“Decifra-me ou devoro-te”.
Reza a lenda grega, que a Esfinge – presente de Hades às antigas civilizações do Egito e da Mesopotâmia – delineada com cabeça de mulher, corpo de leoa e asas de águia, atemorizou a cidade de Tebas. Foi atribuída à esfinge, a destruição dos campos e das plantações das proximidades, afugentando seus moradores.
De acordo com mitologia, a criatura propôs um enigma com a proposição de se retirar de Tebas se alguém o decifrasse. O enigma era: “Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e é mais fraco quando tem mais pernas”?
Édipo – filho do rei de Tebas e assassino inconsciente de seu próprio pai – solucionara o mistério, respondendo: “O homem, pois ele engatinha quando pequeno, anda com as duas pernas quando é adulto e usa bengala na velhice”. Ao ver seu enigma solucionado a Esfinge suicidou-se, lançando-se num abismo, e Édipo, como prêmio, recebeu o Reino de Tebas e a mão da rainha enviuvada, sua própria mãe.
Não pretendo ser devorado literalmente por Fabiana, nem ser o assassino de meu próprio pai, nem tão pouco casar-me com minha mãe. Mas tentarei decifrar Fabiana. Creio eu que meu desafio é um pouquinho mais complexo do que o enigma solucionado por Édipo. Decifrar Fabiana! A moça astuta, bem humorada (sarcástica), romântica, bela e que conheço tão pouco.
O desafio foi lançado por Fabiana, e por ela, foram proferidas as palavras: “Decifra-me ou devoro-te”. Vamos ao desafio. Espero que se por descuido ou incompetência eu não consiga decifrar os mistérios de Fabiana, que ainda assim, eu seja, de alguma forma, devorado por ela.
Decifrando o Enigma de Fabiana
“Decifra-me ou devoro-te”
Não sei se posso ou se devo,
Mas, atrevo-me. Desnudo-me de minha alma insossa,
insípida e rude. E bebo-te, incipiente, teus anseios.
Busco compulsivamente decifrar tua aura feminina, virginal e leve.
Ouso experiênciar teus subterfúgios inteligentes.
Equilibro-me nas precipitações de teu picadeiro sublime,
fantasioso. Mergulho sem rede, bem como um trapezista camicase,
num devaneio perene, remitente. Cobiço-te por instinto,
por impulso sucinto, doce e quente.
Roubei-te uns versos teus.
Versos ternos, simples, singelos.
Escutei teus escritos, li tuas súplicas. Tentei decifra-la.
Aproveitei-me de teus versos. Versos, mais versos,
mesmos versos, sempre versos. Sem sucesso…
Encantei-me pela brisa, nesses últimos dias, por quê?
Porque ela, a brisa, em um alento fugaz, poderia tocar-te.
Num suspiro curto, serrar teus olhos, sentir tuas mãos suaves,
tocar cuidadosamente teus pequenos seios, delicados.
Acariciar tua pele morena, teu copo altivo, belo e magro.
Ela, a brisa, poderia esvoaçar-se, embaraçar-se,
embrenhar-se em teus negros cabelos encaracolados.
E por capricho, propagar teu aroma infindo,
teu cheiro de mato, um perfume amadeirado,
da cor e do sabor de uma flor do cerrado.
Na ânsia de decifrar teu enigma, submergi.
Na tentativa de escalar teu firmamento, despenquei.
Mas fui ao encontro do alívio, lendo-te, encontrei alento.
Como se eu pudesse sentir teu gosto, teu rosto. Lendo-te,
Eu quis ser o vento e trazer você até aqui.
A cada verso lido, você se materializava em minha frente.
Nebulosa, incandescente, como uma aparição,
um sonho, um pequeno delito, uma distração delicada,
toda vício, riso, risco e mistério. Alma feminina, aprisionada.
Quanto mais bebo em teus versos, menos compreendo tuas cifras.
Sim, eu poderia oferecer versos meus a outras moças,
mas esses versos teus, são tanto seus quanto meus.
Quanto menos te decifro, ao aquém me aprisiono.
Encontro à redenção. Desemaranhar teu enigma,
não pude fazê-lo, então, devore-me Fabiana!
Confesso, seguirei tentando. Quem sabe outro dia
Quem sabe um café, um vinho, um jantar;
Num cinema, num bar ou nalgum lugar;
Num por do sol pra contemplar
…
O Enigma de Fabiana
Por Léo Jorge & Fabiana Gomes