Ready or not, here I come | January | Rose and Dirk
dirkpodetudo:
🌟 — eu flertando com você? acho que está enganada, ruivinha. você que começou com essa história de pagar uma bebida grátis e eu retribuir a gentileza. — relembrou. na cabeça do bruxo Rose que tinha tomado a iniciativa na virada do ano, mas pelo pouco que conhecia sabia que ela iria negar. além do mais, ele tinha amor por sua própria vida e por esse exato motivo que não queria ver a ruivinha irritada novamente — já tinha presenciado aquilo uma vez e já tinha sido o bastante. Dirk tinha aprendido a lição. — pode reclamar o quanto quiser, mas ruivinha é um ótimo apelido. e na última parte eu apenas estava sendo sincero. se você aceita ou não esse elogio, o problema não é meu. — comentou. — e agora chegamos no tópico da conversa em que conversamos sobre meu histórico amoroso? não sabia que éramos amigos nesse ponto. — respondeu. de todos os assuntos possíveis para conversar, aquele era o único que o Podmore fazia questão de evitar. ok que ele se divertia junto de Rose e gostasse da companhia da mulher, mas ainda não tinha intimidade o suficiente para mencionar sua história com Wendy. tudo aquilo era complicado demais para Dirk reviver. ele simplesmente não conseguia. — estou surdo ou realmente escutei tudo certo? hoje deve ser um dia histórico. nunca imaginei que estaria vivo para escutar você dizendo que estava errada ao meu respeito. e que sou surpreendente de maneira positiva. pelas barbas de Merlin, isso é mais prazeroso do que um orgasmo, ruivinha. — brincou.
🌟 o bruxo tinha algumas piadinhas para fazer, mas algo o dizia que era melhor ficar calado. ele estava abusando da paciência de Rose. então, não demorou para mudar o rumo da conversa. — o seu pedido é uma ordem, ruivinha. se você quer um pouco de música, é isso que você vai ter. — falou. normalmente, o Podmore utilizava uma vitrola enfeitiçada que pertencera ao seu avô e alguns dos discos que seu pai tinha comprado durante a adolescência. ou seja, o repertório que Dirk tinha era repleto de músicas da década de 60 e 70. talvez seu gosto pudesse ser considerado um pouco antiquado, mas nunca tinha escutado nenhuma reclamação por parte dos clientes. as pessoas não iam ao Merlin’s Beard buscando escutar as últimas tendências do mundo da música ou dançar. as pessoas iam para o bar com o intuito de comer e beber. a música ou a ausência dela não fazia diferença. através de um feitiço não-verbal o bruxo ligou a velha vitrola que ficava encostada numa das prateleiras do bar. — Don’t go breaking my heart, I couldn’t if I tried…. — começou a tocar, fazendo com que a música ecoasse pelo espaço. Elton John. 1976. aquela música era um clássico. — o que me diz de uma dança, ruivinha? e já adiantou que não aceito um não como resposta. — falou. e antes de dar um tempo para a mulher responder, Dirk a pegou pela mão e a puxou para que ela se levantasse da mesa.
Será que ele nunca iria esquecer-se da véspera de Ano Novo? No dia em que ela tinha pagado um drink para ele? Pelo visto a resposta era não, já que a cada oportunidade ele fazia questão de lembrar-se daquele acontecimento específico. Talvez, hipoteticamente, ela estivesse tentando flertar com Dirk naquele dia, mas as coisas tinham tomado um rumo bem diferente do que tinha imaginado e ela não era capaz de admitir sua verdadeira intenção; falar a verdade seria a mesma coisa de massagear o ego enorme de Dirk e ela já tinha muitos problemas para lidar para precisar se preocupar com ele. “Ruivinha é um apelido terrível, e nós dois sabemos que você só gosta dele porque isso me irrita”, Rose tentava não se importar com o bruxo ou com o que ele dizia, mas, às vezes, era impossível se controlar. Ela ficava irritada com facilidade (ela tinha que admitir que Dirk era muito bom naquilo, ele parecia saber o que falar para deixá-la daquele jeito), e aquilo apenas servia de munição para ele usar em próximas ocasiões. “Pois bem, agora você sabe que nós somos amigos nesse ponto”, ao julgar pela aparência do homem ele parecia ser o tipo de cara que evitava relacionamentos sérios, que se contentava com uma noite de sexo casual e nada a mais. Porém, Rose não sabia muito sobre Dirk ou a respeito de sua vida pessoal para ter certeza de sua suposição. “E é por isso que eu estava evitando te elogiar, ou falar algo amigável; o seu ego é gigante. E não, não venha fazer piadinhas de duplo sentido com o que eu acabei de falar. E se você acha que isso é mais prazeroso do que um orgasmo, me sinto na obrigação de te informar que sua vida sexual está trágica”, não tinha nada demais no que Rose estava falando, mas, mesmo assim, isso não tinha evitado o rubor em sua face.
