Phoebe Lankaster está dura. Aluguel atrasado, roupas fora de moda e sobrancelhas sem fazer são apenas alguns dos itens de sua lista de desempregada. A vida definitivamente não pegava leve com ninguém. Bem, com quase ninguém. Enquanto Phoebe comia o pão amassado, mastigado e cuspido pelo diabo, Dylan vivia e se esbanjava em seu sonho de infância de ter uma banda de rock. Ela se considerava uma boa pessoa até vê-lo na TV, num videoclipe. Como o mais irresponsável dos seres humanos podia ser bem sucedido enquanto Phoebe, uma pessoa íntegra, só conseguia pensar quando seria despachada por não pagar o aluguel? Entre brigas desnecessárias, ironias e muita música dos anos 90, Phoebe será obrigada a reencontrar o cara que ela mais aprendeu a odiar com o passar dos anos.
O amor acaba.
Era o que Gabe havia aprendido com sua primeira experiência amorosa.
Mas bem ali, soterrado pelos seus parceiros de time, ele duvidava muito que o amor que sentiu por Rosemary tivesse acabado.
Talvez o amor não acabasse, afinal. Talvez ele só desse um tempo pra que o indivíduo possuído por esse sentimento conseguisse seguir em frente. Talvez o amor seja mais inteligente do que os homens. Talvez ele que mande em tudo e não ao contrário.
Naquele momento, por mais que tivesse perdido Rosemary de vista, Gabe teve certeza de que o amor era cínico.
“Não é como se você não soubesse disto, eu disse que amava você e juro que ainda amo”
Eu não dormi bem. Fiquei me remexendo na cama até acordar e não conseguir mais pregar os olhos. O relógio marcava 3 horas da manhã, exatamente. Minha cabeça doía. Meu rosto latejava. As lembranças de tudo que tinha acontecido me metralharam no segundo em que o sono me abandonou. Meu corpo inteiro estava baqueado. Eu precisava de um analgésico.
Levantei da cama e assim que pisei na sala me deparei com a cena mais esquisita de toda minha vida. Meu irmão estava sentado no sofá, dormindo tranquilamente. Só que em seu colo estava Courteney. Ela estava toda encolhida, embolotada, parecendo encontrar proteção nos braços de Ryan que envolviam sua cintura.
Pisquei mais algumas vezes e caminhei em silêncio para a cozinha. Nós guardávamos dentro de uma caixa de sapato alguns remédios. Peguei um lisador e engoli sem ajuda de nenhum líquido. Voltei para o quarto, parando só uma vez para encarar Courteney e Ryan e por algum motivo consegui sorrir no meio do caos que era minha cabeça naquele momento.
Deitei na cama e fechei os olhos. Minha vida era uma bagunça. Onde eu estava com a cabeça quando resolvi sair da casa da minha mãe com uma mão na frente e outro atrás? Talvez pelo fato de meu irmão mais novo já estar com a vida feita, morando sozinho há 3 meses. Talvez a injeção de euforia que Courteney me deu quando contou que tínhamos um lugar para chamar de nosso, onde poderíamos amadurecer e finalmente entrar com o pé direito na vida adulta.
É incrível como tudo dá errado quando você mais precisa que dê certo.
E onde eu estava com a cabeça quando pedi mais uma semana para o Sr. Gomez? Mais uma semana pra quê? Ter mais uma conversa frustrada com Philip? Eu precisava tentar. Estava tão inquieta que peguei meu celular e localizei o contato de Philip em meu WhatsApp. Não pensei duas vezes antes de mandar a mensagem.
Eu não estava sendo eu. Mas o desespero faz isso com as pessoas. Levantei da cama, dessa vez mais depressa. Peguei um casaco e o guarda-chuva para então sair de casa. Assim que adentrei o corredor do prédio em que morava, travei. Tinha esquecido do hematoma em meu rosto. Precisava dar um jeito nisso antes de encontrar com Philip. Voltei para o apartamento e me encarei no espelho.
