
Janaina Medeiros

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Las Pampas
Diário Missão Patagônia 19/11/2012
Treze Tilias -> São Paulo Inicio: 08:20, 29.193 km Chegada: 18:00, 29.964 km Comecei o dia pensando "Bom, é minha última grande etapa desta viagem..." Como todos os últimos 20 dias, começo o dia colocando e amarrando cada coisa no seu devido lugar na moto. Em seguida o café da manhã, para suportar a primeira parte da maratona, e completo a rotina inicial efetuando check-out do hotel. Até que tive uma noite bem dormida. Durante o café relembrei do trajeto traçado meticulosamente, e insiro o plano no GPS, meu companheiro de todas as horas mesmo me deixando de vez em quando em enrascadas. Um bom e velho mapa em papel é fundamental para o bom desempenho da viagem com eficiência e segurança. O nivel de situation awarness será sempre melhor e isso reflete em uma viagem segura, sem atropelos e surpresas desagradáveis. Ontem a noite tinha completado o óleo do motor e estava curioso como estaria o comportamento dele hoje, pois coloquei um litro de oleo semi-sintético (o requerido era sintético 15x50) mas tudo bem , era só para completar a etapa até SP. Em SP irei fazer a revisão de 30 mil km. Nada mal, faz 1 ano e 5 meses que tenho a moto, e já completei 30 mil. O motor se comportou muito bem durante toda a viagem. Hoje a estrada continuou sendo com muitas curvas - diversão - mas na medida que ia se aproximando de grandes cidades, o aumento de caminhões e carros foi estressando. Em vários momentos fui obrigado a frear repentinamente, e eu não gosto de forçar os sistemas da moto: gosto de conduzir sempre com transições suaves mesmo que sejam intensas. E num destes momentos tive que frear bruscamente para não entrar batendo numa lombada daquelas. Assim que passou o susto deparei com a falta de resposta ao acelerador. Para não parar imediatamente arrastando o motor, que não respondia a aceleração, acionei a embreagem e soltei novamente torcendo a manopla de acelerador, e nada! Direcionei a moto para a lateral da pista, pois havia um monte de carros e caminhões atrás de mim. Quando enfim parei, reparei que o motor estava apagado! Mais um susto! Porque o motor parou? Porque o motor não pegou no embalo se tinha morrido devido ao travamento da roda traseira por estar sem ABS no momento da freada? Minha cabeça pensava rapidamente quais deviam ser as próximas ações. Então, no instinto, desliguei a ignição com a chave e liguei de imediato acionando o starter. Brrrrrummm! Eis que o motor ressuscitou! Conclusão: estes motores com controle eletrônico de injeção e etc, não permitem que o motor volte a funcionar com o embalo da moto. Controle digital demais... O resto da viagem para SP foi "tranquilo", o trabalho foi aumentando no transcorrer do dia por causa do tráfego e tinha que ficar "toureando" carros e caminhões durante todo o Regis até chegar no apartamento do David. Consegui agendar a revisão de 30 mil kms para quarta-feira pois amanhã é feriado aqui em SP. Bom, tive um jantar beleza com meu filho David num restaurante de lamen na Liberdade ( Lamen Kazu) e aqui termino o meu diário da viagem de hoje. Antes de fechar o meu relato da viagem vou compartilhar com vocês a lição que eu aprendi com esta viagem. Aguardem.
