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The Grand Budapest Hotel (2014).
The Grand Budapest Hotel (2014) + Pink
0247
essa dor que agora
me toma o peito direito
e irradia pelo braço e costas,
não se compara à dor
de ter amado uma pessoa tóxica.
analgésicos não atenuam
os sintomas da abstinência,
nem tampouco, podem restaurar
corações destroçados
- temo que nada possa.
Silas Tosta
“esse desejo inquieto que me salta dos olhos almejando teu corpo essa saudade-chiclete grudada à memória quer me deixar louco essa loucura aguçada pela minha pele tocando teu rosto eu tento fugir mas a minha boca ainda quer o teu gosto”
— Silas Tosta
seguiu na internet, mas não seguiu na vida
ainda que você nunca tenha me ligado, alguma coisa me ligou a você; mesmo sem te ver de perto, sem saber reconhecer pelo que os teus olhos brilham, ou o que te faz sorrir tão lindo, mesmo sem te descobrir por completo e só saber que não precisei de muito - acho que não precisei de nada. ainda que você nunca tenha partido - nem tampouco chegado, de fato alguma coisa me faz esperar por você talvez minha mente fértil tenha te pintado com a mais pura alma e eu não consiga ver nada além disso; mas a ilusão do que você pode ser mais a desilusão de não te saber se resumem à mera vontade de ligar o celular e ver um “oi”. ainda quero saber sobre o teu dia e te contar sobre o tédio do meu não, não estou apaixonado! só não quero te lembrar como alguém de quem eu tive que apagar o número, de quem eu tive que apagar da vida - antes mesmo de ter feito parte dela. ainda que tua indisponibilidade assole e teu jogo moderno de desinteresse me deixe completamente na defensiva eu ainda quero presenciar a tua loucura e gravar na memória do meu ouvido esse teu sotaque arrastado. quero te ver com os olhos normais chega dessas parafernálias digitais. aposto que tu és mais touch do que qualquer tela de celular moderno… e ainda que teu orgulho não descance e a minha vaidade não dê trégua eu penso em ti, como quem pensa em ir ao dentista mas protela até onde pode porque o incomodo, por mais que exista, ainda é algo que dá pra suportar…
Do lado de cá da janela
daqui da cama eu vejo a vida brilhar do lado de lá da janela. o mundo não é menos colorido por causa da minha tristeza. as plantas transbordam clorofila, o mar dança indomável, o céu tem cor de dia de festa. os raios ultravioletas invadem o buraco na camada de ozônio, enquanto raios ultra-azuis transpassam o buraco da minha alma. hoje não é só a melancolia. hoje, é a minha ferida aberta no peito. o cansaço nas pernas, no tronco, na mente. são os muitos planos que não deram certo. e o temor de não saber até quando terei tempo para tentar realizá-los. hoje, são as viagens que não fiz, os lugares que não conheci, os que não vou conhecer; hoje é o cansaço e a lembrança da alegria de salgar a pele num banho de mar cujas águas eram desconhecidas. alegria. ah, a alegria… essa coisa que me toma e me foge, e me saúda de longe, como se nunca mais fosse voltar. nesse momento, você deve estar pensando: “mas ela sempre volta!” volta, só que um tanto mais efêmera; esporádica; adversa. cada vez com menos tempo. tempo. este, em nada me serviu que passasse. não resolveu minha coluna; meu antagonismo continua intacto; minha (des)rotina? cada vez mais desregulada. o tempo nunca me curou nada, apesar de ter me ensinado muita coisa - confesso que lhe sou mais grato por isso do que por qualquer outro acontecido. gratidão. uma substância mágica que invade o sangue e acaricia todos os órgãos, trazendo à memória nomes, abraços, beijos, palavras e as muitas surpresas boas que também ocorreram; plantando aquela semente de esperança lá no âmago. esperança. este pedaço de Deus que vive em nós. uma estrela que resiste até às noites de nuvens mais carregadas. a subconsciência de que não pode ser o fim; de que logo mais o sol levanta pra colorir o dia e te dar aquele velho abraço quente; que o mundo não para por você, mas você pode fazer o mundo de muita gente girar mais feliz.
Silas Tosta
amor
não engula as dores dos outros
as suas já são
mais do que suficientes
Vincent Van Gogh, The Starry Night, 1889
“Meu coração tem mil anos. Eu não sou como as outras pessoas.”
— Charles Bukowski.
Jean Reno and Natalie Portman, 90s
Gary Oldman and Natalie Portman goofing around on set of Leon: The Professional, 1994.
Is there really anything better than 90’s Winona?