keep on 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘩𝘪𝘯' 𝘰𝘯, head 𝔡𝔬𝔴𝔫 'til the work is ᵈᵒⁿᵉ ; waiting on that morning 𝕤𝕦𝕟... 𝘀𝗼𝗹𝗱𝗶𝗲𝗿 keep on marchin' on. 𝗪𝗢𝗟𝗙𝗚𝗔𝗡𝗚 𝗗𝗜𝗘𝗧𝗥𝗜𝗖𝗛 "𝗪𝗢𝗟𝗙" 𝗠𝗔𝗧𝗘𝗦𝗖𝗛𝗜𝗧𝗭, 19, 𝘗𝘈𝘓𝘓𝘈𝘚. 𝘞𝘙𝘐𝘛𝘛𝘌𝘕 𝘉𝘠 𝘐𝘡𝘡𝘠.
olha lá o WOLFGANG DIETRICH GLOCK-MATESCHITZ nos corredores da truffaut! ele é um HOMEM CIS de 19 anos que é originalmente de FUSCHL AM SEE/ÁUSTRIA. é PAGANTE e se ele parece ser GENEROSO, AVENTUREIRO, INGÊNUO e EXPLOSIVO, é porque ele é de ÁRIES. seu codinome é PALLAS e é do time dos TITÃS. por aí dizem que se parece com JACK GILINSKY.
tw: menção de morte parental, agressão física, drogas e toc.
atividades: clube da luta, time de futebol, atletismo e clube de teatro.
mora no EDIFÍCIO SEMIRAMIS, dividindo um duplex com Chloé Beuchamp, sua amiga de infância, Holly Cotillard e Jeanne Leblanc.
BIO. O que fez PALLAS ser quem é hoje.
depois de cinco anos de uma vida tranquila e regada de todas as regalias, wolf sofreu a primeira de uma grande sequência de perdas. os pais realizavam uma viagem internacional em um jatinho quando tiveram problemas com a máquina, que acabou caindo e causando a morte de ambos. a custódia da criança foi imediatamente para dietrich. a relação com o avô era superficial antes disso tudo, então foi como se mudar para a casa de um estranho, longe de toda estrutura e tudo o que conheceu anteriormente.
a vida com o avô era instável, o homem não era apto a ensinar uma criança. em suma, a mobilidade constante do homem e o desinteresse em assuntos mais mundanos faziam com que wolf crescesse sem muita atenção da única figura parental da sua vida. criado pelos empregados da mansão, sempre foi muito solitário.
ele chorava muito pela perda dos pais e cada vez mais se rebelava contra as regras do avô, precisava aprender como ser focado e sóbrio, não importava quantos anos tinha. foi assim que começou a paixão pelo boxe, algo que aproximou avô e neto. era algo que lhe deu propósito, foco e confiança, além de saber que era o melhor em alguma coisa e a liberação de serotonina e adrenalina que foram os seus primeiros vícios.
wolfgang foi enviado à notre-dame em cannes pelo avô quando possuía 12 anos. sempre foi a intenção do avô fazer com que ele estudasse em outro país e recebesse o melhor de uma educação intercultural, algo que ele só conseguiu depois de mais velho. também tinha esperança de fazê-lo trocar de ambiente e quem sabe arranjar um ambiente mais benéfico ao mais novo.
nas lutas clandestinas era onde mais extravasava as suas frustrações, porém por outro lado aquilo também o tornou mais agressivo. conforme o tempo passava, wolf via-se transformar em um adolescente explosivo e de pavio curto, que buscava ao mesmo tempo sentir e não sentir — não sentir a dor, sentir-se vivo de verdade e não apenas existindo de maneira fútil.
após beber mais do que deveria em uma noite, wolf entrou em uma briga de bar que deixou marcas profundas tanto nele quanto no seu adversário. enquanto o garoto ficou em coma, mateschitz sofreu uma fratura no braço que agora o impede de voltar para os ringues por pelo menos dois a cinco anos. além da dor dilacerante que sentiu por meses, a maior dor foi a de perder a única estrutura e certeza que tinha na vida. isso deixou uma marca psicológica profunda e todos ao seu redor notaram a mudança.
PERSONALIDADE. Pontos principais para entender PALLAS.
aventureiro. sempre buscando adrenalina, principalmente porque é bem viciado em adrenalina. gosta de se sentir vivo e buscando novas coisas, quebra de rotinas é o jeito que acha para realizar isso. raramente recusa novas experiências.
dependente. a distância do avô e morte dos pais no começo da vida o fez buscar muita companhia das outras pessoas, a ponto que se sente incomodado em ficar sozinho. é extrovertido, mas odeia ficar sozinho, o que pode ser um problema. isso também causa ele em engajar-se em diversas relações, não necessariamente românticas, mas carnais para não se sentir sozinho.
explosivo. pavio curto, intolerante, agressivo. qualquer coisa é capaz de fazer essa bomba explodir, o que também lhe confere um pouco de instabilidade em seu humor.
filofóbico. em geral, apesar de sentir grande necessidade de se relacionar com as pessoas, no fundo existe medo de se entregar a uma pessoa. isto porque nunca teve um exemplo de amor verdadeiro na sua vida. apesar de em geral ser sensível e muito próximo dos amigos, depois de perder os pais e perder eloise, o garoto tem certo me de se relacionar com as pessoas nesse grau romântico novamente, temendo perdê-las.
generoso. quando realmente se importa com as pessoas, é muito generoso, seja com o tempo, com o dinheiro ou com elogios. como o avô sempre demonstrou aprovação através de coisas materiais, ele utiliza também do seu dinheiro para mostrar as pessoas que gosta delas.
impulsivo. pensar antes de agir? isso é uma coisa que wolfie nunca fez na vida. age e depois pensa sobre o assunto, melhor se arrepender do que foi feito do que ficar se perguntando o que poderia ter sido, esse é seu lema.
leal. apesar de ser difícil fazer com que ele se abra, assim que alguém consegue aquele laço é para sempre. poucos amigos, porém muito leais. faria de tudo para proteger as pessoas que gosta de verdade.
manipulável. fácil de agradar e um pouco ingênuo quanto às intenções alheias, ele pode ser facilmente persuadido a seguir o plano dos outros com o incentivo certo. acredita sempre que as pessoas são tão verdadeiras quanto ele, então crê muito no que elas lhe dizem.
observador. quando se fecha em seu mundo, principalmente nas fases mais difíceis de sua vida, não fala muito; isso lhe permite observar as pessoas ao seu redor com mais intensidade. em decorrência disso, é bastante intuitivo e toma as decisões com base nisso.
obsessivo. assim que encuca com alguma coisa, não desiste dela, seja uma ideia ou uma pessoa. diagnosticado clinicamente com toc, wolf repetidamente verificar as coisas, tais como verificar repetidamente para ver se a porta está bloqueada ou que o forno está desligado. além disso, possui pensamentos agressivos em relação aos outros ou a si próprio e a necessidade de ter coisas simétricas ou em uma ordem perfeita. tudo isso se deve ao luto não enfrentado, desde os cinco anos e que se perpetua até os dias de hoje.
@margotdbsl • 5 𝘥𝘦 𝘫𝘶𝘭𝘩𝘰 𝘥𝘦 2021, intervalo do almoço.
As coisas iam muito bem para Wolfgang de um jeito que ele jamais imaginou. Depois da prisão de Gastón e a sequência de fatos que se seguiram, o garoto se sentia como no finalzinho dos filmes onde tudo dá certo e todas as adversidades foram derrotadas... Ou pelo menos a maioria. O baile de formatura já era naquela semana— essa era a única coisa que martelava a mente dele nos últimos dias. Ele sabia que Margot tinha dito algumas vezes no passado que nem ao menos queria ir, mas isso tinha sido antes de eles namorarem. Apesar de Wolf estar mais feliz do que nunca e a maior parte disso ser por causa da garota, o Mateschitz sabia que ambos tinham visões muito diferentes de algumas coisas. Para ele, o baile era irrecusável. Ainda mais por causa do fato de que apenas em alguns meses precisariam ficar afastados por um oceano e isso não o deixava nada feliz.