Eu não me achava a rainha da beleza. Podia enumerar diversos defeitos que encontrava em meu rosto. O nariz era muito grande, parecia uma batata. Meus olhos pareciam meio esbugalhados. Minha boca era gigante, ocupava o espaço que era para ser protagonizado somente pelas bochechas. Mas não foi nenhum desses detalhes que faziam meu corpo inteiro ficar trêmulo.
Passei os dedos pelo meu rosto avermelhado e senti uma ardência de imediato. Meu corpo respondeu a lembrança do tapa, me deixando trêmula. Eu queria esquecer o que tinha acontecido. Peguei a base em cima da pia do banheiro e passei devagar pelo machucado. Engoli a massa de modelar que se formava em minha garganta e vi que a maquiagem não tinha ajudado muito, mas era o suficiente.
Saí do apartamento antes que a coragem me abandonasse e caminhei a passos largos até o Charlie’s, esquecendo de abrir o guarda-chuva e sentindo os respingos da garoa fria em minha pele. Em menos de 10 minutos eu já estava no local combinado, mas Philip não.
Entrei no estabelecimento e o procurei por todos os cantos. Ele devia estar no banheiro. Fui até onde pensei que poderia encontrá-lo, mas fiquei imobilizada quando meus olhos encontraram a última pessoa que eu queria ver.
Uma pontada em minha cabeça foi o aviso de que minha enxaqueca estava longe de ir embora. Eu queria sair dali, mas não conseguia me movimentar. Era como se estivesse congelada no mesmo lugar. Mas ele ainda não tinha me visto.
Dylan estava mais ocupado virando um copo com um líquido amarelo que eu assumi ser cerveja. Ele parecia irritado. Seus olhos só me encontraram quando ele colocou o copo em cima de uma bancadinha que tinha por ali. Na mesma hora em que me viu, sorriu. Engoli em seco.
Dylan se aproximou e assim que chegou perto o suficiente seu sorriso morreu. Seus olhos estavam em minha bochecha e imediatamente levei minha mão ao local, escondendo o vermelho que rompia a maquiagem que havia passado. Ele abriu a boca para perguntar algo, mas no instante seguinte Philip saiu do banheiro. Assim que nos viu suspirou frustrado e colocou a mão no ombro do guitarrista.
- Ai está o encrenqueiro da noite. - Philip constatou e desviou o olhar pra mim. - E eu pensando que meu turno da noite seria sem graça. Vou precisar te levar para a delegacia.
- Por quê? - A pergunta me escapou e em nenhum momento Dylan tirou os olhos de mim.
Era como se ele estivesse tentando entender o que tinha acontecido comigo.
- Ele começou uma briga porque perdeu na sinuca. - Foi Phil que me explicou. - Por que você queria me encontrar a essa hora, Pheebs?
Ao escutar o questionamento do delegado, Dylan o encarou pela primeira vez desde que Phil tinha chegado ali. Ele desviava o olhar entre nós dois, como se tentasse juntar as peças do quebra-cabeça, mas não chegava a lugar nenhum.
- Deixa pra lá. - Tirei a mão do machucado inconscientemente e meu ex-namorado o notou.
Seu cenho franziu e ele estreitou os olhos para saber se tinha visto direito, mas eu não dei tempo para isso. Virei as costas e queria marchar para o mais distante dali, mas a mão de Phil envolveu meu pulso, me impedindo.
- O que houve com seu rosto? - Ele perguntou, mas eu não o encarava. Meus olhos estavam pregados em Dylan, que estava em seu encalço. - Phoebe, o que aconteceu?
- Eu... N-nada. - Engoli em seco e Philip bufou, impaciente.
- Foi... - Meu ex-namorado vacilou. - Foi ele?
- Ele quem? - Dylan perguntou, encarando seriamente Philip. - É bom você me responder.
Eu definitivamente não queria presenciar mais violência. Os dois se encaravam de um jeito que era óbvio que acabaria em briga. Apesar de controlado, Philip conseguia ser bem impulsivo de vez em quando. Mas eu não queria ver. Eu só queria uma solução. Precisava de ajuda e pela primeira vez não estava com medo de pedir.
- Dylan. - Eu falei baixinho, mas ele me escutou. - Posso falar com você?
- Phoebe! - Philip chamou minha atenção. - Foi ele? - Assenti devagar enquanto o via respirar fundo, bufando de raiva. - Com licença.
