“ — É deboche que estou sentindo na sua voz, senhor?” perguntou apontando seu dedo para o nariz do outro, em seguida de fato o apertando. Riu de forma leve, apesar dos pesares. Sempre se sentia um pouco mais leve com Lincoln, mas sabia que ele era o último que estaria de luto naquele noite. “ — Que boca suja!” brincou mais uma vez, agora segurando o queixo do garoto com sua mão direta e fazendo uma expressão exagerada de desaprovação. Quando soltou deu uma voltinha, fazendo seu vestido girar. Quem havia decidido a peça tinha sido sua mãe patricinha, quando geralmente costumava escutar os conselhos fashion da sua mãe caminhoneira. Era uma boa diferenciar, certo? “ — Mas estou bem menininha mesmo, né? Tenho que fazer valer minha posição no trio em ascensão, acho.” revirou seus olhos. E então foi pega de surpresa pela pergunta, que a fez rir um pouco mais do que deveria. “ — Desde quando precisa pedir permissão para isso?” fez o que estava fazendo naquela noite, deu de ombros. Não sabia bem como responder aquela pergunta, existiam dos lobos brigando dentro de Audrey Grace, um falava para seguir um roteiro de luto e o outro falava para seguir um roteiro de indiferença, mas não parecia que estava sentindo de verdade nem um nem o outro. “ — Ah tô bem, tem como não ficar com uma festa na Borealis? ~” usou seu tom zombateiro. “ — Curiosa para saber quando o pessoal vai começar a fugir pros banheiros para transar e tudo mais. Me lembro que era algo bem recorrente nessas festas, pelo menos na minha época” colocou a mão nas costas, mudando sua postura para fingir que estava bem velha. “ — Enfim, same old. Olhar para tudo isso só prova para mim que nada realmente mudou por aqui.”
deboche? ugh! é claro que não, senhorita. o cenho se franze em uma tênue interrogativa ; a destra é conduzida ao próprio peito em sinal de rendição. nunca ouviu falar que o amarelo é o novo azul? apesar de muitos ali fazerem uma cena gigantesca ; lincoln jamais debocharia de audrey com maldade. duvida, inclusive, que seja capaz de ter qualquer reação pejorativa para com ela. um quão estúpido ou somente sinal de conexão genuína, que seja. desculpe! coçou a nuca genuinamente envergonhado, o sorriso que derrapou sob os lábios exala um riso miúdo ; quase inexistente. é estranho estar aqui, você sabe. replicou o que não havia externado para ninguém até então, afinal por mais que tivesse questões com cada um dos agora fúnebres, não é desse jeito que imagina que seria. acho que ninguém parou 'pra pensar que sei lá, pode acontecer de novo. não é de seu feitio ser uma criatura pessimista, mas veja bem... ninguém ali parece ser santo em suficiência para esbanjar sonoridade legítima. não preciso, mas pode ser uma pergunta indelicada. de certa forma, direta ou indiretamente, acredita que eles um dia foram amigos de audrey. então, talvez, fosse um assunto potencialmente sensível. este lado pensativo, porém, é facilmente destruído pela fala alheia. a sobrancelha é arqueada e a destra empurra suavemente o ombro da garota. na sua época? e você é o que agora, audrey? uma velha? fala sério. ousa brincar ao que um sorriso genuíno brinca em seus lábios carnudos, o suspiro que deriva é sinal de concordância. aposto que estão, inclusive, procurando um quarto lá em cima. boa sorte, audrey. provocou em um tom brincalhão ; apesar de ser uma possibilidade demasiado realista. no final das contas ninguém se importa de verdade, sabe.