Face to face
Nessa noite não vamos ter aquela mesma conversa, porque era uma vez uma princesa que virou uma fera e agora se prepara meu amor porque aqui não tem mais lugar para ninguém além de mim. Enfim, inteira.
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Face to face
Nessa noite não vamos ter aquela mesma conversa, porque era uma vez uma princesa que virou uma fera e agora se prepara meu amor porque aqui não tem mais lugar para ninguém além de mim. Enfim, inteira.
Sono.
Agora você pensa que o quê? Chega tarde, me dá boa noite e diz baixinho que me ama. Tolice. Amor não se fala. Vai fazer o que eu quero ou não vai? Vira de lado e me abraça assim, meio sem jeito, quase um pedido de desculpa. Parece criança. Quer que eu prepare um chá? Não, é isso mesmo, na xícara e bem doce. Um tapa de luva. Ora, faça-me o favor. Levante e vá embora.
semana santa. eu toda.
Embriagada
Fiquei com ciúme quando li sobre ela, entendedora de vinhos.
Reconsiderei.
Logo eu, apreciadora de novas safras.
elevador
Parou no sexto andar. Me vi de quatro em dois tempos.
leitura
Eu falo sem pensar, escancaro meus problemas na tua frente, me mostro inteira. Depois desabo de vergonha. Isso não se faz. Você com essa pose de adulto, olhando de cima, ângulo triangular, acha que eu sou boba. Faz de conta. Vou te deixar feliz. Assunto encerrado. Vamos fingir que você ganha.
"That's great! It starts with an earthquake." ♥
reviravolta
quase meia noite uma taça de gim aquela nossa música meio sem graça e eu pensando se você me trai ou não fala sério se isso é dúvida para um sábado à noite acontece que você diz esse tipo de coisa e nem percebe olha bem se não me pedir desculpa eu troco a fechadura te deixo de fora e se você me acha chata um dia para implora agora para voltar porque para reclamar você é muito bom e quando beija a minha boceta também mas é muito ruim em cumprir promessas e eu não sou santa então se liga porque eu não tenho medo de me virar eu viro a página e você nem percebe quando se der conta eu já dei para outro joguei fora as tuas coisas excluí teu número da agenda mudei de endereço comprei um carro novo e se passar por mim pode ter certeza que eu mal te conheço.
Perfil
Ele um dia ele me disse que aquele não era meu perfil. Sou comportada. Claro. Sou uma boa moça. Descubra o erro.
Reconstruindo em quase quarenta e oito anos.
Prisão
Você pensa que me prende. Até pode. Mas enquanto me fode, minhas pernas e meus braços é que te amarram.
Trânsito
Ela dirigia um carro vermelho, da cor do batom, na mensagem de texto:
hello!
Eu vi a cor do esmalte nas unhas curtas no trajeto que parecia longo.
Abre o sinal e eu penso: fico
ou fujo?
póstumas
Olha se isso é hora para lembrar de casinhos passados. Talvez sim, estou interessadíssima em me ouvir.
Passado é bom quando a gente sabe que ele não volta.
Amém e vai tarde.
fuga
Respeitoso e educado. Um senhor de família. Não faço nada errado. Falou o religioso que bate punheta escondido no trabalho.
Chega em casa e reclama da casa mal arrumada.
A mulher, exausta, deitada na cama do quarto ao lado, só quer a luz apagada.
Ele olhando fotos de mulheres peladas.
Ela cai no sono e no sonho furta-cor encontra um príncipe encantado. Vinho, vestido, unhas feitas e meia 7/8.
Ele ronca e dorme desajeitado.
Ela acorda assustada, levanta, faz a mala e sai sem nem olhar para o lado.
Domingo
Sonho
Eu tive um sonho sobre mulheres que não se limitam. Acordei e me dei conta dos meus defeitos.
Unhas
Lembro a primeira vez que me chamaram atenção por roer unha: - tira a mão da boca, disseram. Eu tinha uns oito anos e estava na escola. Condenação eterna. Tipo a bruxa na fogueira. Ela rói as unhas. Riso. Espanto. As meninas bonitas cochichando. Os meninos zoando.
Um namorado terminou comigo porque eu não tinha as unhas bonitas. Ainda bem. As sobrancelhas dele eram muito feias. Outro pegou na minha mão pela primeira vez e eu bem rápido encolhi os dedos (tivesse pego na minha cintura e eu não precisaria esconder meus defeitos). As unhas estavam pintadas, mas as cutículas mordidas. Ainda bem que terminou. O sorriso dele não era essas coisas e a pele também não. Foi tarde.
Ainda roo as unhas e isso me incomoda. Cruzo as pernas e coloco as mãos entre elas para esconder o que a minha vergonha mostra. Agora, além das cutículas mordidas, as marcas no rosto também aparecem. Já não tenho mais oito anos, nem vinte e poucos. Nem trinta. São mais de quarenta. Antropofagia dos medos. É mais do que hora de libertar os monstros que eu ainda seguro nas mãos.