Ele não disse mais nada. Só trombou em Dylan e saiu do Charlie’s pisando fundo. Não tentei impedir porque sabia que de nada adiantaria, mas já tinha me arrependido de ter mandado mensagem para Philip. Suspirei frustrada. Não era minha intenção levar minha bagunça para outras pessoas.
Desviei os olhos das costas de meu ex-namorado e encontrei o olhar penetrante de Dylan. O guitarrista me encarava com os braços cruzados, parecendo irritado e levemente chateado. Respirei fundo e tentei bolar um roteiro do que falar em seguida, mas nada me veio. Lembrei onde tínhamos parado da última vez. Bem ali no Charlie’s, na despensa, discutindo meu primeiro beijo. A memória da discussão me fez sorrir.
Eu era uma idiota por ter esquentado tanto a cabeça com algo bobo do passado. Tinha tantas coisas piores do que se protagonista de uma aposta de crianças. Coisas como o que havia acontecido horas atrás. Eu era uma idiota.
- Eu acredito em você. - Falei porque não sabia mais o que mais dizer.
- Acredita? - Dylan perguntou confuso, mantendo sua carranca irritada e com certeza não entendendo a que eu me referia. Além de tudo ele cheirava a cerveja. Não devia estar totalmente sóbrio.
- Você parecia sincero. - Forcei um sorriso, sentindo um leve incômodo em minha bochecha. - Pensando bem é a sua cara ter socado o Fletcher.
Ele não queria ter esboçado um sorriso, lutou contra isso, mas foi inevitável. Durou apenas alguns segundos porque o guitarrista parecia orgulhoso demais para sorrir naquele momento. Mas os segundos que duraram fizeram com que uma sensação de alívio me atingisse. Ela foi embora bem rápido quando os olhos tristes de Dylan tomaram conta de seu rosto mais uma vez.
- Eu sinto muito. - O peso de sua voz me atingiu como um soco. - Por seja lá o que tenha acontecido. - Ele deu um passo a frente e fez menção de tocar meu rosto, mas se retraiu. Aquela foi a primeira vez que vi Dylan Campbell recuar. - Eu sinto muito.
- Eu sei.
- Queria poder ajudar. - A sinceridade era tão palpável que meu coração tamborilou dentro do peito.
Eu podia confiar nele? Ele era minha única saída.
- Você pode. - Disse antes que me arrependesse.
Os olhos azuis tilintaram com a minha afirmação e eu engoli em seco. Um sorriso debochado se prostrou em sua boca e eu não soube o que pensar sobre aquilo.
- Vai me dizer quem fez isso? - Ele questionou, o maxilar trincado e os punhos cerrados. - Vai voltar no tempo e me obrigar a aparecer antes de que isso tivesse acontecido?
As palavras cuspidas e cheias de ódio me fizeram estremecer. Talvez eu tivesse subestimado um dos guitarristas mais famosos do mundo. Talvez eu tivesse subestimado a importância que tinha pra ele. Talvez, e só talvez, eu realmente pudesse confiar em Dylan.
Seus olhos faiscavam e eu simplesmente não conseguia proferir uma palavra sequer. Ele respirou fundo e bateu a mão com força em cima do balcão. O baque foi seco e nada barulhento, mas me assustou.
- Droga, Phoebe. - Dylan disse parecendo totalmente agoniado. - O que eu posso fazer agora?
- Eu preciso de um emprego.
Eu gostaria de acreditar que não disse com todas as letras que estava disposta a um cargo de faxineira até a de espremer as espinhas de toda a banda, mas seria uma mentira. Depois do meu discurso totalmente desesperado, Dylan riu e pediu para que eu me acalmasse. Foi quando suas mãos tomaram meus ombros que vi um flash. O olhar do guitarrista foi certeiro para o dono do celular que havia tirado uma foto nosso e não demorou pra que ele saísse do meu lado e marchasse de encontro ao espião.
- Você é da imprensa? - Dylan perguntou sem rodeios. Seu tom rude me fez tocar seu ombro, mas ele sequer pareceu notar.
