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@levando-o-sol-comigo
Saí com uma pessoa que se apaixonou no primeiro encontro. Eu senti pena, senti muito por ela e senti muito por mim. Não sou mais a pessoa que se apaixona no primeiro encontro. Na verdade, nunca fui. Essa pessoa mal conversou comigo e quando eu disse que preferia me afastar após uma atitude invasiva dela, me xingou. Depois veio trazendo inúmeros textos falando quanto gostou de mim, do quanto eu era engraçada, bonita e tinha olhos lindos. Do jeito que eu me mexo e do jeito que eu sorrio. Outra pessoa disse que ama minha risada. Outra pessoa disse que minha voz é linda. Eu consigo ver que eu não estou carente porque elogios bonitos não me fazem ser emocional. Ao mesmo tempo eu sinto sim uma carência, uma falta que não sei de onde vem. Eu sou uma mulher completa, eu sou boa, eu sou linda, eu sou educada, gentil e inteligente. Eu ouvi tudo isso na última semana. Só que, de fato, eu não sinto mais meu peito escorrer de amor. Eu não sinto mais que sou capaz de amar alguém por completo. Esse texto, dessa vez, é sobre mim. Não é sobre as dores do meu passado. Embora essa semana o coitado do meu irmão, sem saber, tenha me dado um perfume com nome da minha ex. Foi cômico. Não tem mais lugar pra mim na vida das pessoas que amei, por mais que eu não tenha ido embora. Eu também não vou voltar a ser quem era. Caso você volte falando que me ama, vou ter que achar graça por você achar que sou a mesma que você deixou. Ninguém mais sabe. Minhas características mudaram, minhas tolerâncias, minhas vontades de curto prazo e as minhas desconfianças. Eu não acho que seja motivo de vergonha, minha psicóloga volta e meia me lembra que o que eu queria para esse ano era viver coisas novas. Eu só beijo uma pessoa, estagnei nesse ponto. Eu sei que ela fica com outras pessoas. A eu do passado nunca aceitaria isso, mas a eu do presente não sente ciúmes. Eu sentia com quem eu achava que seria a mãe da minha filha. Agora eu não sinto. Eu tenho o bastão para ser cafajeste mas não sou, sou boa demais pra isso. Eu deixo muito claro o que sinto e o que não sinto, eu deixo claro o motivo de ir embora e ninguém pode me cobrar algo que eu nunca prometi. Eu sou responsável porque não foram comigo.
Dizem que meus olhos brilham por nunca terem visto eles apaixonados daquela maneira inocente e intensa. Se tivessem visto, eles pareciam dois faróis. Só uma pessoa conseguiu ver isso de perto.
Apesar de ter sido apaixonada pela traste, quando eu a vi, meu coração já não era capaz de amar aquela pessoa que me machucava (e olha que eu não sabia da missa a metade). Quando eu vi a A, resplandecia. Em Porto Alegre eu brilhei. Depois tudo foi desbotando até desaparecer. Nas férias dela eu ja sabia que algo ruim ia acontecer, mesmo antes de acontecer. Eu conversei com algumas pessoas depois, cheguei perto de me interessar novamente mas a vida é esquisita. Saí com uma terceira pessoa e essa me trata como se eu fosse a pérola dela, a pedra preciosa, mesmo que me cobre de uma maneira que nunca fui e que com frequência eu sinta vontade de brigar com ela. Eu gosto dela muito e vai doer quando acabar. Mas meus olhos nunca foram faróis. Eu nunca mais tive certeza. Isso eu não posso delegar a ninguém. Ninguém tem que ter o peso de me fazer apaixonada de novo, e nem só gestos românticos me conquistam mais. Eu criei um repertório muito valioso em que em algum momento fui amada e não aceito menos. Ao mesmo tempo, me amar alto não basta. Me dar flores não basta. E se o amor não vem desse gesto de amor do outro, que seria capaz de conquistar muita gente, de onde eu vou tirar amor pra amar de novo? Eu amei pessoas de graça, que nunca fizeram nada pra tal, nunca me fizeram bem. Por que eu não consigo amar alguém que faria muito por mim? De onde vem o amor? Aquele amor que faz o mundo mudar de cor e eu me entregar. Eu acredito muito que o amor vem de atos, então o que há de errado?
