estresse para os dois e para piorar nosso caso, ele foi diagnosticado com autismo nível 1, e isso foi o fim para os dois, pois éramos o casal mais psicologicamente descontrolado do mundo haha. E passaram mais 2 meses e tudo parecia piorar, passávamos praticamente todo o tempo brigando, ele porque não conseguia controlar suas emoções e eu porque não conseguia para de pensar no pior.
E em junho de 2016 eu tive meu primeiro ataque de pânico e isso foi a pior coisa que eu senti na minha vida, então eu decidi que eu precisava sair dessa relação e pensar em mim pela primeira vez.
Eu so queria dizer que ter problemas emocionais não é uma escolha. Uma pessoa com depressão não diz ‘Quero me sentir mal e me coloco em um poço de tristeza para ver se me afogo com ela’. Isso não funciona assim. Na verdade, isso pode acontecer com qualquer um de nós.
A depressão e a ansiedade não são sinais de fraqueza, mas sim de força.
Eu estou meditando, me envolvendo e me descobrindo espiritualmente, continuo paranoica, continuo vivendo no futuro, mas aos poucos eu vou melhorando.