- N-não. - O menino tinha os olhos arregalados, em um claro conflito interno entre euforia e pavor. - S-só fã. - Ele estendeu o pulso e mostrou uma tatuagem com uma letra de música. - De-desculpe. Eu apago a foto.
O guitarrista parecia inabalado e percebi que eu jamais serviria para ser uma estrela do rock. Além da falta de carisma e talento, numa situação daquela, na primeira gaguejada, eu já teria abraçado o pobre garoto que não parecia ter idade suficiente para entrar num bar.
- Espero que entenda como isso poderia me prejudicar. - A voz aveludada de Dylan dava arrepios ao mesmo tempo que consolava e a única coisa que o menino fez foi assentir. - Que tal uma selfie e um autógrafo agora?
E de repente um sorriso amigável aparecia no rosto do Campbell mais velho e eu só conseguia pensar em como ele fazia aquilo. Dylan simplesmente hipnotizava as pessoas. Era assim desde... bom, desde sempre. E sim, era irritante.
Depois de fazer a felicidade do fã, o guitarrista me conduziu para fora do Charlie’s. Ele não disse nada, apenas tomou minha mão com a sua e me levou pelas ruas desertas de West Hills.
Eu não conseguia dizer nada. Minha mente ainda estava tomada pelos acontecimentos de horas atrás e era como se uma mão estivesse apertando meu pescoço, me sufocando e entalando todas as minhas palavras. Eu precisava me distrair e a ideia que Dylan tinha dado anteriormente me parecia péssima. Não estava afim de ingerir uma quantidade exacerbada de álcool para poder esquecer.
Meus olhos estavam fixos em meus pés enquanto eu sentia a brisa fria da madrugada esvoaçar meus cabelos e arrepiar minha pele. Ainda garoava, mas nem eu e muito menos Dylan parecíamos nos importar com as gotinhas de chuva que nos tocavam. Ele parou de andar e isso fez com que eu o encarasse.
O guitarrista sentou-se no banco de madeira de uma das muitas pracinhas arborizadas de West Hills e direcionou seu olhar para o espaço vago ao seu lado. Ocupei o espaço antes vazio e suspirei.
- Então você realmente acredita em mim? - Dylan quebrou o silêncio e pela primeira vez naquela noite me senti aliviada. Apenas assenti e ele fez o mesmo, enfiando as mãos no bolso de sua jaqueta marrom escura. - E você se lembra de como foi? - Ele deixou um riso escapar, como se a lembrança estivesse muito clara em sua mente.
E devia estar mesmo porque na minha estava.
E assim como estava acontecendo naquele momento, aconteceu naquele dia na dispensa.
Depois de Dylan ter dito que eu não merecia aquela aposta, meu coração pareceu ter levado um soco. Eu não conseguia pronunciar uma palavra sequer. Foi naquele dia que percebi que gostava dele. Bem naquele momento em que meu coração juvenil levou um soco.
Ele praguejou, mexeu inquieto nos cabelos e praguejou mais um pouco.
- Pare de falar palavrões! - Eu o repreendi porque era única coisa que consegui dizer. - É feio.
Dylan me encarou indignado para depois soltar um riso debochado, como se não entendesse o porque eu dizia coisas como aquela. Mas eu só tinha 14 anos e estava tentando escapar de uma situação embaraçosa.
A forma como ele disse que eu não merecia aquela aposta tinha soado como uma declaração. E eu sabia que ele também havia entendido que eu tinha entendido daquele forma. Por isso o nervosismo e o clima tenso que poderia ser espetado com um garfo.
- Você é inacreditável. - Ele resmungou. - E antes que você pergunte, isso não foi um elogio.
- Eu não ia perguntar! - Cruzei os braços em frente ao peito e coloquei um bico em meus lábios, emburrada. - Por que eu acharia que era um elogio?!
E é claro que eu rebati com aquela pergunta porque naquele momento Dylan Elwin Campbell estava menosprezando minha inteligência pelo simples fato de eu ser mais nova.
- Porque você sempre entende tudo errado! - Ele disse, exasperado. - Quanto tempo já passou? Parece que tô aqui há uma vida inteira! Que porra!
