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Ao descobrir que aparentemente conseguira responder adequadamente, o sorriso voltava aos lábios cheios do inglês. No entanto, ainda havia um certo embaraçamento de sua parte, por simplesmente ter se perdido. Aquilo não fazia parte de seu feitio, a menos que estivesse com Jean. Talvez fosse de se esperar que estivesse minimamente acostumado a isso depois de quase um ano letivo inteiro ao lado dele, mas havia sido um ano tão agitado e confuso que ainda não conseguira processar devidamente todos os acontecimentos, em todos os ângulos oferecidos pelo torneio, pela rotina em outra escola e pelos sentimentos que tanto se recusara a sentir. Mas agora que podia fitar os olhos claros que tanto gostava, não podia deixar de perguntar-se por que tanto lutara contra. ━━ Não é a resposta certa, na verdade. ━━ Acabou por esclarecer, por entre uma risada breve. ━━ Acredita que ainda existe gente querendo entrevista? Não sei mais o que querem tirar de mim, mas tenho uma agendada para a hora do almoço. Onde eu pretendia mentir sobre muita coisa. ━━ Contou, por entre um suspiro pesado. Claro que Carlisle não tinha contado em nenhuma das diversas entrevistas tudo o que acontecera na prova que nomeara-o campeão, mas que também marcara a morte de um campeão tribruxo. Como fazia com a maioria dos seus demônios, preferia guardar para si mesmo. A exceção foram os membros do Ministério que precisavam dos detalhes para investigar o evento. Mas não podia simplesmente negar algumas coisas, especialmente quando pretendia seguir uma carreira política.
Foi só quando sentira os dedos entrelaçando aos seus que descera os olhos escuros pela figura alheia, descobrindo então os machucados nos joelhos e a meia-calça rasgada. ━━ Oh! Seus joelhos… ━━ Exclamou, imediatamente preocupado. Sua primeira reação foi buscar a varinha novamente, mas lembrou-se a tempo de onde estava e hesitou. Não por isso, mas porque erguera o olhar preocupado para o rosto do outro a tempo de vê-lo mordendo o lábio inferior. Carlisle engoliu seco. ━━ A sua. ━━ Respondeu em tom baixo, a voz quase falhando. Estava curioso a respeito de onde o outro estava instalado, como estava vivendo longe de tudo ao que estivera acostumado. Queria, de fato, certificar-se que estava bem. Porque Carlisle tinha uma casa grande e confortável (bem maior do que realmente planejara depois de vender a mansão dos pais) e uma recém-descoberta coragem de convidar Jean a dividir o espaço. ━━ Vamos sair logo daqui, assim posso cuidar de você. ━━ As palavras eram mais apressadas que os passos que dava ao puxar o outro em direção a saída do metrô, porque não queria causar dor ao outro. Não precisavam dos transportes trouxa, podiam simplesmente desaparatar até o endereço do outro, no fim das contas.
Jean tinha uma curiosidade única quando se tratava de Carlisle, até as questões mais estúpidas de um dia pareciam lhe importar muito, tipo no café da manhã quando conferia o que ele preferia comer ou beber no começo do dia, se via com olhar perdido na direção do inglês de formas constrangedoras por isso e em quase um ano convivendo juntos, acabou se tornando um hábito que nem tentava esconder mais. “Não?” A pergunta soou baixa e interessada, compreendo logo em seguida quando o outro lhe trouxe a realidade do torneio, uma parte assustadoramente traumática e que lhe quebrou algumas correntes, como a sua libertação de um pai abusivo e tóxico, a união a uma mãe corajosa e a sua verdadeira origem. “Bem que podia acontecer alguma coisa para você poder desmarcar, não é?” Sugeriu, já que Jean estava disposto a faltar sua aula, o outro poderia faltar aquela entrevista também, eram alguns meses longe para poderem matar todas as saudades que acumularam e que ficaram ainda mais forte com o pouco contato que conseguiram manter.
E só depois de ouvir o outro comentar sobre seus joelhos que percebeu que tinha se machucado, mas realmente não parecia sentir nada ali além da excitação de reencontrar o corvino. “Ótimo, eu moro perto daqui” Disse com uma animação que não tinha a alguns dias, mas se questionou se seria uma boa ideia, já que vivia em um espaço minúsculo de bruxos em meio a uma comunidade quase toda de trouxas, apesar de ter uso de magia livre dentro do espaço de prédios que havia ali, ainda tinham que ser discretos em outras ocasiões, mas tudo isso para ficar próximo da galeria no qual estava trabalhando e estar em Londres, que era o mais importante ali, já que o motivo de estar na cidade estava na sua frente.
Quando foi puxado na direção da saída, como um bruxo já experiente daquela parte da cidade, ele guiou o homem até o espaço em que todos os bruxos usavam para o movimento de desapartar daquela parte da cidade, no qual nenhum trouxa consegue perceber. E quando chegaram ali, ele ainda segurando sua mão, fez o uso da apartação acompanhada e suspirou quando seu corpo foi realocado para o interior de seu apartamento, odiava fazer aquilo, mas sua ansiedade era maior do que seu gosto pessoal, deu alguns passos e se sentou no sofá que tinha no canto da sala, encostando a cabeça na parede logo atrás dele, carregado de quadros diversos, sejam de seus amigos, colegas de escola, quanto de seus artistas preferidos. “Desculpa, sempre fico assim depois de uma aparatação…” Ergueu as mãos e mostrou o seu pequeno apartamento com um gesto de quem apresentava alguma obra não muito importante e escondida no canto do museu. “La douceur du foyer!” Após a apresentação, pode ouvir os miados de seus gatos que caminhavam preguiçosamente até o encontro de seu dono, um deles seguiu até Carlisle, lhe roçando o corpo como se já o conhecesse bem. “Esse aí é o Toulouse e essa aqui é a Olympe”















