we live in cities you'll never see on screen; tyler & lauren
laaurendc:
Lauren estava certa, quando os dois saíram da festa – aliás, jamais havia passado uma estadia tão rápida em uma festa como tivera naquela noite – ela não sabia ao certo o que fazer a seguir, para onde deveriam ir, mas estava certa de que Tyler teria a resposta correta para tais dúvidas, que ele sabia o local perfeito para onde deveriam ir e uma ideia do que deveria acontecer a seguir. E com tal confiança eles seguiam. Caminhavam despreocupados pelas ruas da cidade, era como se não houvesse nada mais a que devessem se atentar a não ser o que havia surgido entre eles naquela noite, aquele sentimento mágico e magnético que se formara no momento em que seus lábios se tocaram, nada que pudesse tirá-los do lugar no qual se encontravam naquele instante, ninguém poderia tocá-los. A cidade estava à disposição dos dois, e eles estavam preparados para tornar aquele território propriedade somente deles. Subitamente eles pararam, e o garoto pediu para que ela o esperasse ali enquanto adentrava um dos muitos prédios os cercavam naquela selva.
Encontrando-se completamente sozinha na calçada, Lauren cerrou os olhos e forçou-se a focar seu olhar em cada detalhe aparente naquele edifício, de alguma maneira tentava reconhece-lo e o nível de alteração no qual se encontrava tornava aquela atividade mais complexa do que deveria. Não, nunca havia estado ali antes. Não, aquele não era o prédio onde Tyler morava. E definitivamente aquela não era a sua casa. Chegara à conclusão de que não descobriria tão cedo o que estavam fazendo ali, qual era o plano do garoto, mas por algum motivo um sorriso largo surgiu em seu rosto. A loira se lembrara da surpresa que seu amigo lhe fizera, de como ele realmente lhe surpreendera, e por isso ela tinha certeza de que algo maravilhoso havia passado pela cabeça do rapaz, de que mais um plano apaixonante havia sido criado por ele. E isso a enchia de uma felicidade plena. De repente o menino retornara, e ela apenas o acompanhou para dentro do local, sem questionar ou dizer nada, apenas cumprimentando com um “boa noite” e um sorriso simpático, o porteiro que encontrara na entrada. O seguiu subindo as escadas, apenas respondendo com um sorriso animado todas as informações que lhe eram dadas pelo outro.
Quando o ouviu anunciar a sua chegada, a menina abriu um sorriso animado, e demonstrava a sua ansiedade com singelos pulinhos no lugar onde estava. Talvez ela devesse para de agir como uma criança visitando uma loja de doces pela primeira vez todos os momentos em que se sentia animada com algo. O assistiu abrir a porta e o seguiu para dentro local. Se estivesse na companhia de outra pessoa, ela talvez temesse por sua vida naquele instante. A maneira como a porta de madeira gasta rangeu no momento em que fora aberta e o cenário daquele apartamento, que parecia ter sido abandonado já há muito tempo, fizeram com que ela momentaneamente acreditasse estar fazendo parte de um filme de terror clichê, e que logo os dois estariam gritando e correndo pelas suas vidas. Ela franziu o cenho, e se perguntou qual seria a definição de “fantástico” para Tyler. Talvez, se algum dia ele chegasse a chama-la de algo parecido com aquilo, ela devesse se ofender ao invés de agradecê-lo pelo elogio. Aquilo lhe parecia estranho, contudo o garoto lhe dera inúmeras razões para confia-lo cegamente, e por isso ela estava convencida de que realmente havia algo naquele lugar que o tornava especial, porém esse detalhe ainda não havia lhe chegado aos olhos. Quando o garoto lhe apontou o caminho que ela devia percorrer, ela instintivamente segurou a mão do rapaz e o puxou para acompanha-la até que chegassem ao local indicado, lhe lançando um olhar convidativo enquanto o fazia.
Nova York a noite era sempre mística. Havia algo na mistura das luzes noturnas com o reflexo da lua que simplesmente dava uma aura mágica a cidade. Quando criança, morava em uma alameda próxima ao Rio Hudson; e, da janela do seu quarto, conseguia observar a dança da iluminação que irradiava de Manhattan. Observava-a por horas, hipnotizado. Naquela época não achava que encontraria algo bonito o suficiente para se comparar a isso. Só que, no dia que conheceu “a sacada”, percebeu que haviam, sim, coisas mais bonitas. Fitando o ambiente empoeirado, ele empurrou a porta de vidro a muito fechada. Apesar de emperrada na primeira tentativa, logo sentia uma corrente de ar, junto dos sons mais altos da cidade, adentrarem o local. Sorriu, ao receber a mão da outra, enquanto dava um passo para dentro do pequeno domo. Era um local interessante, apesar de pequeno. Na época que havia primeiro chegado ali, encontrara alguns vasos de plantas e uma cadeira de jardim – sua tia dizia que era sua babilônia particular. Agora, contudo, tudo que via eram entulhos; moldados de forma que o espaço fosse mínimo. Por sorte, ele e Parrish eram pequenos o suficiente para caberem ali – sem falar que, depois da festa, não achou que precisavam de muito espaço.
“Ok, era melhor na minha época, mas ainda dá ‘pro gasto.” Falou, notando que ela permanecia em silêncio. Esperava não tê-la entediado com tão pouco. Apontou para o céu acima deles, a vista obliqua lhes permitindo observar mais estrelas do que o normal. “Tá vendo?” Sorria, excitado. Era seu cantinho privado. Mesmo quando adolescente e babando feito um idiota pela head cheerleader, ele já conseguia se imaginar mostrando o local para ela ou qualquer garota especial em sua vida. Tudo bem que era cedo demais, e havia tantas coisas que não sabiam um sobre o outro – incluindo seu pequeno e destrutivo encontro com o ex dela – mas achou que valesse a pena arriscar. Como já dizia o grande pensador moderno, Olaf, “some people are worth melting for”. Jesus cristo, estava citando um boneco de neve de uma animação infantil, havia realmente atingindo o fundo do poço. “Lauren...” falou, agora voltando seu olhar para ela. “Eu só queria que você soubesse...” Era mais difícil admitir isso em voz alta do que parecia, ainda que o sangue estivesse cheio de álcool. “Eu gosto muito de você.” Confessou, por fim, sabendo da provável ambiguidade da frase; mas esperando que ela entendesse.










