Por conta dos seus constantes esforços em manter uma certa relevância dentro da alta sociedade bruxa, seu pai havia acabado por ficar famoso por suas festas extravagantes. Eram festas de proporções únicas planejadas no mínimo detalhe com meses de antecedência; e por alguma razão todos pareciam ansiar por um convite para participar das mesmas. Era bem comum que artistas renomados ou atrações internacionais fossem contratadas para o "evento". Agora, fosse por conta das pessoas relevantes que em geral compareciam e eram bem próximas ao seu pai, pelas oportunidades ou pela diversão da festa Sebastian não sabia, mas haviam sido várias as vezes que pessoas forçaram interações com ele apenas para serem convidadas. E havia sido por conta dessas diversas cartas que recebera durante seus últimos meses na escola que soubera o que seu pai estivera planejando nos ultimos meses. Havia de fato estranhado não ter escutado nada sobre festas durante esse período, e de certa maneira até pressupos que ele pudesse estar planejando uma. Agora, uma festa em homenagem ao seu retorno? Essa era nova. Independentemente das intenções do seu pai manter algo desse tamanho escondido dele por muito mais tempo, pensou enquanto embarcava no trem de volta para Londres, era impossível.
Sua opinião sobre essas festas todas? Bem, no geral ele não ligava muito para as festas. Para Sebastian não eram muito diferentes de todas as vezes nas quais seu pai aparecia com um grupo grande de amigos a fim de ter uma conversa ou outra sobre política. Por vezes até durante essas conversas contratava um musicista para fazer uma musica ambiente ao vivo; seu pai sempre foi e nunca escondeu o fato de ser extremamente orgulhoso e metido. Claro, as proporções das festas assim como o planejamento costumavam ser infinitamente maiores. Músicas e uma quantidade enorme de pessoas circulando pela casa. Seu pai esforçando-se para dar atenção a todos, sempre a mesma coisa. Inicialmente ele o obrigava a segui-lo onde quer que fosse para dar atenção as pessoas; mas ultimamente sempre que sua personalidade começava a o chatear ele o mandava brincar ou fazer qualquer coisa com as crianças. Sua madrasta nunca parecia o querer por perto, e não sem razão. Estavam sempre querendo infernizar a vida um do outro: com a diferença que Sebastian não ligava tanto quanto ela sobre o que os outros pensavam dele. Ja tinha o pior dos cenários em quase todas as ocasiões sem fazer muito esforço. Tentou não pensar muito a respeito dessa festa que seu pai estava planejando, ou da quantidade de pessoas se insinuando para cima dele. De todas as maneiras, alguns até insinuavam "parcerias familiares" através de suas filhas. Esse tipo de assunto esperava que tratassem com seu pai, não com ele. O que o desespero não fazia com as pessoas.
Chegando a estação de trem Sebastian foi recebido por seu pai e madrasta sorrindo felizes em vê-lo. Seu pai na verdade, sua madrasta era apenas uma boa atriz. — Sebastian, acho que tenho que lhe contar agora. Vai descobrir em breve, mas planejamos uma festa de boas vindas a você. — anunciou seu pai animado, o abraçando de forma estranha. — Obrigado, pai. — respondeu automaticamente esforcando-se para soar genuinamente surpreso. Não havia mencionado que ja sabia de tudo, e parecia besteira dizer aquilo agora. — Sabiamos que iria gostar. Mas não é tudo. — começou sua madrasta, com aquele tom meloso e irritante. Havia escutado seu pai dizer que achava adorável; para Sebastian soava como se ela tivesse problemas em pronunciar as palavras apropriadamente. — Isso deixaremos como surpresa. Vamos indo. — seu tom demonstrava um que de nervosismo. Como aparataram logo em seguida, seu pai nem ao menos lhe dando tempo para absorver a informação antes de segurar seu braço Sebastian nem teve tempo de pensar a respeito. Quando se deu por si estava sem fôlego na frente dos terrenos da mansão da família Fawley. — Ja sabe o que fazer. Estão cuidando dos ultimos preparativos para a festa. Quero você no seu quarto, nada de atrapalhar. — anunciou seu pai ja se afastando na direção da entrada sem olhar para trás. — Não esqueça suas malas. — acrescentou deixando a porta aberta para Cornelia entrar em seguida. — Nada de atrapalhar. — resmungou Sebastian consigo mesmo enquanto puxava a mala atrás de si.
Entrando através da porta principal Sebastian pode ver os preparativos sendo feitos na área recreativa mais a frente. Ignorando, como fora instruído a fazer Sebastian virou no corredor a esquerda, que daria a sala de estar e suite master. Fazendo questão de arrastar a mala pelas escadas Sebastian virou e subiu as escadas localizadas logo após a porta da sala de entrada. Contou três pancadas das rodas contra a madeira cara até seu pai aparecer com um ar exasperado. Acenou impaciente com a varinha na direção das coisas de Sebastian. — Por céus! Disse sem atrapalhar siga para seu quarto. Difícil pra você? — demandou impaciente, fazendo com que as coisa de Sebastian seguissem para o quarto do mesmo no andar de cima. — Que seja a última vez! — acrescentou e virou-se novamente seguindo para a suite master. — Só meu pai para fazer uma festa de boas vindas, e de todas as outras maneiras dizer o oposto. — resmungou consigo mesmo seguindo o caminho das malas. Sentiu uma vontade de atrapalhar, gritar e pular nas escadas. Mas sabia que não valia a pena. Apenas seguiu ao seu quarto irritado.