Se dependesse do garoto, teria feito um musical todo na frente da escola inteira para pedir que a Dubois fosse a sua acompanhante. Isso, contudo, ia exprimir a sua própria dramaticidade e o seu gosto, não o que Margot ia gostar de receber. Por isso, ao em vez de reencenar High School Musical nos corredores da Truffaut, Wolf disse para a namorada que precisava lhe mostrar uma coisa e a guiou até o auditório. Estava tudo escuro e, com a lanterna do celular e ignorando as perguntas sobre por que aquilo, o garoto a fez sentar-se na primeira fileira da frente enquanto subia no palco. Sabia que o segundanista que pagou para ajudá-lo estava lá, então pegou o violão que deixou ali no chão posicionado e sentou no banquinho com o microfone. De repente, e como combinado, apenas a luz sobre o palco se acendeu, iluminando Wolf. Ele olhou para a garota e sorriu. ❝ — Eu fiz isso umas mil vezes na minha cabeça e a maior parte delas envolvia coreografias elaboradas na frente da escola inteira... Mas para poupar a minha vida e a sua dignidade, resolvi fazer um pouco diferente.❞ — falou. Wolfgang ajeitou-se no assento e posicionou-se para fazer os acordes, tocando a introdução de Chasing Cars enquanto observava atentamente a face da namorada. Ele sempre gostou daquela música e tinha até postado um cover nas redes sociais certa vez. Outras vezes, até achou que tinha compreendido o significado da letras; só que com o olhar fixo naquela garota ali na frente, o austríaco notou que esteve enganado esse tempo todo. Aquele era o sentimento certo e nenhum outro que veio antes disso.
Depois de ter finalizado a música, ele fez o sinal para o segundanista, que projetou as luzes no palco com o sinal luminoso da pergunta que queria fazer: PROM? ❝ — Margot Dubois Leroux, eu não sei o que vai acontecer depois da escola, mas eu sei que eu quero passar o último momento nela com quem fez tudo valer a pena. Você quer ir ao baile comigo?❞ — perguntou sorrindo enquanto ainda olhava para a garota.
A exposição do anônimo entristeceu Isla num nível que pensava que ele não conseguia mais lhe aborrecer. O ponto era: Valentin foi alvo dessa vez. Valentin. Ela não conseguia cruzar os olhos com ninguém pensando no mal que seu melhor amigo havia feito, ou poderia ter feito, àquele homem mencionado, e à família dele, por Deus. Quando todos começaram aquele assunto do qual Isla não queria fazer parte, principalmente pelos últimos acontecimentos da sua vida, foi atrás de ar puro. Notou Wolfgang em seu celular e aproximou-se, sentando ao lado do rapaz, e levando os dedos até os cabelos, ajeitando a presilha que segurava sua franja. “Conspiração ou não, cansei. Acho que eles estão brincando com fogo.” Opinou, antes de pender a cabeça para os lados, com preguiça. “Isso era para ser uma festa, não uma reunião de comitiva. Pela primeira vez, queria estar loucona dançando, não… assim.” Brincou, em resposta, tirando seus saltos altos dos pés para livrar-lhe do incômodo. “Por que você não está lá? Depois do… Bem, você sabe.” Mencionou o vídeo, tentando saber como ele estava acerca da exposição durante a peça.
🐺
Wolfgang assentiu para Isla. Entendia os dois lados; sabia que era importante juntar as informações e tentar arranjar uma solução para toda a loucura que estavam vivendo. Ainda assim, sabia que era arriscado e sabia que a Montbéliard estava certa nisso. ❝ — Eu sei... Mas acho que não dá pra culpar. Quer dizer, ele fez um trabalhão e tanto para arruinar a felicidade de geral na peça.❞ — comentou, olhando para os amigos. Era para ser um dia incrível. A peça de primavera era tradição e ainda por cima Wolf tinha se livrado finalmente dos Glock. Era para ter sido um dia para ser lembrado por motivos bons, mas -E sempre dava um jeitinho. Acabou deixando o assunto de lado e rindo do comentário da amiga. ❝ — Não seja por isso! Meios pra isso não faltam!❞ — disse, fazendo sinal para que a morena o seguisse até a mesa de bebidas. ❝ — Vou te preparar um drink. O que você quer?❞ — questionou, olhando para ela sorrindo. Mesmo que soubesse que era importante, no momento a cabeça do Mateschitz estava muito longe dali e incapaz de focar em qualquer coisa que a euforia de finalmente estar livre em vários sentidos. ❝ — Acho que me dei uma folga hoje. Já conspirei muito no mês que passou por uma vida inteira. E não sei se eu tenho muito para adicionar. Quer dizer, Chloé e Holly são muito melhores que eu nisso e têm as mesmas informações que eu.❞ — informou.
Wolfgang estava eufórico e muito feliz. Quando pensou no plano e esquematizou ele com Cédric, tinha suas dúvidas de que fosse dar certo mesmo. É claro que tinha ficado zangado com a exposição do anônimo, especialmente porque afetou pessoas que ele gostava, mas quando foi até a festa e o pessoal começou a falar sobre o assunto, tudo o que conseguia era ainda ficar viajando na própria sorte daquela noite. Estava mexendo no celular enquanto outros amigos falavam sobre a situação, quando notou Isla sentando ao seu lado. ❝ — Ei, tudo bem? Cansou da conspiração?❞ — brincou.
Depois de ter um momento eureka lendo os diários da sua mãe, Wolfgang se obrigou a procurar jeitos de se livrar daquela situação. Tinha esquecido o seu celular quando foi à casa dos Glock uns meses atrás e nunca mais o achou. Logo depois que Baptiste Dupont desaparece, misteriosamente pistas contra ele ressurgem e ele é preso pela polícia com base em dicas e no próprio celular que havia perdido. E, claro, qualquer um que o conhecesse poderia dizer que esse não era o tipo dele, e que realmente tinha mandado mensagem para os amigos e contatos avisando que perdeu o celular, mas como Chandler o orientou, isso podia ser apenas uma estratégia e Wolf não tinha provas, enquanto a delegacia tinha seu celular.
Então, ele precisava criar algumas provas.
ATO I.
Só que não era tão simples quanto parecia. Como ele podia provar que o avô era um babaca que estava há décadas sabotando a própria família? Lembrava de ter tirado fotos das transações para Baptiste, mas tinham todas ficado no antigo celular, então isso estava fora de questão. O homem era extremamente poderoso e sabia que ninguém de alta patente ou influente ia ajudá-lo, porque provavelmente já estavam no bolso dele. Como se derrotar o inderrotável? O evitar o inevitável? O único jeito na cabeça dele era pedir ajuda de alguém que não fosse influente escancaradamente, mas discretamente. Alguém que tinha poder, porém ninguém sabia disso. Alguém que podia descobrir qualquer coisa do seu avô sem que o contrário também acontecesse. Um hacker. O hacker.
Wolfgang realmente desejou que Cédric ainda ficasse de olho no antigo celular, porque seria um pouco constrangedor ter que ligar para a ex namorada pedindo para falar com o irmão. Felizmente, a sua mensagem de pedido de ajuda foi respondida no outro dia.
Quando soube que Eloise e Cédric tinham saído de Cannes, Wolf ficou um pouco triste porque tinha criado, ao menos em sua visão, um laço de amigabilidade. Gostava do garoto e não concordava com tratarem ele mal, especialmente porque Martin só fez tudo que fez por causa da família. Ainda assim, ficou feliz que o outro pudesse seguir em frente e que de alguma forma a vida o deu sim a sua irmã de volta... Exatamente por isso achou que não o veria mais. Então foi bem chocante, mas legal vê-lo na sua frente de novo no dia 13 de junho, batendo na sua porta.
❝ — Quem é vivo sempre aparece.❞ — foi seu cumprimento com um sorriso, que surpresamente recebeu de volta. “Eu não posso ir embora por umas semanas e tu já se enfia nessas roubadas”, respondeu ele. Depois disso, ele passou a tarde toda conversando com Cédric e explicando a sua situação. Foi um longo dia.
ATO II.
No fim das contas, o Martin só podia o ajudar até certo ponto. Claro que ele conseguiria puxar dados, conversas e até movimentações bancárias do avô, mas seria muito difícil que um juiz aceitasse isso, pelos meios ilícitos em que foram conseguidos. Ainda assim, os dados que ele extraiu serviriam para sustentar a defesa de Chandler e para que ele arranjasse meios de transformar aquelas provas que não tinham validade jurídica em algo cabal, como procurá-las por outro meios mais juridicamente aceitos.
