Finalmente o livro abordou uma hipótese que eu gostei um pouco mais, hehe. Eu sei que não é nada reflexivo e discursivo ainda, mas acho que comparado com o que existia até agora a Hipótese da Interação é bem interessante. Mas talvez eu ache isso porque quase todas as línguas que eu aprendo/aprendi se utilizam de métodos vindos dessa hipótese... Na verdade, a impressão que dá é que todos os livros didáticos são assim:
1) A unidade começa com uma situação de interação; uma conversa em uma padaria ou um restaurante, por exemplo. Aí tem um áudio pra ouvir e um vocabulário pra aprender
2) Depois, vem as regras de gramáticas ou expressões a se aprender com aquela situação.
3) Por último vem um monte de exercícios que lembram ou o Behaviorismo ou o Conexionismo; na maioria das vezes, os dois.
Acho que dá pra aprender língua desse jeito, mas de fato falta algo, que é justamente a abordagem da Língua como prática social, e não somente instrumento de comunicação. Porque, é claro, ninguém usa a língua (seja materna ou não) puramente para se comunicar. Só de estarmos vivos a gente já está inserido em um ambiente social em que precisamos construir o sentido das coisas de acordo com as nossas percepções, ideologias e conhecimento. O uso da língua tem que estar de acordo com ESSA vivência, e não uma “vivência” inventada de “como pedir três pãezinhos e uma garrafa de leite em francês”. Se a gente vivesse de situações comunicativas acho que pareceríamos robozinhos.. Bem, crítica devidamente feita, é preciso admitir que a Hipótese da Interação foi um marco decisivo no ensino de LE, pois o foco muda para o social, para o uso da língua. Hatch (que se inspira muito na aquisição de LM) diz que a aquisição parte do discurso (formulação de fala, puramente) para a estrutura, ou seja, ela é uma das primeiras a colocar que a língua não é um sistema, puramente. Seu foco é a interação; ou seja, a língua seria um instrumento de comunicação (sendo que esse instrumento carrega o Sentido). Achei legal porque o sujeito não é encarado como uma tábula-rasa, e nem biologicamente predisposto (apesar de eu concordar com várias ideias de Chomsky), e sim um sujeito social e cognitivo.
No ensino de LE, o foco é a conversação em sala de aula., com exercícios em dupla ou grupos. E apesar de integrar as 4 habilidades, em todas as estratégias começa a aparecer algo comunicativo, para conseguir o sucesso da conversa.
Acho isso bem legal, porque pensando no meu aprendizado de japonês, por exemplo, se não tivesse os exercícios de comunicação eu nunca treinaria o meu oral. Inclusive, há até uma prova oral, que nos obriga a tentar aperfeiçoar a fala. Pensando no japonês, ainda, é possível pensar no que a autora do livro fala sobre a interação dos falantes nativos com os aprendizes da língua. Eu tenho muitos amigos japoneses, mas nunca tento falar em japonês com eles, por vergonha e medo de errar (admito. Afinal, que língua difícil viu!). Mas eu não poderia fazer isso, pensando na Hipótese da Interação. A conversa entre nativos e não nativos é muito rica para o aprendizado da língua, pois os esforços comunicativos são essenciais para a aquisição da língua. E em uma conversa com um japonês, por exemplo, eu me esforçaria comunicativamente muito mais, do mesmo jeito que ele se valeria de estratégias conversacionais para facilitar a minha compreensão. Gosto muito de pensar em interação nativo-não nativo... Não consigo identificar muito o motivo... Mas eu adoro estrangeiros. Acho até um pouco creepy da minha parte hehe. Talvez seja um fascínio pelo que é diferente... Sei lá. Deve ter um motivo.