A medida que a noite ia transcorrendo, Rose ia se sentindo extremamente paparicada por Dirk, que estava sendo extremante prático e fazendo o possível para atender seus pedidos. Ele tinha mantido o bar aberto apenas para ela que ela pudesse conhecer o local, providenciado uma comida deliciosa, um drink para ela beber e agora iria colocar um pouco de música; aquilo era muito mais do que poderia pedir. Weasley era obrigada a admitir que estava gostando daquela atenção e do tratamento que estava recebendo; quem não gostaria. “Vamos ver se você tem um ótimo gosto musical”, pelo pouco que tinha conhecido do bruxo, Rose tinha criado uma imagem mental dele e estava curiosa para ver se estava certa em suas suposições. Será que ele era um galinha como imaginava? Que ele não conseguia se comprometer num relacionamento sério? Ou quais eram suas motivações de vida além de tomar conta do bar? Weasley foi arrancada de seus pensamentos quando escutou a música ecoando pelo bar. Ela tinha uma preferencia por música pop e não conhecia muitos cantores trouxas, mas Elton John era uma lenda. “Você é impossível, sabia disso?”, numa situação normal Rose nunca teria aceitado aquilo. Ela era uma péssima dançarina (as aulas de ballet que tinha feito quando menor nunca tinham surtido nenhum efeito), sem contar que se sentia constrangida ao ser observada por outras pessoas, mas ali ela não precisava se preocupar com ninguém. Porém, ali estava apenas Dirk e não é como se precisasse se preocupar com ele ou com a opinião dele. Os dois dançaram, de forma extremamente desengonçada, a medida que a música tocava; eles não estavam se preocupando em fazer algo bonito nem nada do tipo, apenas estavam se divertindo em sintonia. Qual era a última vez que ela tinha se sentindo daquele jeito? Rose não conseguia se lembrar de ter uma noite tão divertida como aquela há tempos.
Quando a música parou de tocar, mudando para outra faixa, Rose entendeu aquilo como um sinal de que deveria ir embora. Ela tinha aproveitado bastante, se divertido como nunca, e por mais que estivesse amando cada momento daquela noite não podia continuar exigindo mais de Dirk, ele já tinha feito o bastante por ela naquela noite. “Dirk, acho que é melhor eu já ir indo. Obrigada por essa noite divertida e surpreendente”, agradeceu. E enquanto caminhava para a saída da porta, não podia deixar de pensar que tinha algo faltando, como se tudo aquilo não tivesse sido suficiente. Ao chegar na porta, Rose deu uma última olhada para o bar e para Dirk que tinha voltado ao trabalho de arrumar o restante das coisas. “Quer saber de algo? Foda-se”, murmurou baixinho para si mesma antes de dar meia volta, se aproximando do local onde Dirk se encontrava. “Eu precisava fazer mais uma coisa antes de ir embora”, falou antes de puxá-lo para um beijo. Aquilo podia ser loucura, mas era o que Rose queria fazer a muito tempo, desde o dia do Ano Novo. Tinha algo em Dirk que era encantador e que fascinava ela, de forma que não podia continuar ignorando aquilo. Em sua mente ela tinha listado vários motivos para não beijar Dirk ou para não se encantar com ele, era como se tentasse convencer a si mesma que não queria ele, mas ali, naquele exato momento, envolvida pelos braços do homem, a lista parecia não ter nenhuma importância; simplesmente parecia ser a coisa certa a se fazer.














