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Avaliação da Disciplina
Não tenho muitas críticas a fazer a essa disciplina, pois gostei muito do modo com que a professora guiou as aulas. Como gosto das ideias de Vygotsky sobre a ZDP e sou contra a aplicação de provas teóricas específicas, o método de avaliação eu achei excelente! Aprendi muito mais tendo que postar aqui toda semana do que eu teria aprendido estudando para uma prova. Se o aluno leva a sério essa questão de ler e postar no diário, acho que dá sim muito certo! Gostei da escolha do livro também; não foi um livro difícil ou cansativo de ler, ao mesmo tempo que não foi tão básico. A professora e a PAD sempre foram atenciosas e as aulas foram interessantes. A única coisa que eu mudaria da última vez é fazer mais análise de materiais concretos mesmo.
Reflexão da semana de 28/11
O capítulo 9 do livro estudado foi apresentado por mim, então o li várias vezes. Da primeira vez, a ideia da ASL comparada ao caos e à teoria da complexidade me pareceu (muito) complexa, de fato, e eu não entendi nada. Me lembrou um pouco física, e eu assustei. Na segunda vez, eu entendi e achei muito interessante, muito perfeita, enfim, eu amei. Depois eu li de novo e percebi que várias coisas dessa teoria não fazem o mínimo sentido - e foi essa a impressão que ficou, porque não faz muito sentido mesmo. Ao mesmo tempo que eu concordo que fechar muito a sua visão sobre linguagem e aquisição (seja de segunda língua ou língua materna) não é algo bom - por exemplo, mesmo que uma pessoa seja chomskyana (?) é interessante ela tentar encaixar algum aspecto social dentro do que ela acredita que seja aquisição, eu não acho que seja possível ACEITAR de fato integralmente todas as teorias. Porque elas são por natureza opostas umas às outras... É sim impossível concordar com Chomsky e Vygotsky ao mesmo tempo. E do jeito que é explicada a teoria da complexidade, uma hora dá a entender que todas as teorias teriam o mesmo peso e espaço de credibilidade, sendo que em outro trecho já parece mais forte a questão social e em outro trecho há a contradição e oscilação da opinião da própria Larsen-Freeman quanto ao inatismo. Apesar desse caráter contraditório e até impossível da teoria da complexidade como metáfora para ASL, há posicionamentos e comparações bem interessantes no capítulo. Por exemplo, quando a linguagem é comparada a sistemas complexos no sentido de “seu uso é um processo ativo que evolui e muda, e essas mudanças não são lineares. A linguagem é complexa porque é composta de diferentes subsistemas interdependentes.” . E o uso do fractal para exemplificar essa questão da complexidade ordenada também foi algo de que gostei bastante, pois é exatamente o que a autora diz: parece uma árvore cujos galhos aparentam estar em total desordem, mas no final está tudo muito bem organizado em um padrão autossemelhante - e a língua (um sistema complexo) é assim também; parece algo caótico, mas é completamente passível de estudo e desmembramento para ser melhor compreendida. Outro trecho que achei interessante foi o da página 147, em que há uma discussão sobre “todas as línguas que um indivíduo conhece são parte de um sistema dinâmico”, no sentido de haver uma interação entre elas que acaba afetando o seu desempenho; como eu estudo várias línguas ao mesmo tempo eu posso dizer que pela minha experiência pessoal é realmente assim, chega a ser inclusive divertido. Tudo acaba por se conectar de um modo bizarro na minha cabeça, e por vezes misturo tudo ou não consigo lembrar de uma palavra em uma língua mas lembro em outra. A outra parte da aula também foi bem interessante; é realmente bom ter essas atividades mais práticas, como avaliar e analisar algum livro didádico. O que acho é que eu entendo bem todas as teorias, mas na hora de identificar é muito difícil... Foi bem legal a oportunidade de discutir isso em grupo e depois com toda a sala.