- Não fale palavrão! - Dei um passo em sua direção e aumentei o tom de voz.
Dylan arqueou as sobrancelhas irritado e também avançou para mais perto, mas sua atitude não me fez recuar.
- Cale a boca! - Ele ordenou e eu o fuzilei com o olhar.
A raiva me deu coragem para dar mais um passo a frente e ele fez o mesmo, me desafiando. Eu abri a boca para responder, mas no momento em que eu tomava ar para poder falar, ele colou seus lábios nos meus.
Foi muito rápido. Eu arregalei os olhos. Dylan descolou nossas bocas, mas suas mãos continuavam em meu rosto, me mantendo perto.
- Só... fica quieta.
E então me beijou de novo. Dessa vez pra valer. Com língua.
E eu soube pela forma como ele levava tudo aquilo que aquele não era seu primeiro beijo. Suas mãos foram para minha cintura enquanto as minhas permaneciam congeladas ao lado do meu corpo. Ele não me apertava contra si, mas me segurava de forma delicada. Foi um beijo gentil, cuidadoso, como se Dylan quisesse dar o beijo que eu realmente merecia.
E claro, ele veio acompanhado de muitas borboletas no estômago.
- Só... fica quieta. - Eu quebrei o silêncio e ele riu.
- Você não calava a boca.
- E você não parava de resmungar palavrões.
- Eu estava irritado. - Dylan se defendeu e eu sorri, sentindo meu coração tamborilar ansioso dentro do peito.
Será que seria assim toda vez? Meu órgão que deveria servir somente para bombear sangue daria uma festa de carnaval toda vez que eu e Dylan estivéssemos assim?
- Você sempre estava irritado. - Eu respondi. - Fazia parte do seu estilo “sou legal demais para não ser insuportável”.
- E mesmo assim você se apaixonou por mim.
A frase do guitarrista fez com que minha respiração travasse e eu o encarasse alarmada enquanto ele mantinha um sorriso lateral confiante. O que ele estava insinuando? Que eu ainda tinha sentimentos por ele?
- O que voc-
- Só... fica quieta. - Dylan respondeu e seu rosto se aproximou do meu.
Eu ia morrer com falta de ar.
Sentia a mão dele em minha bochecha e uma dorzinha se fez presenta. Engoli em seco. Dylan fechou os olhos. Eu arregalei os meus. Senti sua respiração em meu rosto.
Parecia que eu tinha 14 anos de novo. E eu lia a as mesmas entrelinhas de novo.
“E mesmo assim você se apaixonou por mim”.
“Você não entendeu ainda? Você não merece essa aposta!”
Era tão claro que chegava a doer.
Quando vi o que podia acontecer a partir dali, me coloquei de pé. Escutei um suspiro frustrado que logo tratei de apagar da memória enquanto tentava acalmar a sapucaí dentro do meu peito.
Eu permaneci de pé, mantendo um distância saudável do guitarrista enquanto ele continuava sentado. Dylan fechou os olhos e sorriu e aquilo me incomodou de uma forma que não entendi.
Eu simplesmente quis arrancar aquele maldito sorriso no soco.
- Qual a graça? - A pergunta tomou conta de mim.
Ele abriu os olhos, ficou de pé e seus olhos azuis grudaram nos meus. Dylan passou as mãos pelos braços cobertos pela jaqueta, espantando as gotículas da garoa que por ali estavam e então sorriu.
- Você acaba de ser contratada, Phoebe Lankaster. - O chão pareceu desaparecer sob meus pés. - Bem-vinda a parte administrativa de uma banda de rock.
Gabe agora colocava uma bermuda e uma camiseta que costumava ser branca. Blake encarou a peça de roupa e seu rosto se contorceu em uma expressão de nojo. Como podia ser amiga desse ser humano?
- Em algum lugar desse país sua mãe está muito decepcionada. - Ela alegou. - Qual a dificuldade em lavar roupas?
- Eu tenho preguiça. - Ele respondeu simplesmente. - E a senhora minha mãe está decepcionada em Manhattan. - O comentário fez com que Blake soltasse uma risadinha; foi o suficiente para que Gabe sorrisse e se aproximasse, sentando-se ao lado dela na cama. - E então? O que houve com meu novo colega de quarto?