Diário Missão Patagônia 18/11/2012
Uruguaiana -> Treze TilasÂ
Inicio - 28.412 km, 10:30 hrs Chegada - 29.193 km, 20:00 hrs Hoje perdi a hora de acordar. Foi primeira vez nesta viagem. Acho que relaxei por estar de volta ao Brasil... O dia já mostrava que ia ser muuuito quente. Estava me preparando para sair e já sofrendo com o calor. Como era domingo de manhã, a cidade estava vazia, bom para mim que ia começar mais uma longa jornada na estrada. Hoje ia mudara a rotina de até então, que foi só de retas e mais retas. A Pretinha até estranhou as inclinações na estrada. Foi só alegria! A Pretinha parecia não acreditar depois de milhares de kms andando nas retas intermináveis. No inicio, cruzei pela planÃcie do interior do Rio Grande do Sul: campos de gado e plantação de feno. Depois, o relevo começou a ondular levemente acompanhado de algumas curvas tÃmidas. Já cruzando o setor noroeste do RS começaram sequências de curvas em conjunto com descidas e subidas. Eu estava desacostumado com isso, tive de prestar mais atenção e começar a trabalhar no acelerador, no pêndulo para direita e para esquerda: comecei a pilotar de novo uma moto! Quando eu estava só curtindo a moto, de repente acendeu uma luz de alarme no painel! Levei um susto achando que era o pneu traseiro! Mas senti a moto estava rodando bem. Aà olhei com mais calma e vi que o alarme era devido a desativação o sistema de ABS. Não entendi porque. Verifiquei o freio traseiro e estava freando. Anda bem que foi só o ABS. Na medida que ia aproximando do estado de SC a sequência de condulações e curvas foram se intensificando de tal maneira que estava devorando o asfalto só fazendo curvas descendo e subindo, e claro, a média de velocidade tambem diminuiu! Além disso, a estrada estava cheia! Deu um pouco de trabalho, o bom disso foi que estive "bastante ocupado". Enfim, pude apreciar a beleza do interior de Santa Catarina. Não foi facil chegar em Treze Tillas, uma cidadezinha que foi fundado pelos imigrantes austrÃacos, aliás é a cidade mais austriaca no Brasil. Como na chegada o alarme de baixo nivel de óleo acendeu, depois do jantar coloquei um litro  que comprei num posto por aqui. Amanhã será a ultima etapa, irei parar em SP e dormir no apartamento do meu filho David!
Diário Missão Patagônia 17/11/2012
Rosario -> Uruguaiana
Inicio: 8:00, 27.794 km Chegada: 15:30, 28.412 km A cidade Rosario é bem grande. Como ta,l o transito é complicado o que pra mim significa mais stress para encontrar um hotel. A melhor dica que aprendi é perguntar para um taxista. Como todos os últimos dias, a mesma rotina. Arrumar as bolsas, checar de novo a rota de hoje. Tomar café da manhã que por sinal tem sido exatamente também a mesma coisa todos os dias: dois pequenos croissants, manteiga, yogurte, café com leite, poucas vezes houve alguma salada de fruta. Animado com o objetivo do dia, que era reentrar no Brasil, saà do hotel cheio de gás e me mandei estrada afora. Um pouco do stress do dia foi por conta da necessidade de ter dinheiro em cash, ou "efectivo". Até o hotel cobrou em efectivo. Gasolina então, 2/3 foi pago em efectivo. Hoje sai já sem $$ em peso, pois os últimos 300 pesos foram para pagar o hotel. Ainda sobrou uns trocados que serviu para pagar o lanche. Várias vezes tive de pular de um posto ao outro para abastecer com cartão. Hoje, pela primeira vez, um policial rodoviário argentino que me parou para ver documentos pediu tudo que ele tinha direito, até kit de primeiros socorros! Eu tirei a minha bolsa de remédio e abri e fui mostrando tudo, etc. E ele desistiu de tentar achar algo para tentar tirar "propina". Por estas bandas ao norte da Argentina é famoso se arrancar dinheiro para liberar o veiculo se você tiver algum item faltante ou fora da regra de trânsito deles. Ainda bem que tinha comprado dois triângulos antes de entrar na Argentina pela primeira vez. E os dois ficaram sempre presos na moto à mostra. Inclusive tive de comprar também um extintor! Bom, o guarda não tinha motivo para tentar tirar $$ de mim. Ufa! A viagem de hoje rendeu bem, e a minha condição fÃsica também estava melhor. Na medida que me aproximava do Rio Grande do Sul a temperartura foi subindo. Quando já perto da fronteira, o termômetro indicava 34 graus, e eu com o roupão preto! Deixei a frente da jaqueta aberta pela metade para ajudar a resfriar um pouco. Aqui em Uruguaiana, também perguntei para um taxista que me indicou um hotel bom com preço condizente.