Reflexão da semana de 21/11
A Teoria Sociocultural é muito interessante; eu gostei bastante de aprender mais sobre ela. Acho que em algum ponto do curso de letras todo mundo acaba em algum momento, sem se dar conta disso, conhecendo Vygotsky e palavras como “Zona de Desenvolvimento Proximal” e “andaime” - é até meio misterioso. Eu nunca tinha lido sobre Vygotsky, mas eu conhecia a teoria dele. Enfim, sempre achei muito legal, porque ele e seus seguidores abordam questões bem interessantes de maneiras totalmente inovadoras. A parte da mediação acho que é a mais estranha, porque me parece que se algo simbólico - e a própria linguagem - podem servir de artefato para mediação é meio óbvio que tudo é mediado. Mas acho que eu só penso assim porque alguém pensou isso primeiro em algum momento - Vygotsky mesmo. Então, créditos a ele e a outros estudiosos que seguiram suas ideias. Porque faz muito sentido pensar que “o funcionamento da mente humana é um processo fundamentalmente mediado, organizado por artefatos culturais, atividades e conceitos” (p. 128) e artefatos físicos também. Mas a parte que eu mais gosto da teoria do Vygotsky é a ZPD. Acho muitomuitomuito válido aplicar as ideias nas aulas, seja de LE ou de língua materna, o problema é COMO fazer isso se tudo hoje em dia é baseado em notas e provas? Acredito que provas não servem de muito pois só focam no desenvolvimento real do aluno, o que ele já sabe fazer, quando o que o aluno está QUASE conseguindo fazer sozinho, mas ainda precisa de ajuda para conseguir, deveria ser o maior foco da educação. O Aprendiz precisar de assistência mediada por um especialista, pelos pares ou por ele mesmo não é de modo algum uma coisa ruim que deve acabar logo, para dar lugar à independência total. A ideia de “andaime” (”processo que habilita uma criança ou um aprendiz a resolver um problema, executar uma tarefa ou alcançar um objetivo que estaria além de seus esforços se não houvesse uma assistência” - p. 132) mostra bem a importância e relevância desse momento de Desenvolvimento Proximal para o aprendiz, e todas as funções do andaime são muito mais nobres do que a expectativa de que um aluno DECORE 100 páginas de um livro didático para depois “vomitar” tudo na prova. O investimento na ZPD seria algo maravilhoso de se ver nas escolas brasileiras, inclusive em ensino de LE. Sobre isso, sou um pouco relutante quanto a desviar do foco do input para a ideia de enfoque na interação ativa do aprendiz com o ambiente e seus pares, porque eu gosto muito da ideia de que o input tem um papel essencial na ASL, mas eu concordo também com a parte da interação - ficaria em um meio termo. Inclusive, a mediação por pares é algo que deve ser explorado ao máximo em aulas de língua estrangeira, na minha opinião. As minhas aulas de francês sempre tiveram muito exercícios em dupla e grupo, enquanto as minhas aulas de italiano são muito individuais, com foco na fala da professora - e eu sinto que essa é uma das razões para a minha oralidade no francês ser bem melhor, apesar da língua ser de uma pronúncia mais difícil que o italiano. Acho interessante o que é colocado na p. 133: “na construção de um andaime coletivo, os falantes são, ao mesmo tempo, aprendizes individuais e especialistas coletivamente”. Acho que se isso fosse estimulado, os alunos de fato se beneficiariam no desenvolvimento da habilidade oral na segunda língua. De modo geral, gostei bastante de saber mais sobre Vygotsky e sua teoria sociocultural. Parece que conforme o livro caminha as teorias apresentadas são mais completas...