- Como meus planos A, B e C falharam eu tinha um D. - Sua resposta fez com que o sorriso de Gabe alargasse no rosto. - Eu o recepcionei por você.
- Meu Deus. - O rapaz jogou os braços em volta da amiga, a espremendo em um abraço desajeitado e dando vários beijos em sua bochecha. - O que eu faria sem você, Ivy?
- Sinceramente não sei. - Ela disse controlando a risada e se libertando do abraço. - Talvez já estivesse morto.
Ambientes caóticos raramente atraiam Rosemary, mas ela se viu seguindo Harry pela Universidade Harrison enquanto ele lhe mostrava o local. O rapaz a acompanhou até a secretaria, onde ela efetuou, de fato, a transferência e pegou seus horários.
- Teatro, dança e mídia. – O japonês espichou os olhos para um dos papéis que Rosemary segurava, vendo em qual curso ela estava inscrita. – Então você é cinéfila. Mistério resolvido.
Toda vez que Harry Li Wun incitava uma conversa, as palmas da garota suavam e ela tinha de controlar o tremor do próprio corpo. Enquanto ele falava e apontava os principais locais dentro da faculdade estava tudo tranquilo. Rosemary só tinha o trabalho de prestar atenção nos detalhes – algo que ela era muito boa, diga-se de passagem – e esboçar um sorrisinho de vez em quando só para mostrar que o acompanhava.
O sonho não o atormentava há tempos. Era, na verdade, uma recordação; uma das poucas de sua infância que não tinha buracos ou peças faltando. Aquela memória vinha extremamente esplendorosa, como se tivesse acontecido no dia anterior. Há uma semana Gabe Burton tinha o mesmo sonho. Um sonho que no auge de sua pré-adolenscência o perseguia como pesadelo. Sua declaração infantil a Rosemary Telesco.
A cena se repassava repetidamente em sua mente. O “eu te amo”, o alívio que sentiu quando disse, a falta de ar que lhe acometeu quando soube que não era recíproco, o vestido rosa mais lindo que já tinha visto, o sorriso sem graça, a dança, o batuque acelerado dentro do peito da menina.
Todos os detalhes vívidos e gloriosos intrínsecos na mente de Gabe Burton para todo sempre.
Gabe encarava a garota com sinceridade, cansado de sufocar os próprios sentimentos. Era a primeira vez que se falavam depois da briga por telefone. E ela não poderia simplesmente ir para o acampamento antes que tivesse todas as cartas na mesa. Ela poderia mudar de ideia, certo?
- Você o quê? - Rosemary perguntou da forma menos rude que conseguiu.
A declaração a acertou em cheio, deixando um formigamento esquisito se espalhar por todo corpo.
- Eu amo. - O menino afirmou mais uma vez. - Desculpe, mas eu te amo mais do que qualquer outra pessoa possa amar. - Gabe se orgulhava da própria atitude. - Amo você, amo você, amo você.
O menino havia tirado um peso de seu coração ao deixar todas aquelas palavras finalmente saírem de sua boca. Ele encarava a garota em expectativa. Esperando, esperando e esperando. Uma reação, uma resposta, um olhar, um beijo… Mas tudo que conseguiu foi silêncio. O coração que há pouco se enchia de alívio, pareceu se comprimir, ficando do tamanho de uma ervilha.
- Você acha… - Gabe não aguentava as batidas violentas dentro do peito. - Você acha que também poderia querer me amar?
O menino de 10 anos não soube desvendar o olhar de Rosemary. A menina estava tensa, sem saber como lidar com aquela situação. Gabe Burton era seu melhor amigo e ela o amava.
- Eu não sei o que pensar, Gabe. - Assim como ele, a garota também foi honesta. - Tenho apenas 11 anos. - Naquele instante, o menino sentiu o coração falhar. - Não acho que estou preparada pra me apaixonar.
O modo gentil com que Rosemary respondia a declaração era agridoce aos ouvidos de Gabe. Todo aquele cuidado em não magoá-lo o fazia deixar uma chama de esperança acesa dentro do peito.