Diário Missão Patagônia 16/11/2012
Santa Rosa -> Rosario
Inicio - 9:00, 27.158 km Chegada - 18:00, 27.794 km Este trecho da viagem foi tranquilo. Clima bom, ensolarado mas não tão quente, não havia vento demais que desse trabalho na pilotagem. Na maior parte rodei pela estrada de pista única, de piso bom, mas o tráfego era misto mesmo, ou seja: tratores, máquinas agrÃcolas gigantes, lentas que me fez lembrar diferentes tipos de naves de combate do filme Jornadas nas Estrelas, "geringonças" altas com pernão e rodas grandes embutidas, etc. Misturado com caminhões e automóveis. As estradas era mum pouco chatas: quase sempre retas. Aliás, as da Patagonia eram também retas intermináveis que sumiam no horizonte. Ao contrário da Santa Rosa, a cidade de Rosario descobri que era grande demais para o meu gosto, já estava habituado com as cidades pequenas da Patagonia, que eram de certa forma mais práticas e interessantes para quem está visitando. Enfim, cheguei no destino mais tranquilo pois creio que o problema de vazamento no pneu traseiro já foi superado! Aleluia! Fui jantar num restaurante por perto, a um quarteirão do hotel, e não me dei bem! Relativamente caro e a carne pela qual eu tinha boas espectativas, não correspondeu, apesar de estar numa região chamada Las Pampas! Decepção. No geral, fora das cidades bem turÃsticas, eu não tive bons resultados quanto a alimentação. Aliás, o problema sério para quem roda na Patagonia é tentar se alimentar adequadamente nos postos/lanchonetes. Muito fraco! Se você não se alimentou num posto, talvez no próximo, depois de uns 200 kms rodados,  você pode não achar o que comer. E quando tem, é tipo um misto-frio com pão de forma. É o que tenho comido na estrada. Quando lembrava de comer.
Este foi um detalhe importante, eu estava mais concentrado na viagem, abastecimento, nos próximos passos, e esqueci de me cuidar melhor na alimentação durante o dia. A noite jantava bem tarde pois os restaurantes abrem em geral a partir das 20:30. A esta altura do campeonato, pode imaginar como estava o meu estômago com o cansaço da viagem do dia. As vezes só comia um sanduba frio no hotel e ia dormir.
O fatÃdico dia do pneu furado
Parque Nacional Del Paine
Intermináveis ripios
Diário Missão Patagônia 15/11/2012
Trelew -> Santa Rosa
Inicio - 08:40/ 26.334 km Chegada - 18:00/ 27.158 km Nesta etapa já tinha confiança no resultado do tapa-vazamento da Bardhal. Não apresentou sinal de perda de pressão, mas fui tirando um pouco de ar até trazer na faixa nominal. E também parece que o sensor voltou a funcionar. Hoje, sai das terras da Patagônia e entrei na Las Pampas. O cenário mudou radicalmente. O que era árido, com pouquissima vegetação rastejante e seco passou a ser uma região cheia de verde intenso, plano de perder a vista no horizonte, rodeado de campos de pastagens e plantios. Rodava centenas e centenas de kms, era só planÃcies, fazendas de gado, charcos, e o clima quente (~ 32 graus) mas agradável, sempre com uma brisa que ajudava a me refrescar andando a 120 km/hr. Hoje comecei com a prioridade de cuidar da alimentação e recuperar as condições fisicas para terminar bem a viagem. Em Santa Rosa pedi uma pizza para entregar no apt-hotel, pois não estava disposto a sair, queria era descansar e dormir. Por sinal, a pizza quebrou um galhão.
