━━━━ Ela sabia que aquela situação não era nada do que podia sequer sonhar em enfrentar. Por Deus, era apenas a primeira semana dela ali! Maeve se sentia como numa competição, mas o nervosismo não era da apresentação e sim do que iriam enfrentar. Era como se a pista de gelo pudesse quebrar a qualquer momento e ela caísse num lago de água congelante. Podia até mesmo sentir os arrepios de um frio interno que parecia real demais para ser coisa de sua imaginação. Estava quase entrando em choque, mas a voz de Kovu a trouxe de volta à realidade, como sempre fazia quando ele falava algo, e a menina assentiu inconscientemente. Iria ajudar sim, não sabia como, mas iria. As informações pareciam um pouco difíceis de compreender, ainda mais com seu estado mental, mas Maeve se manteve perto dos dois melhores amigos, temendo até mesmo piscar e perdê-los de vista.
Queria ter coragem para voltar a segurar suas mãos novamente, mas não queria parecer desesperada demais, então apenas se manteve perto. Quando a pergunta sobre seus equipamentos veio, Maeve fechou os olhos fortemente, ordenando para si mesma que não iria chorar novamente. Tocou a cinta liga na coxa para se assegurar de que pelo menos sua adaga estava ali, mas teve um breve momento de pânico quando não tocou a superfície metálica, até que lembrou que poderia estar na sola de sua bota e quando verificou, suspirou aliviada ao encontrá-la ali. “Vamos conseguir.” A afirmação saiu em um sussurro que ela esperava que ninguém ouvisse pois sua voz tremeu e ela engoliu o choro mais uma vez. O comentário de Mushu serviu tanto para quebrar o clima tenso quanto para plantar uma dúvida atrás de sua orelha. Se encontrasse outra Maeve nesse mundo, essa Maeve provavelmente não sobreviveria para contar a estória.
As mãos tremulas eram visíveis de longe – na verdade, todo o corpo da garota estava tremendo. Mihee simplesmente não podia acreditar no que estava acontecendo. Nunca fora conhecida por saber controlar seu emocional muito bem – aquele era definitivamente um ponto de melhora na ruiva -, mas aquilo já era demais. Sua melhor amiga tinha mesmo morrido? Nunca mais viria ou treinaria com Violet? Apesar das lagrimas descerem silenciosas por seu rosto, vez ou outra um soluço escapava de suas cordas vocais – se amaldiçoando por chamar para si a atenção do grupo, que devia estar em Kronos.
Ao ver que Star olhava pra si, tratou de caminhar discretamente para perto dela, apenas para sentir sua presença, temendo que a tirassem de si também – ela não aguentaria, definitivamente. Em meio a um fungado e outro, levou sua mão para a parte de trás de sua cintura, checando se a faca que sempre carregava estava ali – mesmo que não soubesse usá-la direito. “ —— Sim, está aqui… ” A voz vacilou miseravelmente e a ruiva apenas desistiu do resto de sua frase. Levou a mão para o bolso do casaco, pegando o controle de seus óculos – entrando em desespero ao perceber que as lentes (que deviam ter se transformado na tela do banco de dados) não respondiam aos seus comandos. “ —— Acho que meus óculos… eles não estão funcionando! ” Falou mais firme dessa vez, devido a indignação, arrancando o objeto da própria cara e o girando, tentando descobrir o que estava errado.
✰ ‘ Se o eu dessa dimensão for tão bom quando eu, não quero não. ‘ Entrou na brincadeira, para aliviar a tensão, mas não durou muito. O desespero da voz de Lilo o alertou, ele sabia que ela tinha acabado de perder a melhor amiga e um colega de equipe, bem como sabia que ela estava tentando manter-se firme diante da situação, pois tinham uma missão completar, uma missão diferentes de todas as que já pensaram em fazer. Seus lábios retorceram quando ele deu um passo para frente e pegou o óculo dela. ✰ ‘ Eu não sei bem dessas coisas, mas o sistema é da KRSA, não é? Deve ser o mesmo que aconteceu com o nosso krsa watch. Tudo bem, você consegue sem ele, Lilo. Não se preocupe. ‘ Tentou acalmá-la quando entregou o objeto em suas mãos novamente. Seus olhos se moveram rápido para enxergar a cidade e novamente visualizar o prédio do qual Kronos havia falado. ✰ ‘ Temos que chegar lá. ‘ E então ele olhou para o chão, destroçado por bombas, com a natureza tomando conta de algumas construções abandonadas. Tudo era estranho, mas ele reconhecia onde estavam. ✰ ‘ Vamos tentar nos manter perto, as pessoas podem ser hostis. ‘ Lembrou isso e algo que Kronos havia dito sobre perseguição do governo ao pessoal da KRSA, isso o preocupava. ✰ ‘ Se alguém ver algo importante, diga, na hora; não se distraíam, por favor. A gente consegue dar conta deles, vocês sabem disso. ‘ Foi Kovu a dar o primeiro passo para fora do esconderijo anti bombas, trazendo junto de si Elsa e ajudando quem quer precisasse de ajuda para sair do local subterrâneo. A caminhada parecia longa.
