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@learntohavefaith-blog
Madrugada passada cheguei em casa e senti sua falta pela milésima vez no dia. “Pensei em te ligar, pena que não liguei.” É meio estúpido, idiotice ao extremo, mas sempre me sai melhor quando te amei em silêncio.
Você vai olhar a foto dela no teu celular e vai desejar que o tempo volte, pra que você possa abraçá-la mais uma vez, pra que você possa ter outra chance, pra que você possa tentar fazê-la acreditar que ainda vale a pena ficar e que não irá mais decepcioná-la como fez antes. E se ela desistir de tudo? E se ela for embora? E se ela não voltar mais? E se ela, simplesmente, decidir que a hora de dizer adeus ao que vocês têm chegou?
Você já parou pra pensar nessas possibilidades? Rapaz, isso é só um alerta: Não queira perdê-la, porque você irá se arrepender.
Você vai se arrepender por não ter amado mais do que você amou, você vai se arrepender por não ter se entregado mais do que se entregou.
Você vai ligar e ela não vai atender, você vai procurá-la e ela não vai querer te ver, até porque ela te amou mais do que imaginava que era capaz.
Ela se entregou por completo e você não soube ser homem suficiente pra fazer o mesmo.
Se ela for embora, rapaz, você vai se arrepender, porque irá perceber que ela não vai voltar, que a sua chance de ser feliz ao lado dela passou, se dissipou feito vapor.
Então não perca sua chance, aproveite o agora e faça tudo o que você prometeria fazer se ela fosse embora.
Mas faz agora. Neste exato momento. Não espere o tempo passar ou a “hora certa chegar”. Não espere perdê-la para tratá-la como ela merece.
Beije-a agora, abrace-a agora, ame-a agora, lute para fazer esse amor dar certo como nenhum outro deu em sua vida. Não tenha medo de errar, mas também não deixe que falte a coragem para assumir o erro, pedir perdão e consertar o que foi quebrado na relação.
Sempre esteja disposto a começar de novo. Esteja disposto a se entregar mais do que já se entregou, a amar mais do que já amou e a fazê-la feliz muito mais do que já fez.
Não queira ser o cara que vai olhar a foto dela no celular e vai desejar que o tempo volte, porque o tempo não vai voltar pra que você possa abraçá-la mais uma vez, pra que você possa ter outra chance, pra que você possa tentar fazê-la acreditar que ainda vale a pena ficar.
O tempo não volta, rapaz. E nem sempre a gente tem uma segunda chance. Faça dar certo agora. Cuida dela com todo teu amor e carinho. Nada mais necessário que isso.
Se ela for embora, provavelmente não irá voltar. É que ela não costuma dar muitas chances pra quem não está disposto a acertar.
- Allison Christian Freitas
“ (...) Ela era tão minha, só de olhar para ela eu sabia que ela era minha… Era… Não é mais porque eu achei que a vida com ela seria monótona demais, sei lá, achei que não ia dar certo porque a gente dava certo demais, e eu fiquei com medo de em algum momento ela ir embora e me deixar. E eu era desse tipo mesmo, que ligava pra quem terminava e pra quem era o mais forte e o mais inteligente, mas ela não sabia disso, ela nunca soube dessas minhas competições internas e mesmo assim sempre pareceu frágil demais, inocente demais. Ela me beijava com vontade de beijar o resto da vida, eu sentia isso, cara, eu sentia que ela gostava de mim como nenhuma outra garota nunca gostou. Ela se aninhava nos meus braços com uma facilidade tão incrível que parecia que ela tinha nascido para ficar escondidinha dentro do meu abraço. 145 dias e eu não consigo esquecer o jeito que ela olhava pra mim, como se eu fosse o melhor cara do mundo, como se eu valesse a pena e ela estivesse disposta a tudo por mim. Eu tinha aquela garota na palma da minha mão, eu poderia trair, brincar, até gritar, que ela ficaria comigo porque sempre soube que eu precisava dela, embora não falasse, ela sabia que eu já não imaginava um jeito de ficar longe dela. Mas se ela sabia, por que ela me deixou? Eu sei que a mandei embora, mas era pra ela ter ficado, cara. Só que ela foi embora, e levou tudo com ela, as calcinhas que ela pendurava sob o box e as camisetas que ela guardava na minha gaveta de meia. Levou aquele beijo, aquela voz gostosa e se levou de mim rápido demais. Eu fui um canalha, um babaca, um otário e outras essas coisas que ela me disse quando foi embora e deu aquele gritinho agudo dizendo que ela nunca deveria ter me conhecido. Na hora eu não senti nada, sei lá, fiquei olhando pra ela e deixei ela ir embora, mas depois, depois quando eu olhei pro box e não vi a calcinha dela lá, eu senti que tinha feito merda e que já era tarde demais, que eu tinha sido o cara mais burro do mundo e tinha perdido a única garota que gostou de mim mesmo eu dando motivos pra não gostar. Ela assistia futebol, ia à finais de campeonato comigo, ela torcia comigo, ela amava andar pela casa só de calcinha e sutiã, ela fazia uma massagem que só ela sabe fazer, ela não brigava comigo quando eu sumia e muito menos reclamava quando eu passava uma semana sem dar sequer um telefonema. Ela gostava de mim, ela me amava, não amava? Agora me diz porque eu mandei ela embora. Eu tinha a garota perfeita, a namorada perfeita, a mulher perfeita, e poderia ter pro resto da vida se quisesse. Mas eu mandei ela embora e ela não me liga mais. Ela sai com os amigos e dizem que ela está feliz. Ela encontrou alguém melhor do que eu. Ela está bem, não está? Então por que eu não estou? Nesses 145 dias eu senti a falta dela. E hoje no 146° dia, eu sinto a falta dela pra caralho.”
— Eu mandei ela embora, e porra, ela foi mesmo.
-
Ela deve estar agora com um punhado de amigas, num bar, se enchendo de álcool doce e dizendo que sou o desastre ambiental que matou todos os peixes do oceano. Que se dane. Mas há pouco achei aquele velho shortinho de brim que ficou órfão na minha gaveta de cuecas para sair. E aí tudo veio à superfície respirar desesperadamente e reanimar as memórias que estavam quase sem oxigênio. Eu amava esse short de brim curto e com uma cascata de farrapinhos se derramando por suas coxas franzinas, e a jaqueta de couro preto por cima de tudo. Atiro a peça no chão e me sinto melhor, com a pouco duradoura impressão de que ela está aqui comigo, fazendo bagunça no banheiro ou escutando baladinhas de surfista no meu computador. É nesse momento que eu crio coragem. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Está fora de área. Eu ligo. Está desligado. Eu ligo. Está fora de área ou desligado. Eu ligo. Deixo uma mensagem de voz. Eu ligo. Ela atende. Eu quase choro de gratidão do meu lado da linha. Ela gentilmente sugere que eu morra. Em seguida bate a ligação na minha cara. O aparelho se multiplica em destroços ao esbarrar na parede fria. Eu pranteio feito um palerma, lágrimas idiotas me escorrem sem autorização, eu choro pelo aparelho, pela parede, pela fome na África, pelos buracos na calçada, pela propaganda partidária na TV, pela minha mãe, por causa de uma garota, porque tem dias que eu me sinto mais sozinho que o usual, por tudo.
Gabito Nunes.