ARVORE
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Li Penteado, 2o22
Game of Thrones Daily
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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

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@lilianpenteado
ARVORE
fotografia digital colorida 3x4
Li Penteado, 2o22
sexta Ă© dia dos prazeres cinza e do azul
a fumaça do café, a fumaça do cigarro e amava uma mulher
dali da penumbra, sem rosto em um espelho embaçado cru e marrom e amava uma mulher
sem saber de onde vinha o ardor dos casacos e do som Ăndigo do dia
o cachorro ritmado, lamentos de longe
não sabia ocupar o doce, vivia a mulher esvoaçante e triste, o sorriso de outro
queria o vento carinhoso nas pĂĄlpebras fechadas transpassadas de mar
dedos macios com cheiro de limĂŁo e culpa
a parede que não chega aos ombros e corta o mundo de olhar o céu sol
estridente chama e grita, tem fome e nĂŁo quer comer, a inveja no estĂŽmago desmaia o leve
de um tempo furacĂŁo de dois olhos e um cai
rosna no verdejante Ășmido largo e nascente, vida insuportĂĄvel na mĂŁe terra
rasgada de ondas flechadas na carne que seca e seca e seca
nĂŁo tem onde cair morto
e queria só um desmaio que fosse, um poço e vagar e pó
trem sem apito, seu passo era assim e se erguiam os olhos, os pelos e o gelo glacial dos trinta
e seis degraus que nĂŁo posso abaixar, o sangue ralo escorre em garras e rompe cada poro
sou da mulher da janela sozinha, a moldura arqueada e musa, uma surpresa conhecida, um pão repetido, o låbio na borda ainda quente e borra no chão sem tempo, na pedra que tem
idade para ser sua irmĂŁ onde calço o Ănfimo, gozo, irrompe a pupila do quarteirĂŁo e mais borracha
vida trabalhadeira do lado que não é meu, gritante soca o assoalho pélvico e eu respondo um oi, aperto parar
fev 2o23, Li Penteado
:
olhos comem a fome
sabiĂĄ sem pena no ovo presente
grito de tripa
e solo
abre as  paredes da garganta
cabe mais
:
jan 2o23, Li Penteado
{ li i mmxxiii }
:
:
:
⩠ Labrinth  :  MOUNT  EVEREST   ⩠{ Imagination & The Misfist Kid , 2o19 }
:
a cena Ă© minha
eu te uso
sĂł pra escrever melhor
eu flerto com a pedra
com a planta
com o vendedor da banquinha
a menina apressada
seu pescoço no banco da frente
eu vento nas tuas costas
passageira
~
jan 2o23, Li Penteado
vocĂȘ veio
me fez cĂłcegas
eu sorri como se a graça jå fosse minha
mas era teu sopro respirando sonoro o asfalto
ergui gigantes pra vocĂȘ
e vocĂȘ escapou mais uma vez
me fiz concreto
irresponsĂĄvel
vocĂȘ me chamou e eu vim uma cidade inteira
vocĂȘ pressa eu indiferente e faminta
te abri todos os meus buracos
mas vocĂȘ sĂł soube sonhar com eles
aéreo
nĂŁo estava na cara?
em cada calçada?
em cada sobra de vidro?
eu cheia de ossos pra te encarnar
mas e vocĂȘ?
e eu?
eu cidade
a mais reta
sedenta
te odiei porque vocĂȘ veio e eu vim
te odiei porque vocĂȘ veio e eu ali
te abracei pra parar teu gesto de superfĂcie
sem ritmo sem cor sem vĂrgula
eu sorri
vocĂȘ me chamou de cidade
me fez cĂłcegas
eu sorri me contentando com muito pouco
a cada vez que vocĂȘ caminha em mim
a multidĂŁo me pisoteia
e aquela hora mas naquela hora
vocĂȘ me implodiu
me pediu mais mas eu nĂŁo volto
me pediu muito mas eu nĂŁo sei voltar
eu fico ali impĂĄvida
eu fico ali esfinge
como se todo o movimento fosse sĂł seu
vocĂȘ sĂł espelho
te abri todos os meus buracos
e vocĂȘ sĂł soube sonhar com eles
me fez de espetĂĄculo
e sĂł
nĂŁo sei se te deixo voltar
nĂŁo sei do meu tempo
nĂŁo senti nada
eu enorme e jĂĄ nĂŁo sei mais fazer
eu Ășmida
tempestade
como faço pra te pedir com a fala rouca?
viciada
desprezĂvel
gananciosa
como se tudo
como se tudo
como se todo o concreto fosse sĂł seu
vocĂȘ me engole
esqueceu que sou uma cidade inteira?
vocĂȘ nĂŁo me dĂĄ espaço
e tem um universo entre a gente
cadĂȘ vocĂȘ?
