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@jujubagoes
À FLOR DA PELE 11
“Não há segredos que o tempo não revele. “
Jean Racine
Rodrigo
A cada dia que passava eu sentia mais o peso da mentira que mesmo sendo para não bagunçar a cabeça de Noah, crescia em torno de nós. Ficava me perguntando se realmente esse era o único meio para amenizar o impacto que seria para ele a verdade.
Entendia toda a preocupação de Juliana, mas por outro lado eu sabia que a vida dá voltas sempre para nos trazer aonde ela quer nos levar. E tinha medo do que isso significaria para meu filho em um futuro tão próximo.
Saber que com sua inocência ele me queria como pai me encheu de esperança. Isso só me fazia ter mais a certeza que o que estávamos fazendo era ainda mais cruel. Tenho certeza que Juliana também devia estar se sentindo assim, porque de alguma forma ela recuou em relação a mim.
Hoje irei com Noah ao cinema. Juliana terá uma conversa com os pais que vinha adiando, mas que sabia que inevitavelmente chegaria. Até cogitei a hipótese de participar, porém entendo que esse momento deverá ser somente deles. Sei que não será fácil para ela estar diante da mãe. Pelo pouco que ela deixa escapar nas conversas que temos, sua relação com a mãe nunca foi das melhores.
Espero que esse seja o primeiro passo para que as mentiras sejam dissipadas e que estejamos caminhando para a verdade.
(...)
- Não esquece o que a mamãe pediu, filho. – Juliana há quase meia hora conversava com Noah. – Sempre obedece o Rodrigo e nem por um momento sai de perto dele tá?
- Confia em mim, mamãe! Eu sou um menino grande. – falou todo cheio de si para a mãe aflita. – Vou tomar conta direitinho do Rodrigo e se quiser trago até balinhas para você.
- Confio em você, meu amor. Só são coisas de mãe tá? –
- Ih, Noah... – tentei brincar para que Juliana se tranquilizasse um pouco. – As mães são assim mesmo. Cuidam de nós até quando já somos grandes. D. Ana não é diferente. Agora vamos? – peguei em sua mão e vi Juliana ficar com os olhos marejados. Sei que é tudo novo para ela também, mas quero que confie em mim. Veja que sou capaz de protege-lo da mesma forma que ela fez até hoje. Juliana precisa entender que não está mais sozinha e que pode dividir comigo toda a responsabilidade que carregou sem ter com quem dividir.
- Divirtam-se! E qualquer coisa, Rodrigo – senti um tremor em sua voz – Liga. Vou estar aqui resolvendo aquele assunto.
- Fica tranquila. Não vai acontecer nada e quando você menos esperar estaremos de volta. – falei dando um beijo em sua testa. Era melhor ir de uma vez antes que ela desabasse ali mesmo de aflição.
Juliana
Assim que Rodrigo e Noah saíram, eu procurei me preparar para a conversa que estava por vir. Não tinha mais como adiar. Tinha chegado o momento da verdade e sinceramente não tinha a mínima ideia de como minha mãe reagiria a tudo. Algo me dizia que não seria de forma nenhuma positiva.
Ensaiei várias maneiras de iniciar a conversa e mesmo assim nada parecia bom. Nem tinha como ser. Conhecendo os valores que minha mãe tinha como certos, aquela situação passava longe disso. Sei que no final das contas ela sempre acharia um jeito em que tudo parecesse errado.
Já não era fácil ter que lidar com seus olhares que só me repreendiam. Agora era fato que ela encontraria alguma coisa para que parecesse leviana toda a situação. Iria fazer parecer que naquela história havia uma vítima e com certeza seria ela própria. Afinal se perguntaria onde tinha errado em minha criação e se faria de crucifica pelos meus atos “ profanos” de ter me entregue a um desconhecido e ter tido, ainda por cima, uma consequência. Não me iludia de achar que seria diferente. esperava que pelo menos meu pai não me visse também dessa forma, porque lidar com o que minha mãe achava de mim já não era problema há muito tempo, mas me matava saber que meu pai podia enveredar pelos mesmos caminhos.
Logo a campainha tocou e com ela se esvaiu o pouco de coragem que eu carregava. Não sei bem o motivo, mas queria que naquele momento Rodrigo estivesse pensando em mim. Queria que seu pensamento me desse força.
- Espero que o que realmente nos trouxe aqui seja importante. – essa foi a saudação de uma mãe que não via a filha há muito tempo. Não teve nem um olá antes disso. E ver o olhar de meu pai sobre ela só piorou as coisas. Mesmo que precisasse de seu apoio, não queria que com isso alguma coisa entre eles mudasse por minha causa.
- Filha, que saudade! – foi naquele abraço de meu pai que me senti pronta para não recuar.
- Vamos entrar. – dei passagem e comecei a rezar.
- E o menino? – nem mesmo o nome do meu filho parecia ser digno de pronunciamento para ela.
- O Noah, seu neto, foi ao cinema. – procurei parecer o mais calma possível – Achei que seria melhor que essa conversa fosse longe dele.
- Pelo visto vem algo cabeludo por ai. – falou passando o dedo na mesa de centro procurando uma mísera poeira para ser o motivo de mais um descontentamento causado por mim. – Espero que não seja outra gravidez sabe-se lá de quem.
- Maria! – o tom de voz de meu pai denunciou que hoje o dia não terminaria bem.
- Ora, não vejo motivo para não ser sincera. – ela nunca se dava por vencida. – Afinal acho que Juliana sabe muito bem o que penso a respeito da vida que vem levando.
- E que vida venho levando, mamãe? – paciência tinha limite. – Se está referindo-se ao fato de ter uma filha mãe solteira que trabalha dignamente para criar o filho, posso até entender.
- Por favor! – meu pai falou em um tom de súplica. – Viemos aqui para conversar e é isso que iremos fazer. Maria, a nossa filha já sabe de todas as suas queixas. Acho que ficar repetindo não vai fazer com que desapareçam.
- Tudo bem, mas podemos logo saber o que nos trouxe aqui? O que será que você tem de tão importante para fazer com que nos chamasse? – por mais que eu tente enxergar naquela mulher a mãe amorosa que tive um dia, não consigo. – Acho que seu pai deve ter avisado que tenho compromissos que não posso estar adiando desnecessariamente.
- Pensei que pelo menos pudéssemos saber um pouco mais de como anda a vida da outra, mas acho melhor ir direto ao ponto. Afinal não tem o porquê né? – não iria mais adiar. Sabia que qualquer palavra dita por mim seria logo distorcida por ela.
- Ótimo! Pode pelo menos nos oferecer uma água? – nem respondi e tratei de sair indo em direção a cozinha. De lá pude ouvir meu pai tentado mais uma vez fazer com que ela deixasse de me julgar pelo que havia acontecido no passado.
Quando voltei notei que ele já não estava mais sentado ao seu lado. Agora se encontrava de pé e sua respiração pesada mostrava seu descontentamento com o rumo com que as coisas haviam começado.
- Pai, senta aqui por favor. – pedi e a forma como ele me olhou passou a segurança que eu estava buscando. – Não sei de que maneira o que vou falar vai parecer para vocês, mas por mais que seja uma adulta e governe minha própria vida, devo participar o que aconteceu com vocês. Talvez me perguntem o motivo disso não ter ocorrido há seis anos atrás, mas realmente não tinha como ter acontecido antes.