Chegaram em concordância de que o melhor jeito de pegar Gastón era fazê-lo confessar. Mas como isso era possível? Primeiro que o homem não se retirava da sua fortaleza lá em Viena e, mesmo que viesse para Cannes, como iam conseguir a sua confissão por meios lícitos?
Essa parte ficou a seu encargo e, surpresamente, foi toda planejada por Wolfgang, cria de filmes e musicais de todos os gêneros e nacionalidades.
Primeiro, o Mateschitz precisou fazer uma visitinha na Mansão Glock. Precisou, com muito ódio no peito, pedir autorização do juiz para sair do país, mas depois de um acordo com Dietrich e o contato com a polícia, foi possível. Chegou com o rabo entre a pernas, triste, falando da sua prisão, dizendo que suspeitava do avô paterno. Já tinha percebido que falar mal do velho Mateschitz era a chave para o coração dos Glock desde sempre, então se utilizou daquela técnica para manipulá-los a ponto de que pensassem que ele tinha sido ludibriado por eles com muito sucesso. Para pessoas arrogantes, não bastava muito. Comentou sobre sua aceitação em Juilliard e que significaria muito para si que estivessem na peça de primavera que seria encenada no seu colégio, que seria uma forma de ter sua mãe consigo em um momento crucial.
Dito e feito.
O último passo para que aquilo desse certo era um esforço conjunto de Chandler e Cédric e Wolf ficou nervoso com o combo improvável; ainda existia muito que pudesse dar errado naquilo tudo.
ATO III.
No dia da peça, Wolfgang estava uma pilha de nervos. Precisava atuar de forma consistente e digna para não decepcionar os colegas e não fazer feio na frente de tanta gente importante (imagina se a Juilliard revoga a aceitação dele?); ainda assim, a única coisa que ressoava em sua mente era tudo o que precisava fazer e falar.
Antes do início do último ato, como combinado com o homem, Gastón veio falar com ele. O garoto respirou aliviado ao vê-lo entrar no camarim, porque chegou a imaginar que talvez não fosse dar certo. O velho o parabenizou e o encheu de elogios. Entrava aí a parte final do seu plano.
❝ — Obrigada. Significa muito a presença de vocês. Gostaria que minha mãe estivesse aqui.❞ — foi como iniciou a coisa toda. Gastón assentiu. “Ela está aqui, do jeito dela”, o clichê usado irritou muito Wolf e ele temeu não conseguir atuar do jeito que precisava. ❝ — Você acha que ela teria orgulho de mim? Sendo aceito na Juilliard? Às vezes fico me perguntando isso, se ela ou meu pai gostariam de quem eu sou e das escolhas que estou fazendo.❞ — declarou, encarando o avô com o que esperava ser um olhar infantil. “Eu tenho certeza que sim, ela se orgulharia de você independentemente de qualquer coisa. E seu pai, bom, não é meu filho, mas era como se fosse. Éramos muito próximos. Ele também teria muito orgulho, porque ele mesmo tomou decisões parecidas com as suas. Ele também notou que seu outro avô não era alguém para se ter por perto. Os dois teriam muito orgulho, filho, ainda mais de saber que você é corajoso e inteligente para entender as coisas e fazer as suas escolhas”, o garoto mal acreditou que um velho inteligente daqueles tinha caído na sua armadilha tão facilmente; achou que precisaria dançar um pouco mais para tal.
Agora vinha uma parte crucial. Ele precisava agir conforme o plano e não ferrar com tudo. Precisava. Fez uma oração silenciosa e então mexeu nos bolsos, se certificando de que o gravador do celular estava ligado. ❝ — É uma loucura que um avô faça isso com um neto, não acha?❞ — forçou o tom, voltando a encará-lo. Notou que alguma coisa mudou na expressão alheia, mas Glock era mestre em disfarçar. O homem assentiu. “É uma atrocidade da natureza”, afirmou. ❝ — Ainda bem que eu escolhi o lado certo da família. Não ia querer ficar do lado de um criminoso que planta evidências e comete acidentes contra a própria família.❞ — insistiu, e naquele momento o celular gravando quase escorregou da sua mão, de modo que movimentou o bolso e Gastón percebeu.
Bruscamente o mais velho puxou-o pela mão e tirou o aparelho do seu bolso. Um riso de deboche saiu dele. “Então essa era sua estratégia, garoto? Me arrancar uma confissão. Devo dizer que te subestimei, mas não muito. Isso é extremamente infantil da sua parte se achava que eu ia simplesmente soltar meus segredos para você gravar”, debochou ele. ❝ — Deve ser de família tentar plantar evidências.❞ — Wolf respondeu, olhando-o com raiva. “Bom, pelo menos você descobriu a verdade, o que quer dizer que não é completamente retardado. Pior para você, que vai ter que passar o tempo na cadeia sabendo disso. Me dizem que é pior, mas não sei, porque nunca aconteceu comigo”, o tom dele era enervante e se já não estivesse por um fio, teria agredido aquele velho ali mesmo. “Mas me diga, filho, tenho curiosidade de saber como descobriu”, demandou ele, cruzando os braços e parecendo interessado. ❝ — Os diários da minha mãe. Ela escreveu coisas sobre vocês e... Bom, só conectei os pontos.❞ — contou, fechando as mãos em punho, tentando conter o ódio que sentia por aquele homem bem ali. “Ah, Brigitte. Até quando não está aqui é a pedra no meu sapato. Depois de tudo que passei para fazer isso ter um fim, era de se imaginar que ia ter paz. Mas pelo visto é verdade o que dizem, o fruto nunca cai longe da árvore”, a frieza com quem ele falava aquelas coisas espantavam Wolfgang e o deixavam ainda mais tentado a perder o controle. ❝ — Você é um velho egoísta e ganancioso. Tudo isso pra que, hein? Dinheiro? Que dinheiro compra uma família?❞ — questionou.
A resposta foi uma sonora risada. “Esse é seu ponto fraco, Wolfgang, pensar desse jeito. Ou melhor, não pensar. Por qual motivo você acha que uma família perdida ia aparecer depois de anos? Com certeza não é porque quer te chamar para jantar. Você é um garotinho burro. O único motivo pelo qual vim aqui hoje foi porque queria ver a sua cara de derrota pela última vez antes de ser preso. Você surrupiou os diários da sua mãe, então imagino que saiba o que acontece com quem se mete onde não é chamado”, foi o tom ameaçador usado pelo mais velho. O garoto respondeu: ❝ — O que tá dizendo, então? Que você, Gaston Glock, mandou matar sua própria filha? Mandou prender seu próprio neto?❞ — questionou ele. Antes de responder, ele riu novamente. “Tem certeza que tem todos os neurônios, filho? Precisa que te desenhem? Você quem deixou seu celular na minha casa e eu seria um tolo de não usar isso ao meu favor. Quem sabe depois de sair da cadeia você aprende a não cair no papo das pessoas tão facilmente”, ironizou Glock; Wolfgang estava furioso. ❝ — Então não foi Baptiste DuPont que me entregou para a polícia...❞ — comentou e o avô balançou a cabeça. “Você acha que aquele covarde ia ter coragem de fazer isso? Ele saiu correndo assim que a coisa ficou feia para ele. Na verdade, é até inteligente da parte dele, pena que você não fez o mesmo, aí eu fui obrigado a fazer as coisas do meu jeito”, — continuou o homem. ❝ — Então você plantou evidências mesmo? Isso é crime!❞ — exclamou o garoto. O mais velho riu novamente. “Muitas coisas são crime nesse mundo e tem gente que liga muito para isso.. É por isso que podemos diferenciar os bilionários das pessoas comuns”, o homem proferiu. Os dois ficaram em sil~encio por uns segundos, e o celular de Wolf, que estava ainda na mão do avô, fez o sinal de mensagem.