: ♯ › O clima parecia tenso demais e Mushu não entendia exatamente o porquê. Deu umas risadinhas com as respostas de Hyejeong e Kovu, mas não rendeu muito no assunto porque não queria acabar com o foco da missão. Logo depois que o líder saiu, Mushuzinho foi atrás, com as mãos nos bolsos; de vez em quando precisava superar uns obstáculos pelo caminho, tipo caixas pesadas largadas pelo chão ou mini crateras, conseguia superar tudo muito fácil e silenciosamente. Aquele lugar parecia um velho campo de batalha abandonado. Era assustador. A expectativa era de que uma horda de zumbis fosse aparecer a qualquer momento. — Você consegue, sim! Mesmo que, sei lá, não dê pra conseguir… A gente dá um jeito.
Aquele silêncio irritante deixava tudo barulhento pra caramba, qualquer som fora do normal dava a entender que algo absurdo estava prestes a acontecer - por exemplo, logo depois de caminhar por uns 100 metros, Jihu tropeçou em um pneu largado no chão e se estatelou feito um ovo de galinha caindo da geladeira. — Ai! — Apesar da expressão raivosa, o urro de dor escapou em um sussurro. — Anotem aí: nossa segunda missão é ensinar as pessoas a reutilizarem coisas velhas e não jogarem tralhas nas ruas. — Revirou os olhos nas órbitas e seguiu com a galerinha do barulho.
♡ — De todas as situações ruins que Hyejeong presumia poderem acontecer durante uma missão, – e, bem, haviam muitas delas – a última que podia imaginar era os óculos de Lilo pararem de funcionar. Isso nunca nem passou pela sua cabeça, de tão improvável seria. Além disso, os relógios deram pau, o que significava que teriam que se movimentar em um grupo relativamente grande e só poderiam procurar em uma área por vez, simplesmente fantástico. Kida tinha praticamente aceito que nunca iriam sair daquele inferno e que teria que transformar aquele abrigo anti-bombas em seu novo lar. Ah, como odiava esse tipo de pensamento que tinha. Você atrai o que pensa, ela tentava debater consigo mesma. Nunca funcionou antes, mas não custava tentar;
Seguiu Kovu sem uma palavra e, ao se aproximar de Elsa, fez um carinho no topo de sua cabeça. Sabia que ela deveria estar aterrorizada, talvez até mais que Hyejeong, e queria oferecer algum tipo de conforto, ainda que se sentisse impotente naquele momento. “Kovu, e se guardarmos os relógios? Podem usar eles para nos identificar e… aqui ser da KRSA não é boa coisa.” Hyejeong se assustou um pouco com a queda que Mushu levou, mas logo se pôs ao seu lado para tentar ajudá-lo a levantar, mesmo que isso não fosse preciso. Quando olhou o pneu onde o garoto havia tropeçado, percebeu que ali seria um perfeito lugar para uma mina terrestre. O que lhe fez começar a pensar se essa não seria uma tática usada pelas pessoas jogando as bombas. “Pessoal… Tomem cuidado onde pisam. Só por precaução, pode ter uma mina terrestre.”
'’O que mais pode piorar?’’ A frase saltou na mente de Star quando Lilo constatou que seus óculos não estavam funcionando, ela tinha total confiança na outra e sabia que conseguiriam sobreviver ali mesmo sem o apetrecho, só não sabia se Lilo pensava o mesmo e com tudo que eles haviam sofrido hoje, estava começando a duvidar das suas capacidades de manter o grupo a salvo também. Balançou a cabeça rapidamente como uma tentativa frustrada de afastar o pensamento, aquele tipo de coisa só servia para atrapalhar e não havia espaço para isso na vida de um espião, muito menos em uma situação como a que se encontravam.
Star tratou de se manter sempre perto de Lilo com a esperança que isso passasse um pouco mais de segurança e em certo ponto, durante a caminhada, segurou a mão alheia com a destra de forma inconsciente como para ter certeza que a mais velha continuava ali, não podia negar que o gesto também a encorajava diminuindo o medo que teimava em apertar seu peito. A queda de Mushu quebrou o silêncio cruel que pesava no ar, atraindo a atenção de Star e fazendo com que ela apertasse um pouco mais forte a mão da outra pelo surto que levou. O susto fez com que tivesse consciência do gesto impensado, dirigiu um pequeno sorriso sem jeito para Mimi como um pedido de desculpas silencioso por ter tomado aquela atitude sem a permissão alheia. — Cuidado, oppa. Se quebrar a perna eu que não vou te carregar. — Falou com um tom um pouco mais brincalhão ao notar que nada tinha acontecido e apenas confirmou com um aceno de cabeça as palavras de Kida, ela estava certa, aquele lugar era um território de guerra, se não tomassem cuidado mais baixas no team junior poderiam surgir.