As palavras foram saindo quase que como uma enxurrada. E na mesma proporção eu via os olhos de minha mãe mais acusadores. Contei tudo que por anos guardei só para mim e por último veio a revelação sobre Rodrigo.
Meu pai mesmo calado parecia não se espantar com nada. Pude ver até um sorriso de canto quando falei que naquela hora Noah estava na companhia do pai. Minha mãe por outro lado praticamente trovejou levantando do sofá. Sua altivez parecia ainda mais imponente diante de mim. Era como se ela estivesse olhando para o mais vil dos seres humanos.
- Eu me pergunto o pecado que cometi para passar por isso. Já pensou o tipo de mãe que a família desse homem deve achar que sou? – estava demorando para que tudo girasse em torno dela. – O que devem achar de você? No lugar deles eu nem saberia como agir.
- A família a que a senhora se refere. – por mais que tentasse entender o que ela estava sentindo, não lhe daria o direito de falar daquela forma. – Tratou-me muito bem quando estive lá. Embora tivessem todo o direito de me julgar e não acreditar em uma palavra que eu dissesse, me acolheram.
- A coisa só piora, Gilmar! – ela agora já estava aos gritos. – Que tipo de gente é essa para achar tudo isso normal?
- Vamos manter a calma – meu pai pedia, embora soubesse que era quase impossível. – A Juliana nos chamou aqui para que nós a apoiássemos e não para ouvir cobranças e julgamento.
- Apoiar um absurdo desse? Você só pode estar louco! Eu escuto da minha filha que ela engravidou de um desconhecido e que esse mesmo desconhecido agora mesmo está bancando o pai amoroso e você me pede calma? – ela saiu em passos marcantes em direção a porta abrindo-a como se estivesse querendo sair do inferno. – Não compactuei com a situação antes, agora é que não irei mesmo.
- Mãe, não estou pedindo que compactue com nada. – tentei falar controlada, mas meu tom só se elevava a cada palavra. – Estou apenas esclarecendo tudo o que a senhora tanto me cobrou. Sinceramente não estou atrás de sua aprovação aos meus atos. Disso já desisti faz tempo. Só queria que as coisas ficassem claras e que não houvesse mais nenhum segredo.
- Você realmente não seria tão burra ao ponto de achar que eu te daria os parabéns pela sua atitude que considera louvável. Não pensaria tão pouco de você assim.
- Quando você vai perceber que as atitudes que tomo não são para te atingir? – nem sei em que momento começou, mas eu já falava em meio ao choro. – Até entendo que seja difícil para qualquer um entender tudo, mas você é minha mãe. Aquela criança que você nem se digna a pronunciar o nome é seu neto. Seu único neto. Uma criança que você é incapaz de ter um ato de carinho. Uma criança que para você não significa nada.
- Não venha querer me culpar pelos seus erros!– os gritos ecoavam em todo o andar. – Eu criei você da melhor maneira possível. Mostrei todos os valores. Se você se tornou essa pessoa que vejo na minha frente, não foi por falta de bons exemplos.
- Eu nunca disse que a culpa era sua. Nem tem culpa em tudo isso. – meu Deus! Será que algum dia eu ouviria algo de bom vindo da minha mãe? - Eu só te peço que não me julguei. Peço que tente entender tudo que aconteceu. Não pensando como uma estranha, mas sim como a minha mãe.
- Você errou e continua errando, Juliana. Vai enganar aquela criança até quando? Vai deixar que ele conviva com o próprio pai sem saber por quanto tempo? Ou será que é esse tal de Rodrigo que não deseja ser pai e apenas está brincando de casinha até se cansar e sair por essa porta sem volta? Você deveria ter dito ao seu filho a verdade. Era muito fácil dizer : Rodrigo é seu pai, Noah!
Depois dessas palavras tudo aconteceu como um borrão. Ouvi o grito de Noah e seus passos ficando cada vez mais distantes. Vi Rodrigo paralisado na minha frente. Meu pai tentando segurar uma mulher raivosa que jorrava xingamentos e senti meu coração parar.
O que pareceu uma eternidade foi o tempo que minhas pernas voltaram a obedecer o comando e eu sai em desespero atrás de meu filho. Só queria pegar meu menino no colo. Queria tê-lo em meus braços e dizer que tudo ficaria bem, mas o que veio a seguir levou tudo de mim embora.
Como que em câmera lenta eu ouvi o barulho ensurdecedor de um carro tentando frear, o corpo de Noah se chocar no asfalto molhando. Ouvi gritos de pessoas que saiam de todos os cantos e o desespero de Rodrigo correndo ao encontro de nosso filho tão frágil parecendo sem vida.
Não podia deixar de desejar a cada uma que dedicou um pouco de seu tempo para ler minhas estórias um FELIZ e ABENÇOADO Natal. Beijos
Vivi!!!! Que saudades de você e de suas fics! Espero que esteja tudo bem com você! Um beijo no coração, Li 😘❤
Oi Li. Tudo bem sim. Logo retorno com capítulos 😘😘😘
Oi!? Saudades daqui. 😘
À F L O R D A P E L E - 10
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RodrIgo
Sabe o que mais me excitava no olhar que Juliana me dava no caminho de volta para sua casa? A intensidade que ele me transmitia. Pode até parecer sadismo, mas ela era capaz de despertar em mim o mais primitivo que eu tenho guardado. Juliana me deixa revelar a minha verdadeira essência, nua de qualquer julgamento. Apenas o que sou e isso me fascina ao mesmo tempo em que me faz temer como o diabo. Perto dela os preceitos são jogados na lona. Um nocaute eletrizante entre o anjinho e o diabinho.
Noah parecia cansado, mas nem por um momento largou seu presente e pelos cochichos que eram destinados a Suzi, acho que felicidade maior seria incapaz de alguém proporcionar.
- Se morássemos juntos acho que teria que disputar com a Suzi a sua casinha essa noite. – falei baixo o suficiente para que só ela escutasse.
- Não subestime a minha ira Rodrigo. – sua voz foi quase cortante – A casinha da Suzi ainda estaria muito próxima de mim. Nesse caso você estaria disputando uma vaga para uma viagem à Lua, para ser no mínimo realista.
- Confia em mim. – pedi com esperança. – Não passaria por cima de uma decisão sua nem que isso significasse um sorriso sincero dele.
Juliana me olhou e vi que havia dúvidas em seus olhos e eu não a culpava. Afinal mesmo tendo um filho juntos, muitas coisas deixavam claras que ainda éramos desconhecidos um do outro. Deve ser angustiante colocar a felicidade de seu filho nas mãos de uma pessoa que mesmo sendo seu pai era uma presença recente em sua vida.
Quando descemos do carro Noah não tardou a sair correndo sendo seguido por Suzi. Era tão fácil ser criança. Não havia receio em nada. Tudo parecia ser o momento mais importante da vida, até um simples latido despertava o sorriso dele.
Esperei que ela cuidasse de Noah ficando na varanda com uma Suzi praticamente desacordada. Acho que encontramos alguém que a canse. Ria olhando para ela deitada ao meu lado com meio palmo de língua para fora.