Wolfgang sorriu, o que causou estranheza em Glock. “Perdeu completamente a cabeça, garoto?”, questionou. ❝ — Veja só, Gastón, você tem razão. Eu sou um garotinho inocente na maior parte das vezes. Talvez isso seja porque eu sempre senti muito a falta de uma família, ou sei lá o que, mas eu não sou burro. Como você bem disse, a fruta não cai longe do pé. E isso é verdade, mais do que você imagina.❞ — iniciou o seu monólogo. Agora que fez tudo que podia, precisava ter o seu desfecho naquilo tudo. ❝ — Uma vez eu perdi uma luta super importante, final de campeonato. Cara, aquela doeu. Não só porque ele me nocauteou, mas porque eu fiquei muito feliz quando soube quem era o meu competidor. Um garotinho, dois anos mais novo que eu, 15 centímetros a menos. Tá de brincadeira? Só podia ser a final dos sonhos. Eu fiquei me gabando disso por semanas. E sabe o que aconteceu? Ele me nocauteou com poucos minutos. Sabe por que? Porque eu fui arrogante. Igualzinho à você agora.❞ — foi muito satisfatório falar aquilo e o sorriso do austríaco apenas aumentava. ❝ — Você realmnente achou que eu fosse burro o suficiente pra quase derrubar o celular do bolso enquanto tentava te gravar e isso foi o que garantiu que não percebesse que tinha outra coisa te gravando. Ou pior, projetando a sua voz e imagem lá fora para o público inteiro ver.❞ — declarou, apontando para o macbook de Cédric posicionado em uma cadeira logo ao lado de ambos. ❝ — Game over, grandpa.❞ — disse, sorrindo. O rosto do homem ficou totalmente vermelho, mas antes que pudesse responder ou mesmo agredi-lo (Wolfgang se perguntou se ele não carregava uma Glock por aí), Bernard Chateaubriand abriu a porta. “Gastón Glock, você está sendo preso por suspeita de corrupção, extorsão, lavagem de dinheiro e homicídio”, continuou o homem enquanto fechava as algemas em seus pulsos. “Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que falar pode ser usado contra você no curso do processo. você tem direito a um advogado antes de ser interrogado e durante o interrogatório. se você não puder pagar um advogado, o estado irá lhe providenciar um”.
Enquanto via o homem ser carregado e algemado, Wolf sentiu-se emocionado. E não era por vê-lo finalmente ser preso por suas ações abomináveis, mas porque tinha reconstruído sua relação com Dietrich; porque tinha se reconectado com uma parte dos pais; porque tinha sido aceito pela universidade dos seus sonhos; porque tinha uma namorada incrível que amava muito; e porque tinha vingado os pais e tantas outras pessoas que o Glock insistia em fazer mal — pela primeira vez desde que nasceu, a vida nunca pareceu tão boa de ser vivida.
.. time to figure out, time to figure this thing out. this can't be all for nothing, but the smile is all that's on my face.
CANNES/FRA, 06 DE JUNHO DE 2021 — FLASHBACK.
Preciso escrever isso em algum lugar!!!!!! EU ESTOU GRÁVIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Caramba, eu não estava esperando isso, com certeza. MEU DEUS EU NEM ACREDITO QUE VOU BOTAR UMA CRIANÇA NESSE MUNDO MALUCO DOIDO SEM NOÇÃO.
Acho que agora mais do que nunca eu preciso fazer o que sempre disse que ia fazer: tornar o mundo melhor denunciando todo o esquema que eu sei. Eu devo isso à meu filho. SIM, EU ACHO QUE É UM MENINO!!!!!!!!!!!! Preciso contar ao Marc, mas não sei como ele vai reagir? Tudo bem, somos casados, mas não estavam nos planos engravidar nos primeiros anos. E quer saber? A culpa é meio que dele, que disse da última vez ‘ah não, somos casados, podemos arriscar UMA vez’. Parabéns, Marc.
Mas eu to feliz. Eu só espero que um dia ele tenha orgulho de mim. Eu sei que eu vou fazer de tudo para dar para ele a melhor vida que eu puder.
Brigitte, 12 de junho de 2000.
Wolfgang estava lendo os diários da mãe para se distrair e se deparou com essa passagem. Logo, ele não estava mais com a mente latejando esperando notícias de Chandler sobre seu caso, mas sim chorando porque a vida era ridiculamente injusta. Fechou o caderno de couro e deixou ele em cima da cama. Por que se davam ao trabalho de rezar para um Deus quando ele claramente não existia? Se ele existisse, porque tinha a coragem de permitir que pessoas como sua mãe morressem e pessoas como ele fossem presas sem fazer nada?
Claro, se lamentar não ia ajudar em nada. Toda aquela baboseira de existem pessoas muito piores em situações ainda mais aterrorizantes. Ele sabia disso, claro, mas era muito difícil permanecer esperançoso diante daquilo, especialmente porque não sabia muita coisa sobre o que estava enfrentando.
Por isso que quando o telefone tocou com a identificação de Chandler no visor, ele não hesitou em nenhum segundo ao atender. O que se seguiu foi uma extensa conversa na qual o advogado deixou bem claro o que tinha conseguido extrair da polícia: eles haviam recebido uma dica anônima sobre um ex aluno que estava dentro do esquema, um garoto de familia importante. Aí Baptiste sumiu e eles receberam outra dica com o nome dele envolvido. A suspeita era que a dica foi enviada pelo próprio Baptiste. Em geral, só isso não seria o suficiente para que fosse preso e indiciado, mas então um celular foi entregue nas mãos dos detetives. O celular dele, supostamente... E lá sim possuíam muitas informações valiosas. A dica dizia que ele tentou se livrar do aparelho e foi muito fácil comprovar que o objeto era dele mesmo, porque tinham suas fotos, contatos, redes sociais, tudo. O austríaco franziu o cenho. ❝ — Mas não pode ser, Chandler. Eu to com meu celular bem aqui, posso garantir...❞ — começou a falar, mas se interrompeu.
Foi então que a ficha caiu. Wolf tinha perdido o celular há uns meses e não conseguiu encontrar mais. Foi uma loucura porque ele não fez nada demais, mas nunca mais achou o aparelho em lugar nenhum. E tudo isso depois que saiu da casa dos Glock em Viena. Tentou explicar isso para o Beauchamp, mas na prática não tinha como comprovar aquilo, porque as dicas batiam direitinho com o que os detetives encontraram depois. Precisaria de algo concreto e inabalável para se salvar daquela.
Desligou o celular se sentindo furioso e desesperado. O caderno de couro em cima da cama que estava lendo anteriormente o chamou; alguma coisa dentro dele dizia que podia encontrar algo que fosse o ajudar ali.
Diário,
Hoje eu mudei oficialmente o meu nome. Quer dizer, sei que ainda não casei com Marc e vou precisar mudar de novo depois que isso acontecer, mas eu não consigo mais carregar o Glock tranquilamente por aí, e não só pelo tanto de coisa que eu sei, mas também pelo que eu quero fazer. É esquisito porque eles são péssimas pessoas que merecem o karma do universo todo, mas de alguma forma ainda são minha família e dói esse tipo de coisa.
A primeira esposa do meu avô era minha verdadeira avó, a mãe do meu pai, não a avó vinte anos mais nova que o velho quer ficar exibindo por aí. O nome de solteira dela era Kristina Friedemann. E por isso eu oficialmente agora me chamo Brigitte Sophie Friedemann. O Mateschitz a gente vê no que vai dar.
Brigitte, 12 de agosto de 1997.
Depois de ler, ele soube que estava certo. Todas as informações que adquiriu nos últimos meses simplesmente se uniram e deixaram tudo claro depois de ler as palavras de sua mãe. Ele já sabia o que fazer.
[ WOLFGANG para CHANDLER BEAUCHAMP ]: é muito difícil mudar o nome legalmente?
[ WOLFGANG para ??? ]: eu preciso muito da sua ajuda. urgente. me liga se receber isso
HEADCANONS DO FUTURO DO WOLFGANG, o troy bolton de cannes
Wolfgang vai ser condenado à reclusão por seis anos... Opa, mentira!
A última semana foi de completo surto para Wolf e ele esqueceu completamente que a resposta das universidades voltavam naqueles dias. Não estava esperando isso, a mente ainda ocupada pelos planos de como se livrar da acusação injusta que sofria no momento (e um plano já estava em ação). Por isso que receber a correspondência de Chiff, o porteiro, foi tão chocante naquele dia. Ficou olhando para a não comum pilha de coisas trazida pelo homem, pensando nervosamente que só podia ser alguma coisa da delegacia. Foi só depois de ver o papel timbrado que entendeu– o fato de não abrir e-mails nunca também contribuiu para que ele esquecesse. Antes de abrir a correspondência que duvidava ser inteiramente sua, Wolfgang preferiu abrir o e-mail e ver se encontrava lá primeiro. De alguma forma receber rejeição on-line parecia mais fácil do que ler em uma carta triste de "sentimos muito em informar...".
