ㅤㅤ ㅤ — é, eu já estou sabendo que essa festa rendeu todas! pegação, traição, bebedeira e até feitiçaria? qual é, só fazem festa boa quando eu não estou presente, será que isso é algum tipo de complô?
“O que?” Assustou-se com a pergunta da garota, aquele tanto de palavras - ou pecados, como diria a irmã Carmen. Bem, ela não estava dentro de um convento, então poderia se soltar e se enturmar um pouco... era isso que esperava. “Também não fui a essa tal festa, mas os alunos só falam sobre isso.” Sorriu de forma amigável para a desconhecida. “Eu sou a Kalani.” Disse, estendendo a mão para que ela pudesse apertar.
Raul estava sentado em um dos bancos mais afastados do campo de futebol, para o meio do outono aquele dia estava calor e sol e ele não iria deixar de aproveitar, se tinha que ficar na escola pelo menos ficaria por ali. Estava no meio de um cigarro quando percebeu a presença de x - Ótimo, chegou mais alguém pra falar sobre como foi a festa de Halloween, vai, despeja tudo de uma vez - comentou acendendo o cigarro.
Andava distraída pelos arredores do instituto, seus pensamentos longe de sua mente; encantada com a construção e os lugares que pareciam prezar pelo céu aberto. Decidiu parar em um lugar sem de dar conta que já havia alguém ali, se assustando ao perceber. “Halloween? Festa?” Franziu o cenho em confusão, mas aos poucos se relembrara da festa que os alunos estavam comentando aos quatro cantos pelo corredor. “Ah, essa festa. Não participei, mas não vejo como uma perda. Você também não deveria.” Deu de ombros, não sabia o que de fato era uma festa de Halloween, já que nunca foi em uma festa. Muito menos temática.
Incredulidade lhe transparecia a feição; gesto esse que não gerava nenhum esforço em esconder. Ficou boquiaberto por um instante, procurando a coisa certa a dizer, mas sentia-se levemente irritado por isso. “Você realmente mandou uma mensagem com SOS para dizer isso? Eu realmente achei que você estava morrendo ou qualquer coisa assim.”
Kalani estava incomodada com o fato de não terem um jardineiro no instituto, as pobres plantam encontravam-se pálidas, para não dizer à beira da morte. Aprendera desde cedo a cuidar da natureza como se fosse uma parte irreparável do corpo, sentia-se no direito de dar uma água para as coitadinhas. Considerou chamar Parker, mas como? Havia sentado na grama pedindo que Deus lhe enviasse alguma luz, o que acabou acontecendo; lembrara do telefone sem fio que ganhou de presente da sua host mom e decidiu usá-lo - mesmo sem ter noção de como usar aquele troço. E acabou que deu no que deu. “Parker, meu Deus do céu! Foi uma mensagem pronta, eu acho, não sei usar essa... essa coisa!” Bufou em frustração, amaldiçoando mentalmente aquela tecnologia incompreensível. “Eu estou morrendo! De raiva! Ninguém cuida dessas plantas? Elas claramente precisam mais do que um banho de sol.”
foram poucos os adolescentes que conseguiram uma bolsa de estudos na AIE, KALANI BETHEIL pode se considerar uma vitoriosa, pois conseguiu uma bolsa de 100% como JUNIOR. rumores dizem que ela se parece com ODEYA RUSH e que tem DEZESSETE ANOS, mas não sei se acredito. agora, que ela é INGÊNUA e AMIGÁVEL, isso sim é verdade.
LACROSSE FEMININO, COMITÊ DE SERVIÇO VOLUNTÁRIO E LÍDER DO CORAL.
