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CAPÍTULO VIII
- Por onde andou? - perguntou Amélia, assim que me viu saindo da sala, no final da aula. Estava com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão irritada.
- Hum…
- Tudo bem, não precisa explicar, já entendi.
- Amélia… - fui interrompida antes que pudesse tentar explicar à ela a situação. Ao mesmo tempo sabia que não seria fácil convencê-la de que eu continuava sendo a mesma, apesar de estar passando tempo demais com a única pessoa que ela detestava.
- (S/N), tudo bem, eu confio em você. Eu só não gosto do fato de que você tá passando mais tempo com ela do que comigo, mas sei que isso é temporário. Não vou dar uma de amiga possessiva e ficar te controlando, mas, por favor, promete que depois que esse trabalho acabar, você vai se afastar dela?
A cada dia que passava, as coisas só complicavam para o meu lado. Eu não sabia mais o que fazer, nem o que pensar, e nem o que dizer. Me sentia mal por Amélia, mas ao mesmo tempo me sentia bem sabendo que Emilly, por um lado, me entendia. Ela queria me ajudar, mas a minha amiga precisava de mim, assim como eu sempre precisei dela.
- Eu… - outra vez fui interrompida, só que dessa vez por uma voz masculina.
- Aí estão vocês! - disse Ethan, se aproximando de nós e parando ao lado de Amélia. - Te procurei por todo lado.
- Queria falar comigo?
- Sim. Na verdade quero te fazer um convite.
Olhei para os dois, parada no mesmo lugar, sem saber que reação ter. Era tão estranho ver minha amiga se envolver dessa maneira com um garoto. Nunca a vi comentar sobre esse tipo de relacionamento, e ela nunca tinha me contado sobre essa amizade dela com Ethan, até há alguns dias atrás.
- Preciso ir. - falei, antes que a conversa se prolongasse e eu perdesse o tempo.
- Não vai comigo? - o olhar que Amélia lançou para mim foi de dúvida, mas no fundo ela sabia o porquê.
- Trabalho. - respondi rapidamente. - A gente se fala mais tarde. Tchau, Ethan. - acenei para eles e me retirei, andando em busca de Emilly.
(…)
Sexta-feira. Finalmente a semana havia terminado, e junto com ela, a preocupação por causa do trabalho que chegava ao fim.
Emilly estava ao meu lado, sentada em sua cama e rindo de alguma coisa que estava lendo no celular, enquanto eu folheava algum livro qualquer de sua estante.
- Não sabia que você gostava de ler. - disse baixo, quase num sussurro.
- Mais uma coisa para a lista de coisas que precisamos saber uma da outra. - sorriu, deixando o celular sobre o colchão e caminhando até mim. - Esse é um dos meus favoritos. E não me olhe com essa cara, pode não parecer, mas eu tenho o meu lado romântico e bobo. - se explicou, vendo minha cara de espanto ao saber que ela gostava de romances.
- Posso te indicar alguns livros. - sugeri.
- Tudo bem, mas com uma condição.
- Qual? - lá vem bomba.
- Que me acompanhe num lugar hoje a noite.
Sabia perfeitamente que não era uma boa ideia, mas aquilo me instigava.
- Que lugar? - perguntei, já tendo uma noção de onde seria.
- Não diga não até que eu termine de falar, por favor…
- Emilly…
- Fui convidada para uma festa que vai ter hoje a noite na casa de uma amiga. Queria muito que fosse comigo.
- Não gosto de festas, sabe disso. E além do mais, minha mãe jamais permitiria.
- Quem disse que ela precisa ficar sabendo disso? - ela estava propondo que eu mentisse para minha mãe, e que fosse para uma festa onde várias pessoas estariam se embebedando e se esfregando uma nas outras. Por Deus, por que isso parecia ser tão tentador? Justamente agora, depois de tantos anos evitando qualquer tipo de contato com essas pessoas, eu me via indecisa se aceitava ou não. - Olha, sinceramente, eu poderia dizer que isso faz parte do trabalho, e que você é obrigada a ir comigo para conhecer o meu lado, os meus costumes, mas não, eu quero que você vá porque quero que se divirta, quero que conheça pessoas e quero que decida qual rumo quer seguir. Você não pode manter esse jeito certinho sem ao menos ter experimentado o oposto. Por favor, eu imploro, e também prometo que, se for à essa festa comigo, eu vou na igreja com você, como combinamos esses dias. - me encarou ansiosa e com um sorriso imenso nos lábios. - E aí, o que me diz?
- Eu deveria dizer não.
- Mas? - continuou sorrindo, esperando minha resposta.
Aquilo era loucura, demais até, não sei o que inventaria para minha mãe, jamais tinha feito algo desse tipo, e jamais havia pensado em fazer, e era por isso que queria tanto experimentar.
Respirei fundo e, sem pensar duas vezes, respondi.
- Eu vou.














