topcrov:
kathcrinc:
A frustração decorrente de uma dinâmica de grupo que lhe era pouco conhecida – e decerto não muito apreciada – fora o suficiente para agitar os ânimos da morena. Katherine não estava acostumada a um ambiente de tensão como o encontrado na sala de reuniões, tampouco a ter suas habilidades questionadas ante uma constatação firme, pois estas vinham acompanhadas de uma análise profunda – ou tanto quanto seria possível no contexto em que se encontravam. Assim, ainda que rumasse à entrada do local, tal qual havia sugerido, a agente não sentia-se realmente satisfeita. Irritação essa que buscou canalizar para a execução daquilo que fora acordado. Em sua mente, memórias de sua infância transcorriam com um nível de detalhe pouco usual para acontecimentos de décadas atrás. E era a esses que ela se apegava. Às expressões, os movimentos, os nomes – todos eles repassados para a encenação que viria a seguir. Se é que poderia ser considerada tal. As madeixas, usualmente amarradas em um rabo de cavalo, foram percorridas pelos dígitos femininos, bagunçando-as suficientemente para que remetesse à imagem de sua mãe quando mais jovem. Em um contexto deveras distinto. Kat inspirou profundamente, os punhos cerrados ao enfim levantar-se de seu assento. E não é preciso dizer que não houve cerimônia ao desferir um golpe sobre a boca do homem, não fazendo questão de medir a força no processo. Ele merecia, não havia dúvidas. E a região sensível era o local ideal para trazer um pouco de sangue sem que grandes danos fossem feitos. “Definitivamente não.” Respondeu ao passar a mão pelos nós dos dedos, estes avermelhados pelo impacto. “Vamos acabar logo com isso.” Foi tudo o que disse antes de puxar o homem para fora do automóvel, um aperto firme ao redor de suas vestes a medida que se dirigia à entrada. Nesse instante o celular foi retirado do bolso e uma discussão acalorada teve início. O sotaque sulista acompanhado de expressões do dialeto da região eram complementados com o característico gesticular, esses pincelados com a fúria que era vista nas íris esverdeadas. “Ma che cazzo, Matteo!” A mulher praticamente urrou, empurrando Toporov para frente com certa impaciência. “Non ti avevo detto che non c’era motivo per preoccuparvi?” Ela revirou os olhos, a essa altura a atenção dos homens já repousando sobre si. “Cazzo! Già sono qui!” Bradou com exasperação. Mais um segundo e parecia suficiente. “Va fan culo!” O celular foi retirado do rosto, apenas para aproximar o aparelho dos lábios ao gritar o xingamento. A morena bufou, o iPhone sendo enfim colocado novamente no bolso da calça quando virou-se para os homens. “Foxworth. Vamos levá-lo. E estamos com pressa.” As palavras eram de difícil compreensão, dado o sotaque italiano carregado.
Arfou ao sentir os nós dos dedos de Josephine acertarem bem a boca de seu estômago, e um misto de ânsia e dor tomou, por pouco tempo, o seu corpo. Normalmente o Toporov não se deixava por tão pouco, mas naquele momento ele não só queria, como precisava sentir dor. Um longo suspiro saiu por sua boca entreaberta junto com um grunhido, mas não se curvou para o soco; e não demorou muito até que viesse o segundo, dessa vez acertando em cheio o seu rosto. Sentiu uma leve cócega percorrer sua bochecha e entendeu que estava sangrando: ótimo. Quando mais real aquilo fosse, melhor. “— Sono innamorato di te.” disse com um sotaque arrastado, a frase era expressa para as duas e um sorrisinho sínico brincava de bobeira em seu rosto; sorriso este que se desfez no momento que foi puxado para fora da van.
Quase como em um estalar de dedos,Viktor já não era mais ele. Seu corpo pendeu para a frente como se estivesse fraco para se sustentar, contando com pouco de suas pernas apenas para que não caísse e com o apoio das mulheres que lhe seguravam como um prisioneiro. Seu rosto agora abatido como quem não descansava à meses, e um pequeno corte foi feito em seu queixo por ele mesmo, afim de que o sangue escorresse livremente para sua camiseta - que fizera um rasgo na parte superior do estomago, mostrando o hematoma causado por Josephine. Manteve-se em silencio, deixando sua respiração pesada evidente para enquanto ouvia a discussão de Katherine no celular, evitando levantar os olhos para os guardas da instalação; não por medo, mas sim lutando contra o seu instinto de invadir e atirar em qualquer um que se colocasse em sua frente.
Josephine estaria mentindo descaradamente se dissesse que não estava nervosa. Ela tinha total confiança em suas habilidades como agente, porém tinha em seu lado duas pessoas as quais não confiava, de forma alguma. Somado a isso, tinha pouca experiência com a máfia italiana e, ainda que aprendesse rápido, não teve muito tempo para efetivamente se preparar para todas as variáveis daquela missão. Então, mesmo que andasse em passos firmes e decididos, Joey tinha suas dúvidas quanto ao êxito da missão. Nesse meio tempo, segurava Toporov pelo braço com mais força do que realmente necessário, seguindo a farsa com um semblante sério e nada amigável. Arqueou a sobrancelha ao olhar os homens a sua frente, claramente confusos com aquela entrada repentina. Observou-os brevemente, no entanto com atenção. Percebeu algumas mãos se direcionarem às armas em suas cinturas, o que a fez revirar os olhos. "Vocês ouviram, não temos todo o tempo do mundo. Não sairemos daqui sem Foxworth, colaborem vocês ou não. E duvido que nossos chefes irão gostar de saber que nossa visita foi dificultada."