e eu nĂŁo te quis
de novo
minha ĂĄgua abafada
perdi a fome
vocĂȘ me fez cĂłcegas
eu sorri como se a graça jå fosse minha
eu fingi
te queria mais
colocaria tudo a perder
nĂŁo soube
eu vim uma cidade inteira
vocĂȘ me chamou e eu vim uma cidade inteira
tem um universo entre a gente
te abri todos os meus buracos
mas vocĂȘ sĂł soube sonhar com eles
eu rio de vocĂȘ
eu submissa
e vocĂȘ me fazendo
achar que sou do teu tamanho
vocĂȘ me fazendo enorme
eu desmorono cada vez que vocĂȘ nĂŁo me olha
me rendi endurecida
te segurei
te abracei fumaça
te abracei porque era muito o que vocĂȘ prometeu
mas me deixou pedindo mais
mas eu jĂĄ estava ali
eu jĂĄ estava ali uma cidade inteira
como vocĂȘ nĂŁo viu?
e vocĂȘ?
e eu?
eu sou uma cidade inteira
quebrada
sem contorno
nĂŁo sei se sei voltar
eu invento
vocĂȘ desenha em mim
banal
e eu nĂŁo te quis de novo
eu nĂŁo fiz vocĂȘ me querer
sou cruel
aposto no que nĂŁo sei
eu desprezo outros a cada vez que vocĂȘ vem
como se sĂł vocĂȘ existisse
eu desprezo todas as ruas cada vez que vocĂȘ vem
eu desprezo todas as casas
eu desprezo cada minuto que construi
nada estĂĄ ali
eu desmorono cada vez que vocĂȘ nĂŁo me olha
eu quero mais
como vocĂȘ nĂŁo viu?
nĂŁo estava na cara?
não estava na calçada?
na sobra de vidro?
como vocĂȘ nĂŁo viu?
me fiz do tamanho da tua fome
eu esperei que vocĂȘ desistisse
mas disse o contrĂĄrio
eu esperava que vocĂȘ desistisse
por que eu nĂŁo gritei isso?
mesmo se depois nada mais existisse
mesmo se eu odiasse cada um dos teus poros
me fiz do tamanho da sua fome
desmoronei
destronei
me mostrei
ĂĄvida
busquei regar minha secura
trovoei
como vocĂȘ nĂŁo viu?
me
fiz
do
tamanho
da
tua
fome
e eu nĂŁo te quis
de novo
te abri todos os meus buracos
e vocĂȘ sĂł soube sonhar com eles
eu ali
nua
curvada
pronta
-
[ sĂŁo paulo escreveu pra mim ]
27 dez 2o22, Li Penteado
saco vazio não para em pé
ao pé da letra
pé frio
chato
um belo pé no saco
 em pé de guerra
pé na porta
pé atrås
bate o pé
nĂŁo arreda
pé plantado
pé de chumbo
pé de galinha
pé na jaca
pé na cova
em pé não se aguenta
os pés pelas mãos
ao pé da escada
jura de pé junto
que é pé de valsa
samba no pé
que não hå em pé de igualdade
aos seus pés ninguém chega
que
fez um pé de meia
que
é pé quente
que
é de pé em pé
pé na estrada
que é um pé que é um leque
que
tirou o pé da lama
que
não é pé de chinelo
pé rapado jamais
que tem pé no chão
orelha em pé
que pé que då fruto é o que mais leva pedrada
fica
no
meu
pé
ao pé do ouvido
sem pé nem cabeça
:
aonde vai?
pra casa
vocĂȘ mora aqui
nĂŁo mais
onde entĂŁo?
amanhecer
curto
café?
passo
I SEE ROTHKO EVERYWHERE
- Li Penteado -
hoje acordei meio avesso
sem saber avesso o que Ă©
tenho dor crĂŽnicaÂ
de alma
tenho dor de alma crĂŽnicaÂ
cadĂȘ os sonhos de ontem?
estes sĂŁo dias que nos obrigam a arrancar a poesia do ventre,Â
parir no cotidiano,
só peço forças pra que ela nasça, nem que seja no fórceps
e esta dor violenta que eu por vezes insisto em colocar nas palavras
seja também um desabafo de amor
nĂŁo quero amar sem poesia
amor e poesia devem ser a mesma coisa
"viver nĂŁo Ă© preciso", aliĂĄs
"navegar Ă© preciso, viver nĂŁo Ă© preciso"
cadĂȘ os sonhos de ontem?
Eu perguntei,
Que horas sĂŁo?
Ele respondeu,
Nove horas com chuva.
DO SILĂNCIO, 2o15 - Li Penteado -
#theartistisdead, 2o15 - foto - Marcela Campos -
#theartistisdead, 2o15 - foto - Le Penteado -