Será que ele nunca iria esquecer-se da véspera de Ano Novo? No dia em que ela tinha pagado um drink para ele? Pelo visto a resposta era não, já que a cada oportunidade ele fazia questão de lembrar-se daquele acontecimento específico. Talvez, hipoteticamente, ela estivesse tentando flertar com Dirk naquele dia, mas as coisas tinham tomado um rumo bem diferente do que tinha imaginado e ela não era capaz de admitir sua verdadeira intenção; falar a verdade seria a mesma coisa de massagear o ego enorme de Dirk e ela já tinha muitos problemas para lidar para precisar se preocupar com ele. “Ruivinha é um apelido terrível, e nós dois sabemos que você só gosta dele porque isso me irrita”, Rose tentava não se importar com o bruxo ou com o que ele dizia, mas, às vezes, era impossível se controlar. Ela ficava irritada com facilidade (ela tinha que admitir que Dirk era muito bom naquilo, ele parecia saber o que falar para deixá-la daquele jeito), e aquilo apenas servia de munição para ele usar em próximas ocasiões. “Pois bem, agora você sabe que nós somos amigos nesse ponto”, ao julgar pela aparência do homem ele parecia ser o tipo de cara que evitava relacionamentos sérios, que se contentava com uma noite de sexo casual e nada a mais. Porém, Rose não sabia muito sobre Dirk ou a respeito de sua vida pessoal para ter certeza de sua suposição. “E é por isso que eu estava evitando te elogiar, ou falar algo amigável; o seu ego é gigante. E não, não venha fazer piadinhas de duplo sentido com o que eu acabei de falar. E se você acha que isso é mais prazeroso do que um orgasmo, me sinto na obrigação de te informar que sua vida sexual está trágica”, não tinha nada demais no que Rose estava falando, mas, mesmo assim, isso não tinha evitado o rubor em sua face.
A medida que a noite ia transcorrendo, Rose ia se sentindo extremamente paparicada por Dirk, que estava sendo extremante prático e fazendo o possível para atender seus pedidos. Ele tinha mantido o bar aberto apenas para ela que ela pudesse conhecer o local, providenciado uma comida deliciosa, um drink para ela beber e agora iria colocar um pouco de música; aquilo era muito mais do que poderia pedir. Weasley era obrigada a admitir que estava gostando daquela atenção e do tratamento que estava recebendo; quem não gostaria. “Vamos ver se você tem um ótimo gosto musical”, pelo pouco que tinha conhecido do bruxo, Rose tinha criado uma imagem mental dele e estava curiosa para ver se estava certa em suas suposições. Será que ele era um galinha como imaginava? Que ele não conseguia se comprometer num relacionamento sério? Ou quais eram suas motivações de vida além de tomar conta do bar? Weasley foi arrancada de seus pensamentos quando escutou a música ecoando pelo bar. Ela tinha uma preferencia por música pop e não conhecia muitos cantores trouxas, mas Elton John era uma lenda. “Você é impossível, sabia disso?”, numa situação normal Rose nunca teria aceitado aquilo. Ela era uma péssima dançarina (as aulas de ballet que tinha feito quando menor nunca tinham surtido nenhum efeito), sem contar que se sentia constrangida ao ser observada por outras pessoas, mas ali ela não precisava se preocupar com ninguém. Porém, ali estava apenas Dirk e não é como se precisasse se preocupar com ele ou com a opinião dele. Os dois dançaram, de forma extremamente desengonçada, a medida que a música tocava; eles não estavam se preocupando em fazer algo bonito nem nada do tipo, apenas estavam se divertindo em sintonia. Qual era a última vez que ela tinha se sentindo daquele jeito? Rose não conseguia se lembrar de ter uma noite tão divertida como aquela há tempos.