Diário Missão Patagônia 14/11/2012
San Julian - Trelew
Saida - ? Chegada - 20:00 Acordei preocupado e pensando como iria resolver o pneu que provavelmente estaria vazio. Desci para ver antes de pensar em carregar as tralhas na moto. E, estava vazio. Durante a noite, esvaziou lentamente mas o suficiente para ficar no chão. Tinha visto uma gomeria  no dia anterior, umas duas quadras do hostel quado cheguei e que já estava fechada. Mas a solução final possivel não era só enchendo o ar de novo mas encontrar o produto aerosol que contém o tapa-furo que galvaniza a borracha. Consegui ligar a moto e fui levando montado devagar até a gomeria e esperei uns 20 minutos até abrir (9h). Expliquei o caso e enchi o pneu com pressão bem acima do nominal e sai desesperado à procura do tal "solução mágica": rodei e rodei e finalmente num posto YPF com oficina de auto encontrei o tal. Peguei 2 latas e pensei "vou voltar para a gomeria me ajudar". Tive de esvaziar o pneu e então colocar o produto dentro do pneu. Recalibrei já bem acima do valor nominal e sai pela rua rapidinho para distribuir o produto dentro do pneu. Tinha que fazer isso dentro de 3 minutos e rodar na velocidade média. Após a primeira enchida, eu já tinha voltado para o hostel colocar a bagagem na moto. Então, foi só sair. Eu fiquei tão satisfeito por ter encontrado estas latinhas, que pra mim, foi mais um milagre pois a cidade era pequena também. Mas tem uma história neste lugar: o navegador Guimarães esteve aqui na sua viagem de descoberta de rota alternativa para India. E esta cidadezinha foi colonizada. Bom, saà pela estrada com uma mistura de sentimento de que estava saindo de um grande embrolio e preocupação quanto a real efetividade deste produto da Bardhal. Sai com a pressão no pneu traseiro com bem acima do nominal. As luzes de alarme no painel não paravam de piscar. Tinha perdido o sinal do sensor de pressão, logo pensei, é o produto que detonou o sensor, e agora não tinha nem como controlar a pressão, se estava baixando ou não. Mas uma coisa eu tinha em mente: tinha que chegar em Trelew ou Puerto Madryn. Acabei entrando em Trelew pois a jornada tinha sido hard. Uma coisa boa era que aparentemente o pneu não tinha perdido a pressão . Dava para perceber pelo consumo e pelo contato com o asfalto que o pneus transmitiam para mim. Percebi que eu tinha esquecido de me cuidar, com alimentação mÃnima e hidratação. O corpo cobrou, comecei a ter coriza e dores.
Fui tomando os remédios que eram possiveis.
Diário Missão Patagônia 13/11/2012
El Calafate -> Puerto San Julián Saindo - 09:20, 25.074 km Chegada - 20:00, 26.334 km De manhã acordei bem cedo, preocupado com o planejamneto de chegar em SJC a tempo de descansar e voltar ao trabalho. Estudei bem as possibilidades e pela frente haveria muito chão de ripio para prosseguir no planejamento. Estava em conflito comigo pois queria prosseguir, mas o lado racional dizia para mudar o plano de tal maneira que garanta a chegada em tempo e não correr o risco de atrasar. Eu iria prosseguir sozinho pelas estradas que os próprios locais me alertaram estar muito ruim. Decidi mudar o plano. Abri mão de subir na direção de Bariloche pelos ripios. Tracei um novo caminho visando segurança, mas também não queria voltar a passar pelo Rio Gallego e subir. Então decidi cortar o caminho por uma via de ripio de +- 200 km direto na proximidade de Puerto Santa Cruz que segundo locais não era tão ruim Decidi ir por ela pois acompanha toda região de cordilheira chamada Santa Cruz, que vai do oeste e termina no leste atlântico.
A estrada tinha trechos difÃceis e fáceis, porém era muito pouco transitada. A média de velocidade era de 60 km/hr. Fui apreciando toda a natureza pois não tinha nada por esta região. Ai que eu me dei mal. Sem posto, sem alimento, sem água. Ainda bem que tinha barras de cereais, e biscoitos da Joonmi, mas sem água. A certa altura meus braços estavam já muito cansados e atenção exigida para superar os ripios era total, pois tinha possibilidade de derrubar a moto. Em duas horas tinha cruzado com só dois carros, e monte de animais livres na natureza. No trecho já final, a pista estava melhor, dava para manter uns 80 a 100 km/hr em alguns trechos. E no meu cálculo estava falando uns 30 km para sair no asfalto. De repente quando estava a uns 90 km/hr, começou piscar o alarme vermelho