𝒊𝒕'𝒔 𝒂𝒍𝒍 𝒓𝒊𝒈𝒉𝒕, 𝒊'𝒍𝒍 𝒔𝒕𝒂𝒚 𝒐𝒏 𝒕𝒉𝒆 𝒇𝒍𝒐𝒐𝒓;
minki.
Em noites de vento fortes como aquele, é claro que Minki não estaria fechado em quatro paredes, não quando a sensação fria contra o rosto era tão boa em contraste ao aquecer de seus dedos nos bolsos do velho moletom que usava. Senitr aquela sensação era penas muito bom para se desperdiçar e por isso Minki havia ficado bons minutos na velha praça do bairro, vendo uma movimentação aqui ou lá, mas principalmente, brincando com um pequeno gato preto que, de tanto ver Minki, já havia se acostumado com a presença alheia. Porém, com o passar do tempo e a obvia movimentação mais suspeita do arredor, o moreno decidiu por encerrar seu dia, se levantando do chão que estava sentado a horas e fazendo o velho caminho para a casa. As ruas obviamente desertas pela hora da noite, não tinham muito o que chamar a atenção do menino que escolheu então por apenas caminhar aproveitando o vento em seu rosto e sorrindo de forma delicada quando alguma rajada mais forte aparecia, fazendo com que o frio corresse de seu rosto até a altura de seu pescoço, provocando um arrepiar inesperado, mas bom.
E o trajeto provavelmente terminaria assim, com apenas o som dos seu tênis no asfalto se projetando no silêncio da rua em meio a uma paz de espirito interior, mas quando o moreno estava a apenas alguns esquinas de sua parada algo, ou alguém, lhe chamou mais a atenção. Não é que fosse estranho encontrar figuras encostadas em becos ali no bairro, afinal, ele não era um bairro tão família quanto parecia ser a luz do dia, mas daquela vez, aquele corpo… a forma que ele estava jogado sobe o chão apenas dizia ao menino que algo estava errado. E enquanto na cabeça de qualquer pessoa a possibilidade de passar direto pelo desconhecido pela simples possibilidade deste ser perigoso, em Minki o ato de se aproximar da pessoa veio natural para si. “Hey… está tudo bem ai?” Tentou ao menos uma aproximação verbal, que veio com cuidado por não querer assustar o outro, caso o ouvisse. Mas por não achar que receberia uma resposta, acabou então por se agachar quando já estava próximo o suficiente. O cuidado, agora, indo para o toque da mão que balançou levemente o ombro alheio na busca de uma reação, mas já ficando satisfeito por ver uma respiração firme saindo dos lábios alheios. Bom, pelo menos não parecia caso de um hospital. “Vamos, eu tenho certeza que essa não é a melhor opção que você tem para dormir, certo? Levanta, eu posso te ajudar a chegar até lá.”
—— · ❝ ❥「 desde que tinha saído de casa e ido morar com seungri, apesar de sua vida continuar uma zona, hayan estava um pouquinho mais estável. nada tinha mudado de verdade dentro dele, mas ter os esquemas da gangue era o suficiente para ocupar sua cabeça e lhe impedir de ficar se arruinando. mas, nos últimos dias, isso nem era verdade mais. era sufocante assistir as coisas acontecendo e a culpa lhe pesando nas costas; ainda que seu lado racional insistisse em lhe dizer que não era nada culpa sua. que tinha nascido no lugar errado. tinha ido parar no lugar errado, tentado se aproximar das pessoas erradas, amado a pessoa errada. mas e aí? tinha nascido pra quê, então? pra ter uma porra de existência toda errada, pra ser quebrado e quebrado e quebrado, uma vez após a outra, as vezes até literalmente, até que não aguentasse mais e desistisse? porque que desgraça de existência, hein. qualquer que fosse a entidade lá em cima, tinha lhe colocado no mundo como uma piada de mal gosto, só pode. um tipo cruel de diversão. e era quando esses pensamentos - não raros - inundavam sua mente que hayan ia ao fundo do poço. seus passos pela rua não tinham rumo - só sabia que queria ir pra longe da casa dele; porque sim, a casa não era nem um pouco sua. era dele. e queria distância, só por hoje, só pra se encher de qualquer droga que o fizesse esquecer daquela dor do inferno, só pra se jogar em algum canto e contemplar a própria decadência. pra rir da própria cara, no ápice da autopiedade. balançou a cabeça, tonto, concluindo sem surpresa nenhuma que tinha um relacionamento tóxico consigo mesmo. e desse tipo de coisa, como se livra? não podia terminar consigo mesmo. quer dizer, até podia, mas lhe faltava coragem. até pra isso era um covarde. mais um riso breve sem humor. será que, se ficasse deitado ali por tempo suficiente, poderia só sumir? queria ter esse poder. mas a voz próxima de alguém quebrou seus devaneios. merda, ainda estava bem visível. engraçado como as pessoas resolviam notar sua existência justo quando não queria isso. estava disposto a ficar calado, fingir que estava dormindo ou desmaiado de tanta cachaça, mesmo - o que não tava muito longe da verdade - mas o estranho se aproximou mais, lhe tocou. que diabos, não lhe deixavam em paz nem quando queria só fingir que não existia. “não existe ‘lá’. eu não tenho casa. não tenho porra de canto nenhum pra ir.” resmungou, a voz rouca, enquanto os olhos avermelhados e inchados do choro prévio se abriram para encarar a pessoa que tinha interrompido seu momento de desgraça. “eu queria só desaparecer. tava fazendo um bom trabalho até você vir aqui.” e lá estavam, de novo, a droga das lágrimas; não sabia nem o motivo, dessa vez. seu sistema devia estar entrando em colapso devido à sobrecarga. 」














