Outubro. 2018. Já tem um tempo que ando querendo escrever algo sobre mim ou pra mim. Eu escrevo tanto pros outros, e dou o meu melhor, sempre. Mas hoje será sobre mim. 2018 tem sido um ano de mudanças bruscas na minha vida. Um ano que eu precisei me procurar e encontrar nem que seja uma pequena parte de mim. Afinal, ando tão perdida - ou sempre fui - de mim, do universo, da realidade... Mas apesar do que as pessoas dizem ou pensam sobre mim, que eu sou frágil, "menininha" etc, eu tenho certeza das idéias que eu defendo e acredito nelas até o fim. Talvez haja um pouco de teimosia nisso, mas nem ligo, eu sou assim. Bom, eu como mulher negra, nunca tive uma auto estima 100% indestrutível: quando eu começo a pensar que tá tudo bem, o racismo sempre aparece pra fazer com que eu não me sinta boa o suficiente, ou bonita suficiente, ou apenas suficiente. Auto-suficiente.
Nos últimos tempos eu venho passado por umas situações difíceis, uns perrengues brabos, eu diria (haha). Minha vó que eu amo muito com todo o meu coração, foi diagnosticada com câncer em fase terminal e faleceu esse ano. Eu nem acredito. Como ela, uma mulher forte, guerreira, heroína, pode ter ido embora? Eu sinto muito a falta dela todo dia. Ela era o meu ponto de fortaleza e eu não sei como vai ser sem ela.
Passei várias noites em claro com ela no hospital e até me despedi dela, no último dia dela aqui na terra. Eu sempre via pessoas que perderam alguém que amam muito falarem sobre isso com muita dor, mas nunca entendi, de fato. Você só tem noção do que é perder alguém que você ama, quando você perde.
Eu passei por um relacionamento abusivo, e acho que já faz uns cinco meses que terminamos. Seis, pra ser mais exata. Eu nunca me senti tão feia, burra e inadequada em toda a minha vida.
Aliás, a maioria dos meus relacionamentos até agora foram exatamente assim, talvez tenha um pouco do viés do racismo nisso.
"Não tô pronto pra assumir um relacionamento agora." "Você é maravilhosa e merece alguém melhor do que eu." "Eu tô num relacionamento aberto mas quando sentir saudades, me procura." "Pra uma negra, você é linda." "Vou falar pro meu amigo que tô saindo com uma morenassa."
Percebe o quão tóxico é isso? Hiperssexualização, objetificação e principalmente racismo.
Eu sou toda romântica e iludida, pois sempre acreditei em príncipes encantados, buquês de rosa, e declarações de amor, mas sei também que sou uma mulher negra, e tô começando a achar que talvez isso não seja pra mim e é melhor eu me acostumar com isso. (Ainda na esperança de conhecer um amor de verdade, porque como eu disse, sou muito iludida).
Mas enfim, esse relacionamento foi o pior, porquê eu nunca me humilhei tanto e esqueci tanto de mim por causa de outra pessoa.
Uma pessoa que traiu, brincou e me objetificou da pior forma.
De todas as brigas que tivemos, eu estava errada em todas, pedia desculpas e ainda era tachada de louca. Porque, eu tinha esperança que ele mudasse. Mas ele acabou comigo de todas as formas.
Eu tento muito me achar bonita, mas com todo mundo dizendo o tempo todo que o bonito é ser branca, ter um cabelo liso topo e um corpão, tem dias que simplesmente não dá, e eu desmorono.
E quando eu lembro que ele sabia disso e mexeu na parte que mais machucava doi, doi muito. Doi tanto que hoje, depois de 6 meses, eu chorei. Não por ele, mas por mim.
Por mim, porque eu dei tudo o que eu tinha de mim e na primeira oportunidade, ele me traiu. Chorei por mim porquê eu fazia de tudo pra passar só nem que fosse só um pouco do meu tempo com ele, e ele dava desculpas descabidas pra não me ver e ver outras.
Porque quando a gente saia, eu me arrumava pra mim, mas também queria que ele me achasse bonita pra quando aparecesse a primeira menina padrão na frente dele, ele me comparar com ela.
Doeu porque eu posso ter milhões de defeitos, mas eu também tenho milhões de qualidades e definitivamente, não mereci.
Hoje eu tive uma recaída e mandei uma mensagem, eu me sinto muito dependente dele sentimentalmente ainda... Mandei a mensagem e agora me pego chorando a noite me perguntando o porquê de eu ter permitido isso?
Porque eu tenho um buraco enorme dentro de mim que precisa ser preenchido com auto estima e amor próprio mas substituo por uma carência extrema e delego a responsabilidade ao outro?
E pior, a qualquer outro.
Eu não fui preparada pra o amor. Eu não sei receber amor e também não sei dar.
Não sei se isso tem a ver com racismo também ou com meu pai. Eu só tenho um bloqueio enorme.
No inicio do ano, eu queria muito emprego, afinal todas as minhas amigas trabalham e falam mal de mim porque eu não trabalho (como se fosse a coisa mais fácil do mundo conseguir um emprego). Procurei, encontrei, fiz a entrevista que era basicamente uma prova de conhecimentos básicos e não passei.
Karol Carvalho: Só que eu sempre fui determinada.
Estudei durante um mês tudo o que eu precisava. Fui lá na empresa de novo. Fiz a prova. Passei. Uhuuuuuuu. Fiquei tão feliz que eu não sei como sair de lá sem voar de alegria. Disseram que iriam me ligar no outro dia. No outro dia de manhã bem cedo, furtaram meu celular. (Parece uma história trágica e engraçada daqueles filmes de comédia romântica), mas não é. É minha vida, apenas.
Voltei pra casa chorando no ônibus. Todo mundo olhando. Que vergonha.
Um emprego seria tudo pra mim, iria ter meu dinheirinho, comprar minhas coisinhas sem depender de ninguém, mas paciência, um dia eu chego lá.
Me decepcionei com muita gente. Com Jessyca. Jacque. Luana. Jessyca é minha melhor amiga, mas eu esperava mais dela em relação a apoio, estar presente, etc. Eu me aproximei mais de jacque mas vez ou outra ela sempre tá fuxicando de mim com luana. Se acham superiores porquê tem emprego. Grande bosta.
Cá estou eu, tentando entender como vai ser agora porque ainda tô desnorteada mas não espero mais nada.
Pretendo fazer extensão e pibic na faculdade, espero que eu consiga.
Só tô levando a vida, me sentindo triste e vivendo porque é o jeito. Até que eu tava numa vibe bem legal de amor próprio e cuidar de mim... Mas de repente, a tristeza se instalou e não tenho vontade de fazer nada a não ser ficar em cima da cama. E esperar os dias passarem. Só.