- Eu também não tô pronto e mesmo assim estou! - O menino afirmou com ansiedade.
Mas não era tão fácil. O amor nunca é fácil.
- Talvez eu esteja errada. - Ela vasculhou as próprias memórias, resgatando uma de suas conversas com o amigo. - As garotas não amadurecem antes.
- Amadurecem, sim. Você sabe que sim. - Gabe respondeu agoniado. - Você até disse isso no Central Park. Ao menos amadurecemos por igual.
Por mais que já soubesse que seus sentimentos não eram correspondidos, ele não conseguia simplesmente parar de falar, parar de tentar.
- Eu não sei mais o que é maturidade. - Rosemary estava com a cabeça toda confusa. Era como se tudo dentro dela estivesse do avesso. - Mas estou feliz que tenha vindo.
O casamento que a obrigava usar um vestido de dama de honras rosa estava um verdadeiro tédio até a chegada de seu melhor amigo. Ela queria uma companhia. Apesar da declaração, do beijo roubado e da briga, Rosemary Telesco estava agradecida por ter Gabe Burton com suas roupas desleixadas bem em sua frente. E ele sabia.
O menino esboçou um sorriso e ela soube que ele havia entendido.
- Você quer dançar? - Rosemary o convidou, olhando para a pista.
- Dançar? - Gabe ainda sentia o coração acelerado, mas sabia que não tinha mais o que fazer. - Claro. Por que não?
Ao som de At Last de Etta James, ele a seguiu para a pista e colocou as mãos em sua cintura. Olhou para cima, encarando a garota mais alta que ele, meio constrangido, mas ao mesmo tempo satisfeito. Sorriu e apoiou a cabeça no ombro da amada.
Enquanto dividiam aquele abraço, ambos sabiam a verdade. Rosemary Telesco iria para o acampamento e, por fim, para uma escola particular. Os caminhos não se cruzariam.
O amor é um negócio horroroso e terrível, praticado por tolos. Vai partir seu coração e te deixar na pior. E o que sobra no final? Nada além de algumas incríveis lembranças que são impossíveis de esquecer.
A verdade é que haverá outras garotas para Gabe Burton. Pelo menos era o que esperava. Mas ele nunca mais teria um primeiro amor.
O mundo nem sempre é gentil com as pessoas e Jack, com apenas oito anos na época em que sua vida foi virada de cabeça pra baixo, descobriu de uma hora para outra que isso ficava pior ainda para o lado dos inocentes.
A terrível madrugada de 18 de junho de 1988 ficou marcada para sempre em sua mente. Foi o dia em que vira os pais morrerem, o dia em que surgiu o laço eterno criado com Johnny Hartley e, só não mais terrível do que se ver desesperado em meio a um mundo cruel, aquele também havia sido o dia no qual Jack teve certeza de que monstros fazem mais parte da realidade do que as pessoas imaginam.
Dezenove anos se passaram e a vida de Jack já estava à muito tempo nos eixos que ele mal se dava a liberdade de continuar sofrendo pelo o que eram, inevitavelmente, águas passadas. Tinha seu próprio e confortável apartamento, o emprego que julgava ser o mais estável que já tivera, um carro que percorria muitas milhas com pouca gasolina e, a melhor parte, em poucos meses iria se casar. Nessas circunstâncias, era impossível não se ver como um personagem de filme entregue a um destino feliz. Ou pelo menos era assim que Jack imaginava que seus dias atuais seriam.
Mais uma vez entregue aos caprichos tenebrosos de um controlador do destino desumano e maquiavélico, Jack se viu outra vez no meio de problemas que deixariam qualquer um louco: procurado pela polícia, na mira de um serial killer e sem a certeza de que viveria até o final de tudo para poder contar a história.
Com tanta coisa pra pensar, tanto para se fazer, tanto para se importar que fazia tempo desde a última reunião das meninas. O dia depois do Hopi Hari foi usado por elas para relaxar. Os garotos, por outro lado, resolveram ir andar de bicicleta no Parque Villa Lobos.
