Vela acesa para o Diabo. As chamas estavam enormes, as maiores chamas que já vi em qualquer um dos meus feitiços e magias. Esse é o poder do Pai das Bruxas. Meu pai.
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Vela acesa para o Diabo. As chamas estavam enormes, as maiores chamas que já vi em qualquer um dos meus feitiços e magias. Esse é o poder do Pai das Bruxas. Meu pai.
24 de maio de 2019, 9:11pm
Estando inquieta em meu espírito, há algo dentro de mim se agita, inconformado. Que estarei eu esperando? O que busco, incessantemente, ainda que sem forças para mover-me?
Perguntas que já me faço há bom tempo, mas que torno a fazê-las porque, não importa quanta reflexão ponho e quantas vezes me deito sobre essas questões, não consigo encontrar suas soluções. Talvez esteja vivendo o mal comum à nossa era. Essa ansiedade por fazer algo, por se tornar algo, esse desejo que todos os Filhos da Modernidade buscam saciar, e que por vezes os tornam doentes, já há muito me aflige.
Mas sigo em um duelo interno, uma luta entre partes onde uma busca sua paz interior e a outra se pergunta se não está se imbuindo com as Desculpas dos Preguiçosos.
O mundo precisa deles? Dos Preguiçosos?
Quantas incertezas cabem dentro do meu ser? Quantas raivas e tormentas eu carrego comigo?
Por vezes eu me convenço de que amo a mim. Óh, como sou linda! E inteligente! E intuitiva! Basta.
Mal percebo, por repetir tantas e tantas vezes, que engano-me. Sim. Não me amo pois de forma alguma. Já não aceito-me mais. Não permito-me mais.
Sigo exigindo, vezes e mais vezes, que levante e que faça. Vamos, faça!
Tenho que fazer isto e aquilo. Tenho que me levantar, e arrumar a casa, e cuidar do gato, e agradar ao meu companheiro, e fazer trabalhos, e trabalhar 8 horas por dia, e resolver pendências, e pagar as contas, e fazer o café, e comprar, e planejar, e estudar, e… e quando me vejo estou exausta.
Quando exausta, percebo-me negando a essas obrigações, simplesmente a fim de poder olhar para o teto e pensar em nada, sinto ódio. Como odeio a mim! Pois ao menos sou capaz de olhar para o teto e pensar em nada. Antes, penso em tudo aquilo que tenho que fazer, e não o faço para olhar para o teto e pensar em nada. Ora, perceba que é um loop.
Mas quantas vezes será, que deverei eu, convencer ao meu outro eu de que somos seres limitados e que temos que, por direito e até necessidade, descansar?
E quantas vezes mais esse outro eu, teimoso como uma porta, me responderá com a dúvida, aquela velha dúvida… de que na verdade, essa discussão não passa de uma grande tentativa, para ele muito estúpida, de criar desculpas para o mal na consciência que esse "olhar para o teto e não fazer nada" causa? E que, de fato, a lugar algum chegaremos enquanto não pararmos com esse amor pelo ócio?
E como conversam, essas duas consciências. Como discutem! E eu nada posso fazer… aguardo, relutante enquanto elas se munem de argumentos para convencer... a quem? A um outro eu? Pois quantas personalidades cabem em um ser humano tão ordinariamente fabricado como eu?
E por vezes também percebo em como elas discutem com absolutamente tudo. Haverá o dia em que concordarão?
Às vezes eu sou capaz de compreender até mesmo a criação do aspecto do diabo quando reflito sobre isso. Porque por muitas vezes, sinto como se um anjo e um demônio discutissem dentro do meu ser. Chegando essa discussão a tal ponto que sou capaz de me perguntar se tudo isso vem de mim mesma, ou do meu exterior. Por isso penso que não tardaria eu, se não conhecesse o ser inventado pelo cristianismo, a inventar por conta própria a minha versão particular do tinhoso. Seria mais fácil, pois bastaria bloquear, sem dúvidas, todo o pensamento atribuído a essa parte da minha personalidade, ouvindo somente ao meu "anjo interior". Tarefa muito simples, mas não o faço. Não. Para minha infelicidade sou defensora nata do equilíbrio, da tal dualidade que tanto odeio e critico. Mas já creio-a, de todo meu coração, e não sou capaz de fingir que não existe. Por isso, seguirei na minha incansável e ainda cansada luta interior. Pois me ocorre só agora que não gosto do que é muito fácil, e do que vem pronto e embalado.
23 de maio de 2019, around 7pm
Mais uma vez me vejo repensando meus hábitos e sem forças para mudá-lo. O que se passa comigo?