O plano de Dietrich Mateschitz era que o neto fosse estudar na Universidade de Viena em algum dos seguintes cursos: administração, publicidade e propaganda ou engenharia da produção. Os Mateschitz iam para a UV há décadas e era uma grande honra. É claro que o austríaco não tinha a menor inclinação para nenhum dos cursos que o velho insistia que ele fizesse. Ainda, ele não queria ir tão longe de seus amigos, e sabia que se ficasse na Áustria ia acabar se tornando seu avô, algo que não queria, por mais que o amasse. Por isso, ele aplicou para diversas universidades mundialmente reconhecidas pelo seu programa exemplar de artes cênicas: Juilliard, Royal, NYU, Oxford, UCLA, CNSMDP, Harvard. Todos esses lugares ele sabia que estaria pelo menos perto de alguém que gostava.
Depois de muitos e-mails de spam, o garoto chegou no que esperava. Todas as faculdades haviam mandado a mesma coisa que estava nas cartas que recebeu de Chiff. Sete e-mails. Ele respirou fundo e clicou no primeiro. Harvard, negado. Ok, ele realmente não estava esperando passar lá. Ou em fucking Oxford. Sabia da sua realidade acadêmica e do que era esperado naquelas duas instituições, então não se surpreendeu muito. A negação da Royal, porém, doeu em Wolf; aquela era a sua última chance de ficar perto de Margot e sabia que agora não tinha outro jeito senão a distância. Conforme foi negado pela CNSMDP, ele começou a se perguntar se realmente passou em alguma. Começou a entrar em pânico, mas os e-mails positivos da UCLA e a lista de espera na NYU o deixaram mais tranquilo. Pelo menos não era totalmente fracassado. Já estava até estourando a champanhe em comemoração e não esperava mais nada quando abriu o e-mail de Juilliard. A melhor faculdade do mundo nas artes cênicas. Se não tinha naipe para passar na NYU sem lista de espera, com certeza que não teria para ela, a universidade dos sonhos. E ainda assim um milagre sorria para ele ali no seu e-mail com 500 mensagens não lidas. "Sr. Mateschitz, temos o prazer de o informar...". Ele sorriu de verdade pela primeira vez nas duas últimas semanas.
Dietrich precisou de muito álcool no sangue e calma dada pela sua companheira Marion para aceitar que o neto iria fugir do plano traçado por ele para ser ator e cantor. Claro, a presença da namorada encantadora que o neto conseguiu conquistar ajudou bastante, e no fim das contas o mais novo saiu da casa do avô com um "vamos conversando" e a confirmação de que ele estaria na peça de primavera da Truffaut para "avaliar no que estarei investindo".
Em setembro de 2021, Wolfgang Mateschitz se mudou para New York e passou a atender as aulas na Juilliard School of Music e, nas horas vagas, chorar de saudade da namorada. Só para variar, a sua companheira de apartamento vai ser novamente Chloé, a sua amiga desde o berço.
“Graças ao clube de ciências ninguém sabe que isso aqui existe!” Clémentine tentou fazer sua melhor impressão da fala de Troy em High School Musical, mais para aliviar o clima do que para qualquer coisa. Ela não tinha uma boa razão pela qual estava no terraço, os últimos dias estavam sendo mais fugindo dos problemas dela e dos de seus amigos que desde o ano passado meio que acidentalmente acabaram se tornando um só. Ficou sabendo sobre o que tinha acontecido com o amigo, claro, mas sabia que não havia nada em seu poder que podia fazer para ajudá-lo. Sabia muito bem quem Wolf era, e tudo o que tinha feito era um ritual de boa sorte. “Respondendo à sua pergunta,” Clem chegou perto o suficiente do amigo no parapeito e apontou lá para baixo, onde se podia ver a amiga em comum dos dois que usava uma tiara grande e chamativa. Faheera. Que Clem e Fahe estavam brigadas há algum tempo não era segredo para ninguém. “estou fugindo dela. Não tem nada a ver com o nosso desentendimento, se é o que está pensando. É só que… acabei prometendo à ela que iríamos estudar e quero dar uma respirada antes das provas finais.” Suspirou, “Se alguém me perguntar sobre faculdade, eu acho que choro.” Percebendo que estava praticamente falando apenas sobre si mesma, Clémentine se virou para Wolfgang primeiro observando a expressão do amigo. “E você? Não vai pular, vai? Se você morrer, eu juro que te trago de volta! Eu tenho que acertar quem você vai levar pro baile naquele bolão. Então, não morra!”
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A presença de Clémentine acalmou Wolfgang; era decididamente melhor conversar com ela do que precisar desviar do olhar e perguntas de curiosos. ❝ — Como no jardim da infância.❞ — respondeu sorrindo enquanto se virava para olhar a amiga melhor. Escutou seu relato e olhou para Faheera lá embaixo e assentiu. Wolf não se metia muito nos assuntos dos amigos, especialmente se era uma briga interna, mas estava sempre esperançoso de que elas se acertassem. ❝ — Vocês brigaram há tanto tempo que eu nem lembro mais pelo que. Por que vocês não se desculpam logo? O ano tá acabando e... Bom, vai saber quando vamos nos ver todos juntos?❞ — questionou sinceramente. Um pensamento meio sombrio permeou a mente do Mateschitz– e talvez eu esteja preso e vocês precisem me visitar na cadeia, então uma briga com certeza ia deixar o clima ruim. Odiava pensar aquelas coisas porque não ajudava em nada, mas era inevitável. Por isso, ele nunca verbalizava, porque não queria que ninguém pensasse que ele estava algo além de confiante. ❝ — Não vou perguntar de faculdade pra você se não perguntar pra mim. A menos que queira fazer uma aposta de quem chora primeiro. E você sabe que seria eu.❞ — brincou, piscando para a Agreste. Refletiu sobre como ia responder a pergunta; decidiu que era melhor ser honesto. ❝ — Eu to fugindo de todo mundo. Eu nem queria tá aqui, mas... O juiz disse que era uma das condições pra eu não ser preso ou usar tornozeleira. Tudo isso e uma loucura, Clém.❞ — suspirou, passando a mão direita pelo cabelo. Um sorriso fraco ainda conseguiu surgir em seus lábios diante da menção do baile. ❝ — Pelo menos agora ficou fácil de adivinhar. E eu te devo um pedido de desculpas também, por fazer as pessoas duvidarem de você porque queria esconder meu relacionamento com a Margot. Você tava certa, claro. A gente só não tava totalmente pronto para assumir.❞ — comentou.
castiel não julgou wolfgang. não quando recebeu a ligação e ficou sabendo do ocorrido, não quando teve que correr atrás de resolver a situação, não quando foi pessoalmente tirá-lo daquele maldito lugar, e muito menos quando o amigo desabou. wolfgang era uma das pessoas mais importantes na vida de charles henry, era parte de sua família francesa, e alguém que havia conquistado sua lealdade. assim, castiel fez o possível e o impossível pelo amigo, o amparando como podia e sabia ser preciso. tentava manter o clima leve no silêncio do carro, especialmente agora que ele havia colocado o choro para fora e tinha se acalmado, assim soltando uma leve e breve risada ainda sem tirar os olhos da estrada para responder “relaxa, cara. sabe que não precisa se explicar. além do mais… algo sempre me disse que a margot seria a ‘alfa machona’ da relação de vocês.” brincou, imaginando que lembrar o amigo da garota poderia ao menos deixá-lo mais feliz. como acontecia consigo, quando pensava em amelia. “tem uma garrafinha d’água e um pacote de lenços no porta luvas.” indicou com a cabeça, mantendo um meio sorriso, sem qualquer tom caçoante ou de julgamento. suspirou, então, e seu semblante tornou-se mais sério ao ouvir a confissão do amigo “eu também não… mas sei que vou te tirar dessa, irmão. pode contar comigo.” afirmou firmemente. “agora… por que diabos eles acham que você está envolvido nisso tudo?” quis saber, e em seu tom, ficava claro - como ele já havia deixado antes - que castiel não acreditava que o amigo era, de forma alguma, culpado pelo que era acusado.