Reflexão da semana de 31/10
Finalmente o livro abordou uma hipótese que eu gostei um pouco mais, hehe. Eu sei que não é nada reflexivo e discursivo ainda, mas acho que comparado com o que existia até agora a Hipótese da Interação é bem interessante. Mas talvez eu ache isso porque quase todas as línguas que eu aprendo/aprendi se utilizam de métodos vindos dessa hipótese... Na verdade, a impressão que dá é que todos os livros didáticos são assim: 1) A unidade começa com uma situação de interação; uma conversa em uma padaria ou um restaurante, por exemplo. Aí tem um áudio pra ouvir e um vocabulário pra aprender 2) Depois, vem as regras de gramáticas ou expressões a se aprender com aquela situação. 3) Por último vem um monte de exercícios que lembram ou o Behaviorismo ou o Conexionismo; na maioria das vezes, os dois. Acho que dá pra aprender língua desse jeito, mas de fato falta algo, que é justamente a abordagem da Língua como prática social, e não somente instrumento de comunicação. Porque, é claro, ninguém usa a língua (seja materna ou não) puramente para se comunicar. Só de estarmos vivos a gente já está inserido em um ambiente social em que precisamos construir o sentido das coisas de acordo com as nossas percepções, ideologias e conhecimento. O uso da língua tem que estar de acordo com ESSA vivência, e não uma “vivência” inventada de “como pedir três pãezinhos e uma garrafa de leite em francês”. Se a gente vivesse de situações comunicativas acho que pareceríamos robozinhos.. Bem, crítica devidamente feita, é preciso admitir que a Hipótese da Interação foi um marco decisivo no ensino de LE, pois o foco muda para o social, para o uso da língua. Hatch (que se inspira muito na aquisição de LM) diz que a aquisição parte do discurso (formulação de fala, puramente) para a estrutura, ou seja, ela é uma das primeiras a colocar que a língua não é um sistema, puramente. Seu foco é a interação; ou seja, a língua seria um instrumento de comunicação (sendo que esse instrumento carrega o Sentido). Achei legal porque o sujeito não é encarado como uma tábula-rasa, e nem biologicamente predisposto (apesar de eu concordar com várias ideias de Chomsky), e sim um sujeito social e cognitivo. No ensino de LE, o foco é a conversação em sala de aula., com exercícios em dupla ou grupos. E apesar de integrar as 4 habilidades, em todas as estratégias começa a aparecer algo comunicativo, para conseguir o sucesso da conversa. Acho isso bem legal, porque pensando no meu aprendizado de japonês, por exemplo, se não tivesse os exercícios de comunicação eu nunca treinaria o meu oral. Inclusive, há até uma prova oral, que nos obriga a tentar aperfeiçoar a fala. Pensando no japonês, ainda, é possível pensar no que a autora do livro fala sobre a interação dos falantes nativos com os aprendizes da língua. Eu tenho muitos amigos japoneses, mas nunca tento falar em japonês com eles, por vergonha e medo de errar (admito. Afinal, que língua difícil viu!). Mas eu não poderia fazer isso, pensando na Hipótese da Interação. A conversa entre nativos e não nativos é muito rica para o aprendizado da língua, pois os esforços comunicativos são essenciais para a aquisição da língua. E em uma conversa com um japonês, por exemplo, eu me esforçaria comunicativamente muito mais, do mesmo jeito que ele se valeria de estratégias conversacionais para facilitar a minha compreensão. Gosto muito de pensar em interação nativo-não nativo... Não consigo identificar muito o motivo... Mas eu adoro estrangeiros. Acho até um pouco creepy da minha parte hehe. Talvez seja um fascínio pelo que é diferente... Sei lá. Deve ter um motivo.