- Agora somos somente nós dois. – ouvi Juliana atrás de mim. – Você pode me explicar o que pretende fazer dando ao Noah aquele presente sem me consultar? – a loirinha tá brava! Segurei na mão de Deus e comecei.
- Sei que a situação não parece estar ao meu favor. – procurei ficar calmo – Mas antes de qualquer coisa saiba que eu tenho uma boa explicação para tudo isso.
- Estou esperando. – Caralho! Essa mulher é sem dúvidas a minha morte.
- Não vou dar um cão a Noah.
- Não? E o que significa aquele presente? Por um acaso não acha que crianças comem naquilo, né?
- Você pode parar de sarcasmo e me ouvir? – ela apenas concordou sem muita vontade. – Sei que com a rotina que você tem seria impossível criar um animal, mas sei também que esse é o maior sonho do Noah. Então pensei numa maneira de realizar pelo menos de uma forma paliativa essa vontade dele.
- Rodrigo, Noah não tem uma doença que precise ser tratada. – ela conseguiu ficar ainda mais brava. – Sei que para uma criança um NÃO deve ser como o fim do mundo, mas sei também que ela tem que entender as minhas razões para isso.
- Não disse que ele está doente e nem por um momento te fiz a bruxa má por não dar a ele um cão, Juliana. – Dai-me paciência Senhor! – Eu só quero que através da Suzi ele comece a entender e aceitar que pode ter duas casas.
- O que? – ela quase gritou. – Meu filho não vai ter duas casas!
- Ele já tem Juliana. – mesmo querendo entender sua atitude eu já estava me descontrolando. – Eu não moro aqui e a minha casa também é dele esqueceu?
- Eu... eu – agora espero que fique quieta e me deixe terminar de falar.
- Não vou forçar nada, mas você tem que entender que também não vou ficar esperando que o mesmo acaso que nos juntou novamente faça o meu filho me aceitar como pai. Concordei que as coisas devem acontecer sem pressão, mas entenda que está sendo muito difícil para eu ter tão perto e ao mesmo tempo tão longe um filho. Eu tenho medo que quando ele descubra acabe me culpando por uma mentira que foi imposta a mim. O que será que ele vai dizer quando perceber que eu omiti dele a verdade que mais espera? Pensa que é fácil ouvir o seu filho falar de você com tanta admiração e não poder se emocionar com isso?
- Desculpa... – vi tristeza em seu olhar e isso queimou dentro de mim.
- Não existem culpados para que seja preciso um pedido de desculpa, Juliana. – me aproximei mais calmo. – Só temos que descobrir como fazer as coisas se encaixarem na cabecinha dele. Temos que fazer juntos entendeu?
- E onde a Suzi se encaixa nisso? – finalmente decidiu deixar que eu explicasse.
- Eu e o Noah teremos a guarda compartilhada dessa pestinha aqui. – apontei para Suzi que já devia estar no décimo sono. – Vamos fazer de uma maneira que funcione para todos. Assim estaremos nos aproximando sem forçar a barra.
- Rodrigo, ele vai se apegar a ela. – só não conseguia entender o mal que havia nisso. – E se um dia você acordar e descobrir que está pesado demais? E se você pensar que acabou caindo em uma história que não era para ser sua? Como ele vai ficar.
- Juliana, eu não posso te garantir o que acontecerá depois do agora. Já vi promessas voarem mais rápidas do que o vento, mas eu só posso te assegurar que o amor que tenho aqui dentro por ele é maior do que tudo. Um filho não é uma roupa que enjoamos e deixamos esquecidas no fundo de uma gaveta. Porra! Será que você me toma por tão pouco? Eu te procurei por seis anos. Eu te vi em cada mulher que sorria pra mim. Fui taxado de maluco e confesso que cheguei a acreditar nessa hipótese. Pedia uma única chance de te encontrar para te arrancar da minha cabeça, mas diferente de qualquer diagnóstico, não era desejo insano, era amor Juliana. Um amor que você mede com pesos mínimos. Um amor que você duvida por qualquer coisa.
- Eu sou complicada demais para se amar, Rodrigo. O que quero que você entenda é que já nem me importo com o meu coração. Eu só não quero que o do Noah seja quebrado. – lágrimas ameaçavam cair em seu rosto – Eu posso lidar com a dor de perder você, porém não sou capaz de suportar ver meu menino deixado pelo caminho.
- E quem te assegura que será o que eu sinto por você que irá acabar? Já pensou que talvez eu seja um caso perdido para você? Já pensou que quando me conhecer mais a fundo você possa sair correndo para longe? – ela negou – Pois eu penso em tudo isso. Eu temo tudo isso agora, mas nem que seja por breves momentos eu te quero do meu lado. Eu preciso e anseio ser amado por você. É o seu toque na minha pele que quero sentir. São seus beijos que me fazem sentir um turbilhão de sensações que nunca senti antes. É você Juliana. Somente você. Então não venha me falar de medo, porque eu também sinto isso como um louco, mas muito maior do que todo esse medo é o que você me faz sentir.
Juliana
Eu queria ter apenas a certeza que não seria passageiro para que eu voasse sem medo nesse horizonte que ele me apontava e que era o que eu mais ansiava, mas Rodrigo tinha razão. O amor não nos dá a garantia de uma duradoura felicidade e naquele momento, ouvindo suas palavras eu me dei conta que seria uma tola se recuasse. Quanto mais medo eu sentisse, mais longe eu ficaria de mim e do homem que eu queria.
Usar o Noah para apaziguar seria no mínimo cruel. Privar meu filho do que Rodrigo estava querendo lhe dar era maldade e pura covardia de minha parte. Finalmente havia entendido isso.
Depois que Rodrigo se foi e comecei a mergulhar no universo canino. Suzi seria uma hóspede bem tratada se dependesse de mim. Era engraçado como a racionalidade de Rodrigo para encarar os fatos e seguir em frente me fazia enxergar ainda mais o quão perfeito pai ele era.
Dias depois...
Ontem tivemos a nossa primeira experiência noturna com Suzi. Acho que Rodrigo não imaginou o tanto que sentiria falta dela. Prova disso foram as ligações na madrugada para saber se estava tudo bem.
Noah estava radiante de cuidar dela e foi difícil convencê-lo a não dormir junto dela. Vendo agora a alegria que essa cadela trouxe para meu apartamento eu cheguei até a sentir arrependimento de não ter um companheiro de estimação antes.
- Filho, Rodrigo já deve estar chegando. – falei alto para que Noah me ouvisse de seu quarto e ele logo veio correndo com uma bola desastrada e peluda atrás.
- Mamãe, tive uma ideia genial. – ele ria enquanto Suzi pulava em suas pernas.
- E qual seria essa ideia? – falei curiosa
- O Rodrigo pode muito bem morar aqui com a gente. – quase cuspi o suco que estava bebendo. – Assim ele não vai ficar triste por ficar sozinho. Meu quarto é grande e ele pode dormir na minha barraca.
- Filho, não é assim que as coisas funcionam. – me agachei para lhe olhar bem nos olhos. – O Rodrigo gosta do apartamento dele
- Eu sei, mas acho que ele gosta muito mais de mim e de você. – falou simplesmente – Será que meu papai ficaria muito triste se eu quisesse que o Rodrigo fosse meu pai?