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Wolfgang riu do comentário de Castiel. É claro que como seu melhor amigo ele era a opção mais óbvia, mas o Windsor também era a pessoa certa para se ter naquelas situações e aquilo só comprovou essa teoria. ❝ — Só você pra me fazer rir na situação mais sem graça do mundo.❞ — comentou. Logo em seguida, seguiu a orientação do inglês e buscou a garrafa de água no porta luva. ❝ — Virou Uber?❞ — devolveu a brincadeira. Wolf assentiu e sorriu fraco para Cas. Apreciava o apoio dele, mas não sabia se seria tão simples sair daquela, nem mesmo para um príncipe. Achava que a coisa era muito mais complicada do que parecia, porém não quis vocalizar isso ainda. Deu de ombros diante da pergunta alheia. ❝ — Eu realmente não sei. Lavagem de dinheiro, suborno, extorsão... Por acaso tenho cara de quem faz isso? Eu nem sei onde, como ou quando isso pode ter acontecido, nem como eu vim parar aqui. O pai da Chloé ficou de me avisar sobre mais informações, mas acho que vou precisar esperar a audiência de instrução.❞ — fez uma careta, um arrepio correndo pelo corpo quando falou sobre aquilo. Sacudiu a cabeça e então fez a pergunta que mais queria naquele momento: ❝ — Você... Falou com a Margot?❞ — e então mordeu o lábio inferior em preocupação com a resposta daquilo.
as brincadeiras sem graças de alguns colegas de classe sobre o gosto para homens quase não a afetavam, principalmente porque não era como se gostasse deles o suficiente para se perder seu sono pensando no que faziam quando estavam longe dela. a notícia que seu namorado — o primeiro, diga-se de passagem — estava na delegacia, porém, a tirou de órbita; fosse por ter recebido o aviso de que ele não a queria lá, fosse por não imaginar razões para que ele tivesse sido detido, a verdade era que nem mesmo a exposição provocada pelo anônimo a fez pensar em outras coisas. sentia-se frustrada, claro, e dedicou a maior parte de suas horas pensando em ignorar o pedido do austríaco enquanto xingava todos os envolvidos na história, incluindo o próprio, pelo pedido irracional. mas a expressão fechada, irritadiça, se suavizou no instante em que o viu parado do outro lado da porta; depois, enquanto adentrava o apartamento antes que o rapaz pensasse em convidá-la propriamente, o cenho franzido refletia a sua expressão confusa. ❛ por você ter sido preso? ❜ indagou, incrédula que o primeiro instinto do rapaz fosse lhe pedir desculpas e presumir que o acontecido teria gerado algum sentimento daquela natureza. ❛ olha, eu não me importaria de ter estado lá por você ❜ proferiu em esclarecimento, referindo-se ao pedido alheio para que não fosse vê-lo na delegacia. ❛ e eu fiquei muito irritada por ter ficado em casa, xingando inúmeras gerações da família de quem armou essa merda para você… mas se você fizer essa merda de novo, eu não vou respeitar o seu pedido, entendeu? não me mande ficar em casa da próxima vez ❜ o seu tom era levemente irritado ao final da frase, o traço sendo bastante incomum em seu cotidiano, mas também era brutalmente honesto; tinham sido horas estressantes, afinal de contas. ❛ isso não importa agora! como é que você está? ❜ deixou que a sua postura preocupada assumisse, aproximando-se do rapaz, as suas mãos indo imediatamente cada uma para um dos braços masculino, como se pudesse saber como o rapaz daquela forma.
Escutou o que Margot tinha para falar em silêncio. Ela tinha toda a razão de ficar brava com ele e ele apenas precisava escutar. Ainda assim, realmente parecia estúpido da parte dele pedir desculpas por ser preso. Pelo menos a namorada não achava que Wolfgang fosse culpado por alguma coisa e isso o deixou mais aliviado. ❝ — Me desculpa por te preocupar. Só que eu não queria que você me visse lá. Não queria fazer você ter que pisar em uma delegacia por minha causa. E disso eu não me arrependo, tá? Você não deveria nunca estar com alguém que te faça passar por isso.❞ — falou, colocando as mãos no bolso da calça de moletom. O que ele mais queria era fazer a Dubois feliz e ser preso logo nas duas primeiras semanas de namoro não era um ótimo começo. Sorriu diante dos xingamentos dela, porque apesar de estar dirigindo toda aquela raiva à ele, só fazia ela ainda mais linda. ❝ — Sim senhora.❞ — foi tudo que respondeu. A aproximação repentina foi bem vinda e Wolf puxou as mãos dela dos seus braços para colocá-las nas suas. ❝ — Já estive melhor. A parada da cadeia e tal foi de boa. Quer dizer, não foi tão ruim igual nos filmes. O que é ruim mesmo é não saber como eu parei aqui ou como vou sair dessa.❞ — confessou. Inicialmente pensou que precisava ser forte para ela e para as amigas, mas o austríaco pretendia ficar do lado dela por muito tempo e isso quer dizer ser honesto, mesmo quando não se quer ser. ❝ — E como você tá?❞ — devolveu a pergunta.
𝑸𝑼𝑨𝑵𝑫𝑶: 02 de junho de 2021, algum momento do dia.
𝑶𝑵𝑫𝑬: terraço.
𝑸𝑼𝑬𝑴: wolfgang & @gngstarters.
Era quarta-feira quando Wolfgang finalmente conseguiu dar as caras na escola. Não gostaria de ir nunca mais se fosse honesto, mas se queria se formar precisava comparecer às aulas (assumindo que ainda existia um futuro que fosse fora da cadeia). Além disso, foram ordens do juiz dele continuar estudando para não precisar usar tornozeleira eletrônica. Só que em certo ponto do dia todos os olhares e cochichos deixavam-no sufocado. Ele não gostava normalmente de ficar sozinho, mas ultimamente estava preferindo. Ia para as aulas e saía delas mudo e calado. Era difícil falar quando só tinha uma coisa em mente: como sair desse buraco? Por isso o austríaco ia com ainda mais frequência para um lugar não muito frequentado: o terraço. Queria ficar em paz lá em cima e ver se conseguia pensar em alguma fórmula mágica, um feitiço para livrá-lo daquilo. Mal percebeu que não estava mais sozinho. O garoto suspirou. ❝ — Então, veio pular, tá fugindo da polícia ou só veio mexer na estufa mesmo? Tag yourself.❞ — falou, soltando uma risada meio nervosa.
Mesmo tendo voltado para casa, Wolfgang ainda estava em estado de choque. Não conseguia processar exatamente o que aconteceu, mas o pior era que não tinha a mínima ideia de como sair daquela enrascada, ou mesmo como chegou nela. Soube que ficaria sabendo exatamente quais eram as provas mais para frente e Chandler prometeu informá-lo em breve, mas ainda estava extasiado demais para pensar nessas coisas. Só tinha realmente uma pessoa que queria ver naquele momento e assim que a porta bateu no horário marcado com ela, Wolf não esperou nem um segundo para correr atendê-la. Ver Margot o encheu de alívio, mas também o entristeceu: ela não merecia estar namorando problema, não depois de tudo que ela passou. ❝ — Me desculpa.❞ — foi o que disse, mesmo que não soubesse o porquê. Queria se desculpar por fazê-la passar por isso, porém nem o austríaco sabia como chegou naquele ponto. ❝ — Você tá brava comigo?❞ — perguntou, a expressão mudando para a preocupação e já jogando a mão no cabelo de forma nervosa. Nem pensou nisso até então, mas ela poderia estar ali para terminar. E ele não ia culpá-la muito se fosse isso mesmo.
𝑸𝑼𝑨𝑵𝑫𝑶: 29 de maio de 2021, depois de ser liberado.
𝑶𝑵𝑫𝑬: no carro com castiel.
𝑸𝑼𝑬𝑴: wolfgang & @kngcvsticl.
Sim, ele chorou quando estava a sós com Castiel. Não era um choro como os outros, de fraqueza ou medo, mas sim de desespero. Ele aguentou o tranco calado e impassível desde o dia anterior quando foi algemado, mas na presença de alguém familiar assim era difícil. E pensou que deveria fazer isso agora na companhia do melhor amigo do que depois na frente de Margot, Holly ou Chloé, para quem preferia passar um ar mais tranquilo. Quando ele se acalmou, acabou soltando uma risada nervosa. ❝ — Foi mal, cara. Eu... Acho que foi demais para vinte e quatro horas.❞ — se explicou, mesmo que com ele não precisasse. A voz saiu meio chorosa, mas o Mateschitz limpou a garganta. Pronto, tinha se aliviado e agora era hora de seguir em frente. Precisava se fosse querer sair daquela. ❝ — Eu só não sei como isso aconteceu ou como sair dessa.❞ — confessou.
28 e 29 de maio de 2021, delegacia de polícia de Cannes/FRA.
