we live in cities you'll never see on screen; tyler & lauren
tylerexe:
A pálida luz da lua iluminava o caminho. Já passava da meia noite, ou então o garoto achava, quando ele e Lauren caminhavam pelas ruelas da cidade. Apesar do estado alterado, e do rosto jovem, e do perigo espreitando a cada esquina, sabia que as chances de algo acontecer eram mínimas. Estavam em Nova York, em pleno fim de semana. A cidade já era agitada o suficiente a qualquer horário, nos dias úteis; quem dirá em dias livres. A grande parte da movimentação era de jovens, como eles, provavelmente se deslocando a alguma festa underground. E, ainda que o loiro amasse tais eventos, estava buscando algo um pouco mais íntimo e confortável aquela noite. Beijar Lauren havia ativado sentidos inimagináveis nele. Ainda mal conseguia acreditar que o fizera, e que a outra retribuiu. Até ontem, seus confusos sentimentos em relação a… amiga? – não tinha certeza – eram apenas sombras de uma possibilidade. Hoje, eram reais.
Ou, bem, pelo menos tão real quanto podia ser; afinal, ainda estavam extremamente bêbados, o que talvez fora o único motivo da loira para ir em frente com aquilo. Apesar de ser uma hipótese terrível, tinha que considera-la. A vida lhe ensinou, ao longo dos anos, que expectativas eram a ruína de qualquer relacionamento, seja familiar, platônico, romântico ou mesmo confuso, como era o caso deles. Só que, claro, não conseguia também descartar a possibilidade de algo estar crescendo entre os dois. Haviam ficado muito próximos nos últimos tempos e, agora que sabia da verdade sobre Mark, não achou que houvesse mais obstáculos. Se estivessem destinados a ficar juntos, nada os impediria. Parando na entrada de um velho edifício, um pouco ao norte da Parker Avenue, Tyler pediu que Lauren aguardasse. Depois de uma breve conversa com o porteiro – velho amigo da família – os dois entraram no lugar, Meyers guiando o caminho.
“Você não vai acreditar no lugar que vou te levar.” Disse, fitando o olhar dela enquanto subia as escadas, ansioso pela chegada ao seu destino. “É fantástico.” Descobrira a ‘sacada’ – como gostava de chamar – aos doze anos, quando dormiu em Nova York pela primeira vez. Seus pais viajaram a negócios, deixando ele e seus irmãos com uma tia sua; e ela lhes apresentou o local. Era apenas um puxado dentro do apartamento dela que, a primeira vista, não parecia ser nada demais. Contudo, uma vez dentro, você tem uma visão fantástica e única do céu noturno nova-iorquino, com constelações e tudo. Não entendia muito bem a lógica daquilo, mas também não contestava. “Chegamos.” Sorriu, abrindo a velha porta de madeira que, como um gato escaldado, rangiu. O apartamento estava vazio, salvo alguns móveis cobertos por lençóis. “É logo ali.” Apontou o caminho, abrindo espaço para Parrish, sabendo que a primeira impressão não era a melhor. E era exatamente isso que fazia do local tão surpreendente.
Lauren estava certa, quando os dois saíram da festa – aliás, jamais havia passado uma estadia tão rápida em uma festa como tivera naquela noite – ela não sabia ao certo o que fazer a seguir, para onde deveriam ir, mas estava certa de que Tyler teria a resposta correta para tais dúvidas, que ele sabia o local perfeito para onde deveriam ir e uma ideia do que deveria acontecer a seguir. E com tal confiança eles seguiam. Caminhavam despreocupados pelas ruas da cidade, era como se não houvesse nada mais a que devessem se atentar a não ser o que havia surgido entre eles naquela noite, aquele sentimento mágico e magnético que se formara no momento em que seus lábios se tocaram, nada que pudesse tirá-los do lugar no qual se encontravam naquele instante, ninguém poderia tocá-los. A cidade estava à disposição dos dois, e eles estavam preparados para tornar aquele território propriedade somente deles. Subitamente eles pararam, e o garoto pediu para que ela o esperasse ali enquanto adentrava um dos muitos prédios os cercavam naquela selva.
Encontrando-se completamente sozinha na calçada, Lauren cerrou os olhos e forçou-se a focar seu olhar em cada detalhe aparente naquele edifício, de alguma maneira tentava reconhece-lo e o nível de alteração no qual se encontrava tornava aquela atividade mais complexa do que deveria. Não, nunca havia estado ali antes. Não, aquele não era o prédio onde Tyler morava. E definitivamente aquela não era a sua casa. Chegara à conclusão de que não descobriria tão cedo o que estavam fazendo ali, qual era o plano do garoto, mas por algum motivo um sorriso largo surgiu em seu rosto. A loira se lembrara da surpresa que seu amigo lhe fizera, de como ele realmente lhe surpreendera, e por isso ela tinha certeza de que algo maravilhoso havia passado pela cabeça do rapaz, de que mais um plano apaixonante havia sido criado por ele. E isso a enchia de uma felicidade plena. De repente o menino retornara, e ela apenas o acompanhou para dentro do local, sem questionar ou dizer nada, apenas cumprimentando com um “boa noite” e um sorriso simpático, o porteiro que encontrara na entrada. O seguiu subindo as escadas, apenas respondendo com um sorriso animado todas as informações que lhe eram dadas pelo outro.
Quando o ouviu anunciar a sua chegada, a menina abriu um sorriso animado, e demonstrava a sua ansiedade com singelos pulinhos no lugar onde estava. Talvez ela devesse para de agir como uma criança visitando uma loja de doces pela primeira vez todos os momentos em que se sentia animada com algo. O assistiu abrir a porta e o seguiu para dentro local. Se estivesse na companhia de outra pessoa, ela talvez temesse por sua vida naquele instante. A maneira como a porta de madeira gasta rangeu no momento em que fora aberta e o cenário daquele apartamento, que parecia ter sido abandonado já há muito tempo, fizeram com que ela momentaneamente acreditasse estar fazendo parte de um filme de terror clichê, e que logo os dois estariam gritando e correndo pelas suas vidas. Ela franziu o cenho, e se perguntou qual seria a definição de “fantástico” para Tyler. Talvez, se algum dia ele chegasse a chama-la de algo parecido com aquilo, ela devesse se ofender ao invés de agradecê-lo pelo elogio. Aquilo lhe parecia estranho, contudo o garoto lhe dera inúmeras razões para confia-lo cegamente, e por isso ela estava convencida de que realmente havia algo naquele lugar que o tornava especial, porém esse detalhe ainda não havia lhe chegado aos olhos. Quando o garoto lhe apontou o caminho que ela devia percorrer, ela instintivamente segurou a mão do rapaz e o puxou para acompanha-la até que chegassem ao local indicado, lhe lançando um olhar convidativo enquanto o fazia.