no painel da moto com indicação da pressão do pneu traseiro baixando rapidamente. Ai foi um susto enorme! Parei para ver o que ocorria. Tomei consciência de que o pneu tinha furado! No meio do nada! Com escaldante das 13:00 hrs! Ai bateu a preocupação! O que tenho para consertar? A primeira coisa foi tirar a minha bomba de ar para ver se dava para encher e prosseguir devagar. A bomba começou a funcionar e... Pifou! Simplesmente parou de funcionar! Não tinha mais nada para fazer! No meio do nada! Bateu sede! Bateu fome! Bateu stress! Comecei a raciocinar sobre possibilidades e alternativas. Era um lugar longe de tudo, sem nenhuma casa por perto, sem ninguém. Fiquei esperando se aparecia algum carro que pudesse pedir ajuda, chamar alguma oficina com carro de guincho. Mas eu não estava no Brasil, e sim numa região com poucas possibilidades pois era uma região inóspita e desabitada, longe de tudo. A cidade mais próxima seria uns 50 a 60 kms chamada Puerto Santa Cruz, uma cidade pequena com pouquissimos recursos. Já tinha passado mais de uma hora, e nada, fiquei sentado no chão debaixo do sol, e então percebà que só por milagre eu ia sair desta. A possibilidade de ficar noite a adentro era uma realidade e ainda como poderia prosseguir com a minha viagem? Voltar pra casa com a moto? Milagre? Pois é comecei a falar com Deus, pedi o Seu socorro! De verdade! Só milagre ia resolver não sei como, mas... Passaram já das 15:30. Eis que no horizonte vejo uma camioneta aproximando, levantei os braços e agitei bastante. Eis que um moço que parecia um trabalhador de fazenda estava com Toyota cabine dupla puxando uma carreta baixa comprida e larga carregando um portão de aço e algumas toras de madeira. O milagre estava começando. Expliquei o meu problema e que só ele poderia me ajudar! Ele disse que estava atrasado para chegar mas que ia me ajudar. Posicionamos a carreta na beira da estrada que era mais baixa, colocamos a moto em cima e amarramos. E começamos andar, e eu curioso como ia terminar. Ele me disse que estava longe das cidades, mas que mais uns 15 kms a frente havia uma estação de bombeamento de gás natural com um pessoal que talvez poderia ajudar. Bom até ai, eu pensei, como então vou prosseguir para chegar numa cidade? Paramos na frente da Estação de Bombeamento, era um pequeno complexo de transmissão de gas. O moço da carreta me ajudou a descer a moto, aliás o cara era muito forte, pois eu e ele conseguimos colocar em cima e baixamos da carreta. Apareceram uma pessoas que ele conhecia e explicou o meu caso, se despediu e foi embora. Ai foi a segunda fase do milagre. Eles tinham uma oficina para manutenção das máquinas deles. Colocamos a moto dentro da oficina e juntou umas 3 pessoas. Como eu tinha levado o kit de conserto de pneu furado, saquei o kit e todos se esforçaram para ajudar. Havia também a bomba de ar deles, das grandes. Foi um trampo de meia hora, e conseguimos encher o pneu. Todos saÃram pois já era tarde do expediente e eu também cai na estrada. Dei graças a Deus por este milagre! Só que a preocupação não tinha ababado. Como o tipo de conserto de pneu que eu tinha não era assim, uma "brastemp", ele começou a vazar devagarzinho. Ai, mais do que rápido, alcancei o asfalto, e tinha como plano chegar em Puerto San Julian para dormir. Mas o rate de vazamento não ia permitir chegar no destino, aà ao alcançar o acesso para Puerto Santa Cruz entrei por ela. Ao adentrar na cidadezinha fui procurar uma "gomeria" pois não tem ar nos postos de gasolina! Depois de girar um bocado achei um borracheiro e pedi para encher até acima do valor nominal máximo, e indaguei se tinha a tal da lata de aerosol com produto vedante. Nada. Rapidamente sai da cidade em direção ao Puerto San Julian. Cheguei lá, fui dormir num hostel a beira mar, perto de uma borracharia, pensando o que ia fazer no dia seguinte. Jantei no hostel, devorando um misto-frio com refrigerante: era o que tinha. Foi a única refeição do dia depois de passar o perrengue com furo do pneu. Talvez, não tivesse acontecido isso se não estivesse correndo a quase 100 km/h, e se não tivesse tanta carga na moto. Não foi um furo, foi quase um rasgo. Por isso que o resultado não foi definitivo. A única possibilidade de prosseguir a viagem era se encontrasse nesta cidade o tal do tapa vazamento que vulcaniza a borracha do pneu .