Agora eu sabia o que era ficar sem palavras. Noah foi tão naturalmente ao expressar seu desejo que fiquei tonta. Mesmo amando muito meu pai, ele nunca havia cogitado essa substituição com ele. Era verdade que a cada dia ele e Rodrigo se entendiam mais e que muitas vezes eu acabava me achando deixada de lado, mas aquilo era um desejo sincero dele. Era uma preocupação com o bem estar de Rodrigo e era lindo e emocionante de se ver, mas ao mesmo tempo me fez sentir o estômago retorcer dentro de mim. Mesmo querendo preservá-lo eu estava privando meu pequeno da verdade. Uma verdade que ele mesmo sem saber estava aceitando em seu coração. O amor do filho pelo pai estava falando mais alto e eu seria burra de não ouvir.
- Gostou da minha ideia mamãe? Posso falar com o Rodrigo? –antes que eu respondesse a campainha tocou e Noah saiu correndo para a porta. Tive que ser rápida para cortar qualquer palavra a respeito da ideia de Noah. Sei que Rodrigo iria ficar feliz, mas assim como eu também poderia ser pego de surpresa e ficar sem reação.
Rodrigo olhou engraçado para mim quando eu comecei a falar sem parar de como o dia tinha amanhecido lindo. De como Suzi era obediente e comportada. Realmente eu parecia uma louca sem filtro, mas pelo menos Noah não se lembrou de falar da tal ideia com Rodrigo.
- Não é por nada. – Rodrigo sussurrou no meu ouvido enquanto Noah colocava a coleira em Suzi – Mas você está se sentindo bem?
- Estou ótima. – confesso que tive vontade de cair na gargalhada, mas fiquei como medo de Rodrigo querer me internar numa camisa de força. – Tenho uma coisa pra te contar e aposto que vai ficar ainda mais estranho do que eu.
- Tenho até medo. – ele riu
- Estamos prontos. – Noah nos interrompeu
(...)
Mal Noah desceu do carro e Rodrigo impaciente me perguntou o que estava acontecendo. Tenho certeza que ele suspeitava que fosse algo relacionado com o filho, mas nem imaginava que seria tão bom.
Decidida a por fim na sua curiosidade eu comecei a falar com calma e a medida que as palavras juntas formavam as frases eu via o brilho nos olhos de Rodrigo se intensificar formando gotículas que começaram a percorrer seu rosto no caminho até seu pescoço. Eu me dava conta do quanto ele precisava ouvir aquilo do Noah e o arrependimento me bateu como uma porrada na cara. Duramente cruel.
M E U M E D O É V O C Ê 01
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“ Minta o quanto quiser, para si, para todos, mas não mintas para mim. Palavras não mudam nossa alma, nossa alma solitária ama e ela descobriu que precisa estar ao lado uma da outra. “
Deisy Monteiro
Rio de Janeiro, quatro meses depois...
Juliana
Rafaela falava sobre seu primeiro dia no hospital e eu tentava me concentrar em tudo o que ela dizia, mas esses últimos meses não posso considerar como os melhores e mais calmos de minha vida. Filha única de uma família muito amorosa, eu sempre acreditei que um final feliz sempre fizesse parte dos planos. Confesso que mesmo uma romântica ainda não tinha tido o prazer de sentir as tais borboletas flutuantes no estômago. Não tinha até que eu o vi e tudo o que eu havia de mais organizado em minha vida entrou num turbilhão. O simples gesto dele mexia comigo e isso seria apaixonante se “ele” não fosse o primo quase irmão de meu namorado. Ok Universo! Já aprontou a confusão, agora trate de avisar ao meu coração que é impossível.
Tudo parecia certo e errado ao mesmo tempo. Tudo fazia sentido quando eu via a intensidade de seu olhar, mas tudo também se complicava quando um letreiro luminoso me dizia quem ele era.
Por pouco não me arrisquei naquela tarde. Minha necessidade de sentir seus lábios quase me fez perder a cabeça. Eu não teria recuado se Rodrigo não tivesse me olhando com tanta culpa.
E ele partiu...
Partiu levando sentimentos que afloraram, mas que não foram vividos. Partiu deixando a bagunça dentro de mim. Deixando a saudade que eu jamais pensei que seria possível sentir. Partiu e levou tudo de mim com ele. O que me restava era ser sincera principalmente comigo. Embora a dor e acusações de Raul segurando aquele anel ainda me assombre nos sonhos, foi o melhor que poderia ter feito por nós. Eu o trai. Trai sem nem ao menos saber. Trai quando meu coração encontrou o seu dono. Apenas trai.
De tudo e de todos restou apenas Rafaela. Senti a malícia das pessoas assim que já não era mais a namoradinha do bom partido. Fui taxada de louca, infiel, aproveitadora. Senti a crueldade de quem eu pensava ter a amizade, mas sobrevivi e estou aqui para contar a história. Meio aos pedaços, mas aqui.
- Então agora eu só queria saber se posso treinar em você algumas artes com o bisturi? – concordei com um sorriso ensaiado no rosto e Rafaela caiu na gargalhada.
- O que foi? – além de tagarela ainda era louca.
- Juliana, eu acabei de te pedir para ser a minha cobaia e você prontamente aceitou com um sorriso. Estava perdida em Boston?
Isso aí. Rafaela sabia tudo o que tinha acontecido e nunca me recriminou por isso. Na verdade o que ela fez foi me levar ao aeroporto com uma passagem nas mãos. Essa louca queria que eu fosse atrás dele mesmo sabendo que Rodrigo não tinha deixado promessas.
- Desculpa Rafa. – me senti culpada
- Você sabe que pode acabar com isso né?
- Poderia até acabar com algo se existisse ALGO. – pela milésima vez falava na esperança que ela entendesse.
- Julieta! Ops! Juliana. – a debochada ria – Pode não ter existido juras, mas algo existiu sim. E pode parar de falar que jamais faria isso com o piolho elétrico do Raul, porque esse já está bem feliz ao lado da girafa da Bel.
- Eu sempre desconfiei que ela sentisse algo por ele. – não esqueci o sorriso vitorioso dela quando soube que eu e Raul já não éramos mais um casal.
- Enquanto você desconfiava eu tinha era certeza. – Rafaela falou levantando e indo até a cozinha do apartamento que dividíamos no Recreio. – Aquela lá só faltava jogar pimenta na piriquita e servir como uma rara iguaria para o Raul. Sempre soube que era uma biscate.
- Biscate ou não é com ela que ele está e espero que seja feliz. Ainda tenho a esperança que ele um dia me perdoe.
Nunca tinha me sentido realmente apaixonada por Raul, mas estar com ele me passava proteção. Acho que meu erro foi confiar que um dia o fogo acendesse.
- Só não dou na sua cara, porque preciso estar belíssima e minhas unhas fazem parte do conjunto sedução. O Raul tem que te perdoar de que? Acorda Juliana! Namoros acabam a cada segundo. Lares são desfeitos num piscar de olhos e o pior, pessoas morrem a todo o momento. Francamente, o Raul fez um drama desnecessário com o término do namoro. Eu sei que ele é um cara legal, mas exagerou e fez aqueles idiotas comprarem a desilusão dele como uma certeza.
