a house is not a home - kyle & gavin
Bateu as botas sujas de lama no tapete de entrada do prédio, por um breve momento sentiu falta do cheiro dos pés de jasmim que ele costumava manter na janela de seu quarto, mas não podia pedir que Gavin as mantivesse ali depois de todos os meses em que ele esteve fora. Ouviu gritinhos esganiçados vindo do andar de cima e presumiu que Rosa tivesse deixado Aurora sob os cuidados de Gav enquanto ia ao aeroporto buscar a tia; sentiu também um odor de cigarros mentolados que o fez sorrir ao lembrar de Thomas, talvez Tom e Gav finalmente tivessem se acertado. Passou pelas caixas de correio e não pode deixar de ver o correio do apartamento abarrotado de envelopes, bufou, “Gavin deve ter perdido a chave novamente “ pensou. Puxou a chave de dentro da mochila e abriu a pequena caixinha, era bom estar fazendo aquilo novamente, fez com que ele voltasse a se sentir parte de algo. Sorriu com o canto dos lábios rosados mas isso não durou muito, ele se partiu quando seus olhos encontraram os envelopes azuis que ele havia enviado durante os meses que esteve fora.
O que ele estaria pensando dele agora? Um pouco preocupado, ele trancou novamente a pequena portinha e subiu as escadas com os envelopes. Durante sua caminhada vigorosa sobre os degraus de mármore ele pode ouvir uma musica alegre, risadinhas de criança e sentiu um delicioso cheiro de bolo. Voltou a sorrir ao ver a velha porta de madeira lustrada porém sentiu falta do tapete de entrada com dizeres cretinos; Tentou abrir a porta sem sucesso algum, e em alguns momentos depois uma mulher ruiva de já certa idade abriu a porta com um pequeno bebê - também ruivo- em seus braços. Ele questionou tudo o que pode a pobre moça, que explicou tudo da forma mais rápida possível por conta de seu assado no forno. Kyle estava sem chão, literalmente, com a cabeça rodando e algumas lágrimas se formando nos olhos ele se sentou na calçada da rua. Digitou o número o mais rápido que pode, um pouco atrapalhado e esbaforido. “ Vamos Gav, por favor atenda garotão, por favor !” ele repetia quase que como um mantra enquanto impacientemente tentava ligar para o amigo.