Diário Missão Patagônia 12/11/2012
Puerto Natales -> El Calafate Saida 10:00, 24.570 km, final do ripio - 24.800 km. Chegada 20:30/ 25.074 km. Saimos juntos, eu e os dois casais para enfrentar a estrada de rÃpio a caminho do Parque Nacional Del Paine. Na ida um deles caiu na estradinha traiçoeira, e lá fui eu ajudar a recolocar a moto em pé (foi possivel em três), avaliar estragos. Usei minhas coisas tipo fitas, tear-up, ferramentas para dar um jeito em um farol de milha que quebrou e ficou pendurado pela fiação. Felizmente, ninguém se machucou. Depois seguimos até a entrada do parque: uma região linda com a natureza mostrando todo seu esplendor! O problema era que ainda tinha de seguir até El Calafate neste dia, o tempo passando, sem comer nada, ainda um deles tinha caÃdo e tinha perdido a confiança em continuar a explorar aquelas pistas. Mas, vi que o negócio era enfrentar... Pagamos a taxa e lá fomos adentro pelo parque. A pedido deles fui eu na frente pois eles iriam devagar. AÃ, eu me mandei parque adentro. Na verdade o que descobrà era um verdadeiro "parque de diversão"  para quem estava de moto! Só alegria! Parecia que as pistas foram feitas de proposito para curtir de moto! E a cada curva, subida e descida se descortinava novas paisagens e mais pistas me convidando a andar! Fui indo e parando, tirando fotos, quando de repente me deparo com aquela turma de 4 motos que eu tinha encontrado no hotel na Bahia Branca na descida para Ushuaia! Foi alegria geral de encontrar desta forma depois de vários dias! E ai juntamos e fomos embora pois eles também iriam até El Calafate. Desta forma, eu acabei me separando daqueles dois casais e me juntei de novo com este pessoal alegre de Curitiba! Atravessamos a fronteira para Argentina de novo, e lá fomos nós pela estrada de ripio para nosso destino. Já pelo inicio da noite, ainda claro, entramos em El Calafate. Como eu tinha reservado um hotel acabei então me separando de novo deles, pois não tinha vaga para todos. Eles iriam ficar por lá por mais um dia e fazer passeios. Eu queria também, mas o que me preocupava era que eu já tinha queimado muitos dias. Estava contando os dias restantes para ainda passar por lugares que tinha planejado, mas... Fui dormir depois de um jantar num restaurante bom pois merecia pelo dia que eu tive, só com barras de cereal e refri e muito ripios e emoções! Aliás me surpreendi com a quantidade de gente na cidadezinha, cheio de turistas! Cansadérrimo, pela muita adrenalina. E, acumulou-se o cansaço dos últimos dias, pois só um dia fiquei de molho em Rio Gallegos por conta do mau tempo em Ushuaia.
Diário Missão Patagônia 11/11/2012
Ushuaia -> Puerto Natales
Saida 8:00/ 24.270 km Chegada 21:00 / 24.570 km De manhã conheci o pessoal das motos que estavam no mesmo hostel, falamos um pouco no café da manhã e ficamos de viajar juntos, pois o destino era o mesmo, e também combinamos de pernoitar no mesmo hostel em Puerto Natales. Sai na frente pois eles estavam com suas respectivas esposas e iriam parar mais na saida para tirar fotos. Então lá fui eu enfrentar de novo o ripio, só que desta vez, eu já estava iniciado, e ainda peguei uma outra alternativa de estrada de ripio para chegar na atravessia de ferryboat que foi melhor: as condições estavam menos ruins e a paisagem também é muito mais bonita. Me diverti um bocado neste trecho. Dava para andar curtindo a paisagem e ainda manter uma média de velocidade maior. Cheguei na balsa e estava na fila quando as outras duas motos chegaram também, bem na hora de embarcar. Depois de atravessar o Estreito de Magalhães, a minha preocupação era com o abastecimento, e a já estava ficando tarde. Nada de aparecer posto. Tive que parar e apelar para o fuel-backup. Deu trabalho para pôr no tanque da moto pois eu estava sem aquela mangueira ( que sumiu em um posto de Buenos Aires). Usei uma garrafa pet para fazer o funil e copo. Foi de meio litro em meio litro até transferir os 10. Isso no meio do nada, poucos carros passavam e estava começando a escurecer (nestas latitudes demora a escurecer por completo). Continuei então até encontrar um posto, onde outros estavam terminando de abastecer. Quando estava chegado ao destino, o sol estavam no horizonte e o céu tingido de vermelho com nuvens esparças. Era de uma pintura fantástica! Montanhas brancas ao fundo, mar calmo entre as montanhas que completavam o cenário inesquecÃvel! Ao chegar no hostel, os outros estavam terminando de fazer o check-in. Encomendamos comida pois já era muito tarde e cansados para sair de novo. Para o dia seguinte o plano era conhecer a Torre del Paine. Apesar da distância percorrida não ter sido grande, gastei muito tempo para superar ripios e fronteiras.