- Eram amigos dele antes de serem meus. – rebati
-Amigos? Você chama um bando de alienado de amigos? De amigos assim eu quero é distância. – Rafaela voltou para a sala com um pote enorme de sorvete nas mãos. – Quer saber? Bem feito para ele. Um covarde isso sim. Aliás, acho que isso faz parte do gene da família. Um chora feito uma mariquinha abandonada depois de perder a pureza e o outro não tem pau para assumir riscos. Gideon deveria fazer escola para esses machos metidos à alfa.
- Você só esquece que Gideon existe nas páginas de um livro. – a paixão de Rafaela por Gideon era até cômica.
- Quem disse? Para seu conhecimento cada personagem de um livro teve uma inspiração para ser composto. Aposto que o Gideon anda por aí molhando várias calcinhas sortudas.
- Só queria ver sua cara se essa inspiração viesse de um senhor de setenta anos com uma bengala de apoio.
- Juliana, minha flor. Se o Gideon tiver uma bengala eu te garanto que deve ser um bengalão. – caímos juntas na gargalhada.
Dias depois...
- RAFAELA MENDES! – entrei gritando e minha amiga saiu do banheiro toda ensaboada derrapando pelo corredor.
- Deixa só eu pegar meus bebês. - ela correu para o quarto. – Eles não podem virar combustível de incêndio.
- Que incêndio sua louca? – essa até eu não entendi.
- Então para quê esses gritos se uma tragédia não bateu a nossa porta? – ela finalmente parou de alarme e me avaliou com cara de poucos amigos.
- Eu consegui amiga! – falei deixando toda a emoção me tomar. – Il mondo sarà piccola, principessa*.
- AMIGA! – Rafaela correu e juntas caímos abraçadas no chão da sala. Finalmente as coisas pareciam andar novamente na minha vida. Esperei por essa chance quase dois anos. Fazer esse curso na Itália seria um salto enorme para a minha carreira. Seriam seis meses me especializando com os melhores na fotografia. Tendo como refúgio um país deslumbrante. – Eu vou morrer de saudade, mas posso não entrar em depressão se você me prometer trazer na bagagem um italiano quente que seja mestre na arte do chicotinho.
Agora era me preparar para novos dias. Deixar a mente aberta para possibilidades e tudo ganharia seu rumo. Quem sabe algo mais esteja a minha espera por lá? Em poucos dias eu descobriria isso.
Enquanto isso em Boston
Rodrigo
Finalmente estou em meu apartamento. Com a expansão da agência em mais duas filiais, trabalho é o que não me falta. Agradeço muito por assim ter a mente ocupada pelo menos doze horas por dia que não seja pensando em tantos “se”.
Desde que voltei do Brasil adquiri essa síndrome. Penso em como seriam as coisas se eu não tivesse resolvido viver fora. Será que tinha a conhecido antes de Raul? Penso como estaria agora se tivesse tido coragem e levado a vontade gigantesca de beijá-la a diante. São tantos “se” que tenho me isolado até mesmo da minha família. As ligações que antes eram feitas quase que como uma prece noturna, agora sentiam a escassez como em uma seca. E mesmo quando eram inevitáveis, me limitava apenas em saber como os meus pais estavam e sempre inventava algo para desligar.
Pelo menos agora uma desculpa verdadeira iria fazer parte do meu repertório. Como Alexandre, o CEO da agência, estava prestes a ser casar eu teria que supervisionar os primeiros meses de funcionamento da filial na Toscana. Talvez a Itália me fizesse bem, ao menos era isso a que eu estava me apegando nos últimos dias. Além do que essa confiança que foi depositada em mim era quase que como um bilhete premiado. Com tão pouco tempo de agência isso equivalia muito mais do que uma grande promoção.
Estava checando os últimos detalhes que me foram passados quando Enrico, um dos publicitários que faria parte do quadro da agência na Itália me ligou. Ele era um grande amigo de Alexandre e através dessa amizade nos conhecemos. Enrico me ofereceu seu apartamento por esses meses. Segundo ele seria interessante voltar para a época da faculdade e se sentir no campus novamente. Só queria entender como um marmanjo de quase trinta anos sentia saudades da época em que ralávamos como loucos e perdíamos a consciência em festas regadas a muita bebida e orgia. Tem gosto e louco pra tudo né?
- O que manda Enrico? – já atendi rindo. Nossas últimas conversas tinham girado em torno de como eu iria fazer sucesso com as principessas.
- Mio caro* Rodrigo. – Enrico tentava reprimir seu italiano quando conversava. Como era filho de uma legítima mulata carioca e um italiano, não era difícil entender o que ele falava, mesmo que muitas vezes fosse uma mistura de inglês com italiano e português na mesma frase. – Ligando pra perguntar se está ultrapassado o concurso da camiseta molhada.
- Quê? – pelo entusiasmo de Enrico acho que o que menos iremos fazer é trabalhar. – Presta atenção amigo. Vamos deixar a testosterona um pouco de lado tá bem? Foca na agência e as principessas serão nosso lucro.
- Ragazzo*, já falaram pra você que as diversões é que geram os trabalhos e não o contrário?
- Acho que há um equívoco aí, mas tudo bem. Chego aí na próxima sexta e então ajeitaremos os ditados populares. – ri
- Não esqueci Rodrigo. – pelo tom de sua voz ele estava aprontando. – Tenho certeza que irá ficar bem à vontade com a recepção que te espera.
- Tenho até medo de perguntar que tipo de recepção será essa. – realmente um frio gelado me bateu
- Calmare mio caro*. – pedir calma é fácil quando não se está com a sensação que está prestes a ser estuprado. – Ficaras felice* e muito soddisfatto*.
- Quero pelo menos ficar vestido nessa recepção. – gargalhamos juntos.
Depois que desliguei fui encarar as malas. Em poucos dias estaria em uma nova jornada. Espero que nela possa reencontrar o Rodrigo de antes e tomar pulso da minha vida novamente. Uma hora ela iria ter que abandonar minha mente e coração ou me foder de vez.
* Il mondo sarà piccola, principessa. – O mundo será pequeno, princesa
* Mio caro – Meu caro
* Ragazzo – Garoto
* Calmare mio caro – Calma meu caro
* Felice – Feliz
* Saddisfatto – satisfeito
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Oi meninas!!! Como a Vivi está meio que de volta ao tempo da pedra, fizemos uns malabarismos e eu, Tati, vou postar hoje para vocês. Beijos e aproveitem a leitura.
DON´T LET ME GO
Rodrigo
Realmente eu precisava jogar conversa fora com meus amigos. Não que eu fosse voltar a viver sem limites, isso já tinha ficado para trás, mas de vez em quando um homem sério precisa de uma válvula de escape do “mundo dos negócios”.
Aos vinte e sete anos eu já me sentia um velho com tanta responsabilidade que me foi atribuída depois do acidente vascular sofrido pelo meu pai há mais ou menos dois anos. Joguei-me de cabeça naquela empresa, porque sabia que devia isso a ele e de certa forma a mim também. Precisava provar que eu era capaz de manter o império da família Simas intacto e é isso que venho fazendo da minha vida.