Para aquele dia em específico todos fizeram um esforço considerado quase impossível para adolescentes de férias: acordaram cedo. Tanto é que quando Adriana abriu a porta de seu apartamento, colocou o dedo indicador em frente aos lábios, pedindo silêncio as 3 amigas. Bianchi até ficou feliz por sua mãe ainda estar dormindo e sua irmã ter ido viajar com uma prima; seu pai não estava, há dias ele dormia na casa de uma amigo.
Vou começar ler aqui rs, já estou amando só pelo prólogo rs
Eita, já estou amando essa web, morta tá…
Ryan já é um crush kkk, mortificada com o final do primeiro capítulo…
Queria falar nada não, massssThomas tem o melhor signo da vida rs
Será que já estou apaixonada pelo Nate?
OMG, não acredito que você ressuscitou My Chemical Romance kk, inclusive amava Helena ❤
Gente, esse traficante ai tá me irritando…
Aposto que ela viu Ryan e Court juntos rs… Opa, acho que ver a mãe é pior kkk
Que ódio desse Sr. Gomez, alguém pode fazer alguma coisa??
Ryan é muito amorzinho ❤
Gente, já quero essas dois, não sei não mas acho que vai render ótimas histórias…
Orrannn, que capítulo amigos, que capítulo…
MEU DEUSS, é agora, é agora que Philip vai fazer algo? Dylan vai surtar? Poderia… Quando sai capítulo novo?
MEU DEUS DO CÉU, EU SÓ TO VENDO ESSA SUBMIT AGORA AAAAAAAAAAAA NÃO ACREDITO NA MINHA PRÓPRIA DISPLICÊNCIA!!!
Me perdoa por favorzinho e não desiste da história!!! Vou tentar postar capítulo hoje õ/
Mas vamos lá: olha, não é pq são meus filhos, mas todos podem ser crush, viu? HAHAHAHHA todos são adoráveis, cada um do seu jeito <3
My Chemical Romance jamais poderia ter sido enterrado!!!! Fica aqui um desabafo!
Ryan e Court é um OTP que só me arrasa e vai arrasar vc tbm IUASHDIUAH
Philip pode fazer algo e Dylan pode surtar, pq não as duas coisas?? HAHAHAH Vou tentar postar hoje, more! Desculpa mesmo a demora pra responder sua sub que me deixou MUUUUUUUUITO feliz e animada <3
Sinopse: Lola Witchlock, Sunshine e Lolita para os mais íntimos, gosta mais da cidade de Nova York na manhã, já Matthew Carter ou Matt, para seus amigos, gosta mais da cidade de New York a noite. Mas mesmo assim, quando ele vira vizinho de frente de Lola, eles começam a gostar um do outro sem se importar com os lados bons ou ruins, mesmo sendo diferentes e tudo dizendo para eles que nunca poderiam ficar juntos e nem ao menos sabem o porque.
Escrita por: Ana Alves
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Saí do apartamento antes que a coragem me abandonasse e caminhei a passos largos até o Charlie’s, esquecendo de abrir o guarda-chuva e sentindo os respingos da garoa fria em minha pele. Em menos de 10 minutos eu já estava no local combinado, mas Philip não.
Entrei no estabelecimento e o procurei por todos os cantos. Ele devia estar no banheiro. Fui até onde pensei que poderia encontrá-lo, mas fiquei imobilizada quando meus olhos encontraram a última pessoa que eu queria ver.
Uma pontada em minha cabeça foi o aviso de que minha enxaqueca estava longe de ir embora. Eu queria sair dali, mas não conseguia me movimentar. Era como se estivesse congelada no mesmo lugar. Mas ele ainda não tinha me visto.
Dylan estava mais ocupado virando um copo com um líquido amarelo que eu assumi ser cerveja. Ele parecia irritado. Seus olhos só me encontraram quando ele colocou o copo em cima de uma bancadinha que tinha por ali. Na mesma hora em que me viu, sorriu. Engoli em seco.
Dylan se aproximou e assim que chegou perto o suficiente seu sorriso morreu. Seus olhos estavam em minha bochecha e imediatamente levei minha mão ao local, escondendo o vermelho que rompia a maquiagem que havia passado. Ele abriu a boca para perguntar algo, mas no instante seguinte Philip saiu do banheiro.