Eu não falo francês, eu fujo, eu nego, meu estômago embrulha. Eu finjo o drama todo, eu pego tudo e faço daquilo minha palavra e poesia.
Quem vai gritar no meio da rua que me ama? Eu quero isso. Eu não vou mais atrás, eu não vou fazer mais nada, tem um rasgo no meu peito e tudo o que eu tenho feito é jogar enxofre em cima. Tudo o que eu tenho feito é andar descalço nesses cacos de vidro de um silêncio-grito.
Eu falei tudo, eu fiz tudo, eu inclusive disse "te amo", era verdade mas dói porque eu nunca ouvi ninguém dizendo que me amava de volta. Essa parte não é só drama, é sinceridade.
É sinceridade porque eu quero ser a Íris pêssego de alguém, porque eu já disse que quero uma vez na vida ser amada. AMORA, EU QUERO SER AMORA.
Porque ninguém grita meu nome no meio da rua?
Então essas malditas palavras em francês, eu não falo em francês. Sempre em francês, irônico não?
Lá estava eu tão desesperada pra provar que não era a única que fez de uma coisa minúscula algo gigante.
Mas eu era, eu sou... Eu genuinamente esperava um pedido de desculpas ao menos. Qualquer coisa, até uma bronca por algo que eu fiz e não lembro. Nada..
"Lau, desiste, porque ela já desistiu de você. Ela não vai atrás de você"
É verdade. Nada disso faz sentido, mas porque ninguém vem atrás de mim? Ninguém teve medo de me perder!
Eu quero ser amora de alguém e ela me roubou as palavras. Eu odeio entrelinhas eu odeio mil vezes foto em grupo, anavitoria, títulos em francês. Odeio que eu realmente fiquei esperando, que eu ainda tô.
Eu quero gritar mas não tenho energia.
Eu quero ir embora mas não tenho energia pra mover um passo.
Fico ao relento esperando que alguém me pegue nos braços e me abraçe forte e depois me leve pra casa. Como uma criança. completamente exausta.
Então o panda vermelho fez uma playlist pra mim e eu chorei muito, porque era tudo o que eu mais queria. Era sobre mim, amora, cada música pra mim.
Então Auri me chamou pra sair.
Então Attlas me disse a verdade que eu precisava ouvir.
A Aline me mandou mensagem perguntando as fofocas da semana porque não conseguiria esperar até o expediente.
E ninguém sabe a fundo tudo o que aconteceu mas eles tavam lá me enxergando. Enxergando todos os meus pedacinhos.
Daí eu percebi que era isso, era tão simples, amar é isso né. O amor é óbvio.
Sabe, eu adoro álcool, adoro flertar com meio mundo, adoro passar tempo em tantas praças até de madrugada, eu adoro drama. Só que eu sou só a Lau, eu só quero que alguém grite meu nome na rua, sim, eu só quero que exista alguma conversa de fato sobre a situação, eu queria essas palavras que ela não me disse eu queria ser livre! Ser livre... e lírios, a porra dos meus lírios hipotéticos.
Não tem ninguém me esperando.
Não tem ELA me esperando.
"Lembra o rosto de desespero? Lembra de como ela fugiu pra não ter que dizer nada pra você depois do show?"
Eu estou esperando em vão, isso dói tanto, porque denovo, não é ela.
Aceito, passo mais um intervalo na biblioteca recolhida no meu mundo delicioso de fantasias, dragões, castelos, florestas, criaturas. O cheiro da madeira antiga, de papel. Aquela sempre foi minha terra. Livros.
Se você visse Fim de Tarde, se você realmente visse, pararia de fugir? Gritaria meu nome na rua?
Não. As cartas de copas estão escondidas debaixo de todas aquelas de espadas tão terríveis.
Ou então elas são mentiras. Eu não tenho como saber né.
Se você visse seria ridículo. Porque eu mantenho minhas palavras, porque eu ainda te amo e porque sempre existe caminho pra quem escolhe uma direção. Mas eu já fiz mais do que eu deveria. Meu peito sangrando, meus pés descalços minha "suposta pscicose", meu saudosismo. Tudo leva ao nada quando não dito.
A novela que eu nunca tive, mas eu sou uma boa personagem, tenho uma boa trilha sonora.
Nenhum título em francês é pra mim. Era meu desespero por uma resposta.
Os corredores do colégio, o cheiro de café queimado, os pensamentos vem como trens e vão embora. Não são mais aqueles que martelam minha cabeça obsessivamente. Claro que dói! Mas são trens que vão embora. Conversa, batatinha chips.
Esse é o jeito certo de sofrer, esse é o sofrimento sem aquele maldito pássaro. Implorei pra ser lembrada isso é tão patético... Mas quem seria eu sem toda a minha poesia. Amei atoa sim, mas pelo menos amei.
Um dia alguém vai lembrar que eu gosto de cheesecake, vai lembrar de nangyala, que no verão as lagartixas tomam banho nas caixas d'água, essas coisas né.
Um dia o amor não vai virar ranço, não vai haver tanto medo, tanto sufoco, vai ser mais simples.
Um dia alguém decide ficar. Pra eu poder ficar também. Então ficaremos. Só isso. O resto é o tempo.
Um dia alguém resolve NÃO deixar só "quieto"
Um dia alguém olha pra mim e pensa "poxa eu perdi algo importante"
Então eu fecho o bloco de notas e deixo as palavras aqui. E resolvo que realmente, eu deveria fugir, negar até o fim.
A Luiza senta do meu lado, fazemos aquele trabalho bosta de projeto de vida "é amiga, não é que o cupido tenha enfiado a flecha no nosso cu ele enfiou logo o arco"
Sinto falta de Fim de Tarde. Sim, eu sinto. Mas, eu não falo francês. "Eu tenho medo, de que eu morra ou que você suma sem que exista conversa alguma" mas eu nunca sai do mundo nem deixei de esperar. Eu só me sinto exausta de não poder fazer nada. Cansei da minha própria poesia.... Eu repeti mil vezes que pra mim valia a pena, mas realmente, não depende de mim acreditar ou não, arriscar ou não. Eu acho que finalmente desisto.
Eu desisto. Não tem nada, provavelmente só a lua. É só minha cabeça boba que não sabe ir embora, que exagera até nas vírgulas. E como eu queria que tivesse, como eu queria que ela, só ela gritasse meu nome. Não... não.
Eu desisto porque não falo francês, não tem nada pra mim.
Um dia eu espero que alguém me ame mesmo com medo de amar, até porque, ninguém sabe amar, ninguém sabe.