Porra de bloqueio emocional.
Zendaya wearing MATIERES – New York premiere of The Odyssey
Que tapa!! 👊🏻
As vezes eu olho minhas fotos de cabelo longo e eu vejo nele a maior inocência. Hoje olhando as fotos de um ano atrás senti falta. Não posso culpar ela totalmente por isso, mas ter meu coração partido por ela e a minha maior crise de ansiedade mudou algo na química do meu cérebro. Ano passado eu morri, eu não me vejo sendo a mesma pessoa. Nossos vídeos juntas, os olhos que eu tinha, eu perdi.
Semana passada minha psicóloga conseguiu contornar toda minha frase e deixou claro o que acha disso. Falei que tinha vontade de te ver mas eu jamais seria a pessoa a pedir isso, a escolha pelo fim foi sua e você tem sustentado muito bem. Eu falei que seria meio humilhante implorar pra te ver. Eu tinha certeza que ela ia me perguntar se era algo que eu queria fazer e eu diria que sim, teria meu pseudo aval. Mas ela perguntou como eu me sentia diante de uma situação humilhante assim. Eu não quero mais passar por situações assim. Tentei contornar que talvez você tenha entendido que eu queria me afastar totalmente e por isso não me deu parabéns. Ela perguntou o que eu sentia quando falava com você: saudade. No fim de tudo ela ainda disse que para eu não passar por uma situação humilhante, é preciso uma mudança de atitude minha. Minha psicóloga nunca foi tão direta comigo, minha amiga brincou que ela provavelmente mudou de abordagem já que a antiga não funcionou. Eu sinto que toda vez que falo teu nome, e acontece toda consulta, ela quase cansa e me pergunta se essa pessoa ainda é uma referência pra mim. Eu não sei o que fazer com esse quase incubado. Eu ganhei lírios de aniversário, eu descobri que são minhas flores prediletas, eu não sabia que eram, mas todas as referências de buquês que eu procurava pra você tinham lírios. Eu não to enganando ninguém e isso é o melhor de mim, eu nunca faria como fizeram comigo. Confesso que queria sentir aquele amor gritando de novo. Eu queria sentir aquela paixão louca que senti por você. Hoje eu to tão decepcionada que é insustentável ter você como referência de amor porque isso seria assumir que o amor dói e também vai embora, a única coisa que eu queria era encontrar a pessoa certa. Pra ser a pessoa certa, no mínimo, tem que ficar. Você me disse certa vez que não era o amor da minha vida e eu rezo tanto pra que esse sentimento suma de mim porque eu não posso mais ouvir teu nome, composto ainda, em todas as músicas e em todos os lugares. Parece que é uma história que flutua atrás de mim, me atravessando todo dia. Odeio que tenha feito isso. Odeio que tenha me feito grande pra me jogar do alto. Odeio que tudo isso tenha acontecido. Você sabia que tudo que eu menis precisava era viver outra desilusão. Eu devia ter sido só sua amiga. Odeio que tenha terminado comigo dizendo que precisava focar em você e tenha baixado o tinder. Odeio que você pareve ter mentido tanto sobre tudo. Mas, no fim, ainda espero que eu tenha sido uma experiência boa pra você.
Eu tenho a sensação que em algum lugar a traste estaria feliz de saber que fui machucada e quem causou foi você. Como se amenizasse. Como se o que ela fez comigo tivesse justificativa, como se tudo isso tivesse dado respaldo para ela dizer que eu era mesmo um fardo tão pesado que nem você aguentou, e você aguentou tanta coisa.
Talvez já seja fato consumado que as boas pessoas sofram muito, seja doença física ou psicológica. Queria poder retirar todas elas e lavar a alma com acalento, se me fosse privilégio eu diria que não está sozinha e dormiria ao seu lado como prova disso. Queria poder fazer mais do que minhas capacidades humanas tem poder de fazer. Nesse momento posso dizer que meu coração se envolveu à história de alguém e desejo que haja luz.