O tempo todo que passou desde o momento em que foi algemado até chegar na delegacia, Wolfgang não sabia o que estava acontecendo. Ninguém quis responder suas perguntas ou o informar o que estava realmente acontecendo. Na verdade, um dos policiais só repetia que ele ficasse quieto e esperasse chegar no precinto. Durante o caminho todo, Wolf não sabia pelo que realmente ele estava mais chateado: porque estava sendo preso por um crime que não cometeu, porque precisaria ligar para o avô recém saído do hospital ou porque deu um bolo em Margot e ainda teria que fazê-la passar pelo estresse de receber as notícias sobre aquilo. Queria fazer mil perguntas e se explicar aos três homens, mas dentro da sua cabeça uma voz que parecia com a mistura perfeita de Chloé e Holly o orientou: não fale sem um advogado e não os de informações, o trabalho é deles então não torne as coisas mais fáceis. Assim, ficou em silêncio até chegar no destino final.
Quando isso finalmente aconteceu, o austríaco ainda estava anestesiado, portanto mal tinha consciência enquanto estava sendo fichado (ainda bem, porque foi meio decepcionante se comparasse aos filmes— nada de mugshot ou dedo no carimbo, ele só respondeu umas perguntas de dados pessoais). Foi jogado em uma cela que não era nada do que ele esperava para uma cadeia também. Antes de deixá-lo completamente sozinho, um dos três homens repetiu seus direitos e depois disse: "Você tem direito a uma ligação. Amanhã, você terá sua audiência de custódia com o juiz, que vai decidir se você fica preso ou não. Entendeu?", ele questionou e Wolf assentiu; não tinha forças para fazer mais nada além disso.
A questão do telefonema era mesmo complicada. Podia ligar para as melhores amigas, mas não queria atrapalhar seu fim de semana com algo que ele esperava ser resolvido logo. Chloé tinha Ben e Holly também tinha seus próprios planos como ele bem sabia, e não tinha coragem de preocupa-las assim. E Margot... Não, ele preferia morrer do que fazer a namorada pisar naquele lugar e ainda ter que ver ele por detrás das grades. Só existia uma pessoa para quem ele podia ligar. O policial o observou bem de perto enquanto ele discava o número de Castiel e o passava as instruções. Amanhã ele precisaria que alguém o buscasse e será que ele poderia avisar todo mundo, inclusive seu avô? Porque Dietrich saberia qual advogado mandar. E, por favor, que ele dissesse para todos que não queria ninguém além do Windsor o esperando na delegacia e que os encontraria no Semiramis, era seu desejo, não, súplica final. Sabia que existia a possibilidade do amigo ir até lá e fazer um escândalo, mas no fim das contas ele adormeceu na noite do dia 28 sem muitas mudanças.
Ele julgou ser cedo no outro dia quando um homem bateu nas grades da cela. Wolfgang sentiu um peso no estômago; tinha sonhado e esquecido onde estava e agora a realidade era devastadora. Comeu um café da manhã que não era exatamente ruim e foi escoltado até uma pequena sala, onde se sentou. Logo depois, Chandler Beauchamp entrou e disse que queria conversar com seu cliente a sós. O austríaco apenas assentia conforme o homem falava e tudo que conseguia pensar olhando para ele era na sua amiga e se ela estava surtando muito. Pelo menos sabia que ela não estava sozinha e isso já era bom. O juiz leu os artigos das acusações e escutou as duas partes, Ministério Público e Chandler, sua defesa. Para a infelicidade do primeiro, o magistrado decidiu por libera-lo diante dos seus bons antecedentes e por ainda ser um estudante. "E sem tornozeleira, doutor, porque eu imagino o estigma que ele precisaria enfrentar na escola. Tirar crianças da educação não é nosso propósito", decidiu ele. Wolf sabia que deveria se sentir feliz, mas não conseguia esboçar nenhuma reação à nada.
Ele ainda ficou horas na sua cela, sendo informado de que precisavam esperar que o mandado de soltura fosse expedido. Depois do que pareceram séculos, um guarda foi até seu encontro e o escoltou para o corredor. Do lado de fora, foi desalgemado. Seguindo para a sala de espera, ele encontrou Castiel e ficou aliviado que tinham respeitado seus desejos. Não queria que nenhuma das mulheres da sua vida o vissem naquelas condições. Foi só na companhia de Castiel que ele conseguiu finalmente esboçar alguma reação: começou a chorar.
Wolfgang tinha acabado de desligar com Dietrich no celular; o avô tinha insistido que a namorada fosse apresentada a ele e, por mais que ele achasse que ainda era cedo para assustar Margot ao conhecer o velho Mateschitz, ficava feliz em ouvir o termo namorada relacionado a ela. Seu relacionamento ia bem, a relação com o avô também e nada mais importava. Tinha até mesmo esquecido das descobertas feitas na mansão dos Glock e no pequeno embate com o Gaston, como se fizesse parte de uma vida passada.
Ou ao menos era o que pensava.
Wolf sabia que estava sozinho naquele momento. Tinha marcado de se encontrar com Margot em outro lugar logo mais e sabia que as companheiras de apartamento tinham seus planos próprios. Por isso mesmo que a batida na porta o surpreendeu. Franziu o cenho e foi até a sala cantarolando, sem nem ao menos olhar para o olho mágico. Ao abrir a porta, o sorriso sumiu e deu lugar ao estranhamento, que logo foi substituído pelo medo ao observar três figuras masculinas e olhar as insígnias atreladas aos uniformes. ❝ — Posso ajudar?❞ — questionou, ainda sem entender o que estava acontecendo. Achava que podia ser engano. "Wolfgang Dietrich Glock-Mateschitz?", questionou um dos três. Ele assentiu. Rapidamente, antes mesmo que pudesse esboçar alguma reação, o maior deles puxou algemas do bolso e habilmente puxou-o pelos pulsos e prendeu-o. ❝ — O que...?❞ — tentou se pronunciar, mas estava em completo choque. "Você está sendo preso por suspeita de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro", continuou o homem enquanto fechava as algemas em seus pulsos. "Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que falar pode ser usado contra você no curso do processo. Você tem direito a um advogado antes de ser interrogado e durante o interrogatório. Se você não puder pagar um advogado, o estado irá lhe providenciar um", finalizou o homem enquanto os quatro seguiam para o elevador e o austríaco era escoltado para fora do prédio e para dentro da viatura policial.
Wolfgang sentia muitas coisas ao mesmo tempo: confusão, medo, raiva, vergonha. E enquanto estava no banco traseiro da viatura só conseguiu pensar em uma coisa lógica: precisava ligar para alguém que ligasse para o seu avô... Com certeza essa seria uma circunstância bem não ideal para fazê-lo conhecer a sua namorada.
