Can't take my eyes off you || Bree and Kennedy
Ela precisava de um tempo de toda aquela confusão de livros,papéis, vídeos, ppts e qualquer outra coisa que tivesse relação com seu curso, ela precisava refrescar a cabeça e parar de se preocupar, nem que por alguns míseros segundos, ou acabaria ficando bitolada sem conseguir fazer ou falar sobre qualquer outra coisa que não fosse aquilo. Bree sabia que não era a única passando por aquilo, a CRU parecia mais parada e silenciosa do que o normal, mas principalmente a biblioteca se encontrava super-lotada, todos preocupados com seus próprios problemas e trabalhos, e isso deixava a universidade inteira em um clima tenso e pesado, tudo o que todos ali queriam era que a semana acabasse a as festas retornassem, para que todos pudessem voltar ao “normal”.
Com toda certeza a melhor decisão que Bree tomara foi sair de seu quarto e simplesmente andar pelo campus, e melhor ainda porque o campus estava vazio e silencioso, deixando a morena sozinha com seus pensamentos. Algumas, poucas, pessoas ainda podiam ser vistas sentadas na grama com livros e computadores abertos, fazendo de tudo para conseguir entregar as coisas no prazo, Bree as cumprimentava com um aceno de cabeça e um pequeno sorriso. E não demorou muito para que ela chegasse até a Lambda, gostava de conversar com Kennedy, depois da breve conversa com Éris que lhe disse que avisaria o presidente que ela estava o esperando, mesmo um tanto insegura sobre fazer isso a morena entrou no quarto de presidente e ficou ali, esperando e pedindo que ele chegasse logo e que não achasse de todo o estranho o fato de ela estar ali.
Um tanto tímida ela observava o quarto de Kennedy, se prendendo aos pequenos detalhes, ela se sentia um pouco desconfortável por estar ali sozinha, e principalmente pelo garoto nem saber que ela estava em seu quarto. Os dois não eram tão próximos assim ou tinham qualquer nível grande de intimidade que justificava o fato de que Bree pudesse simplesmente aparecer ali quando bem entendesse, eles apenas se conheciam e nos últimos tempos haviam conversado um pouco mais do que normalmente, ela apreciava a companhia dele e provavelmente naquele momento de tanto estresse e pressão, por conta dos trabalhos, conversar com Kennedy sobre qualquer outra coisa fosse o que ela precisava.
Depois que encontrou o tal caderninho, e mesmo pensando duas vezes se deveria mesmo mexer naquilo, sua curiosidade sempre foi maior do que qualquer outra coisa, o que sempre lhe metia em alguns problemas, mas não havia como não ficar completamente presa ao que poderia conter o caderninho que estava tão próximo de seu alcance. Assim que o tomou em mãos, Bree ficou completamente absorta no conteúdo daquilo, era impressionante tudo aquilo, era fantástico, bonito, um caderno de poemas.
A morena estava tão presa e concentrada naquilo que lia, que só percebeu a presença do presidente no quarto quando ele pulara em cima dela tentando tirar o caderninho de suas mãos, mas ela o segurava tão firme que o puxão dele, juntamente com o susto dela, fez com que os dois fossem em direção ao chão. Bree caiu sob o corpo de Kennedy, com suas costas em contato direto com o peito dele, o que a fez ficar sem ar e continuar com o caderninho em suas mãos, ela o soltou devagar o deixando ao lado dos dois. Quando as mãos de Kennedy envolveram sua cintura, ela moveu levemente seu pescoço na direção dele, fazendo com que seus olhos cruzassem com os dele, mas ela desviou o olhar rapidamente, sentindo suas bochechas ficarem quentes e ela sentia que estava completamente vermelha, e sem graça com toda aquela situação.
- Me… Me desculpe, eu… – falou sem graça, começando a respirar com um pouco de dificuldade, mas não sabia muito bem como sair daquela situação.
Kennedy riu nervosamente, tentando quebrar a tensão que ele mesmo havia causado com aquele pequeno surto. Em sua cabeça, fora extremamente necessário fazer o que fizera. Ninguém nunca tinha sequer tocado naquele caderno. Ler as palavras que escrevia apressadamente em folhas brancas, então... O presidente ruborizava por inteiro. Eram versos tão íntimos, tão absurdos e por vezes melosos que o constrangiam. Qual poema ela teria lido? Não importava. Qualquer que fosse era como uma janela escancarada para seu íntimo. Vê-lo nu era algo simples, trivial, mas aquilo era simplesmente horrível. Com poucas palavras, poucos segundos (teriam mesmo sido só segundos?) Brianna fora capaz de invadir seu espaço mais pessoal, e isso era desconcertante.
Seus pensamentos apenas pararam de rodar pela cabeça já cheia quando cruzou os olhos com o dela, a face também avermelhada entrando em foco. Seus olhos eram tão lindos... O presidente sorriu, e por impulso ergueu um tanto a cabeça, fazendo com que seus lábios roçassem na bochecha de sua visitante, descendo até o maxilar, pescoço, um gesto suave e íntimo, emoldurado por dentes brilhantes. Ele precisava tirar sua atenção do caderno, mas céus... Aquilo fora tão bom! O sorriso de Kennedy sumiu da face, dando lugar a uma expressão séria e compenetrada. Seu coração perdeu uma batida, vacilando em seu peito. Tão bom.
Com delicadeza o rapaz colocou Brianna ao seu lado, deslizando-na até que saísse de cima dele. Um de seus braços, porém, continuou sobre sua barriga, como se a prendesse no chão, a desafiasse a sair dali. Seus corpos se roçavam em poucas partes, mas ele tinha ciência de todas elas, onde seu sangue fluía com mais rapidez. O Lambda tentou regular sua respiração, que havia se perdido entre os fios castanhos e inacreditavelmente macios. Virando-se para encará-la de lado, Kennedy voltou a se perguntar o que ela estava fazendo ali. Seus olhos estavam confusos e cansados, provavelmente passara os últimos dias estudando. Teria ido apenas visitá-lo ou?... O rapaz se inclinou, parando por alguns segundos antes de calidamente depositar um beijo em sua bochecha.
A pele era quente e macia, estava ruborizada. Seu lábio inferior era farto e tremia levemente. Kennedy o tocou com o dedo indicador da mão que não o firmava e prendia sua acompanhante sob seu corpo. Uma fina camada de batom soltou-se ao toque, e aquele foi o estopim. Seu coração acelerou de tal modo que, quando se deitou sobre Brianna, pensou que ela pudesse senti-lo através da pele, ribombar pela sua boca, que calmamente encontrou seu caminho junto aos lábios avermelhados.