Diário Missão Patagônia 10/11/2012
Rio Gallego -> Ushuaia
Saida: 08:30, com 23.930 km Chegada: 19:30, com 24.270 km Dia 9/11 fiquei em Rio Gallego devido a previsão de mau tempo com nevasca em Ushuaia. Aproveitei para descansar um pouco pois o corpo estava pedindo. No dia seguinte com previsão boa para Ushuaia me preparei com entusiasmo e lá fui eu com a Pretinha. Hoje era o dia de enfrentar a estrada de ripio, tão falada e temida por motocislistas aventureiros. A estrada que leva para Ushuaia passa pelo Chile e depois entra de novo na Argentina. Portanto, numa etapa tive que fazer a saida da Argentina, a entrada no Chile, a saida do Chile e entrada na Argentina, que tomou um tempão do dia. A travessia do Estreito de Magalhães foi um evento para mim. Conhecer in loco este estreito famoso - Magalhães foi quem descobriu a passagem do Atlantico para o Pacifico - levando em consideração o seu tempo, e também o clima e vento desta região, é de se respeitar mesmo. A travessia foi relativamente tranquila apesar do vento intenso que açoitava o estreito que forçava as ferries a navegarem caranguejando com quase 45 graus. Era chegada a hora de enfrentar a temida estrada de ripios, de quase 250 kms. Os primeiros 25 kms foram terrÃveis, o restante, média dificuldade. Tive que andar na trilha estreita que estivesse em melhores condições sempre que possÃvel, numa velocidade que ficou em torno de 60 km/h. Houve momentos que achei que ia levar um tombo feio. Fui aprendendo a controlar o comportamento da moto que tendia a perder o controle direcional. A solução era segurar o guidão com muita força para neutralizar a tendência de oscilação direcional provocada pelas muitas pedras arredondadas soltas. Isso cansou muito os braços. E a atenção tinha que ser máxima e contÃnua, não havia folga; parar era uma coisa perigosÃssima pois poderia não conseguir segurar a moto lateralmente: o pé pode não achar um apoio firme no chão. Enfim, superei com louvor esta passagem, quando então começou a parte asfaltada entrando na Argentina de novo. Quando comecei a visualizar de longe os primeiros picos brancos de neve então me dei conta de que já estava proximo do meu objetivo, chegar em Ushuaia de moto! A sensação era maravilhosa. Na medida que fui passando entre as montanhas brancas serpenteando pelos vales foi incrivel. A 25 km para chegar, passei pelo local de ski, onde Gu e David já estiveram para praticar snowboard. Ao adentrar na cidade dei uma volta até o aeroporto, onde eu já havia estado alguns anos atrás para realizar ensaios com um protótipo EMB-145. Dei uma vista geral do Canal do Beagle, seus portos, veleiros ancorados aos montes que certamente estavam ali se preparando para a jornada na Antartida neste verão. Fui atrás de um lugar para ficar, estava dÃficil, pois era fim de semana e estava cheio. Ao passar por um hostel vi algumas motos paradas com placas de SP e Mogi. Parei e entrei para ver se tinha um quarto, acabei ficando ali mesmo. Depos de um banho quente, sai andando pela rua central para dar uma curtida na noite que insistia em não escurecer. Jantei numa churrascaria argentina, provei um cordeiro assado ao estilo local. Valeu! Andei bastante para digerir e fui dormir cansado, mas feliz! Mas antes de dormir fiz a minha tarefa do dia de planejar a etapa de amanhã.