Ela não sabe com certeza a data do seu aniversário, mas as freiras dizem que ela foi parar na porta do convento às três horas de uma sexta-feira do dia vinte e cinco. E só sabia falar o seu nome. Kalani. Cresceu nos arredores da igreja católica de San Diego, com valores religiosos e ensino doméstico. E apesar de conviver com as freiras e padres, não pensava em seguir o mesmo estilo de vida das suas criadoras. Porém não tinha ideia do que queria ser, havia visto tão pouco do mundo. Nem sequer tinha um celular ou televisão para acompanhar as notícias. Ouvia apenas música clássica e cantava no coral da igreja, além de tocar piano como ninguém naquele lugar. Aprendeu desde cedo a se conectar com a natureza, já que não tinha outras atividades além de cuidar do jardim e desenhar - quando não estava ajudando o coral ou cuidando da comida. No geral, Kalani se sentia acolhida e feliz, ao mesmo tempo que sufocada e indecisa. Ainda que se considerasse religiosa o bastante, não imaginava fazendo isso para sempre. Sabia sua rotina de cor e salteado, tinha um cronograma que deveria seguir à risca e sentia que isso tirava um pouco da sua liberdade - que também não era muita. Kalani nunca, repito, nunca se apaixonou ou esteve na presença de alguém da sua idade. A aproximação com rapazes era estritamente proibida, mas ela nem compreendia por quem sentia atração ou como isso funcionava. Isso seria um dos seus segredos, mas ela costuma ser um livro aberto inconscientemente e seus trejeitos entregam muito mais do que suas palavras. Kalani soube sobre Armstrong quando ia - em suas poucas vezes - fazer compras, ouviu que o renomado instituto estava a aceitar bolsas. Bem, ela não descobriu necessariamente sobre o instituto ali, já sabia um pouco quando roubava revistas para se entreter, - ela pediu perdão várias vezes em relação à isso e também já se confessou - então saber que um lugar cheio de boas referências como Armstrong estava abrindo portas para pessoas como ela era um sonho. Seria o instituto capaz de dar as respostas que ela não tinha ainda sobre seu futuro?
Depois de várias horas, dias e semanas pedindo a permissão das freiras e alguns ‘breakdowns’ com medo de parecer uma ingrata, Kalani foi aceita com a bolsa cem por cento.
A personalidade da Kalani reflete sua criação; ela é obediente e organizada, tem um certo medo em expor sua verdadeira opinião e pensamentos, curiosa e ainda tem muito que aprender sobre a tecnologia. Kali (como prefere ser chamada) é ingênua em todos os quesitos, não sabe muito sobre filmes ou músicas, mas é imensurável sua paixão pelas estrelas. A dificuldade em se enturmar em um instituto cheio de diversidade é notória, mas lá estará ela; com um sorriso no rosto e pronta para ajudar quem precisa. O único problema é que ela não saberá diferenciar quem está apenas usando da sua bondade para fazer coisas ruins, ou quem realmente quer sua ajuda - e ajudá-la. Como fora mencionado, ingênua em todos os quesitos de vida de adolescente. Porém Kalani está mais determinada do que se parece, agora que experimentou um pouco do ar fresco, não quer dar um passo para trás em retrocesso.
EXTRAS.
• Kalani foi deixada na porta do convento sozinha, apenas com a roupa do corpo e nada que a fizesse lembrar dos seus pais ou procurar por eles. Nem ao menos imaginar eles. Isso é algo que ela não tem problema em falar, já que se eles não quiseram ficar com ela, por qual motivo ela iria querer saber deles?
• Kali queria se juntar a todos os clubes de uma vez só. Imagina uma criança indo para a Disney pela primeira vez. Imaginou? Essa foi a animação da Kalani ao ver a variante de coisas que aguardavam por ela.
• Alugou um quarto bem perto do instituto e começou a trabalhar em uma lanchonete para pagar as despesas e o almoço de cada dia. Até adotou um hamster, o Bola Fofa.
• Kalani não tinha um sobrenome antes de ir para Armstrong, a entrada nos papéis para a adoção da garota foi feita de última hora (já aos dezessete anos, apenas para sua entrada no instituto) pela irmã Carmen. Agora Kalani é Kalani Betheil.