Meus amigos chegaram até a fazer apostas sobre o tempo que duraria a minha nova fase executivo. Soube por Diego que Giovana foi a única que lucrou nessa loucura. Talvez por ser minha melhor amiga e a mais perto de conhecer o meu EU verdadeiro.
Conhecemos-nos desde nossas primeiras palavras desconexas. Quando seus pais resolveram voltar ao Brasil depois de anos morando em Londres e se tornaram nossos vizinhos eu ganhei uma amiga para a vida toda.
Foi para mim que ela ligou quando um trágico acidente aéreo vitimou sua cunhada. Foi em meu ombro que ela despejou sua angustia pela sobrinha que tinha ficado órfã. Eu devia esse apoio a ela e não iria falhar. Iria estar ao seu lado naquele final de semana e finalmente iria conhecer a sua pequena.
Era assim que ela se referia a sua sobrinha de dezenove anos. Segundo Giovana, depois do acidente algo tinha se perdido para sempre naquela garota. Pelas conversas que me lembro, Juliana, como se chamava, era uma garota doce e amável. Amava dançar e para Giovana era a pessoa mais pura do mundo, mas agora parecia passar um inferno e toda a sua bondade tinha se transformado em rebeldia e ódio do mundo. Algo nisso me fazia querer conhecê-la. Algo me puxava para aquela praia muito mais do que a minha lealdade a Giovana. Isso me perturbava por dias, mas logo eu iria descobrir o porquê.
Estava levando minha pequena bagagem para o elevador quando meu celular vibrou em meu bolso. Sorri já imaginando do que se tratava. Só podia ser a única pessoa que mesmo contra o tempo ainda insistia em me achar um bebê, minha mãe.
- Fala dona Ana. – era impossível não sorrir
- Filho desculpa – podia ver mesmo que a quilômetros de distância que ela devia estar corada de vergonha por saber que eu ria – Mas é que como você não vai vir almoçar aqui amanhã, eu queria ouvir sua voz e pedir que você me prometa que vai se cuidar.
- Claro que vou. Na verdade estou pensando em pedir para alguma nativa gostosa tomar esse cuidado por mim. Cuidar de mim direitinho e quem sabe até me dá leitinho.
- Me respeita moleque! – por mais que tentasse parecer séria eu sabia que estava morrendo de vontade de rir.
- Vamos combinar uma coisa? – deixei a brincadeira de lado – Ligo a cada duas horas para que seu coração fique em paz.
- Obrigada meu amor. – senti o alívio em sua voz. – Amo você.
- Amo você.
(…)
A casa parecia estar do mesmo jeito de quando éramos criança. Olhei para cada canto minúsculo e as lembranças de minha infância invadiam meus pensamentos me fazendo sorrir feito um bobo. O cheiro de mar e o vento que gelava meu rosto eram o que mais eu senti falta. Depois que crescemos outras coisas passaram a ser prioridade em nossas vidas e aquela casa foi ficando no nosso esquecimento, mas agora aqui eu via o quanto tudo isso tinha me feito falta sem ao menos eu perceber.
Agora ali parado enquanto os outros corriam para escolher o melhor quarto eu me perguntava como mesmo sendo tão próximo de Giovana nunca tinha conhecido sua sobrinha. Lembro-me de Maurício, o filho do primeiro casamento do pai de minha amiga. Lembro que nas poucas vezes que ele veio visitar o Sr. Otto sempre fez questão de se manter longe dos pirralhos, como ele costumava nos chamar somente por sermos bem mais novos do que ele. Na época eu nem entendia, mas agora era visível que estava certo, porque não tinha uma linha tênue entre um jovem de vinte e quatro anos e duas crianças de cinco. A imagem daquele rapaz sempre decidido me veio à memória e eu me peguei imaginando como ele estaria agora. Soube por Giovana que a vida dele parecia ter findado naquele acidente também. Segundo ela o seu refúgio tinha sido o álcool e a distância que estava mantendo da única filha e essa última parte eu não conseguia entender. Na época que meu pai estava entre a vida e a morte naquele hospital eu descobri que o amor que sentia pela minha família era ainda maior. Não consigo me imaginar longe deles e se meu pai não tivesse vencido a tragédia.
- Um centavo por seus pensamentos. – ouvi a voz de Gio e me virei.
- Eles não valem tão pouco, docinho. – adorava irritá-la
- Docinho é a puta que… – bingo! A fúria estava estampada em seus olhos.
- Dona Ana não merece isso. Poxa! Ela gosta tanto de você e nem te achou parecia com o Curupira depois que um balde de tinta vermelha caiu em seus cabelos e te deixou assim.
- Seu idiota! Isso aqui é quente. – falava pegando em algumas mechas que caiam em seu rosto
- Claro que é quente. – ri – Parece que está pegando fogo! Espero que sua sobrinha tenha pelo menos os cabelos normais. Não quero me deparar com uma pirralha parecida com um avatar.
- Ela está bem pior do que isso. – Giovana falou com tristeza
- Ei! O que foi? – a puxei para um abraço. – Estou aqui com você.
- E quem está com ela? – vi seus olhos marejados. – Ela parece tão perdida na dor, mas por mais que eu queira me aproximar, ela fica mais distante. Hoje quando ela chegou eu senti um alívio. De longe tudo parecia normal como sempre foi. Juliana parece um anjo de tão linda, mas foi só eu ver a profundeza em seu olhar para saber que tudo de melhor que havia dentro dela havia sido destroçado.
- Onde ela está? – não sei oque me deu, mas senti uma enorme necessidade de vê-la.
- No quarto e suspeito que ali será seu espaço por todos esses dias. Só o silêncio Rod. Só o silêncio que obtive dela.
- Vem, vamos entrar.
Quando entramos a bagunça essa visível. Nossos amigos já preparavam bebidas e pareciam alheios ao sofrimento explanado em Giovana. Parecia que aquele final de semana iria ser muito longo e que algo estava prestes a mudar em minha vida.
Depois de alguns minutos, Giovana resolveu tentar mais uma vez e subiu para convencer a sobrinha a participar da festa que já havia sido montada lá embaixo.
Tentei tirar meu pensamento da garota que nem conhecia e entrei na bagunça também. Estávamos rindo das piadas de Carlos quando gritos começaram a se sobressair diante da música que tocava. Podíamos ouvir nitidamente as palavras duras que eram gritadas. Meu coração se apertou e o estranho que não foi por Giovana. Foi pela estranha que rondava minha mente.
Apressei indo para as escadas, mas antes que meus pés tocassem o primeiro degrau eu a vi. Eu vi um anjo caído. Um anjo que parecia mais perdido do que qualquer um ali. Eu vi a dor estampada e a fúria dando vazão ao sofrimento e isso doeu.
- Volta aqui Juliana! – Giovana berrava transtornada.
- Me deixa em paz!
- Você não pode sair assim, está de camisola! – Giovana tentava colocar um pouco de sensatez na conversa. – Você parece louca. Seu pai me disse que você estava um caos, mas não pensei que era pra tanto.
- Estou louca sim! Se o problema é essa porra de camisola. – ela parou bem na minha frente e me deu as costas olhando para Giovana que descia as escadas. – Me livro dela rapidinho.