holly sorriu, sentindo extasiada pelo amigo e pela experiência que ele vivia. embora tivesse sua própria aversão a relacionamentos sérios — certo, ela bem que adoraria viver um romance clichê de comédias românticas com grandes gestos românticos e tudo como o número musical de patrick verona em dez coisas que odeio em você, mas não achava que tinha capacidade pra isso —, sabia que wolfgang mateschitz esbanjava romantismo e chegou a pensar que nunca veria aquele olhar bobo e apaixonado no rosto dele de novo. então, sim, estava excepcionalmente feliz pelo amigo, acima de tudo. — ❝ espero que você esteja planejando em mudar esse status logo porque, bem, estamos há dois meses do baile. ❞ — instigou, como quem não quer nada. mas, na verdade, queria detalhes sobre o pedido de namoro. se conhecia bem wolfgang, ele já devia estar pensando em algo bem extra. revirou os olhos, mediante a brincadeira alheia. — ❝ é uma promessa, wolf. ❞ — sentou-se sobre o colchão, de modo que a nova postura a permitiu erguer uma mão e colocar a outra sobre o peito como habitualmente faziam em juramentos. — ❝ mas saiba que eu não funciono muito bem sob pressão então… me deixa ir no meu ritmo, tudo bem? ❞ — brincou. ele sabia que holly não faria nada drástico, a menos que ela descobrisse que ele teve seu coração partido pela dubois. então, no máximo, ela deixaria um recado implícito e amigável para que margot cuidasse bem dele da próxima vez que visse a outra garota. mais uma vez, precisou revirar os olhos. não entendia como todas as pessoas ao seu redor, com exceção de chloé graças a deus, podiam gostar tanto de uma pessoa tão mau caráter quanto eloise. de certa forma, talvez devesse ficar positiva em relação a isso, porque pode ser um indicativo de que ela também será facilmente perdoada quando seus segredos virem à tona. — ❝ não acho que ela mereça toda essa consideração e todo esse carinho depois de tudo que fez. mas, bom, vocês nitidamente são pessoas melhores que eu. e já que você está tão de bom humor, talvez seja um momento oportuno pra confessar que há uns três ou quatro meses eu passei um valentino e várias compras do ifood no seu cartão. ❞ — brincou, aguardando pela reação dele. ouviu ele contar sobre sua relação com margot e, bem, fazia muito sentido tudo o que ele dizia e ele parecia realmente muito feliz. — ❝ talvez agora eu odeie sua ex um pouco menos, por esse surto repentino de bom senso que ela nunca teve. ❞ — aproximou o indicador e o polegar da destra para indicar uma quantidade ínfima. — ❝ por que você não convida ela pra jantar aqui? você meio que deve uma apresentação formal à koko e a mim, depois da gente ter esbarrado com ela saindo furtivamente do seu quarto e termos fingido demência. ❞
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❝ — Eu tô. Aliás...❞ — iniciou, se ajeitando na cama para olhar bem para Holly. Fazia um tempo que Wolfgang pensava em pedir Margot em namoro, mas muitas variáveis o impediam e Eloise era só o começo daquilo. ❝ — Preciso de uma opinião. Eu tava pensando em... Pedir ela em namoro. Na viagem em Paris. Mas...❞ — hesitou, enquanto formulava as palavras. Ainda era uma questão difícil para Wolf pensar, em muito porque tentava não fazê-lo. ❝ — Será que eu to sendo idiota? Quer dizer, você mesma levantou isso, faltam dois meses para o baile. E depois... Sabe lá o que vai acontecer.❞ — disse, mordendo o lábio inferior em preocupação. Não tinha comunicado aquilo para ninguém até agora e até que era um alívio ter alguém para expressar aquilo, mas tinha medo da resposta e do que o tempo poderia fazer.
Apenas sorriu enquanto a Cotillard prometeu dar o seu melhor para ser amigável com a Dubois. No fim das contas, o Mateschitz achava que aquela conversa era só formalidade, porque para ele era basicamente impossível que Margot não conquistasse a simpatia das suas amigas. Na visão do austríaco, não poderia existir alguém que não caísse no seu encanto. Wolf passou a mão pelo cabelo e riu. ❝ — Acredite em mim, eu sei o quanto ela pode ser... Sacana. Mas Margot e ela foram amigas por muito tempo e eu não sou um cuzão. Mesmo depois de tudo.❞ — deu de ombros. Eloise talvez não merecesse a consideração dos dois, mas isso não queria dizer nada. Respeitar os sentimentos dela era o certo a ser feito e Wolfgang sempre ia preferir seguir aquele caminho. ❝ — Devo ficar preocupado com o fato de você ter decorado meu cartão e senha ou de ter furtado ele da minha carteira? Deixa, melhor eu não saber detalhes.❞ — riu diante da confissão da melhor amiga. Ele não se importava muito com isso, afinal, a menos quando Dietrich ralhava com ele por gastar demais e não ter noção do dinheiro. ❝ — Se ela aceitar namorar comigo, eu prometo que cozinho pra vocês três.❞ — piscou para a loira.
normalmente, suas demonstrações públicas de afetos eram discretas — e as mãos dadas provava isso —, mas os gestos de nervosismo do rapaz a incomodavam genuinamente — a impossibilidade de resolver aquilo que o aflingia era mesmo perturbador —, de forma que a garota não teve outra opção que não interromper o seu trajeto, forçando-o a parar junto. ❛ se eu pudesse, juro que contaria por você ❜ admitiu em um tom baixo, apertando a mão alheia que ainda segurava, mas se aproximando dele, agora de frente, despreocupada que o ato talvez demonstrasse ainda mais a natureza real daquela relação que cultivavam nos últimos meses. ❛ mas ele é a sua família, tenho certeza que não será a sua escolha de carreira que vai mandá-lo para o hospital ❜ garantiu, mesmo que não conhecesse o avô dele para afirmar com tanta certeza; mas o desejo de amenizar as coisas, pelo custo que fosse, falava mais alto. riu baixo com o comentário alheio sobre todo seu sucesso em conquistá-lo, contente por tê-los feito pararem ali, mesmo que pudesse ter algum colega de classe curioso por perto. ❛ fico feliz que tenha me convidado hoje ❜ as suas palavras eram sinceras, como tudo que tinha dito até então, e ela não hesitou em romper com a distância curta entre os dois para que pudesse beijá-lo rapidamente — certamente muito mais rápido do que gostaria — em complemento ao agradecimento falado. mesmo assim, tinha um sorrisinho nos lábios ao seu afastar, sendo a sua vez de piscar para o rapaz, e, finalmente, voltando a puxá-lo na direção para a direção do quadro. ❛ o meu pai tem um piano em casa, me colocou para aprender quando eu era criança ❜ ela contou, ainda que não fosse tão boa com instrumentos musicais e canto como o rapaz. ❛ fiz danças clássicas também, ainda faço como extracurricular no colégio ❜ não costumava ser muito falante sobre a própria vida, mas havia algo de fácil em contar sobre as coisas que já tinha feito ou os planos futuros para o austríaco. a pergunta sobre o gosto pelas artes a fez assumir uma expressão pensativa, porém. ❛ os meus pais também me colocaram para aprender pintura, acho que esperavam que eu tomasse gosto e parasse de aprontar pela casa, sei lá… acho que ouvir sobre as artes alheias me deixava mais empolgada que produzir, então minha professora me deu muitos livros sobre o assunto, talvez para que eu não pertubasse o juízo dela ❜ riu com a própria história, dando de ombros sutilmente. ❛ não sei se sempre tem tantas pessoas, mas acho que sim, sempre há muitos turistas no país… antigamente, não haviam tantas pessoas dando atenção para a obra, mas ter sido roubada em 1911 mudou as coisas, agora são quase cinco metros de distância entre os observadores e o público também ❜
❝ — Vamos ver. Acho que mais cedo do que tarde.❞ — admitiu, pensando que já era maio e logo Wolfgang precisaria ter aquela conversa com o avô. Depois do acidente dele, a relação estava muito melhor, por isso mesmo ele ficava receoso em estragar aquilo. O beijo roubado por Margot foi inesperado, mas deixou um sorriso bobo estampado no rosto de Wolf por muitos minutos. Ele não mudaria nada no que eles passaram até agora, mas era libertador poder fazer isso publicamente. ❝ — Fico feliz em ter acertado o destino.❞ — respondeu, piscando. Seguiu pelos corredores no encalço da Dubois, a mão ainda na sua. Escutou atentamente enquanto ela explicava seus motivos sobre gostar de arte, assentindo conforme seguia. ❝ — Então você era uma capetinha. Acho que o tempo não mudou muito isso.❞ — brincou, porque a morena realmente não passava a impressão de ter sido quietinha e comportada, especialmente porque a conhecia melhor agora e sabia que aquilo era distante da realidade. Olhou-a de canto de olho sorrindo; parte dele poderia ficar horas ouvindo Margot falar sobre qualquer coisa que fosse. ❝ — Então a obra foi roubada em 1911? Como assim...❞
***
❝ — Não dá pra acreditar que a Monalisa era aquilo. Pô, era minúscula! E as pessoas enchem o Louvre por isso? Inacreditável. Por que eu sempre achei que ela tinha, sei lá, um metro? Repensando aqui a genialidade do da Vinci. Se eu fosse baixinho igual você, era capaz de nem ver.❞ — comentou enquanto os dois saiam da sala que estava apinhada de turistas. Não estava fingindo o choque e nem forjando comentários; Wolfgang ficou realmente impressionado e surpreso com a diferença da realidade e das suas expectativas. Agora, os dois caminhavam em direção à sala onde se encontrava a Liberdade guiando o povo, conforme combinado. ❝ — Então, enfim, a tal da Liberdade.❞ — comentou, enquanto os dois se aproximavam da sala. Essa ele sabia onde era porque precisou fazer alguns preparativos, mas achou que era de bom tom continuar assim. ❝ — Não me diga que ela tem trinta por quinze centímetros também.❞ — riu, tomando a mão dela na sua novamente.