Seu quarto ficava mais adiante no corredor, seguindo a esquerda caso subisse as escadas ao lado da sala de estar. Para sua infelicidade grande parte das vezes, ficava justamente em frente a espaço de recreação. Seu pai em geral não usava em suas conversas, mas em dias de festa era o inferno. Era um comodo razoávelmente grande, mas diferentemente do quarto na direção oposta tinha um banheiro privativo. E era bem comum hóspedes inconvenientes se insinuando depois de uma noite de festas. Quase sempre depois delas os quartos ficavam cheios; seu pai gentil demais para os mandar embora. Entrou em seu quarto largando-se sobre a cama. Não se lembrava do seu pai lhe dizendo quando seria a festa, mas presumiu que seria mais para frente. Talvez um ou dois dias para frente, pensou despreocupado acabando por cair no sono. Estava cansado da viajem de trem, somados a aparatação. Pode perceber que o ambiente do lado de fora estava visivelmente mais escuro quando acordou com alguém o chamando;seu pai. Estava inicialmente a porta, mas depois entrou no quarto fechando a mesma atrás de si.
— Imaginei que estivesse cansado. Foi até melhor que descansasse mesmo. — comentou, mas como ele não sabia se estava falando consigo mesmo Sebastian não comentou nada. — Agora, sobre a festa. — continuou , dessa vez claramente se referindo a Sebastian checando rapidamente o relogio de pulso. — Agora são quatro e meia. A festa começa as oito. Quero que coloque o terno que separei para você. Esta dentro do seu closet. — seu tom implicava que não era momento para perguntas. —Quero que tome um banho e arrume bem esse cabelo. A festa não é somente para lhe desejar boas vindas, por mais que estejamos felizes com seu retorno. — Sebastian revirou os olhos sentando-se na cama para o encarar. — Pode ser cedo, mas quero que esteja aberto para as possibilidades. Sabe que só tenho você. E ja completou seus doze anos, ja esta na hora de pensarmos em ... alianças. — devia soar estranho dizer isso a um garoto de doze anos. Sebastian estava se sentindo meio enjoado com o rumo que a conversa estava tomando; lembrando-se das cartas que recebera. Muitas descrevendo de maneira romântica possíveis "canditadas" ao seu par. Mas não imaginou que se tratava daquilo. Percebendo o silêncio de Sebastian seu pai se adiantou. — Não estou pedindo sua permissão. Estou comunicando um fato; quero você arrumado e preparado antes das seis. Temos algumas coisas que gostaria de revisar com você. — anunciou ríspido seguindo a porta do quarto. Parou alguns instantes, talvez esperando que ele discutisse ou discordasse. O que dissera, no entanto acabou sendo um pouco diferente. — Então vou ter que terminar que nem você e a Corna. Suportando uma mulher ridícula apenas porque vem de uma família fina. — seu tom de voz, apesar do sarcasmo frequente havia soado mais triste dessa vez. Talvez por isso seu pai não fez nada além de o encarar por instantes. — O que esperava ? Não me diga que esperava um relacionamento romântico depois de tudo o que viu por aqui. — o tom do seu pai era despido de emoção. — Fazemos alianças e mantemos isso aqui. É assim que as coisas funcionam. Coloque isso na cabeça. E se arrume. — e com isso fechou a porta atrás de si.
Mesmo que não estivesse muito animado Sebastian estava pronto no horário estipulado, aguardando o pai na sala de estar. A decoração estava ridiculamente exagerada, como sempre. Mas dessa vez ele se sentia tão ridículo quanto; refletiu se observando nos reflexos da janela. Parecia um boneco exposto na vitrine, como se fosse uma espécie de produto a ser vendido. Como se não bastasse isso conseguia sentir-se diferente de algum modo. Diferenças sutis que sabia que estavam ali a algum tempo, mas que se tornaram mais evidentes nesse curto espaço de tempo. Desviou seu olhar quando seu pai entrou na sala, arrumado como sempre. — Sebastian. — disse pomposamente sentando-se em um dos sofas o encarando como se tivesse algo importante a dizer. Desde quando ele soava tão parecido com a Corna e ele não percebeu? Ou era só a proximidade da festa? Percebeu um instrumentista aquecendo em um piano disposto atrás dos dois. — Sei que sabe que essa festa é muito importante para você. Não precisa escolher com pressa, apenas tenha cuidado e tudo vai dar certo. — assegurou o mais velho. De alguma maneira suspeitava que não teria escolha alguma, que independentemente do que dissesse seu pai escolheria a mais convenientemente socialmente falando, mas não disse nada. Poderia tentar parecer o mais desagradável possível. Essa sempre havia sido sua solução em situações assim. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto com a ideia. — Não gosto disso, mas se fizer algo propositalmente irei puni-lo pesssoalmente. Agora as instruções. Sebastian, como pode ter percebido esta chegando a uma idade que várias coisas estão começando a mudar em você. A começar pelo seu corpo.. — e começou um discurso inesperado de puberdade. Sentiu-se encurralado por seu pai, seu horror aumentando ainda mais na medida que o mais entrava em mais e mais detalhes na frente de um completo estranho. E porque tudo aquilo do nada? Só queria poder voltar a escola. Por vezes em momentos como aqueles gostaria de poder fazer parar o tempo. Seria tão ruim assim viver na escola para sempre? Ter deveres de casa não parecia remotamente assustador do lado de tudo aquilo.