Quando a música parou de tocar, mudando para outra faixa, Rose entendeu aquilo como um sinal de que deveria ir embora. Ela tinha aproveitado bastante, se divertido como nunca, e por mais que estivesse amando cada momento daquela noite não podia continuar exigindo mais de Dirk, ele já tinha feito o bastante por ela naquela noite. “Dirk, acho que é melhor eu já ir indo. Obrigada por essa noite divertida e surpreendente”, agradeceu. E enquanto caminhava para a saída da porta, não podia deixar de pensar que tinha algo faltando, como se tudo aquilo não tivesse sido suficiente. Ao chegar na porta, Rose deu uma última olhada para o bar e para Dirk que tinha voltado ao trabalho de arrumar o restante das coisas. “Quer saber de algo? Foda-se”, murmurou baixinho para si mesma antes de dar meia volta, se aproximando do local onde Dirk se encontrava. “Eu precisava fazer mais uma coisa antes de ir embora”, falou antes de puxá-lo para um beijo. Aquilo podia ser loucura, mas era o que Rose queria fazer a muito tempo, desde o dia do Ano Novo. Tinha algo em Dirk que era encantador e que fascinava ela, de forma que não podia continuar ignorando aquilo. Em sua mente ela tinha listado vários motivos para não beijar Dirk ou para não se encantar com ele, era como se tentasse convencer a si mesma que não queria ele, mas ali, naquele exato momento, envolvida pelos braços do homem, a lista parecia não ter nenhuma importância; simplesmente parecia ser a coisa certa a se fazer.
🌟 — já me falaram isso algumas vezes. não é como se fosse nenhuma novidade. — comentou. o bruxo já tinha escutado muitas pessoas se referindo a ele daquela forma. impossível. e na maioria das vezes aquela palavra vinha acarretada por uma conotação negativa — apenas pelo tom de voz usado já dava para perceber que era ruim. afinal de contas ele era o aluno problema em hogwarts, causando problemas por onde passava. era como se ele tivesse um ímã que atraísse confusão e detenção por onde quer que ele fosse. no entanto, naquele contexto a palavra estava sendo utilizada de forma positiva. e o sorriso no rosto da ruivinha indicava aquilo. desde o início daquela noite o Podmore tinha buscado agradá-la de qualquer maneira possível — alguns poderiam até dizer que ele estava exagerando. então, era gratificante ver que seus esforços estavam sendo reconhecidos. era como se finalmente tivesse atingindo o seu objetivo final. ver a ruivinha ali toda alegre e se divertindo enquanto dançavam fazia com que todo trabalho valesse a pena. se fosse outra pessoa ou outro contexto, talvez não teria se dado o trabalho de fazer tudo aquilo. só iria falar que o bar estava quase fechando e para retornar no outro dia. contudo, para determinadas pessoas valia a pena fazer um sacrifício.
🌟 e como tudo que é bom na vida tem o fim, o mesmo ocorreu com aquele encontro — se é que podia chamar aquilo de encontro. já estava tarde e por mais que passar mais algumas horas da ruivinha fosse uma ideia tentadora, o bruxo tinha aproveitado muito por uma noite. tinha sido um tremendo milagre convencer a ruivinha ficar ali até aquela hora. além do mais, já estava ficando tarde. — você é minha convidada de honra. precisava fazer algo à sua altura. — respondeu. a verdade que tinha feito tudo aquilo para impressionar a ruivinha. não se tratava dela apenas conhecer o seu bar. queria que tivesse uma ótima impressão dele. — até mais, ruivinha. — disse. Dirk não olhou para trás quando a mulher estava indo embora. ele tinha muito trabalho a fazer no Merlin’s Beard antes de dormir — aquela era uma clara consequência de ter postergado seu trabalho apenas para fazer companhia para Rose, mas aquilo parecia não ter nenhuma importância. pelo menos não se comparado com a diversão que tivera junto dela. o Podmore estava limpando algumas das mesas quando viu a ruivinha se aproximando. — achei que estivesse indo. esqueceu alguma... — ele foi incapaz de terminar a frase. quando se deu conta lá estava ele beijando a ruivinha. o bruxo pressionou mais seu corpo contra o dela, abrindo os lábios e deixando que as línguas trabalhassem em sintonia fazendo com que o beijo se tornasse mais voraz a cada segundo. — isso sim que é uma ótima forma de terminar a noite! — falou ao se afastar de Rose para recuperar seu fôlego. então depositou um beijo em sua testa, afastando o rosto do dela apenas para fitá-la. cacete! aquilo tinha sido melhor do que tinha imaginado. estaria mentindo se falasse que não tinha desejado aquilo. mas nunca achou que aquilo realmente fosse capaz de acontecer. pelo visto a realidade tinha sido boa demais com ele — decidido o surpreender positivamente. e ali junto da ruivinha, Dirk Podmore estava se sentindo feliz de uma forma que não se sentia há anos.