Diário Missão Patagônia 08/11/2012
Melhor tarde do que nunca :)
Caleta Olivia - Rio Gallego
Na noite de ontem eu tinha checado as previsões de meteorologia tanto da saÃda quanto da chegada. O que chamou a minha atenção foi que haveria ventos fortes predominantemente de oeste (padrão nas terras da Patagonia) com intensidade de 63km/h com rajadas de 83 km/h. E fiquei tentando entender como seria isso andando a 100km/h. O meu café da manhã de hoje foi composto de três pequenos croissants que estavam uma delÃcia e cafe com leite. Quando estava me dirigindo para o elevador, dei uma olhada na rua e vi que estava ventando bastante. Pensei, será que é o tal do vento previsto? Não parecia. Desci com todas as bolsas e fui tirar a moto do estacionamento. Quando comecei a amarrar as bolsas senti que o vento não estava para brincadeira. Comecei a andar com velocidade baixa para manobrar e pegar a outra mão da avenida, quando senti dificuldade para segurar a moto pois as rajadas de vento que vinham eram pra valer. Tinham força suficiente para me derrubar se eu não aprendesse rápido como domar aquilo. Para a curva em baixa velocidade, tive que fazer sem inclinar para equilibrar as forças laterais do vento. Quase que caio. Logo descobri que com o movimento maior da moto o controle melhorava, e assim, aos trancos e barrancos, fui aprendendo a domar o vento e suas rajadas e iniciei a jornada de 700 km. A viagem foi desafiadora, muito trabalhosa e dura. Os primeiros 250 kms foram regados pelo tal vento com tempestade de pó de tal maneira que o tempo parecia que estava com nevoeiro, porém de cor meio amarelada; teve momentos que a visibilidade era de aproximadamente de 300m com o céu coberto pelo "nevoeiro", e eu lutando para manter a moto na pista. Não sabia que aqui na Patagônia quando se anda de moto você fica que nem um bêbado, e nunca consegue manter a reta nem a moto na vertical. Durante o tempo todo, eu estava inclinado para direita oscilando entre 0 e até 20 graus, com a moto serpenteando sobre a pista de forma caótica. Haja braço e equilibrio! Enquanto tentava controlar essas oscilações, os braços e o pescoço foram ficando cansados. Mas quando deixei que a minha cabeça e a moto balançassem ao sabor das "pancadas" de vento, foi mais sustentável para continuar a rodar. Depois de rodar 250 kms, finalmente a tempestade de pó passou, mas a ventania foi companheira em toda viagem. Estou redigindo o meu diário sentindo dores musculares nos braços e ombros. Foi um teste de resistência, tanto fisica quanto mental. Os outros 250 kms foram cobertos com as mesmas condições de vento, mas com céu claro. Aos 200 kms finais foram acrescentados o elemento natural chamado de chuvas esparsas com temperaturas baixas que giraram em torno de 11 a 8 graus celsius; e teve uns 50 kms finais com temperaturas em torno de 4,5 graus. Aà o bicho pegou! Foi um frio de doer. Imagine 4,5 graus com velocidade de 100kms! Ainda temperado com rajadas de vento lateral que estavam em torno de 50 kms/hra... Mesmo estando todo empacotado com aquecimento da manopra em full, não dava conta de aquecer as mãos direito. Enfim cheguei são e salvo no destino, e a temperatura aqui estava baixa por volta de 8 graus e ventando! Abasteci o tanque que estava já vazio e fui direto procurar um hotel para passar a noite. Deu certo no primeiro, e enfim o guerreiro pôde tomar um banho bem quente para aquecer e relaxar um pouco. Diria que foi a etapa mais trabalhosa e cansativa de toda a viagem até aqui. Boa noite a todos, pois amanhã é a ultima etapa até Ushuaia, depois começo a subir em direção a casa! Km inicial 23.230 km Km final 23.930 km, (700km rodado) à s 19:30.
Updates
No momento meu pai está já no seu caminho de volta a São José dos Campos, mas ainda na região do Ushuaia. Ele manda todos os dias uma mensagem por whatsapp, mas os diários estão desatualizados hehe. Pai, estamos todos esperando suas novidades! E todos te acompanhando nessa jornada sobre duas rodas.
beijos da filhota