E foi isso que ela fez. Sem nenhuma hesitação e vergonha eu vi a camisola sair de seu corpo expondo marcas roxas por toda a suas costas e barriga. Vi um corpo frágil marcado de forma cruel e isso me fez odiar quem quer que tenha cometido àquela atrocidade.
- Meu Deus! – vi o horror tomar conta de Giovana. – Quem fez isso?
- Seu querido irmão. Acho que ele pensou que castigando meu corpo me puniria pelo mal que causei com a minha existência. Ah! Não se preocupe. – ela ria sem vontade – Isso não causou dor maior do que a que eu já sinto. E mesmo depois que ele saiu me deixando sozinha que o seu sócio eu ainda estava de pé. Tão de pé que fui capaz de mesmo aos prantos deixar um velho imundo excitado o bastante para me estuprar. Viu? Eu sou forte. Ainda estou viva não estou?
Nunca eu havia me sentido tão impotente na vida. Mesmo que eu não a conhecesse quando sua vida foi devastada daquela maneira vil, eu me sentia culpado por não ter estado lá para protegê-la.
Vi Juliana sair e logo Giovana passou por todos tentado detê-la. Olhei ao redor e vi Magda chorando nos braços de Diego. Vi meus amigos sentindo também a dor daquela garota. Mesmo todo sofrimento que eu imagino que ela estava passando não foi capaz de deter sua força e isso me fazia querer estar perto dela e ser seu ouvinte para o que ela estivesse disposta a contar.
- Me solta Rodrigo! – Giovana falou quando a detive antes que ela saísse. – Eu preciso ir atrás dela. Ai meu Deus! Ela pode fazer uma besteira!
- Ela não vai te ouvir. Ver você só vai fazer com que ela sinta mais raiva, meu amor.
- E você quer que eu a deixe por aí sozinha? – ela gritava
- Deixa que eu vou. – ela me olhou espantada – Acredita em mim. Vai ser bem melhor assim. Eu sou um estranho para ela. Uma pessoa que esteve distante de tudo de bom e ruim que ela viveu. É disso que ela precisa ficar longe um pouco de tudo que fez e faz parte da dor dela. – Giovana concordou me abraçando e suplicando para que eu a trouxesse de volta em segurança. Era isso que eu iria fazer. Disso eu tinha certeza.
A praia estava escura e o frio me deu calafrios. Olhei para os lados e nem sinal dela. Já estava ficando desesperado com medo que o pior tivesse acontecido quando bem a minha frente eu a vi entrando no mar. Corri. Corri como se a minha vida dependesse disso. Eu sentia que dependia.
Antes que eu pudesse alcança-la ouvi sua voz e isso me fez parar de súbito.
- Não vou me matar. Sou muito covarde para esse ato que talvez me fizesse ser digna aos olhos de meu pai e aos meus também. Por mais que eu queira, não consigo.
- Acho que covardia não se aplica aqui. – tentei acalmar minha respiração que acompanhava as batidas loucas do meu coração. – Para alguém que ficou na frente de meus amigos tarados só de calcinha e sutiã e nem ao menos tremeu por isso eu daria um adjetivo bem melhor.
- E qual seria? – ela ainda tinha os olhos fixos na agitação do mar. – Louca? Assassina? Egoísta?
MÚSICA
- Forte. – dei um passo – Pura – mais um – Destemida – mais perto eu estava – Linda.Um anjo.
- Você diz isso porque não foi a sua vida que eu destruí. – senti uma vontade enorme de tê-la em meus braços, mas me contive.
- A não ser que esteja diante de uma terrorista, não imagino como possa ter causado aquele acidente.
- O meu egoísmo causou. – ela se virou e vi seu rosto molhado pela dor. – A minha prepotência em achar que eu era especial causou tudo isso. Arrancou do meu pai o seu amor. Deixou-me vazia e hoje eu só o que você vê uma casca podre.
- O que vejo diante de mim é alguém que sente a dor e perda do outro mesmo esse outro tendo sido tão desumano ao ponto de te deixar com essas marcas. – foi mais forte do que eu as toque e diferente dos livros não foi uma eletricidade que me tomou. Foi uma paz que quase me fez engasgar. – O que eu veio é um anjo que está perdida na dor, mas que mesmo assim luta para se encontrar.
- Seus olhos estão te enganando, fazendo você ver algo que não existe mais. Algo que mesmo que eu não queira se foi naquele acidente. Mesmo que você se engane, eu sei que é isso que eu sou.
- Vem cá. – a puxei vendo seu corpo tremer de frio e tristeza. Desconfio que precisasse daquele abraço muito mais do que ela. Quando seu cheiro doce invadiu minhas narinas eu respirei vida. A vida que eu queria para mim agora mais do que nunca. – Deixa tudo que está aqui dentro sair? Dividi comigo essa dor. Não consigo te explicar, mas eu sinto que ela é minha também. De alguma maneira estranha eu preciso te ouvir.
E foi isso que ela fez. Quando sentamos naquela areia eu fui o seu ouvinte. Fui seu cúmplice na dor. Seu amigo mais próximo. Aquele que a cada palavra sentia por ela. Aquele que estava ali somente por ela.
Juliana falou de como a culpa lhe dominava. Expos a tristeza que a matava pela falta da mãe. A culpa pela ausência e sofrimento do pai. Ela contava como estava feliz naquele dia. Contava como queria que sua mãe estivesse com ela em sua primeira apresentação solo. Falava de como a dança era importante na vida das duas e de como se dedicou para que sua mãe se realizasse através dela.
- Você entende agora que se eu não tivesse insistido tanto para que ela fosse me ver minha mãe ainda estaria aqui? Não era para ela estar naquele avião. Foi tudo um capricho de uma menina mimada que se achava a melhor bailarina.
- Não foi o capricho de uma menina que a fez pegar aquele voo. – eu a olhei firme. – Foi o amor de uma mãe orgulhosa que queria estar presente no momento importante da filha. E sabe o que eu aprendi esses anos na vida? – ela me olhou curiosa – Estamos aqui cumprindo missões. Estamos aqui para fazer a diferença na vida de alguém. Sua mãe cumpriu a dela e fez de você esse anjo lindo para fazer a diferença na minha vida. Hoje eu vim conhecer uma pirralha e me deparei com uma mulher que mesmo tendo sido tão machucada ainda encontrou desculpas para quem a feriu tão brutalmente.
E já não sufocando mais o que me tomava eu renasci. Renasci quando meus lábios tocaram os dela. Renasci quando vi um anjo descendo aquela escada. Renasci quando ela me olhou. Renasci quando naquela praia tendo a lua como testemunha eu fiz amor pela primeira vez.
Três anos depois…
Hoje além do amor que nos uniu desde aquela noite, um papel vai reafirmar que somos um do outro. O caminho até aqui foi traçado pela certeza de que éramos um do outro. Todos os dias Juliana reconstruí um pouco mais os destroços em que um dia sua vida foi reduzida. Não foi fácil perdoar, mas ela conseguiu e eu sempre estive lá para lhe afirmar que ela nunca estaria sozinha.
Vi uma filha mesmo machucada ajudar o pai a ver que a vida segue mesmo que a dor seja intensa. Que o que ainda ficou vale a pena a nossa dedicação. Vi uma mulher forte lutar por justiça. Não somente por ela, mas por todas as Julianas que têm sua inocência arrancada de maneira vil. Vi uma garota ensinar a um homem como eu o que sempre podemos ser melhores. E acima de tudo vi um anjo renascer e espalhar amor aos demais.