Reflexão da semana de 24/10
O conexionismo me pareceu muito bizarro e não simpatizei com ele logo de cara por causa de todas as comparações com informática - não sou a maior fã e muito menos entendedora de redes e computadores e essas coisas. Acho tudo muito chato e difícil. Mas depois de ler com calma o capítulo e ter a aula consegui enxergar muitos pontos interessantes. O que mais me espantou foi a presença do modelo conexionista nos livros didáticos de ASL. O conexionismo implica exercícios de abordagem indutiva (a indução é o processo de associações feitas pela rede neural até chegar a uma resposta), e sempre tem um exercício de apresentar “usos de do e does”, por exemplo, e fazer o aluno chegar na regra sozinho. Acho que exercícios desse tipo são mais legais (divertidos, mesmo) e mais eficientes do que os exercícios de repetição pura (ligados ao behaviorismo), mas ainda falta algo... A ideia de que aprendemos a língua pelo uso é interessante, mas pensar nesse “uso” como simplesmente conexões repetidas na nossa rede neural, que cuida da parte da linguagem... Isso não é aprendizagem. Essas conexões repetidas levam a associações, por isso podemos ligar conexionismo a associacionismo. É importante destacar que esse modelo vai totalmente contra o inatismo; o que é inato são os mecanismos neurais que implementam o conhecimento (de gramática, etc.). Não é o conhecimento que é inato. Algo que achei muito bizarro ao ler sobre o modelo conexionista é que eles tentam aplicar e testar toda a teoria desenvolvendo linguagem em computadores. Para mim é muito (muito mesmo) estranho alguém achar OK comparar tão intimamente uma máquina e um ser humano. Máquinas não tem sentimentos, que é o que basicamente define o ser humano... Não faz sentido nenhum. A linguagem não pode ser como um programa de computador porque nós não somos robôs .-. Os conexionistas consideram aspectos como memória e atenção e motivação puramente porque “melhora as conexões”, e não pode envolver emoções. Nada no processo de aquisição de linguagem envolve emoções então? Não consigo acreditar nisso. O ser humano é sim um sujeito social, e não uma máquina. A ASL não é puramente cognição, do mesmo jeito que não é só conhecimento inato... Parece que todos os modelos expostos pelo livro têm algo de bom e deixam a desejar em algum aspecto. O ideal então seria uma mistura de todos eles? Mas nenhum deles considerou aspectos mais interiores às pessoas como determinantes para a aprendizagem de uma língua... E nenhum deles toca muito no assunto das variações existentes entre o output dos falantes. O que é essa variação? O conexionismo não olha para elas de modo negativo e ruim, só algo... Imperfeito(?). Só sei que não gosto de pensar que eu aprendo um monte de línguas porque minha rede neural faz milhares de associações por dia. É estranho. Por exemplo, a relação que eu tenho com a cultura japonesa envolve muito amor e admiração... Não é possível que essa minha preferência e dedicação pelo japonês não sejam levados em conta no meu processo de aquisição da língua...
Reflexão semana de 17/10
O assunto tratado na aula dessa semana é algo que nós já estudamos e, por isso, já foi comentado por mim. Portanto, não vou escrever hoje sobre o conteúdo da aula em si, mas sobre a aula - o modo com que ela foi guiada. Aliás, não somente essa aula, mas as aulas da disciplina no geral. Estou gostando bastante; acho que foi bem interessante acompanhar um livro inteiro sobre o assunto a ser estudado e também acho legal a ideia de cada aluno apresentar um capítulo. O método de avaliação é super diferente e interessante também. A aula dessa semana foi uma retomada de conteúdo já visto, com resumo passado na lousa e formulação de questões em grupo. Achei bem útil essa revisão geral sobre as teorias do Krashen e do Chomsky - que são interligadas -, do mesmo modo que a revisão anterior, sobre Behaviorismo e Skinner, foi de grande ajuda para nós lembrarmos os pontos principais da teoria que não podem ser nunca esquecidos. Estudar todas essas vertentes diferentes de pensamento era algo de que eu estava sentindo falta no curso, então estou bem feliz por poder estar estudando-as agora - mesmo que o livro coloque-as em relação com o ensino de LE, sempre. Algo levado à discussão na última aula que me atraiu bastante foi a questão de que, de acordo com Krashen, somos todos proficientes em espanhol (!!!). Porque ele diz “adquirimos a língua quando compreendemos mensagens, quando entendemos o que as pessoas nos dizem e quando compreendemos o que lemos”. Devido a esse traço de exclusão total do output eu poderia dizer que já adquiri espanhol, o que é no mínimo estranho... O que talvez os brasileiros sejam capazes de perceber que TÊM de fato é uma interlíngua - o portunhol, no caso. Mas essa negação da importância da fala é algo muito bizarro pra mim... Não consigo aceitar não.