Por que fico com raiva e praguejo contra minha inconsistência, contra meu desânimo?
Talvez o mundo não fora feito para ociosos como eu, ou talvez eu me entupo de desculpas para não sentir-me esse fracasso ambulante. Quando saberei até que ponto me valho de desculpas esfarrapadas e quando, de fato, exijo mais de mim do que deveria?
Me pego sempre esperando essa resposta externa. Alguém que me dirá que está tudo bem, e que, na verdade, eu faço exatamente aquilo que preciso. Que não deveria fazer mais, ser mais, exigir mais. De fato, busco desesperadamente por esta resposta. Não sei se algum dia saberei, não sei se serei capaz de encontrar essa resposta no meu íntimo. Sigo buscando alguma luz, algum ser que me dirá…
[unfinished]
17 de maio de 2019, 8:26am
Somos voláteis com o futuro, já que o futuro por si só também é volátil.
Noto que tenho sonhos que se modificam nos detalhes, mas que estruturalmente permanecem os mesmos. Pondero escrever sobre eles, mais um daqueles exercícios sobre quem queremos ser e onde queremos estar. Exercícios que invariavelmente nos fazem refletir sobre quem somos e onde estamos agora.
Há muito que já escrevi sobre esses assuntos, não me recordo aonde e portanto, não posso consultar esses escritos.
Chove na cidade. O tempo sempre me traz reflexões. Cada estação a sua maneira, mas permito-me refletir hoje, neste belo dia chuvoso, sobre como somos passivos com nossa trajetória.
Me parece que a humanidade, e com isso quero dizer a massa, está sempre se impondo limites. Talvez teme a sua própria capacidade. Ou pode ser que lhe falte coragem para descobrir os seus reais limites. Somos ensinados a tal. O tempo todo nossa mente é condicionada a não voar.
Somos pássaros que temem o poder de suas próprias asas.
Pois que se fodam os limites. Busco hoje, ultrapassá-los. Planejo tornar-me uma águia.
Dias chuvosos me causam sensações.
2 de maio de 2019, 8:56pm
Em um dia está-se feliz, arde-se em alegria e pensa-se ter o mundo aos pés; em outro, vê-se que incerto é o futuro, e duvida-se até mesmo das próprias escolhas.
É a montanha-russa chamada vida.
Tenho a sensação de que estou lutando constantemente contra meus sentimentos. Esforço-me para gostar de pessoas, mas no fundo, não gosto. Em minha fase de criança e adolescente, quando não gostava, não gostava. Pensava que não deveria disfarçar para ninguém pois se não gosto, não gosto e nada devo de forma que não preciso buscar gostar. Em mim nunca coube o disfarce.
Até que torna-se adulto, e faz-se coisas que não quer. Reprimimos desejos dia após dia e talvez por isso nos vemos tão frustrados. Quando adultos, somos cercados por formalidades, coisas que no fundo odiamos, mas para fazê-las, mentimos. Mentimos a nós mesmos. Dizemos gosto disso e gosto daquilo de forma a tornar todos esses fardos mais fáceis de serem carregados. Mentimos intensamente, diariamente, incansavelmente.
Temos que fingir certas coisas para vivermos, para darmos ao menos uma chance para a felicidade.
E como é desejada essa tal da felicidade. E como é querida!
Perdi a conta de quantas vezes me foi negado o direito de entristecer-me. Somos obrigados a disfarçar nossa miséria para que sejamos aceitos. Parece que a felicidade não é apenas algo que se almeja, mas uma obrigação. Independentemente, busco me permitir sentir.
Se estou triste, sinto.
Se estou com raiva, sinto.
E quando a felicidade vem, só vem. Permito. Permito-me sentir.
Não permito que ninguém me diga o que sentir, ou quando acalmar-me. Não permito que meu sentir seja um tabu. Não.
Enquanto sinto, vou entendendo e refletindo no meu eu. E cada vez mais crio consciência do que me faz sentir isso ou aquilo. É importante. Analiso-me constantemente, beirando o exagero, na busca pelas respostas. Exagero porque não sou capaz de permitir-me sentir por sentir. A busca por sentido é uma luta constante que habita a minha mente.
Vou notando, aos poucos, tudo isso que me torna um ser humano exagerado. Sou demasiado humana, por isso, busco sempre tornar-me animal. Vivo, e não posso controlar tudo. E é preciso descobrir quando devemos ser humanos ou animais e quando, para termos paz, precisamos retornar às nossas origens a fim de sermos mulheres-lobos.
É para me tornar lobo que desejo escrever.