Giovana, que se sente como uma mãe para Juliana, agora age como uma sogra. Para seu completo desespero eu sou muito sacana para acatar suas ordens e consigo irritá-la ainda mais do que quando éramos criança. Sei que mesmo que não diga, ela sempre foi a que mais torceu pela gente.
Enquanto vejo meu anjo ser conduzida até mim por aquele que um dia eu não passei de um pirralho, eu tenho a certeza de que já nascemos amando os nossos anjos. Apenas esperamos que eles desçam à terra a nosso encontro.
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BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS
Vivianne
Surpresinha postada no outro tumblr. Logo voltarei com os capítulos das fics. Essa ilusão veio me atropelando durante a tarde e quis compartilhar com vocês juntamente com uma das músicas que mais amo. Beijos
Saudades de você e das suas fics, rainha! Que esse semestre acabe logo pra deixar você me iludir lindamente <3
Acabou, mas fiquei doente amor.
Vivi volta com a Flor da Pele pfvr!!! :(((
Vou voltar, pode deixar. Beijos
Vivi não some não!!! Saudade da sua fic😔
Amor não quero sumir, mas o negócio tá difícil rsrsrsrsrs
Eita porraaaa só vem MMV jsndkdkdmdkdkdkdjdj
Tá indo!!!!
Vamos com certeza que nos apaixonar por essa nova aventura que é viver no nosso mundo Judrigo e essa fic vai ser maravilhosa como sempre afinal é vc Vivi quem escreve bjus
Obrigada minha linda. Beijos
MEU MEDO É VOCÊ - PRÓLOGO
.
Cinco anos me separaram das pessoas que mais amo. Cinco anos sem ver esse mar que ainda era quase indefinido diante de meus olhos naquela altura. As lembranças me invadiram sem reservas e a minha saudade se fez pranto lavando a minha alma que por tantas vezes se sentiu só.
Meu primo Raul sempre fez questão de me fazer sentir um pouco de casa em cada conversa que tínhamos. Por mais absurda ou mínima que fosse a novidade sobre a minha família ele não me deixava de fora. Crescemos praticamente como irmãos. Por termos a mesma idade e segundo nossa avó a mesmo espírito livre e desordeiro, éramos inseparáveis desde nossa infância e isso não mudou com a distância. Apenas se transformou em um elo ainda mais forte.
Agora Raul parecia ter deixado esse estilo aventureiro de lado e segundo suas próprias palavras estava completamente apaixonado. Ri muito imaginando meu primo encoleirado. Sei lá... Era engraçado ouvir Raul por horas falando de uma única mulher. Eu jamais imaginei isso pra mim. Não que tivesse medo do amor ou coisa parecida. Não sou o estilo protagonista de romances eróticos que são fodidos e flechados por uma mulher fatal à primeira vista. Longe disso, mas seria muito difícil para eu desempenhar um papel desse tipo. A praticidade sempre foi minha marca. Nunca me envolvi por não querer. Apenas não aconteceu para desespero de meus pais.
Parece que esse momento príncipe de Raul contagiou toda a nossa família. Depois de ouvir o quanto fiz falta no Brasil, a segunda frase que mais ouvi foi o quanto a namorada de meu primo era encantadora. Espero que realmente ela possa fazê-lo muito feliz. Fiquei muito curioso para conhecê-la e me preparei para esse encontro, mas por mais que tenha feito isso não teria ficado mais perdido quando meus olhos foram capturados pelos dela. Senti meu coração parar dentro do peito me fazendo tossir em reação.
Diante de mim seu sorriso me emaranhou em um mistério excitante. Senti-me um menino prestes a embarcar na montanha-russa pela primeira vez e passei o restante dos dias tentando fugir da sensação gostosa e estranha que sua presença me causava.
Raul até desconfiou que eu não tivesse simpatizado com ela. Por diversas vezes tentou saber o porquê de minha resistência em estar com eles. No começo o cansaço e a saudade de meus pais serviram como desculpa, mas com o passar dos dias foi inevitável negar os convites que ele praticamente empilhava na minha frente.
Eu me sentia um escroto a cada vez que cerrava os punhos ao ver Raul tocá-la. Ela era a sua namorada e não minha. Embora minha mente e coração se negassem a entender isso.
Felizmente John, meu colega com quem eu dividia um apartamento em Boston, ligou numa manhã com a feliz notícia que tanto esperei por meses. Por semanas antes de voltar para o Brasil estive disputando uma vaga num dos maiores escritórios de Boston e agora a minha oportunidade havia surgido. Além da alegria de ver meu sonho andando, mesmo que em passos lentos, meu martírio com aquela confusão de sentimentos estava com prazo de validade se esgotando. Um alívio para falar a verdade, porque mil vezes eu sairia ferido antes de fazer algo que magoasse Raul.
Era o meu último final de semana e a fazenda de meus avós foi o local escolhido para essa despedida. Lá estavam as minhas melhores lembranças e de meus primos. Nossa infância foi cercada de aventuras em cada canto daquele lugar e isso revigorou tudo em minha, mas infelizmente parece que deu a Raul também essa coragem. Quando ele me confidenciou eufórico que na nossa primeira fogueira pediria Juliana em casamento eu não vi outra maneira a não ser enlouquecer de vez e quase cometer a pior maluquice dom mundo: eu quase a beijei e o pior é que eu posso jurar que não sentia nada daquilo sozinho. Sem nada falar. Sem nem um simples até logo estou eu aqui voando de volta com o coração danificado e a consciência me sentenciando em cada pensamento que tenha dela.
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BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS BEIJOS
Oi, Vivi! Você ainda vai voltar a postar? Estou com saudades!
Vou sim! Estou me recuperando da famosa zica, mas se possível ainda posto algo hoje.
Meu medo é você - Sinopse
.
Não sou um cara quebrado e nem quero manter o amor fora do meu caminho. Só é complicado... Um medo bobo do que vai vir junto com ele, ou melhor, medo do que deixarei de ter quando assumir que é inevitável querê-la. O que sinto não é errado ou imoral, mas é doloroso ao mesmo tempo que me inunda de vida e me avassala por inteiro de medo. Meu medo é você.
“Tanto amor guardado tanto tempo A gente se prendendo à toa Por conta de outra pessoa Só da pra saber se acontecer”
Nunca fui muito boa com a solidão. Isso nunca funcionou pra mim. Tenho em mente que no final das contas uma boa companhia vai me levar ao amor, mas bastou sentir a intensidade de seus olhos para saber que nenhum medo que sinto se compara ao que sinto explodindo em mim por você. Agora o que faço? Corro ao encontro ao medo da clareza que você me traz ou continuo no escuro que me conforta? Sim, meu medo é você.
“É, que na hora que eu te beijei Foi melhor do que eu imaginei Se eu soubesse tinha feito antes No fundo sempre fomos bons amantes
É o fim daquele medo bobo”
Vivi cadê vc mulher não desiste não volta com os Cap?
Não desisti, mas final de semestre é sempre muito puxado. Prometo voltar logo com capítulos. Beijos