Meu avô me viu crescendo e me deu todo suporte que eu poderia precisar no futuro, uma poupança com uma quantia que pagaria minha graduação após terminar a escola, e uma vontade imensa de aprender e ser alguém na vida. Fazer a diferença.
Parece o início de um daqueles livros para adolescente, onde a menina é nova, cheia de energia e disposição pra conquistar o mundo, acontece toda aquele lenga lenga, e claro, acaba em final feliz. Formada, bem sucedida, trabalho bom e estabilidade.
Mas parece que estabilidade é uma coisa que meu destino não gosta de cruzar. Não pude terminar meus estudos. Dos 2 cursos que comecei a fazer tive que parar pelo mesmo motivo: Dinheiro. Ué? Mas e o que tinha guardado? Pois é.
Meu pai com o egoísmo disfarçado de altruísmo tirou tudo que eu tinha, e sinceramente? Se fosse só dinheiro não faria diferença alguma (Porque dinheiro vai e vem e to viva pra trabalhar e conseguir minhas próprias coisas), mas ele me roubou um futuro. Me roubou o direito de estudar o que eu quisesse, me roubou o direito de concluir uma graduação e ter um diploma. Me roubou oportunidades e me roubou uma perspectiva. Tudo porque na época se enroscou com uma mulher fora do casamento, e quis dar uma de Papai Noel com ela, dando casa, carro e o que ela quisesse. Resultado: se endividou. Surpresa? Claro que não. A maior surpresa foi quando além de tudo isso ainda queria financiar coisas no meu nome. Mas eu sabia com que eu estava lidando, e você acha que é fácil pra uma filha dizer não ao Pai? Não é fácil, mas às vezes é necessário.
“Ele é seu pai” Essa frase já diz tudo. Afinal uma figura paterna é aquela que fez tudo por você juntamente com sua mãe até você conseguir caminhar com suas próprias pernas literalmente e na vida. Por isso um “não” pesa tanto, mas em contrapartida eu não confiava nele, nunca confiei, e era grata ao meu avô por nunca me desamparar. Meu pai desamparava do pior jeito, nunca fomos próximos.
Estudar custa caro, mas trabalhar e ser adulta parece que custa mais caro ainda. Comecei uma faculdade de publicidade e admito que não me dei bem, mas meu avô não poderia continuar pagando as mensalidades e acabei unindo uma coisa à outra e abandonei.
Depois de algum tempo decidi estudar gastronomia, curso caro, mas eu poderia financiar, fazer um trato com o banco, só 2 anos de estudos, seria muito rápido. Eu consegui pagar a matrícula do meu próprio bolso, na época eu tinha 19 anos, e o trato seria que meu pai pagaria os boletos seguintes (que seriam a metade do valor que eu havia pago na matrícula). Eu dividia um escritório com meu pai, ele tinha uma loja e não sei porque raios fui trabalhar lá com ele, mas entregava os boletos na mão dele toda vez que eles chegavam à mim, e assim fiz 1 ano de curso, achando que estava tudo bem.
Quando chegou o momento de eu fazer a rematrícula para o 2º e último ano de curso veio a surpresa: Eu estava devendo A ALMA para o banco, nenhum boleto havia sido pago desde a matrícula.
Obrigada Pai.
Para finalizar:
Hoje, 7 anos depois estou pagando o acordo. 7 anos depois ainda não tenho uma graduação. 7 anos depois eu achei que meu pai havia mudado, tomado jeito, afinal perdeu tudo o que tinha. 7 anos depois eu achei que se eu ajudasse ele eu também seria ajudada.
Mas a realidade é uma só, hoje eu não sei dizer não, mas continuo na mesma.
Trabalhando muito, e não vendo pra onde vai todo meu esforço porque quando eu ajudo não sou ajudada.
Vejo meus sonhos e minhas vontades se perdendo no egoísmo e pouco caso dos outros. Pior ainda é quando “outros” é seu Pai.












