-Meus olhos estão sangrando? Sinto como se eles estivessem sangrando.
-Até agora, não.
-Não sei como você aguenta isso dia após dia. - Cometeu o erro de olhar para o telão onde apareciam mais números; dessa vez eram as cotações da Bolsa que giravam na tela. Colocou uma das mãos sobre os olhos e implorou; - Tenha piedade de mim!
Ele riu, trocou de canal e apareceu o noticiário matinal.
-Você se afogou nos números, querida?
-Eles me apareceram até nos sonhos. Dançando. Outros cantavam. Acho que alguns tinham dentes. Eu preferiria me deitar na calçada nua em pelo e ser atropelada por milhares de turistas de Dakota do Sul a ser contadora. E você! - furou o ar com o garfo, apontando em direção a Roarke. - Você ama isso! As porcentagens, as isenções de impostos e sei lá mais quantas porras desse tipo.
-Amo um pouco mais do que isenções de impostos e ‘porras desse tipo”.
-Como é que alguém consegue rastrear para onde vai o dinheiro, para início de conversa, quando ele bate e volta para todos os lados e em todas as partes? Um cara investe uma bolada durante cinco minutos em bundas de porcos e depois zás!, chuta as bundas para escanteio e as troca por engenhocas eletrônicas para depois desistir delas e jogar o dinheiro todo em pés de moleque.
-Não é inteligente colocar todos os ovos numa bunda de porco só.
- Sei. - Eve teve de lutar contra um bocejo. - Esses contadores passam o ancinho na grana e depois espalham tudo por todo lado.
-Dinheiro é parecido com estrume. Não dá para fazer nada crescer sem espalhar um pouco por toda parte.
J.D. Robb - Nascimento Mortal