Você pode ter uma cartela de desculpas para se afastar de mim, pode jogar na cara frases e atos que eu não deveria ter cometido, pode zombar de quem sou, falar do ciúme incorrigível e insegurança tosca que me fazia parecer uma criança no início do fundamental, pode contestar minhas opiniões e dizer que sou errada em tudo que faço. Você pode até dizer que a forma como eu demonstro meus sentimentos são distorcidas. Você pode dizer tudo isso mas nunca poderá dizer que eu não te amei com minha carne e minha alma.
Hoje eu chorei por uma música aleatória, sonhei com você essa semana, ouvi teu nome em vídeos aleatórios. O corpo sente. Hoje faz um ano que te conheci, eu morro de saudade desse dia, mesmo tendo sido horrível.
Eu me senti tão boba citando Taylor Swift pra minha psicóloga, foi por sua causa. Espero que seja feliz demais, eu espero ser também. Minha psicóloga perguntou como eu lido com essa decepção, eu lido sabendo que tenho que seguir minha vida. Eu tô sobrecarregada com a ansiedade de ser uma acadêmica incompetente. Mas, vez ou outra a dor me lembra que existo por trás do word. Eu olho os vídeos e raspo essa ferida com uma nostalgia, eu gostava tanto de quem eu inventei.
o momento que eu soube
Ter uma desilusão com uma boa pessoa dói.
Eu lembro de passar os primeiros minutos do meu aniversário esperando seu parabéns, não veio. Lembro de pensar que tudo bem, você é tão ocupada. Eu lembro de ter dormido mal e quando acordei, nada. Não existia nada. Como se eu deixasse de existir por um momento, como se eu tivesse inventado que fui amada algum dia por você. Para minha amiga eu disse que me preocupava, esse tipo de atitude não era algo condizente com a pessoa que eu conhecia, não era a pessoa que eu citava em toda terapia como parâmetro de amor e maturidade. Eu sinto um luto gigantesco. É pouco mas nem o pouco veio, nem a consideração de uma amizade cordial.
Desmoronou com alguns castelos ilusórios que estive disposta a construir. Ruiu minha expectativa de te ver esse ano. Rompeu com a minha ideia de tentar fazer doutorado na sua cidade. Eu percebi que essa ideia só tinha essa motivação no momento que me decepcionei. Eu não tenho mais nenhum motivo para tentar ficar perto. Todas minhas teorias parecem uma tentativa frustrada de me iludir. Eu não vou me cegar mais. Dói demais me despedir dessa esperança, dói me sentir machucada por algo que não deveria mais mexer comigo. Foi o momento que eu soube.
Você foi uma pessoa boa, você foi. Mas, parece que eu te inventei. Em breve faz um ano que te conheço e eu já não posso dizer que sei quem você é mais.
Eu não tô tão triste por isso ter acontecido, mas por ter perdido meu pedestal, a minha referência, o futuro que eu inconscientemente moldava, a esperança. Eu to vivendo o luto. Eu sei que é errado viver o luto agora, novamente, mas a ferida reabriu. Eu tô tão frustrada porque quando algo precioso quebra, não pode ser restaurado. Até esse momento eu ainda pensava que com uma boa cola, as coisas voltariam pro lugar algum dia. Eu perdi um dos meus alicerces, sempre achei que nosso pacto de distância não valia caso uma precisasse muito. Eu precisei de uma pessoa que não existe mais.
O crime é ter alguém tão disposto a me cuidar e eu ainda alimentar esse tipo de expectativa com você. É um inferno repelir outras pessoas por um pacto que meu coração inventou sozinho. Mas, naquele dia eu soube. Eu perdi meu referencial de amor, mas o amor não tem que vir no teu molde. Vou deixar que ele tome outras formas. Vou tentar mais.
As amigas que torciam por nós hoje me dão a pedra pra pôr na nossa história. Você conseguiu.